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DDO: Ceptro da Pureza

por Andrusca ღ, em 06.04.14

Desculpem mas não consegui dividir este capítulo de modo a que fizesse sentido, por isso está gigante.

Não se esqueçam de comentar.

E leiam também o último capítulo da Sombra Atrás de Mim sff (:

 

Capítulo 13

Seguir Instruções

 

- Levanta-te – Jensen mandou uma almofada a PJ, que dormia profundamente, acordando-o de uma maneira repentina. O rapaz, algo alarmado, levantou-se rapidamente e ficou sentado na cama.

- O que foi? O que se passa? – Perguntou, ainda um pouco adormecido.

- Temos que nos despachar, não podemos ficar parados muito tempo, lembras-te? – PJ começou a recordar os últimos dias, desde que Oyuan tinha aparecido no hotel onde ambos estavam, em Paris. Desde então que tinham partido na busca pelo Ceptro da Pureza, mas Jensen estava sempre com mau pressentimento. Sentia que estavam a ser seguidos, por isso concordaram que não poderiam ficar muito tempo no mesmo sítio pois estavam sozinhos e, se fossem vítimas de algum ataque, as coisas poderiam não correr muito bem. PJ não admitia, mas rezava sempre antes de adormecer para que não caíssem em alguma cilada ou algo do género. Só de saber que o outro tinha um mau pressentimento deixava-o de pele arrepiada.

Começaram a arrumar as coisas dentro das malas e saíram logo do hotel, deparando-se com uma imagem algo deprimente para PJ. Areia. Montes e montes de areia. Ele gostava mais de água, monumentos, pessoas.

- Diz-me lá… - murmurou ele – como é que passámos de uma óptima viagem pela Europa, para o deserto?

Jensen revirou os olhos.

- Eu sei, desculpa – disse pela milionésima vez – Também não estava nos meus planos vir parar ao Egipto.

Os dois começaram a caminhar para saírem da pequena aldeia onde tinham ficado hospedados e dirigiram-se para o meio do nada, por onde caminharam por horas. Decidiram parar para descansar e por isso sentaram-se na areia.

- Tens a certeza que está por aqui? – Questionou PJ, depois de dar um gole na garrafa de água que levava guardada na mala. O outro olhou em volta e suspirou.

- Acho que sim… o Oyuan disse-me para seguir os meus sonhos e… bem… todos os desertos se parecem iguais, não sei como saber se é este – murmurou, para desespero do outro.

- Estamos condenados a procurar isso em todos os desertos do mundo – reclamou, fazendo o amigo rir.

- Anda lá – Jensen deu-lhe uma palmadinha nas costas e levantou-se –, quando mais depressa encontrarmos a primeira peça, mais depressa passamos para a segunda. São só três.

- Pois… mas andamos à procura da primeira há quase uma semana – PJ levantou-se também e recomeçaram a busca pelas finas areias do Sahara.

O rapaz do cabelo encaracolado tinha ficado, ao princípio, bastante entusiasmado por poder fazer alguma coisa para ajudar Chelsea e Jensen com o assunto dos problemas da Escuridão, mas assim que viu o trabalho que ia ter, e o cansaço que se ia acumular em si, ficou logo sem vontade nenhuma para procurar o ceptro. Ele sempre pensara que podia ajudar na parte das lutas, que se podia esconder em qualquer lado e ser o elemento surpresa, juntamente com Richard; que podia salvar os amigos e ajudar a melhorar o mundo. Nunca pensara que ia ser transportado para um deserto para procurar, sem quaisquer ajudas, um ceptro mágico que pode, ou não, estar lá. Não achava justo os heróis terem que fazer esse tipo de trabalho… mas afinal, ele não era um herói.

- Só por curiosidade… - murmurou ele – o nosso tempo de viagem está quase a terminar, e se não encontrarmos o ceptro até lá? Ficamos aqui e continuamos a procurar?

PJ tinha tocado num assunto no qual Jensen ainda não tinha pensado. De facto, era verdade, o mês dedicado às férias na Europa terminava no prazo de uma semana e meia, e as pessoas iam estar à espera que eles regressassem. Chelsea iria estar à espera que eles regressassem.

- Não sei… acho… acho que sim – pensou o rapaz dos olhos azuis, em voz alta – Não podemos simplesmente esquecer a busca, temos que encontrar o ceptro senão não conseguimos ajudar em nada.

- Mas então o que é que dizemos quando não conseguirmos chegar a Diamond City no dia combinado? – Insistiu PJ, ainda com um tom preocupado. Jensen engoliu em seco. Não podia contar a Chelsea que andava à procura do ceptro, senão o mais provável era ela querer juntar-se a ele e perder a concentração do treino, mas também não lhe queria mentir. Talvez PJ pudesse voltar e inventar uma desculpa qualquer para o safar por uns dias. Talvez até achassem o ceptro até lá e não fosse preciso pensar em nada. Talvez fossem mortos na busca e já não se tivessem que preocupar com absolutamente nada. Eram muitas opções, mas Jensen não queria pensar em nenhuma delas como sendo a certa. Não gostava do desfecho de nenhuma pois, por qualquer uma delas, ia estar mais tempo afastado da amada.

- Preocupamo-nos com isso se não conseguirmos juntar as peças todas a tempo – decidiu, dando o tema como terminado. PJ percebeu que o amigo não queria continuar com aquela conversa, por isso não insistiu mais.

 

 

Chelsea observava as estrelas com cautela. Estava deitada no telhado ao lado da sua janela do quarto há horas, e não dava qualquer indício de se querer mover. Pela primeira vez em algum tempo tinha conseguido livrar-se de todos os pensamentos e concentrar-se apenas em coisas que não são importantes nem arrecadam responsabilidade. Pensava apenas na sua formatura do liceu, nos tempos que lá passara, das gargalhadas que dera e das lágrimas derramadas. Pensava no passado pois já não podia fazer nada para o mudar. Porque, mesmo que quisesse, não conseguiria mudar o facto de ter chorado por Cody Simmons, o seu primeiro amor, nem de se ter embebedado com Helen e Tony e rido à gargalhada durante uma noite inteira. Podia pensar à vontade, e a sua única preocupação seria ponderar o que podia ter acontecido se tivesse tomado atitudes diferentes. E se não tivesse dado a Cody a oportunidade de a magoar? E se não tivesse deixado os amigos enchê-la de vodka? Mas não havia nenhuma resposta certa para essas perguntas, por isso a bela ruiva simplesmente não pensava nelas. Era-lhe mais simples reviver momentos, que pareciam ter sido vividos há décadas, ou noutra vida até, do que pensar no que estava a acontecer no presente ou que poderia acontecer no futuro.

- Chels? – Richard empoleirou-se na janela da irmã e fez com que ela parasse de admirar a noite estrelada e olhasse para si enquanto subia também para o seu lado. A rapariga riu-se.

- Já não subias para aqui desde…

- Desde que aquele demónio atacou a nossa casa – completou Richard, recordando o que tinha acontecido – Fizeste-me descer sem me magoar, foi incrível. Sabes… desde aquele dia que… não sei, acho que nunca mais vou conseguir olhar para ti da mesma maneira.

Chelsea franziu as sobrancelhas e ajeitou-se de modo a ficar sentada, como o irmão se encontrava.

- O que queres dizer? – Questionou.

- Não é mau – apressou-se Richard a dizer, caso ela o tivesse interpretado mal – É só… foi a primeira vez que percebi que já não eras a minha irmã bebé, que podias tomar conta de ti própria. Acho que me assustou um bocado.

A rapariga soltou uma gargalhada e depois abanou a cabeça, perante o espanto do rapaz.

- Isso é de loucos.

- É? Vá lá, tu és… tu sabes. Não precisas que te proteja de nada… aposto que ainda agora estavas a pensar em como derrotar qualquer coisa.

O riso de Chelsea dissipou-se e a rapariga enrolou as pernas com os braços, pousando a cabeça nos joelhos. Respirou fundo e depois virou a cabeça para encontrar o irmão a olhar para si, com um ar preocupado.

- Estás errado – garantiu-lhe – Não estava a pensar em nada disso. Estava só… a olhar para as estrelas e a ver como brilham. São raros os momentos em que consigo não pensar nessas coisas mas, quando consigo, são tão… libertadores. Por um simples momento consigo voltar a ser apenas a Chelsea Burke, aquela rapariga que chega sempre atrasada e não consegue fazer nada bem. Não é fácil para mim ser… ela.

Richard engoliu em seco.

- Eu sei. E sei que passaste por muito, não quis dizer que era fácil, ou que era algo de que gostavas, ou…

- Eu sei, relaxa. Acho que só estou a tentar dizer que eu… não importa o que eu consigo fazer, vou sempre precisar do meu irmão mais velho. Acho que sem ti, a Helen, ou os outros, já tinha dado em louca. Esse é o vosso trabalho, garantir que continuo sã.

O irmão de Chelsea exibiu um pequeno sorriso e aproximou-se dela, tomando-a nos seus braços para um abraço carinhoso.

- Vou tentar, mas não é fácil – disse – Queres voltar a não pensar em nada?

- Sim, por favor.

E assim ficaram, os dois abraçados no telhado, a olhar a estrelas, sem um único pensamento obscuro na mente. Chelsea iria aproveitar bem os poucos momentos que lhe restavam para ser apenas ela mesma.

 

 

- Achei! – Gritou Jensen.

Assim que o ouviu, PJ saltou do buraco de areia onde estava enfiado e correu até ao amigo, ajoelhando-se ao seu lado, na areia do deserto. Nas mãos do rapaz dos olhos azuis estava um grande diamante roxo envolto num enlace de fios de prata que, entrelaçados uns nos outros faziam vários símbolos, e pareciam formar uma espécie de protecção para ele. PJ abriu a boca de espanto enquanto os seus olhos brilhavam.

- Uau – conseguiu dizer.

- Eu sei – também Jensen estava estupefacto. Depois de três dias no deserto finalmente tinham conseguido encontrar o oásis com que sonhara e, depois de terem escavado e escavado, finalmente tinham conseguido. Tinham encontrado a primeira peça do puzzle. A primeira parte de ceptro.

- Então e agora? – Perguntou o dos caracóis, quando se conseguiu abstrair da enorme pedra preciosa que repousava nas mãos do amigo – Onde é que está o próximo bocado do ceptro?

- Quando toquei no diamante tive uma visão – disse Jensen – Vi um vulcão coberto de neve, mas não tenho ideia onde é.

PJ suspirou.

- Então e agora? Voltamos para o hotel e pesquisamos?

Jensen concordou com a ideia do amigo e foi isso que fizeram. Já no conforto do hotel, na cidade de Cairo no Egipto, começaram a pesquisar vulcões na internet. PJ pesquisou dezenas de imagens, que deu a Jensen para que dissesse se algum daqueles era, ou não, o vulcão da sua visão. Fizeram várias pausas, parecia que não iam ter muita sorte e, enquanto PJ foi buscar comida o amigo sentou-se em frente ao computador a ver mais algumas imagens. Quando o outro chegou, comeram e depois foram tomar banho, à vez, para depois descansarem um bocado.

PJ estava deitado na cama quando Jensen regressou da casa de banho e se sentou de novo em frente ao computador.

- É este! – Gritou o rapaz dos cabelos negros, para alívio do outro, que se levantou e se aproximou dele. No ecrã do computador podia ver uma fotografia de um vulcão gigantesco quase completamente coberto de neve.

- Onde é?

Jensen clicou na imagem e começaram os dois a ler a informação do vulcão.

- Numa península na Rússia, chamada Kamchatka – disse Jensen, fazendo uma careta ao pronunciar o nome da pronúncia – É o vulcão Shiveluch.

- Há uma aldeia lá perto, fica a cerca de 2.7 quilómetros… - disse PJ, enquanto apontava para o sítio onde tinha acabado de ver a informação – chama-se Klyuchi… - Jensen assentiu com a cabeça, incentivando-o a continuar – Meu… vamos para a Rússia?

O rapaz engoliu em seco. Ir para a Rússia… não parecia algo barato, e definitivamente não iria ser fácil. Nenhum deles sabia falar russo e entender o que os nativos diziam ia ser complicado. Arranjar estadia ia ser uma verdadeira dor de cabeça, e depois encontrar e chegar ao vulcão também não parecia ser uma tarefa propriamente acessível. Mas o que mais podiam fazer? Já tinham achado uma das três partes do ceptro, não podiam deitar tudo a perder agora. Tinham que seguir as instruções, tinham que seguir as visões que o ceptro lhe desse e encontrar o resto das suas partes o quanto antes.

- Sim – respondeu, de um modo firme – Amanhã vamos para a Rússia.

- Mas… como? – Questionou PJ.

- De manhã falamos com o Oyuan, acho que ele também vai querer saber que encontrámos a primeira parte do ceptro. Pode ser que nos diga o que fazer.

- Pois, como se isso alguma vez tivesse resultado bem – PJ suspirou e deixou-se cair sentado na cama. O amigo sentou-se ao seu lado e pôs-lhe a mão nas costas.

- Desculpa ter-te arrastado para isto – lamentou – Sei que não sonhavas com umas férias inteiras à procura de uma coisa que nem sequer podes usar. E se algum demónio descobrir o que estamos a fazer e nos atacar… só espero que isso não aconteça, porque de certeza que não sonhaste com umas férias em que eras espancado.

PJ riu-se e encolheu os ombros.

- Deixa lá – murmurou – Tu e a Chelsea podem salvar o mundo, e se para o fazerem precisam dessa coisa, então eu vou procurá-la até ao fim. Estamos nisto juntos. Vamos lá para a Rússia.

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3 comentários

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De Miguel Alexandre Pereira a 07.04.2014 às 15:12

Pode ser um capítulo grande, mas foi muito coeso e lógico. Leu-se bastante bem fizeste a história correr de forma fluida. Fantástico trabalho, gostei muito :)
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De ♥ Annie ♥ a 10.04.2014 às 22:12

Oii desculpa o atrasoo (acho que isto se esta a tornar regular, sorry) :s
Opa gosto imenso de ver o Jensen e o PJ juntos numa aventura *.*
E não consigo descrever por palavras a fofura que foi esse momento entre irmãos *.* opa do mais fofo que ha s2s2s2 Adorei tanto!
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De Yria Rivers a 16.04.2014 às 15:27

aww o richard já precisa de uma namorada não? eu ofereço-me ^^

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