Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




DDO: Ceptro da Pureza

por Andrusca ღ, em 22.04.14

Capítulo 14

Sentimentos Trocados * Parte 1

 

- O que é que se passa? – Cassie estava a achar a amiga extremamente quieta hoje. Tinham saído logo a seguir ao almoço, para irem às compras, mas Chelsea pouco tinha falado. Noutra ocasião teria aproveitado para gozar com as roupas fatelas que tinham visto, ou contar mil e uma piadas sem graça, mas por alguma razão hoje não estava a fazer nenhuma dessas coisas.

A ruiva pousou a colher com que comia o gelado dentro do pequeno copo de papel, já apenas meio cheio, e olhou para a amiga de um modo interrogativo.

- Como assim?

Cassie levantou o sobrolho mas Chelsea não retrocedeu. Não iria ceder e concordar que algo não estava bem.

- Tens estado o dia todo com a cabeça na lua, Chels – acusou Cassie – Passa-se alguma coisa contigo?

- Não, nada.

A rapariga dos piercings não ficou convencida, mas não insistiu. Depois de comerem os gelados levantaram-se e continuaram a andar pelo centro comercial. Cassie comprou um biquíni novo e umas sandálias, mas Chelsea não comprou absolutamente nada. Eram quase oito horas quando regressaram a casa, e Margaret já tinha o jantar na mesa. Convidaram Cassie para comer lá em casa, e a rapariga aceitou sem grandes problemas.

- Vai chamar o teu irmão – mandou o xerife Burke.

A ruiva subiu as escadas e entrou no quarto do irmão sem bater, dando com ele a ver televisão, deitado na cama.

- A comida está pronta – anunciou –, e a Cassie está lá em baixo. Despacha-te.

Richard nem teve tempo de responder, a irmã saiu do seu quarto e entrou no dela, pousando a mala em cima da cama. Ele levantou-se e seguiu-lhe os passos, encostando-se à ombreira da porta.

- Estás bem? – Questionou-a. Chelsea voltou-se para ele com uma expressão irritada.

- Porque é que hoje toda a gente me pergunta isso?! – Disparou – Sim! Estou óptima, não se nota? Vamos jantar.

Passou por Richard à velocidade de um furacão e desceu as escadas, ocupando o seu lugar à mesa. Tanto Margaret como Norman o fizeram também, deixando Richard e Cassie para o fim. Os dois adolescentes trocaram um olhar preocupado, ambos tinham percebido que algo não estava certo com Chelsea.

A comida estava boa, e Chelsea comia quase sem levantar o olhar o prato. Os pais falavam sobre coisas da casa, e houve uma altura em que também Richard e Cassie começaram uma conversa, mas o pior estava para vir. A televisão da sala, que Norman tinha deixado ligada, começou a transmitir uma notícia que surpreendeu três das cinco pessoas que jantavam naquela casa. Margaret levantou-se e foi até à sala, aumentando o som, sendo seguida pelo filho e por Cassie. Norman também o fez, segundos depois, apesar de já saber do que se tratava. Apenas a ruiva de cabelo encaracolado ficou sentada à mesa, a apertar a toalha com a mão.

- Chelsea, anda ver isto! – Quando a mãe a chamou não teve outra alternativa senão ir. Levantou-se calmamente e arrastou os pés até à outra divisão, onde todos estavam. Cassie e Richard olharam para si, chocados, e ela limitou-se a baixar a cabeça.

- “E a história não ficou por aí” – continuava a repórter a falar – “Testemunhas afirmam ter visto o xerife de Diamond City, Norman Burke, a disparar sobre a tão aclamada Defensora do Oculto, afugentando-a e fazendo-a desaparecer na noite não, sem antes, usar os seus tão chamados “poderes mágicos” para o afastar de si”.

- Norman! Isto é verdade? – Perguntou a Sra. Burke, chocada, ao marido.

- Sim – confirmou ele – Não sabia que tinham havido testemunhas, muito menos que isto ia ser notícia.

- Mas pai… - Richard calou-se e olhou para a irmã, engolindo em seco. Ela apenas respirou fundo encolheu os ombros. Sim, o seu próprio pai tinha-lhe mandado um tiro, mas não era algo que nunca pensasse que poderia vir a acontecer.

- Vamos continuar a comer? – Perguntou ela, numa tentativa frustrada de fazer com que todos esquecessem o que tinham acabado de descobrir. Infelizmente, depois de regressarem à mesa, a conversa continuou exactamente onde tinha sido deixada ficar.

- Estávamos a fazer uma apreensão de droga – explicou o xerife – quando ela apareceu. Entrou no armazém e, quando nós conseguimos entrar, já não estava lá mais ninguém. Não tive escolha, ela podia ser tanto testemunha, como suspeita. Mandei-a ficar quieta e dizer-me quem era, mas em vez disso a rapariga tentou abrir caminho por mim e pelos polícias.

- E por isso alvejaste-a? Sinceramente, Norman – comentou Margaret – Podemos não saber quem é essa rapariga, mas não deixa de ser uma jovem que tem idade para ser tua filha e, até agora, que se saiba, não fez nada de mal.

- Não fez nada de mal?! – Norman elevou a voz e Richard olhou para Chelsea ao mesmo tempo de Cassie, sabia que tudo o que a irmã menos precisava agora era de mais um debate sobre a Defensora – Aquela rapariga interferiu em inúmeras investigações policiais! Destruiu carros, destruiu paredes das ruas, incendiou o antigo hospício. Meteu-se no meio de assaltos! No meio de situações com reféns! E agora no meio de drogas! Se eu descobrir quem ela é…

- Pai, vamos mudar de assunto – pediu-lhe o filho – Já todos sabemos qual é a tua opinião sobre isto.

Mas foi em vão. O tema permaneceu durante o resto do jantar e, depois de terem ajudado Margaret a arrumar as coisas, os três adolescentes subiram as escadas e foram para o quarto de Chelsea. Ela deixou-se cair na cama com a barriga para baixo e, enquanto Cassie ficou de pé junto ao roupeiro, Richard fechou a porta.

- Ele alvejou-te?! – Perguntou ele, incrédulo.

Chelsea engoliu em seco. Sentou-se na cama e levantou um pouco a camisola, deixando ver um pequeno curativo na sua barriga.

- Passou-me apenas de raspão, o Will fez-me o curativo – disse, para descansar o irmão e a amiga.

- O que é que se passou? – Perguntou Cassie – O que é que estavas a fazer naquele armazém?

- Estava a seguir uma pista. Um demónio quis encontrar-se comigo para me falar da Kiki, mas quando lá cheguei era uma armadilha e havia dezenas deles. Alguém deve ter dito à polícia que eram drogados, ou assim, não sei.

- Então por isso é que estiveste estranha o dia todo. Podias-me ter dito, Chels.

- Claro Cassie, porque “ei, olha, o meu pai alvejou-me” é das coisas mais fáceis de dizer. Mas eu estou bem, não se preocupem.

- Se aquela bala tivesse calhado um pouco mais à esquerda… - pensou Richard, em voz alta – O pai tinha-te morto.

Chelsea engoliu em seco. Sim, bastava ter calhado um pouco mais à esquerda e tudo estaria acabado. Ela não estava pronta para ser morta por uma bala, depois de ter sobrevivido a três Bruxas. Era demasiado azar, demasiada ironia.

- Mas não calhou, e eu ainda cá estou. Ouve, mudando de conversa, falaste com o PJ hoje? – O irmão negou com a cabeça – Não falo com nenhum deles há três dias… achas que se passou alguma coisa?

- Claro que não – afirmou ele – O Jensen e o PJ provavelmente andam de um lado para o outro e, quando se lembram de telefonar, a diferença de horário não deixa. Não te preocupes com eles.

- Sim… talvez tenhas razão.

 

 

Chelsea andava apressada pela rua. Como sempre, estava atrasada. Aos poucos a esplanada começou a formar-se à sua frente e, sentado debaixo de um dos chapéus-de-sol, de perna cruzada e de um modo casual, esperava Brad. Assim que chegou ao pé dele implorou-lhe perdão e ocupou a outra cadeira.

- O que é que me querias dizer? – Perguntou, depois de alguns minutos de “conversa da treta”.

O rapaz deu mais um gole no refresco que tinha em cima da mesa e esfregou as mãos nos calções de ganga. Parecia inquieto e Chelsea, no auge da sua inocência, não percebia – ou não queria perceber – o porquê.

- Bem, estava só a pensar… - Brad começou a falar, mas assim que o fez um estrondo fez-se ouvir. Os dois viraram a cabeça instantaneamente, e Chelsea levantou ligeiramente o corpo da cadeira. Ao ver uma grande multidão a juntar-se ao fundo da rua, e o interesse que a rapariga mostrava em toda aquela confusão, Brad suspirou. Ainda não seria hoje que lhe dizia o que lhe queria dizer. Sempre que algo estranho acontecia, a ruiva arranjava maneira de se escapulir dele e ir bisbilhotar, como ele pensava – Queres ir ver?

A rapariga olhou para ele e controlou a sua impaciência, vendo que o amigo tinha algo de importante a falar. Não a chamaria ali, apenas a ela, se não fosse algo importante. De um modo retraído abanou a cabeça e voltou a sentar-se direita na cadeira.

- Continua – incentivou, para surpresa dele. Brad, apesar de apanhado desprevenido, clareou a garganta e preparou-se para continuar.

- Bem, já nos conhecemos há algum tempo… um ano, mais ou menos, certo? – Chelsea assentiu com a cabeça – Por isso acho que posso ser honesto contigo – Um homem passou a correr pela esplanada, em direcção ao centro de toda a confusão, e de seguida várias sirenes da polícia começaram a soar. Chelsea desligou-se da conversa do amigo e tentou ver alguma coisa, mas era impossível de onde estava – Chelsea? Estás-me a ouvir?

- Claro! – Exclamou ela, sendo de novo trazida para a conversa – Estavas a falar de honestidade…

- Sim, estava. Eu sei que… - de novo Brad foi interrompido, agora por um grito vindo do meio da multidão. A ruiva levantou-se por instinto. Algo não estava bem, ela podia senti-lo.

Autoria e outros dados (tags, etc)


3 comentários

Imagem de perfil

De Miguel Alexandre Pereira a 24.04.2014 às 22:09

Gosto imenso daquilo que escreves, as tuas histórias são sempre envolventes. Lê-se bastante bem, estou curioso para saber o que vem a seguir! Continua :)
Imagem de perfil

De Yria Rivers a 28.04.2014 às 17:56

eu adoro o brad, ele é totalmente fofo e querido e isso tudo, mas se ele faz com que ela e jensen se afastem... eu vou tomar medidas drásticas -.- ahahah
adorei ^^
Imagem de perfil

De ♥ Annie ♥ a 03.05.2014 às 21:32

OMD NÃO ACREDITO QUE O PAI DELA LHE DEU O TIRO!! Coitadinhaa, opaa isso é muito mau...
Ohh o Brad ia-lhe dizer que gosta dela. Coitadoo, com estas confusões todas não consegue falar com ela..
Adoreii, e mais uma vez desculpa o atrasoo

Comentar post




Mais sobre mim

foto do autor




The Ghosts

web counter free