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DDO: Ceptro da Pureza

por Andrusca ღ, em 09.03.14

Capítulo 11

Missão * Parte 1

 

- Eu sei… não… oh, não sejas idiota, acordei cedo, acontece – Chelsea andava de um lado para o outro do quarto com o telemóvel na mão. Por vezes ficava séria, por outras desmanchava-se a rir. Ouvia os relatos da viagem do namorado com a maior das atenções – E onde estás agora?

- “Paris” – disse Jensen – “Isto é lindo, tenho que te trazer cá. A Torre Eiffel é algo do outro mundo!”

- Ainda bem que estás a gostar – apesar de se sentir feliz por ele, a ruiva suspirou. Custava-lhe ouvir a sua voz ao telefone e saber que está tão longe, que não lhe pode tocar, nem sequer ver. Tinha partido há pouco tempo, mas as saudades já começavam a apertar – Então o PJ, está-se a divertir?

- “Agora está no banho, mas sim, também está a gostar. Então e as coisas por aí? Há alguma novidade sobre aquela tal de Kiki?”

Chelsea engoliu em seco. Não lhe ia contar que quase tinha caído de um prédio de cinco andares, ontem, enquanto perseguia um demónio, nem que desconfiava que Kiki pudesse ser uma das Bruxas da Escuridão. O interesse de Jensen fazer esta viagem era para que relaxasse, e não que estivesse preocupado com os problemas do oculto.

- Não há nada de novo, ainda não sabemos quem ela é – acabou por responder.

- “E tens encontrado demónios?” – Mas mesmo que ela não quisesse, ele preocupava-se. Preocupar-se-ia sempre.

- Alguns. O mesmo do habitual – falou, tentando desvalorizar a questão.

- “Tem cuidado, se te acontece alguma coisa…”

- Eu sei, eu tenho cuidado – interrompeu-o ela – Tenho que ir. Pode ser meio-dia aí, mas aqui ainda são seis da manhã. Tenho saudades tuas.

- “Também tenho saudades tuas. Amo-te”.

Chelsea desligou o telemóvel e pousou-o em cima da mesa-de-cabeceira. Olhou pela janela e suspirou, o dia já tinha nascido e ela não tinha pregado olho. Tinha ficado a noite inteira na rua, à caça de demónios, e sentia-se completamente derrotada. Foi até à casa de banho e despiu a roupa que trazia, vestindo depois o pijama e deixando-se cair de qualquer maneira em cima da cama. Assim que tal aconteceu, os seus olhos fecharam e entrou no mundo dos sonhos. Porém essa paz de espírito não durou muito tempo, eram oito horas quando Richard entrou no quarto e foi até à cama dela, acordando-a gentilmente.

- O que foi? – Resmungou ela.

- Já são oito horas – anunciou ele.

- E? – Chelsea levantou a almofada e tapou a cara com ela, queria dormir mais um pouco.

- Prometemos à mãe que hoje íamos fazer a “grande arrumação” à casa, lembras-te? – A ruiva abriu os olhos repentinamente e tirou a almofada de cima de si.

- É hoje? – Perguntou, com uma voz rouca devido ao sono, soltando um bocejo logo de seguida.

- A que horas chegaste ontem à noite? Não dei por chegares a casa – comentou o irmão, mudando de conversa. Chelsea suspirou e deu uma volta na cama, resmungando baixinho.

- Cheguei hoje, às seis. Tenho sono Richard, deixa-me dormir só mais um pouco… - Richard ainda ia dizer mais qualquer coisa, mas a irmã adormeceu logo de modo instantâneo e ele não teve a coragem de a acordar de novo. Podia começar as limpezas sozinho e daqui a um par de horas poderia voltar a acordá-la.

 

 

- Meu, quem me dera que a Chelsea estivesse aqui – disse Jensen, pela milionésima vez. PJ revirou os olhos, fingindo-se de chateado, e soltou uma gargalhada.

- Se soubesse que ias passar o tempo todo a falar nela, tinha-lhe oferecido o meu bilhete e assim já não te aturava – resmungou, na brincadeira – Ainda por cima nem dormir me deixas. Já lhe contaste o que se passa?

A expressão de Jensen tornou-se séria e, apesar de estar a olhar directamente para a Torre Eiffel, era evidente que por momentos tinha ficado completamente desligado do mundo.

- Não a quero preocupar – murmurou, poucos segundos depois de o amigo ter falado.

- Tens tido sonhos estranhos todas as noites, não achas que é um bocadinho importante? – Insistiu ele, com um travo a sarcasmo – Acho que lhe devias dizer.

- Se lhe disser ela vai ficar preocupada connosco e não vai conseguir ficar descansada em Diamond City, e se não disser nada pode ser que consiga eu resolver as coisas. Os sonhos também não me mostram nada que me indique que algum perigo está para vir.

- Pois, são apenas sítios e um ceptro esquisito… - continuou PJ, ainda com uma voz algo sarcástica – Já pensaste se é algum instrumento da Escuridão? Imagina que andam à procura dele e que, só por o acharem, o mundo acaba porque não quiseste dizer nada à Chels.

Jensen revirou os olhos e deu-lhe uma palmada no ombro.

- Anda lá, ainda temos muito que ver – apesar de se ter mostrado descontraído perante PJ, a verdade era que aqueles sonhos que já tinha há alguns dias o estavam a começar a perturbar. Apenas via sítios do mundo, como as pirâmides, ou construções gregas, e depois, do nada, ficava tudo escuro e um ceptro brilhava, anunciando a sua presença. Talvez não fosse nada, mas talvez fosse alguma coisa.

Os dois rapazes caminharam pelas ruas de Paris e iam reparando nos cafés, nos quais várias pessoas tomavam um pequeno-almoço tardio nas esplanadas, nas casas bem construídas e no rio que lhes passava ao lado. PJ insistiu que fossem até à Catedral de Notre-Dame, e assim fizeram. Os vitrais coloridos eram algo de outro mundo, e o interior da catedral deixava qualquer um boquiaberto. Era deslumbrante.

- E onde vamos agora? – Perguntou PJ. Porém o amigo não o ouviu. Jensen estava a olhar em volta, para o lado de lá da ponte localizada atrás da catedral. Sentia que alguém os observava, mas não conseguia ver ninguém – O que é que se passa?

O rapaz dos olhos azuis engoliu em seco e voltou a olhar para o amigo, encolhendo os ombros.

- Nada – desvalorizou – Vamos almoçar.

Depois de um dia inteiro às voltas pela capital de França, os rapazes decidiram que era hora de regressar ao hotel. Subiram de elevador até ao quarto e, assim que chegaram, PJ deixou-se cair em cima da cama, completamente esgotado. Jensen continuava sem conseguir ficar totalmente descansado. Ainda sentia um par de olhos sobre si, sentia que algo não estava bem. Foi até à janela e espreitou mas, de novo, não viu nada. Fechou os cortinados e ligou a televisão, sentando-se na ponta da sua cama, posicionada a pouco mais de um metro da do amigo.

- Amanhã vamos para a Alemanha, certo? – Perguntou PJ.

- Sim. Como é que está o teu alemão?

- Oh… no ponto – gozou o outro – Se depender de mim, nem o hotel encontramos.

Jensen riu-se e depois depositou a sua atenção na televisão, apesar de não fazer a mínima ideia do que se dizia lá. Era tudo em francês, e essa língua não era o seu forte. Claro que percebia o merci, Je m'appelle e au revoir, mas pouco mais do que isso. Poucos minutos depois do silêncio ter começado, PJ levantou-se e disse ao amigo que ia tomar um banho, fechando-se na casa de banho logo de seguida. Jensen desligou a televisão e mandou o comando para cima da cama ao mesmo tempo que se levantava e dava voltas pelo quarto. “O que poderá ser aquele ceptro? Será que fiz mal em ter vindo nesta viagem? Estará a caracolinhos em perigo?”, perguntava-se.

Era quase uma da manhã quando os dois rapazes decidiram dormir. Cada um se deitou na sua cama e, enquanto PJ adormeceu instantaneamente, Jensen ficou às voltas por algum tempo. A noite ia a meio quando ele voltou a despertar, vendo uma sombra à frente da sua cama. Assustado, apressou-se a ligar a luz do candeeiro que estava na mesa-de-cabeceira e suspirou de alívio ao apurar que conhecia aquela figura.

- O que é que estás aqui a fazer? – Perguntou, enquanto se levantava.

Foi nessa altura que também PJ acordou, e ficou surpreendido ao ver ali outra pessoa. Olhou para Jensen como se procurasse uma indicação de que estava tudo bem e que podiam confiar naquele careca vestido com um manto cor de pérola com uns enfeites a roxo e dourado.

- O que é que se passa? – Perguntou, ainda atordoado devido ao sono.

- Receio que as vossas férias tenham que ser interrompidas – proferiu o outro, falando pela primeira vez desde que tinha chegado ao quarto.

- O que é que se passa, Oyuan? – Insistiu Jensen, à medida que esfregava um olho. PJ abriu a boca de espanto. Então este é que era Oyuan, o Guardião de quem tanto tinha ouvido falar. Aquele a quem Chelsea chamava “chato” e “rezingão”.

- Há muitos anos foi construída uma arma, para a antiga Defensora. Um ceptro que, quando nas mãos dela, tinha um poder imenso – explicou o velho Guardião – Mas tu já sabias disto, não sabias?

- Tenho sonhado com isso – admitiu –, só não sabia para que servia. Dizes que é da Chelsea?

Oyuan assentiu com a cabeça e prosseguiu a explicação.

- É um ceptro mágico que apenas nas mãos da Defensora do Oculto tem o poder de repelir a Escuridão. É a maior arma que alguma vez foi construída para a Luz, mas é também perigosa. Mas mãos erradas, traria desgraças ao mundo.

- Como se uma das Bruxas o apanhasse, por exemplo? – Meteu-se PJ na conversa, ajeitando-se, ficando encostado às costas da cama.

- Sim. Quando a Defensora foi destruída, tal como as Bruxas, temeu-se que algum poder negro pudesse voltar para apanhar o ceptro, e por isso alguns dos Guardiães mais antigos desmancharam-no e esconderam os bocados por todo o mundo. Pensámos que talvez não fosse preciso voltar a usá-lo, mas a batalha contra a Escuridão está a ficar cada vez mais perigosa, e nada vai ser como da última vez.

- O que quer dizer? – Perguntou Jensen – Acha que vamos perder?

- Acredito que… acredito que não vai haver um desfecho feliz.

- Você não acredita que a Chelsea consiga destruir a Escuridão – acusou PJ – Nem sequer com a ajuda do Jensen e do Will?

- Não é por causa da Defensora – defendeu-se Oyuan – É por causa da Xay. A Defensora pode ser forte, mas também é amável, e inocente, e receosa. A batalha final com a Escuridão será, uma vez mais, entre as duas, e desta vez Xay está muito mais poderosa e, se puser as mãos no Ceptro da Pureza, então não haverá qualquer hipótese para qualquer um de nós. Ela é implacável, impossível de afugentar e sanguinária. E para responder à tua pergunta, não, não acredito que a Chelsea esteja preparada para algo assim.

- Nem sequer com o ceptro? – Perguntou Jensen.

- Aumenta-nos as hipóteses de ganharmos, mas não creio que no final faça muita diferença. Pode ter um poder enorme, mas nada disso servirá se Xay tiver um ainda maior. Mas pode-nos dar algum tempo para arranjar soluções, e por isso tens que o encontrar.

- Eu? – Questionou o antigo Príncipe da Escuridão.

- És o único que pode. Antes de serem destruídos, tu e a antiga Defensora partilharam o poder do ceptro, ficaram ligados a ele, e por isso só vocês o conseguem achar.

- Porque é que a Chelsea não o procura também? – Perguntou o rapaz dos caracóis. Pensou que talvez se pudesse juntar a eles, assim seriam mais olhos à procura.

- Porque uma busca pelo mundo não é o que precisa agora. Precisa de treinar, treinar sem interrupções.

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3 comentários

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De ♥ Annie ♥ a 12.03.2014 às 16:07

ahhh o Jensen em missão, wohooo. Agora espero é que por causa disso nao venham os problemas...
Adorei muito o capitulo!
Ahah acho o PJ mesmo adoravel, com isto tudo ele parece uma criança na maior ignorancia a tentar apanhar bocados para perceber tudo.. ahah mas adoro-o.
E adoro ainda mais o Jensen, por isso espero mesmo muito que nao lhe aconteça nada de mal!
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De Yria Rivers a 12.03.2014 às 20:36

desculpa só vir agora ler, mas tenho tido muita coisa para fazer e a net está cada vez pior, tenho a certeza que não vou conseguir fazer este comentário à primeira
adorei este capitulo, coitadinho do jensen, quero maiiis
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De Maria a 13.03.2014 às 17:00

jensen com responsabilidades, amei

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