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DDO: Ceptro da Pureza

por Andrusca ღ, em 16.06.14

Capítulo 15

A Casa das Sombras * Parte 2

 

Quando acabaram de comer concordaram todos em ir até à casa, até Will, que queria ver se a viagem se tornava menos chata. Todos ajudaram a arrumar a mesa e, quando se despacharam, Chelsea já estava no quarto, deitada no seu colchão no chão, a folhear uma revista qualquer. Richard bateu à porta e entrou, observando a irmã. Fechou a porta por trás de si e depois ajoelhou-se no chão, ao lado do colchão.

- Nós vamos agora – disse-lhe, ao que ela não respondeu – Chels, vê se percebes… É normal que tu estejas farta das cenas sobrenaturais mas, para nós meros mortais, são coisas que até metem piada.

- Meteu piada quando tu, o PJ e o Jensen quiseram passar a noite no antigo hospício, lá em Diamond City? – Richard engoliu em seco perante esta pergunta implacável da irmã. Ela tinha mesmo conseguido ir buscar a parte fraca – Foi engraçado quando quase iam morrendo? Quando eu caí mil e quinhentos andares? Quando torci o tornozelo? Ou foi mais giro quando, na manhã seguinte, saiu a notícia no jornal a dizer que a Defensora tinha incendiado aquilo tudo? Diz o que quiseres, Richard, mas estas coisas não são engraçadas e, até agora, eu tenho estado certa. Vocês são crescidinhos, façam o que quiserem, mas eu estou cansada de vos salvar por se estarem sempre a pôr, deliberadamente, em situações de perigo.

Richard assentiu com a cabeça e, de novo, engoliu em seco.

- Voltamos daqui a duas horas – anunciou, para depois dar um beijo na testa da irmã e sair do quarto.

Assim que a porta do quarto bateu, Chelsea voltou-se para ver mesmo se ele tinha ido embora e mandou a revista para longe, frustrada. Ela não percebia a necessidade naquilo. Consegui compreender que eles não estivessem tão fartos dos assuntos do oculto quanto ela, mas não percebia porque é que tinham que ir para uma casa supostamente assombrada. Passou a primeira hora a ver televisão, a passar os canais um a um sem prestar atenção a nenhum e a andar pelas divisões da casa. Então, para sua surpresa, o seu telemóvel tocou e ela atendeu não com o sorriso com que o costumava fazer, mas com uma expressão um pouco triste.

- Oi – disse.

- “Que voz é essa, está tudo bem?” – Perguntou Jensen do outro lado, esforçando-se para manter a voz alegre.

- Sim, desculpa, estou só preocupada. Como estão a ser os dias grátis no hotel? – Jensen riu-se. Ela perguntava sempre algo relacionado com a mentira que ele lhe contara, sempre à espera que ele fosse dizer alguma coisa que se contradissesse às que já tinha dito.

- “Estão a ser bons. Estás preocupada com o quê? Aconteceu alguma coisa?”

- Não… ao menos espero que não. Nós viemos passar o fim-de-semana a uma casa da família do Brad, e o pessoal meteu na cabeça que deviam ir a uma casa assombrada.

O silêncio que se fez ouvir do outro lado da linha foi prolongado ao ponto de Chelsea ter que chamar pelo namorado.

- “Foste para a casa do Brad?” – Perguntou ele, com uma voz algo chateada – “Não disseste nada”.

Aquela foi a gota de água para a ruiva. Estava cansada e preocupada com os amigos e, agora, irritada com o namorado.

- Talvez tivesse dito se atendesses os meus telefonemas – disparou –, ou se não tivesses passado quase quatro dias sem dar notícias. Além disso o que é que tem, eu vir para a casa do Brad? Ele é meu amigo.

- “Pois, amigo” – Jensen murmurou aquilo com um pico de nervosismo na voz, e Chelsea cerrou um pouco mais os olhos.

- Sim, um amigo! – Discutiu – Porque o meu namorado anda pela Europa e já quase não fala nada comigo. Não sei o que raios é que estás aí a fazer, mas sei que me estás a esconder qualquer coisa e, se não me dizes o que é, não me podes pedir que te reporte tudo da minha vida.

- “Sabes que mais? Tens razão. Falamos quando eu voltar”.

- Em três semanas? Sim, perfeito – Jensen não quis ouvir mais nada e desligou a chamada, enervando a ruiva ainda mais. Chelsea mandou o telemóvel para cima do sofá e de seguida sentou-se ao lado, levando as mãos à cara.

A outra hora passou sem ela dar por isso e, quando se apercebeu do tempo, já tinham passado quase três horas e meia desde que os amigos tinham saído. Foi até à varanda e olhou directamente para a casa. Ainda lhe metia arrepios.

- Ele disse que só demoravam duas horas – murmurou, enquanto recordava o que o irmão lhe dissera.

Respirou fundo e desceu as escadas. Calçou as suas sandálias rasas e saiu de casa apenas com o vestido que tinha posto de manhã, pois não estava frio. Começou a caminhar furiosamente pelas ruas de pedra da aldeola, à espera de chegar à casa e encontrá-los a gozar e a divertirem-se para, assim, poder ralhar e dizer que a tinham preocupado. Porém, se as suas preocupações estivessem certas, então temia o que pudesse encontrar. “És a Defensora do Oculto, Chelsea, é claro que as tuas preocupações estão certas. Estão sempre”, resmungava interiormente pelo caminho.

Ao fazer uma curva viu um velhote muito magrinho, de cabelos brancos e que andava já um pouco curvado e com uma bengala escura.

- Boa noite senhor… Thompson? – O velhote riu-se e abanou a cabeça.

- Não menina, esse era o velho rabugento que me acompanhava à tarde – disse, ainda a rir-se – Eu sou o Todd. Todd Johnson. O que está a fazer na rua a uma hora destas? É tardíssimo.

Chelsea tinha conhecido o senhor Johnson enquanto Brad lhes mostrava a aldeia.

- Estou só… a apanhar algum ar. Vou já para casa.

- Muito bem. Até amanhã, então.

- Claro. Boa noite, senhor Johnson.

O velhote continuou o seu caminho, tal como a ruiva. Porém, quando Chelsea olhou para a frente, percebeu que a casa era muito mais longe do que tinha calculado. “Assim nunca mais lá chego”, pensou. Olhou então em volta e, sem ver ninguém, levou a mão até ao pingente que tinha ao pescoço e deixou-se banhar naquela luz roxa que transformou o seu vestido no fato da Defensora do Oculto. Chelsea saltou, assim, para cima de um terraço e começou a correr por todos eles até chegar a um pequeno bosque, que percorreu ao saltar por algumas árvores. Era muito mais rápida quando podia simplesmente levitar e subir para onde quisesse.

Finalmente viu-se lá, em frente àquela casa, e uma brisa gelada fez-se sentir.

- É um mau presságio – murmurou, para em seguida levantar o tom de voz: - Pessoal? Rich? Helen? Pessoal?!

Nada. Por detrás daquela porta de madeira escura, a única coisa que parecia sólida em toda a casa, não se ouvia um único ruído. Chelsea engoliu em seco e deu meia dúzia de passos até a alcançar.

- Bem… parece que vou ter que entrar – suspirou.

Assim que afastou a porta esta fez um ruido ensurdecedor, rangendo como se estivesse numa dor agonizante. A ruiva entrou e, logo no segundo a seguir, viu as suas roupas de Defensora desaparecerem. Levou a mão ao Pingente Mágico e tentou voltar a transformar-se, mas não resultou. Ela não percebia o que se passava, apenas que não conseguia usar os seus poderes. “Não gosto disto”, pensou, medrosa. Ia voltar para trás quando a porta se fechou fortemente, deixando-a com pouca luz.

 

Gostava de saber o que acham que vai acontecer agora...

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2 comentários

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De Yria Rivers a 01.07.2014 às 00:19

ai meu deus isto é demais para mim, a sério que o jensen está a ser tão ciumento quando também lhe esconde coisas? e agora ela não se consegue transformar? posta mais rapido!
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De ♥ Annie ♥ a 02.07.2014 às 16:34

Ohhh ele ficou com ciumeees! Não gosto de os ver assim, quero que ele volte depressa para lhe poder contar tudo o que andou a fazer..
Ohoh os poderes não funcionam?? Não estou a gostar disso...

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