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DDO: Ceptro da Pureza

por Andrusca ღ, em 04.06.14

Cá estamos nós de novo.

Tu, sim tu que estás a ler isto neste momento, sei que tenho vindo aqui com pouca regularidade, mas quando lês as coisinhas podias-me deixar um comentariozinho na mesma, não? Vá lá xd

 

Capítulo 15

A Casa das Sombras * Parte 1

 

As malas estavam feitas. Will estava à porta da casa. Richard já tinha as chaves do carro. O dia tinha um vento fresco, que facilitava a grande viagem que o grupo ia fazer.

- Está toda a gente pronta? – Perguntou Brad, na rua, em frente à casa de Chelsea. Já lá estavam todos, menos a ruiva.

- Falta a Chelsea – disse Helen – Chelsea! Despacha-te!

- Tem calma… tem calma… - reclamava a rapariga enquanto descia as escadas aos tropeções por causa das duas malas cor-de-rosa que carregava. Quando chegou ao pé dos amigos sorriu e respirou fundo – Estou despachada.

Guardaram as malas dela no carro e então combinaram os lugares. Cassie e Helen iriam com Brad, no carro deste, e Chelsea, Richard e Will iriam no carro que Norman tinha emprestado ao filho, um carro preto e já velhinho. Brad teria que ir à frente, pois era o único que sabia o caminho. Não tardaram a pôr-se a caminho, e a viagem deveria durar duas horas e meia. No carro de Brad havia várias brincadeiras; as raparigas riam até não conseguirem mais enquanto ele ia carrancudo ao volante, por não achar graça ao que as amigas diziam. Já no que Richard conduzia o silêncio reinava. Will estava chateado com Chelsea por esta ter insistido que queria ter três dias sem treinos e sem sequer ouvir a palavra “defensora” ou “oculto”. Achava que era irresponsável da parte dela, e fez questão de aceitar o convite de Brad pois queria mantê-la com rédea curta. Achava que Brad tinha qualquer coisa planeada e não a queria ver desconcentrada. Já Richard, que sabia do mau ambiente que se sentia entre eles os dois, não tinha a coragem para meter conversa.

A ruiva, que ia no banco da frente, ligou o rádio e começou a cantarolar a canção que dava, fazendo com que Will fizesse uma expressão de desconforto. “Esta vai ser uma longa viagem”, pensou Richard.

Tiveram que parar numa estação de serviço, para comerem qualquer coisa, e então decidiram que Chelsea trocaria com Cassie. O resto da viagem foi mais divertida no carro de Richard, mas mais maçuda no de Brad, que falava apenas para a ruiva e se esquecia da presença de Helen.

Chegaram à pequena aldeia já de noite mas, quando viram o tamanho da casa de férias de Brad, perceberam que a viagem tinha valido a pena. Tinha dois andares e era branca, com uma enorme porta ao canto direito. Estava cheia de janelas e, no andar de cima, tinha duas varandas enormes. Quando foram ver o que estava por trás da casa, constataram que tinha um enorme pátio com um tanque, cheio de água, que podia certamente fazer de piscina.

- A casa é incrível! – Exclamou Cassie.

Depois de ela ter dado a sua opinião, todas as outras se seguiram. Brad abriu a porta e deu uma visita guiada à casa, mostrando os três quartos, a enorme sala de estar, a cozinha e as casas de banho. Não estava mobilada da maneira mais rica, mas notava-se que tudo tinha sido pensado ao pormenor. Estava cheia de estátuas e porcelanas antigas, e até alguns móveis eram antiguidades.

- Era a casa dos teus avós? – Perguntou Richard.

- Sim. Depois de morrerem ficou para nós, mas raramente estamos cá – explicou Brad – Estejam à vontade.

As raparigas escolheram logo o quarto maior. A cama dava para duas, por isso uma delas ia ter que dormir num colchão no chão. Tiraram à sorte, mandando uma moeda ao ar, e as sortudas foram Helen e Cassie, o que significava que Chelsea dormiria no chão. Brad ficaria no seu quarto habitual, Will ficaria no outro e Richard disse que não se importava de dormir no sofá da sala, que até era grande e confortável.

Depois de terem tomado banho e vestido os pijamas, juntaram-se numa das grandes varandas apenas a conversar.

- Ei – chamou Will à atenção –, que casa é aquela?

Todos olharam para onde ele apontou e viram uma casa em cima de uma colina. Estava já parcialmente destruída, e tinha apenas um andar. Já lhe faltavam bastantes telhas e as janelas pareciam já ter os vidros partidos.

- Dá-me arrepios – queixou-se Chelsea.

- Parece assombrada – brincou Helen.

- E é – confirmou Brad, rindo-se de seguida – Ou, pelo menos, dizem que é. É uma casa já velha, mas nunca conheci ninguém que soubesse a quem pertenceu. Só sei que quase ninguém lá vai, há alguns anos um grupo de adolescentes foi lá e morreram todos. Desde então só lá aparece um bêbedo, muito raramente… Quem volta diz que há lá sombras que fazem mal às pessoas, transformam-se no maior medo da pessoa, por isso as pessoas de cá chamam-lhe “a casa das sombras”.

Todos se riram menos a ruiva, que ficara arrepiada até à ponta dos cabelos. Ela engoliu em seco e, só alguns segundos depois, é que os amigos perceberam que ela tinha ficado assustada com aquela história.

- É só uma história, Chels – disse Brad, para a reconfortar.

- Sim… eu sei – murmurou ela, sem nunca tirar os olhos da casa – É só que… não gosto de histórias dessas. Desculpem… vou dormir.

Mas ela não dormiu. Ficou às voltas no colchão por duas horas, até que Cassie e Helen se foram deitar e foi forçada a ficar quieta para que as amigas pudessem descansar. Foi a primeira a levantar-se e, como não podia ir para a sala por causa de Richard, foi aquecer um pouco de leite à cozinha e sentou-se numa cadeira na varanda, a apreciar a paisagem.

A aldeia era pequena, mas tinha tudo o que era essencial. Como estavam no alto de uma colina, quando se olhava para baixo, podia-se ver várias casinhas amontoadas à medida que ela descia. Apesar de ser cedo, já estava bastante calor, e Chelsea não queria ficar parada à espera que os amigos acordassem. Com jeitinho e sem fazer barulho foi até ao quarto e de dentro da mala tirou o biquíni e um vestido simples. Vestiu-se na casa de banho e, depois de ter dado um jeito aos caracóis, saiu e começou a caminhar pela aldeia. Todas as casas eram pequenas, e as cores variavam entre azul, verde, castanho e branco. A maioria de pessoas que se via na rua eram idosos, e não pareciam viver muitos adolescentes naqueles lados. Era um sítio demasiado pacato e recatado para as loucuras normais da idade. “Se calhar por isso é que se armam em estúpidos e decidem ir para a casa assustadora”, pensou Chelsea. Pouco depois de uma hora ter passado, o seu telemóvel começou a tocar. Já todos tinham acordado e estavam preocupados, e então combinaram que ela voltaria para a casa e então Brad e Richard assariam alguma carne para o almoço.

Almoçaram todos juntos, e depois o rapaz foi mostrar a aldeia aos amigos. Cumprimentava um ou outro velhote, apertava a mão a um ou outro jovem… notava-se que a população de lá, quer idosa, quer nova, o conhecia bem e tinha algum carinho por ele.

- E é isto – anunciou Brad, encolhendo os ombros – Não há mais nada para ver, isto é pequeno.

- Eu gosto. É quieto, bom para descansar – apressou-se Cassie a comentar.

- Sim, é bom para se passar uns dias sem stress – concordou Richard.

- Se não houvesse stress, as coisas não se faziam – todos olharam para Will perante o seu comentário, e o rapaz encolheu os ombros – É verdade, não olhem para mim assim.

Acabaram por ficar algum tempo numa pequena taberna, a beberem uns refrescos. Então, já com a digestão completa, foram todos para o tanque no quintal de Brad. A água estava gelada e a mais maricas a entrar foi, como não poderia deixar de ser, Chelsea. Já todos andavam a nadar e aos mergulhos e ela ainda nem tinha molhado as pernas todas.

- Anda lá! – Mandou Helen, rindo-se – Não sejas piegas, a água está óptima!

A ruiva não teve tempo para dizer nada, pois o seu irmão agarrou-a e puxou-a, fazendo-a molhar-se por completo e soltar um grande guincho.

A tarde passou mais rápido do que pensavam, e então o jantar ficou ao encargo das raparigas. Helen e Cassie fizeram um delicioso arroz com pato, e Chelsea pôs a mesa.

- E o que é que vamos fazer agora à noite? – Perguntou Richard.

- Não há muito para fazer – comentou Will. Para ele, aquela viagem estava a ser uma verdadeira anedota. Tinha interrompido os treinos com a Defensora para ser enfiado numa aldeia de terceiro mundo onde só mora meia dúzia de pessoas.

- Oh, já sei! – Exclamou Helen, subitamente bastante entusiasmada – Podíamos ir à casa da noite passada. Aquela da história que o Brad nos contou.

- A casa das sombras? – Perguntou Brad, ao que a morena assentiu com a cabeça.

Chelsea olhou para eles perplexa. Queriam ir àquela casa? Porquê? Qual era o objectivo?

- Não! – Exclamou ela, com uma voz bastante decidida e mandona, batendo com a mão na mesa – Porque é que haveriam de querer ir àquela casa? Não vamos a lado nenhum!

Todas as caras se viraram para ela, todas elas surpreendidas menos a de Will.

- É só uma casa, Chelsea, não vamos encontrar lá nada – disse Helen, rindo-se.

- Então porque é que querem ir?! – Argumentou a ruiva – Se já sabem que não há lá nada, porque é que querem ir?

- Porque pode ser engraçado – explicou Richard, encolhendo os ombros – Ouve, eu sei que não gostas muito destas coisas porque...

- Ah, ah, ah! – Exclamou Will, para interromper o irmão da Defensora, com medo que ele fosse dizer qualquer coisa que não devia à frente de Brad – Eu acho que…

- Divertido? Divertido?! – Mas Chelsea não o deixou acabar de falar e começou a discutir – Não há nada de divertido nestas coisas! Querem ir porque esperam encontrar qualquer coisa. Não vêem nos filmes, quando um grupo de adolescentes burros e imaturos decide ir para uma casa abandonada? Vocês sabem como isso acaba, porque é sempre da mesma maneira. Não percebo porque é que querem ser o grupo burro e imaturo. Esqueçam, não vamos.

- Bem… tu não precisas de vir, se tens medo – disse Brad. Claro que ele não percebia o verdadeiro motivo pelo qual Chelsea não queria ir, não sabia a quantidade de coisas do oculto com que ela lidava durante uma semana – Fica aqui, nós voltamos em menos de duas horas.

- Não! Querem-se divertir vão jogar um jogo. Mas isso não é um jogo, é perigoso. E se o querem ver como um jogo, se perderem, morrem. Raios pessoal, tenham algum respeito por estas coisas! – A este ponto já Chelsea tinha largado os talheres e perdido completamente a fome. Não estava a gostar o rumo da conversa, não estava a gostar mesmo nada.

- Ou os fantasmas castigam-nos? – Perguntou Brad, em tom de brincadeira.

- Não tem graça. Essas coisas não têm graça! – Chateada, levantou-se da cadeira e levou o prato para a cozinha, onde mandou a comida para o lixo e o começou a lavar de um modo enervado. O clima na sala de jantar ficou um pouco pesado durante alguns segundos, mas depressa aliviou.

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3 comentários

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De Yria Rivers a 07.06.2014 às 11:12

aiaiaiai opa eles a saberem o que ela tem que fazer todos os dias para proteger o mundo e mesmo assim não confiam nela -.- o brad é compreensível mas os outros podiam tentar perceber, não é?! adorei^^^
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De Yria Rivers a 10.06.2014 às 01:48

as pessoas estão "esquecidas" mas se voltares em força volta toda a gente para ler, não te preocupes ^^ já estive nessa situação
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De ♥ Annie ♥ a 02.07.2014 às 16:17

Oioi! Aqui estou eu, como sempre, atrasada, mas tambem como sempre a comentar todos os capitulos lindos!
Este não é excepção, adorei!
E sinceramente não percebi a deles.. Eles sabem perfeitamente que pode mesmo haver coisas más na casa, eles sabem que existem, porque querem ir?! Enfim, estou mesmo a ver que vão mesmo ser o grupo burro a ir lá e a coitada vai ter de salva-los...

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