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DDO: Ceptro da Pureza

por Andrusca ღ, em 16.05.14

Capítulo 14

Sentimentos Trocados * Parte 2

 

- Olha Brad…

- Sim, eu também estou curioso – mentiu ele, pondo o dinheiro em cima da mesa, para pagar as bebidas de ambos, e levantando-se de seguida. Chelsea não teve a coragem para lhe dizer que queria ir ver aquilo sozinha, por isso deixou-se seguir até à multidão. Passaram por algumas pessoas e conseguiram chegar até à frente, onde viram um homem adulto com uma faca encostada à garganta de uma jovem.

- Um assalto que deu errado – deduziu ela. Will tinha-a ensinado a tirar conclusões a partir do que observava, e o que observava era um homem que tremia por todos os lados e suava que nem um porco. A polícia estava lá, mas o seu pai não. “Provavelmente está a pensar num plano para caçar a Defensora”, pensou ela involuntariamente. Magoava-a saber que a profissão, para Norman, valia mais do que a família, pois sabia que se ele algum dia descobrisse que ela era a Defensora prendê-la-ia na mesma.

- É pena – disse Brad –, por momentos pensei que ainda podíamos ver a Defensora. Sabes, é estranho, nunca estás por perto quando ela aparece.

Chelsea olhou para ele, mas não viu qualquer sinal de suspeita. Não, aquilo tinha sido um simples comentário.

- Já a vi algumas vezes – mentiu – Não a vi tantas como vocês, mas já a vi uma ou duas vezes.

- É incrível, não é?

- É… depende dos dias – Brad não percebeu bem o comentário da amiga, mas não insistiu mais. Em vez disso optou por fazer outra proposta.

- Vamos? Não adianta ficarmos aqui – Chelsea olhou para o assaltante. A polícia estava a tentar acalmá-lo.

- Sim, vamos – concordou.

Assim que Brad virou costas, para começar a passar pela multidão novamente, Chelsea fez com que a faca que o homem agarrava saltasse para o chão, apanhando todos desprevenidos. A polícia não tardou a “mandar-se” para cima dele, e assim a ruiva já pôde sair dali sem sentir remorsos.

Os dois amigos caminharam lado a lado, por baixo daquele sol abrasador, até ao parque. O silêncio já ia tão longo que, para Brad, já se tinha tornado constrangedor. Mas Chelsea não tinha notado nos longos minutos em que tinham estado calados, estava a pensar em Jensen. Onde estaria e porque não lhe telefonava?

- No que estás a pensar? – Brad foi o primeiro a cortar o silêncio. Tinha que voltar a recuperar a conversa de há pouco.

- Naquela cena lá atrás – mentiu a ruiva. “Credo, e estávamos nós a falar de honestidade”, pensou – Mas tu querias-me dizer qualquer coisa, não era? Fala.

- Bem… não sei o que vais achar do que vou dizer, mas… - o rapaz esfregou as mãos e enfiou-as nos bolsos, parando mesmo no meio do relvado bem verde, com apenas árvores e meia dúzia de bancos de jardim à sua volta – Chelsea, eu… - uma música alta e algo irritante começou a soar, e a ruiva fechou os olhos com força enquanto Brad revirou os seus.

- Desculpa… desculpa – a ruiva levou a mão ao bolso dos calções e de lá tirou o telemóvel. Decidiu que não ia atender a chamada, mas quando viu quem telefonava não conseguiu desligar – É o Jensen… dá-me só dois minutos.

À medida que Brad assentia com a cabeça, Chelsea ia-se afastando até uma árvore, à qual se encostou. “Estúpido”, pensou o rapaz, ao vê-la a afastar-se, “aquele também tinha que telefonar logo agora”.

- Estou? – Atendeu ela, já a ansiar pela voz que ouviria daí a segundos.

- “Caracolinhos” – suspirou-lhe o namorando, formando um sorriso nos lábios de ambos – “Como é que estás?”

- Estou bem. O que é que se passou? Porque é que não telefonaste antes, porque é que não atendias as minhas chamadas? – Um silêncio foi tudo o que a ruiva obteve como resposta – Jensen? Estás aí? O que é que se passa?

- “Não é nada” – mentiu ele. Chelsea franziu as sobrancelhas, aquele “não é nada” não lhe parecia nem metade verdadeiro – “É que temos andado entretidos com a viagem. Já fomos a dezenas de museus, e fartámo-nos de andar pelas ruas. Quando chegámos ao hotel estávamos cansados e olha, acabei por me esquecer. Perdoa-me”.

- Bem… claro que te perdoo, tonto. Mas tens a certeza que é só isso?

- “Absoluta. Já estou a morrer de saudades”.

- Sim, eu também. Então onde estás agora, Alemanha ou Espanha?

De novo apenas se ouviu silêncio do outro lado da linha, agora a rapariga tinha a certeza que algo não estava certo. Já nas outras chamadas com Jensen tinha notado alguma distância mas agora, depois de alguns dias sem ouvir nada dele, ao ver a maneira reticente a que lhe respondia às perguntas, tinha a certeza que algo se passava.

- “Espanha” – acabou ele por mentir.

- Ah… - o entusiasmo na voz da ruiva diminuiu, e o namorado notou isso.

- “O que é que se passa?” – Questionou, como se não tivesse percebido o porquê.

- Nada, não é nada. Voltas dentro de uma semana, vou-te buscar ao aeroporto, combinado?

- “Pois… temos que falar sobre isso” – Chelsea engoliu em seco. Não gostava daquele tom de voz. Era o tom que o rapaz usava para mentir, e ela sabia-o bem – “Chelsy?”

- Sim, estou a ouvir.

- “Foi a coisa mais estranha de sempre. Eu e o PJ estávamos no hotel, e só por brincadeira pusemos os nossos nomes dentro de uma caixa, na recepção, para serem escolhidas meia dúzia de pessoas para ganharam um mês de estadia grátis”.

O coração da ruiva começou a bater mais depressa, e ela levou a mão à árvore, para ter algum tipo de apoio. Ele estava-lhe a mentir. A enganá-la com todos os dentes que tinha na boca. Ela já tinha visto onde aquilo ia parar.

- E deixa-me adivinhar, vocês ganharam – acertou ela, com uma voz seca.

- “Ganhámos” – afirmou ele – “É de loucos, um mês inteiro grátis! Por isso telefonámos para o aeroporto e adiámos o voo. Diz alguma coisa”.

- Bem eu… eu não sei o que dizer – Chelsea engoliu em seco e, ao olhar para Brad, percebeu que tinha que se recompor. Com Jensen longe nunca ia conseguir decifrar o porquê de ele lhe estar a mentir, e não podia deixar que isso arruinasse o seu Verão inteiro – Excepto… divirtam-se.

- “Então não te importas?” – O entusiasmo na voz de Jensen foi completamente falso, mas Chelsea já não estava a conseguir prestar atenção a quase nada.

- Não, não me importo. Ouve, tenho que ir… falamos amanhã?

- “Sim, claro. Eu telefono-te. Beijos, amo-te” – Jensen desligou antes que ela pudesse dizer mais nada, e Chelsea suspirou.

- Não, não telefonas – murmurou apenas para si.

Brad, ao ver que a amiga já tinha desligado a chamada, aproximou-se dela para continuar a conversa mas, ao ver na sua cara que algo estava errado, não conseguiu aguentar a curiosidade e acabou por lhe perguntar o que Jensen lhe tinha dito para a deixar naquele estado.

- Hum… o Jensen e o PJ prolongaram a viagem. Vão ficar em Espanha mais outro mês – explicou ela, com um nó na garganta.

- Ah – apesar de a ver triste, Brad não conseguiu deixar de sentir uma pequena esperança. Tinha mais um mês para a conquistar, talvez assim quando o outro voltasse ela lhe pudesse dizer que, como tinha preferido ficar na Europa, tinha encontrado alguém melhor… e esse alguém seria ele. Não podia deixar de pensar em como perfeito isso seria, ter aquela beldade de caracóis ruivos como sua namorada seria um sonho tornado realidade – Lamento.

Ao ver que aquilo tinha deixado Brad a pensar, Chelsea apressou-se a disfarçar a sua tristeza com um sorriso. “Mais um mês sem ele… eu aguento”, mentiu-se interiormente. O problema não era a viagem ter sido prolongada, o problema era Jensen ter-lhe mentido sobre o motivo. Ele sabia que ela detestava mentiras.

- Mas diz-me, ainda não me disseste o que me querias dizer, era o quê?

Aquela chamada tinha feito Brad mudar de ideias. Já que tinha mais um mês, iria fazer as coisas com calma em vez de lhe dizer já como se sentia. Iria “preparar o terreno”, fazê-la gostar dele. E então, ao primeiro indício de que Chelsea se poderia estar a apaixonar por si, di-lo-ia.

- Pensei em convidar-te para passarmos um fim-de-semana na minha casa de férias. Assim não ficavas em Diamond City todo o Verão – disse ele, após ter pensado rápido.

A rapariga foi apanhada de surpresa. Realmente um fim-de-semana fora não lhe parecia uma ideia nada má, mas estranhou o facto de ele a ter convidado apenas a si.

- É fantástico. Mas só eu?

- Não! Claro que não. A Helen, e a Cassie… o Richard e o Will. Toda a gente. Que achas? – Disfarçou ele, ao ver que ela não tinha ficado confortável com a primeira hipótese.

A ruiva sorriu e avançou para o amigo, dando-lhe um abraço e depois um beijo na bochecha.

- Obrigado. Talvez um fim-de-semana fora seja exactamente o que eu preciso.

 

O que será que vai acontecer neste fim de semana? Humm...

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4 comentários

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De ♥ Annie ♥ a 17.05.2014 às 23:07

Aii opa ela ficou desconfiadaaaa..
E o brad é tão fofo! E ahah adoro o facto de ele referir o Jensen como 'o outro' ahah. Ele é amoroso, mas nem pense que vai afastar a Chels do Jensen!!! Gosto muito dele, mas não!
"ter aquela beldade de caracóis ruivos como sua namorada seria um sonho tornado realidade" ahah opa que amor que ele é!
Adorei muito querida s2
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De anna williams a 18.05.2014 às 14:35

Fiquei curiosa!!! :)
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De Maria a 02.06.2014 às 21:58

bastante ansiosa para descobrir reacção de todos quando o Brad contar a Chels.
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De Yria Rivers a 02.06.2014 às 22:28

oopa fazemos assim... eu fico com o richard e com o brad, mas o jensen [que também tem um caso secreto comigo] é da ruivinha! opa.... coitadinhos deles
adoreeei

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