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DDO: Ceptro da Pureza

por Andrusca ღ, em 15.10.14

Capítulo 20

O Sítio Mais Seguro * Parte 1

 

Chelsea abriu os olhos. Estava confusa, sentia a cabeça a andar à volta e o seu corpo pareceu demorar séculos até lhe começar a obedecer. Quando tal aconteceu, levantou-se e tentou ver através da escuridão do sítio onde estava, mas era inútil.

- Luz – pediu, agarrando no pingente. Este começou a expelir uma luz arroxeada, que lhe permitia ver um pouco à sua volta. Estava trancada numa sala com umas paredes de betão e uma janela com grades. A porta parecia ser forte, e o chão estava imundo – Como raios é que vim aqui parar?

Levou a mão à cabeça, por esta lhe estar a doer, e tentou lembrar-se dos últimos acontecimentos. Estava no aeroporto, estava à espera de Jensen e PJ, e então uma bela mulher tinha ido meter conversa ela. “Kiki!”, lembrou-se de repente. Depois Will e Cassie iam-na avisar, mas Kiki tocou-lhe e então perdeu os sentidos.

Foi até à janela e apoiou-se nas grades para subir e espreitar. Abriu a boca de espanto quando, ao olhar para o lado de fora, apenas viu um grande precipício. Caminhou até à porta e tentou empurrá-la, mas era escusado.

- Muito bem – murmurou, engolindo em seco de seguida – Está na hora.

O Pingente Mágico fez a sua magia e transformou as roupas da ruiva, dando-lhe os calções, a túnica roxa, a máscara e as botas pretas de cano baixo. Chelsea colocou-se em frente à porta e explodiu-a em mil pedacinhos em menos de dois segundos. Estivesse onde estivesse, era no território de Kiki, o que queria que dizer que quanto mais tempo lá estivesse, mais tempo estava em perigo. Tinha que arranjar maneira de escapar e de descobrir o que tinha acontecido com o namorado e com PJ o quanto antes.

 

 

- Como assim não podemos fazer nada?! – Will gritava com Oyuan, que permanecia com a mesma expressão serena que sempre tinha – Temos que a ir buscar, temos que fazer alguma coisa!

- Sabes que não somos fortes o suficiente para entrar o Reino da Escuridão, e depois sair. É suicídio! – Discutiu o Guardião com uma voz extremamente calma.

Oyuan respirou pesadamente e andou pelo Grande Salão de uma ponta à outra. Também queria ajudar a Defensora. Também a queria trazer de volta. Mas sabia que nem os próprios Deuses podiam entrar no território das Bruxas e regressar ilesos.

- Tu sabes o que aconteceu da última vez – acusou Will.

Oyuan olhou para ele surpreendido e algo chocado. Era a primeira vez que o seu aprendiz lhe falava naquele tom tão acusatório. Que o questionava. Will sempre fora um seguidor seguro e obediente, não fazia nada que não fosse mandado e não pensava duas vezes antes de efectuar uma ordem directa mas, por algum motivo, Oyuan notava algo de diferente nele.

- Estás a duvidar das minhas decisões?

Will quis responder, quis dizer que sim, mas o respeito que tinha pelo Guardião era demasiado grande e por isso baixou o olhar para o chão.

- Não é isso – afirmou, com cautela – Mas, da última vez, um rapaz inocente morreu. A Defensora desistiu. Não nos podemos dar ao luxo de, a esta altura, termos a Chelsea a desistir de novo por algo ter dado errado. Não pode voltar a ficar meses sem treinar e sem combater as trevas.

- Ela é a Defensora – disse Oyuan, por fim – Não se pode habituar a ter pessoas a salvá-la. Nunca conseguirá salvar o mundo se assim for.

 

 

Através dos seus olhos verdes, Chelsea apenas via a pura confusão. À sua frente, depois da porta da sala onde tinha sido enfiada, estendia-se um longo labirinto. Mas era como se não obedecesse a nenhuma das leis da física ou do espaço. Havia escadas na vertical mas ao contrário, na horizontal, de cima para baixo… arbustos podados de todas as maneiras e feitios, passagens em sítios aos quais era impossível aceder. Estava tudo distorcido pelo poder maquiavélico de Kiki.

- Parece que alguém quer jogar um jogo – pensou a ruiva em voz alta.

Suspirou e começou a andar com cuidado pelo caminho de tijolo escuro rodeado pelos arbustos. Deve ter andado por quase duas horas até parar e olhar para trás. Não fazia ideia de onde estava, nem para onde se dirigir. Já não conseguia voltar para trás pois, como tinha constatado logo após ter começado a marcha, o labirinto gostava de mudar à medida que ela andava. Os arbustos trocavam de lugar com os tijolos, as saídas mudavam de sítio, o céu negro passava para o chão e vice-versa. Chelsea olhou desesperada para todos os lados, e ouviu um pequeno ruído vindo por baixo de si. Assim que dirigiu o olhar para os seus pés, pôde ver os tijolos a estalarem e saltou de lá mesmo a tempo de os ver a cair para o que parecia ser um enorme buraco negro.

- Só podem estar a gozar comigo – queixava-se, enquanto corria após notar que todo o chão que pisava começava a estalar.

Deu um salto mortal e aterrou num varandim mais acima, espreitando depois para baixo. “Meu Deus”, pensou, “ok, tens que pensar Chelsea. As Bruxas gostam de fazer jogos mentais, certo? Por isso, se calhar, isto não passa disso. Se calhar é tudo apenas uma ilusão ou algo do género, certo?”. Chelsea fechou os olhos e respirou fundo, levando a mão ao pingente que tinha ao pescoço.

- Vá lá, Pingente Mágico – pediu – Faz a tua magia. Mostra-me a verdadeira realidade.

O pingente começou a irradiar uma pequena luz que transformou toda a vista e, quando a Defensora do Oculto abriu os olhos, nada estava igual. Ela estava parada no centro de uma sala oval, completamente vazia. Não havia portas, por isso começou a explodir todas as paredes na esperança que uma delas fosse falsa e que pudesse sair dali. Ao fim de poucas tentativas, conseguiu. Saiu da sala e deparou-se com um corredor longo e viu, ao longe, vários demónios a virem a correr na sua direcção. Pareciam homens, mas os olhos eram completamente negros. Fez com que a sua espada aparecesse e, quanto cortava uns ao meio ia explodindo e mandando os outros para longe. Em poucos segundos estava novamente só, com o pó de meia dúzia de demónios a pairar à sua volta. Estava, de facto, a evoluir nas suas aptidões de luta.

Começou a correr pelo corredor de espada empunhada, ciente de que nenhuma das portas apresentadas era a que ela procurava. Sabia que, quando a encontrasse, saberia que era a correcta. Conseguiria sentir a escuridão por detrás dela.

Foi surpreendida por mais um bando de demónios, que também facilmente aniquilou. Eles não eram muito fortes, também não tinham muita inteligência. Eram apenas o entretém antes da grande partida. Quando parou para respirar, sentiu um calafrio e olhou para trás. Lá viu um belo jovem de cabelos ondulados até aos ombros. Estava a observá-la com uns olhos rancorosos e sem pingo de misericórdia. Chelsea engoliu em seco e voltou-se para ele, agarrando na espada com mais força.

- Onde pensas que vais? – Perguntou-lhe Fleth, à medida que se aproximava a caminhar lentamente.

- Onde estão os meus amigos? – Quis Chelsea saber, apesar de todos os seus pensamentos lhe dizerem para fugir dali – O que é que fizeram com eles? Quem és tu?

- Para alguém prestes a morrer… fazes muitas perguntas.

Fleth criou uma espada negra, do nada, e investiu um ataque em Chelsea que, desprevenida, se defendeu com alguma dificuldade. A dança das espadas continuou assim por algum tempo, até que se começou a tornar demasiado difícil para a rapariga. Fleth era maior, mais forte e mais experiente. Tinha tudo para ganhar. Chegou a um momento em que conseguiu tirar a espada à Defensora, que caiu desarmada no chão, e agarrou nela e a mandou para a frente com uma força brutal, fazendo-a aterrar quase dez metros adiante. Enquanto se ria, ia-se aproximando, ainda sem que Chelsea se tivesse conseguido levantar.

- Nunca vou conseguir descobrir como assassinaste os meus irmãos. É uma vergonha para eles – proferiu, dando-lhe outro pontapé.

A ruiva ficou deitada de barriga para o chão e arquejou de dor. Até àquele momento sempre pensara que Jecek era o mais forte dos Príncipes, e tinham conseguido vencê-lo. Mas, sem dúvida, Fleth tinha mais força e sabia-a usar bem. Levantou a cabeça e, à sua frente, viu-a. Era a porta que lhe transmitia a pior sensação que tivera desde que se vira naquele palácio. Kiki estava por trás daquela porta dupla de pedra.

 

 

- Façam-no funcionar! – Mandava Kiki, já sem paciência.

Jensen estava ajoelhado à sua frente, com a sua mochila ao pé, e mexia nas três peças do Ceptro da Pureza. Também PJ já as tinha tentado montar, mas era escusado. Elas encaixavam, sim, mas não fixavam.

- Não vale a pena! – Gritou Jensen, enfurecendo a Bruxa ainda mais – Não o podemos montar, não percebes?! Pertence à Defensora, apenas ela o consegue montar!

Kiki revirou os olhos e foi até PJ, dando-lhe uma chapada que o fez cair ao chão. Jensen ia-se mandar a ela, mas ela foi mais rápida e agarrou-o pelo pescoço, olhando-o bem para os olhos.

- Ouve-me com muito cuidado – aconselhou – Se não fizeres com que este estúpido ceptro funcione, vou matar o teu amigo. E depois vou matar a Defensora e todos aqueles com quem te preocupas. A minha irmã quer este ceptro por algum motivo, e se for poderoso então fico com ele para mim. Fá-lo funcionar!

Jensen engoliu em seco e estremeceu. Pensou em como estaria Chelsea, se ainda estaria no aeroporto, se tinha ido desiludida para casa, o que estaria a pensar dele naquele próprio momento. Mas então olhou para PJ e percebeu que tinha que se concentrar. Se agisse mal, então o seu amigo morreria. Ele não tinha o poder necessário para lutar contra Kiki, não o conseguia ajudar. Por outro lado, se conseguisse montar o Ceptro da Pureza, e Kiki ficasse com ele, poderia estar a entregar-lhe a única arma capaz de destruir todo o mundo numa questão de poucos segundos. O que era mais importante? A vida de um rapaz que considerava seu irmão, ou a vida de milhões de pessoas?

Olhou para PJ e este assentiu com a cabeça, fazendo-o sentir-se mal consigo próprio.

- Não – proferiu – Mesmo que pudesse, nunca o montaria para ti.

Kiki soltou um grito de frustração e criou uma corda, que usou para os amarrar aos dois. Mandou-os depois, com brutidão, para um canto.

- Não te vais safar com isto! – Gritou-lhe PJ – Sei que ela te vai apanhar!

A Bruxa revirou os olhos e fez também duas mordaças aparecerem, para os calar. Deixou-se então cair no seu divã e fechou os olhos como se estivesse a pôr as ideias em ordem.

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3 comentários

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De Yria Rivers a 26.10.2014 às 21:30

entendo, mas é mesmo deles..
bah, eu tenho mesmo que vir ler isto, mas nao tenho conseguido fazer nada disso, desculpa
beijinhos
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De Eterna Guerreira a 17.08.2015 às 03:19

Oláá! Lembras-te de mim?? Provavelmente não... :c
Já fui uma "fantasminha" aqui no teu blog, mas depois acabei por dar a cara eheheh. Já tinha saudades de ler as tuas histórias, sabias?? *-*
P.S.: Se não te recordares de mim, procura nas pessoas que segues aqui no Blogs: Shiina Santos. Era a conta que eu usava antes, até ma terem hackeado toda e eu ter perdido tudo :c

Continua a escrever, pleasee.
Abraço!
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De Andrusca ღ a 19.11.2015 às 19:51

Oii
Para veres o quanto tenho vindo cá só vi o teu comentário agora :/
Obrigada pelas palavras querida!

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