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DDO: Ceptro da Pureza

por Andrusca ღ, em 01.08.14

Capítulo 18

Entre a Espada e a Parede * Parte 1

 

Finalmente Jensen e PJ se encontravam em Madrid. À espera de ambos, no aeroporto, estava uma bela moça de cabelos negros ondulados e roupas justas. Usava um batom vermelho vivo e tinha uns olhos grandes e expressivos. Assim que viu os dois amigos a chegar, apressou-se a ir ter com eles.

- Encarnación! – Disse PJ, pondo os braços à volta da amiga.

- Que guapos rapazes – Elogiou ela, rindo-se.

Encarnación tinha sido uma aluna de intercâmbio há quase dois anos, e tinha ficado instalada na casa de Thomas, um amigo dos dois rapazes. Durante quase quatro meses andou bastante com o grupo, e a amizade permaneceu.

- Já tinha saudades tuas, chica – disse Jensen, rindo-se – Obrigada por nos teres vindo buscar.

- Por favor! – Exclamou ela – Como se vos pudesse deixar a sós em Madrid. Ainda se perdiam! Venham, falei com os meus pais e podem ficar na minha casa durante todo o tempo que quiserem.

Depois de irem buscar a bagagem, a espanhola levou-os no seu carro para a sua casa, situada num prédio bastante comum e modesto. Subiram as escadas e entraram. Ela desculpou-se porque, como não tinha camas a mais, eles teriam que dormir num colchão no chão, mas isso não era problema para os rapazes. Eles estavam tão felizes por a missão estar quase a acabar, que nem se importavam de ter que ficar acordados a noite toda, se fosse preciso.

Os pais de Encarnación não estavam, e por isso podiam falar mais à vontade.

- Tenho que admitir que não esperava o vosso telefonema – disse a espanholita, sentada no sofá entre os dois amigos – O que é que vieram fazer a Madrid, tão de repente?

- Bem… não podemos dizer – respondeu Jensen – Mas não quero que fiques zangada, não podemos mesmo falar sobre o assunto.

- Senão tinham que me matar? – Brincou ela, ao que PJ riu.

- Talvez – respondeu ele – Encarnación, tens um mapa da cidade?

- Não…  não precisamos de um. Eu conheço-a como a palma da minha mão.

Jensen e PJ olharam um para o outro. Nenhum deles queria envolver a amiga naquela confusão, mas sabiam perfeitamente que, com ajuda, as probabilidades de encontrarem o último pedaço do ceptro rapidamente eram maiores. O rapaz dos olhos azuis clareou então a garganta e respirou fundo.

- Muito bem – declarou – Acho que estou a procura de um museu, ou algo assim parecido.

- E porque achas que está aqui, em Madrid? – Perguntou Encarnación.

- Bem, eu sei que está em Espanha porque sei que tem a bandeira hasteada à porta… e Madrid pareceu-me o sítio mais lógico, além disso, se não for aqui, podemos ir a um centro de turismo e procurar em que cidade é.

“É mais fácil fazer isso aqui do que na Rússia”, pensou PJ, enquanto o amigo falava.

- Então como é esse museu, que procuras? – Questionou a espanhola.

Jensen respirou fundo e fechou os olhos, enquanto se tentava lembrar de todos os pormenores da visão que o ceptro lhe tinha dado.

- Tem janelas, muitas. E acho que é bege… ou castanho muito claro… tem uma pequena escadaria até lá, com os corrimões pretos. Ah! E o que parece ser uma torre de vidro, ou algo desse género, com algo parecido a uma estatueta à frente – descrevia ele – Acho que deve ter três ou quatro andares…

- El Museo Reina Sofía! – Exclamou Encarnación, sem o deixar acabar.

- O quê? – Perguntou PJ.

- O Museu da Rainha Sofia. É um museu de arte do século XX. Tem várias pinturas de Picasso, e Salvador Dali. E uma biblioteca enorme, com mais de cem mil livros. Fica é um pouco longe daqui – explicou ela – Pelo que descreveste, acho que é este o museu que procuras.

- Dizes que tem quadros do Picasso? – Interessou-se Jensen.

- Sim, mais do que um.

- Sabes se tem o “Guernica”? – PJ olhou para o amigo e franziu as sobrancelhas.

- O que é isso? – Perguntou.

- Oh, se tem! – Exclamou Encarnación, ignorando-o por completo – É lindíssimo! Mas se querem visitar o museu, temos que nos apressar. Hoje é domingo, por isso fecha às sete horas. E já são quase seis e meia.

Despacharam-se os três e encaminharam-se ao carro da espanhola, que começou a conduzir até ao museu. Ela ateimava que podiam ter ido no dia seguinte, que a uma hora destas não iam poder admirar as obras com calma nem perceber a paixão em cada pincelada dada pelos pintores, mas Jensen e PJ garantiam que tinham tempo mais do que o suficiente para fazerem o que queriam. Quando lá chegaram faltavam quinze minutos para as sete, e Encarnación ia subir as escadas à pressa quando PJ lhe agarrou no braço.

- Espera que feche – pediu-lhe, surpreendendo-a.

- Pero están locos! – Exclamou ela – Não percebo. O que é que se passa? Não compreendo. Disseram que queriam visitar o museu, e agora…

- Tem calma, Encarnación – pediu Jensen – Se tudo correr como esperamos, podemos explicar depois.

Ela não gostou da ideia, mas concordou. Esperaram até quase às nove horas, hora em que a limpeza acabava de ser feita e apenas restavam os seguranças nos corredores. Jensen disse que queria ir sozinho, mas ela não deixou. Disse que podia ser muito sua amiga, mas ia-se garantir que nada de mal acontecia aos quadros. Pintura era uma das suas paixões. Entraram, então, os três por uma janela.

- Shh, não façam barulho – mandou Jensen – Encarnación, onde está o “Guernica”?

- Sigam-me.

A espanhola foi à frente, mas a meio de um corredor viram luzes ao fundo e foram forçados a voltar para trás e optar por outro caminho. Quando finalmente chegaram à secção do Picasso, Jensen caminhou mais depressa e apenas parou em frente ao “Guernica”. Sendo que também ele tinha um carinho especial pela pintura, esteve alguns segundos a apreciar a obra do falecido pintor.

- Então é um quadro? – Perguntou PJ – O “Gernic” é um quadro?

- “Guernica” – corrigiu Encarnación – Sim, e um bastante famoso. Agora diz-me, Jensen, porque invadimos um museu apenas para veres esse quadro?

- Porque não é apenas para o ver – murmurou ele.

Pousou a mochila no chão e de seguida agarrou no quadro, tirando-o com cuidado da parede e pousando-o também.

- Pára! – Guinchou Encarnación – Põe-no de volta! É genuíno, é autêntico, é…

- Não faças barulho! – Ralhou PJ.

De dentro da mochila Jensen tirou o diamante roxo, fazendo a espanhola arregalar os olhos, e este começou a fazer uma linha de luz directa ao quadro. Era invisível ao olho humano mas, de dentro da pintura, um cilindro fino e comprido começou a vir à superfície, saindo de lá e tomando corpo no ar. Era um pouco mais comprido que o que Jensen encontrara no vulcão, também todo feito em prata e com uns enfeites que pareciam trepadeiras todo ao seu comprimento.

- Uau – murmurou a espanhola – Como é que isso… como é que isso…? Ay, Dios mío.

- Vá lá, vamos sair daqui.

Jensen voltou a pendurar o quadro e saíram do museu sem problemas, sempre com Encarnación a perguntar o que se estava a passar. No caminho para a casa desta, Jensen guardou também o último pedaço do ceptro na mochila.

Quando chegaram os pais dela já estavam em casa, e por isso não tiveram a possibilidade de lhe explicar o que tinha acontecido. Para dificultar as coisas, o Sr. e Sra. Cortez apenas falavam espanhol, por isso Encarnación passou o jantar a traduzir as conversas entre os pais e os amigos. Quando terminaram a refeição, Jensen e PJ ofereceram-se para arrumar a cozinha como forma de pagamento por lhes darem estadia, e foi isso que aconteceu. Enquanto Jensen lavava a loiça à mão e PJ a secava com a toalha, Encarnación estava sentada em cima do balcão a mirá-los.

- Podem explicar – pediu.

- Nunca vais acreditar, mas está bem – murmurou Jensen – Não sei se já ouviste falar, não sei se alguém para além da América já ouviu falar, mas existe uma rapariga chamada Defensora…

- Do Oculto? – Interrompeu a espanhola, visivelmente entusiasmada, surpreendendo os dois amigos.

- O que sabes sobre ela? – Perguntou PJ.

- Saiu um artigo sobre ela numa das revistas que leio. Lembro-me de ter ficado interessada porque dizia que ela actuava em… esperem, Diamond City! Na mesma cidade onde vocês vivem, onde eu estive… não acredito que ainda não tinha comentado isto convosco! Dizia que ela combatia coisas estranhas, e que podia saltar de prédios sem se magoar e coisas do género. E acho que tem um ajudante… um rapaz qualquer que usa uma capa…

- É só isso que sabes? – Insistiu Jensen.

- Sim, era a única coisa que vinha na revista. Às vezes falam sobre ela na televisão, mas é raro. Até agora só vi uma fotografia dela, a que vinha na revista. Parece bonita – Um pequeno sorriso apareceu nos lábios de Jensen ao ouvir aquela última frase, e Encarnación notou – Que sorriso é esse? Conhece-la?

- Sim, conheço – ele fechou a torneira e limpou as mãos com o pano, encostando-se de costas para o armário para ficar de frente à amiga – E tu também conheces. É a Chelsea.

- Chelsea…? Que Chelsea…? Espera… a irmã do Richard?

- Sim, essa Chelsea – confirmou PJ.

- ¡Dios mío! No me creo. Não acredito. Como é que isso aconteceu? E… hoje, o que aconteceu no museu tem alguma coisa a ver com ela? Aquela luz, e a coisa de prata e…

- Sim. É muito para explicar agora, mas a versão resumida é que eu e o PJ tínhamos a missão de encontrar o diamante que viste, e duas peças de prata, para a podermos ajudar. Agora que encontrámos tudo temos que nos apressar e ir ter com ela. Obrigada por nos teres ajudado.

- No me creo … - murmurou ela.

Depois de terem tudo arrumado, Jensen foi para o quarto de Encarnación e, enquanto PJ entretinha a rapariga e os seus pais na sala, ele tentou montar o ceptro, mas foi escusado. Apesar de as peças parecerem encaixar perfeitamente, era como se precisassem de algo para ficarem juntas. Decidiu que não ia fazer mais nada ao ceptro até regressar a Diamond City, e achou por bem telefonar à namorada, mas, como já calculava, Chelsea não atendeu a chamada.

 

Estamos a entrar na recta final...

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