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DDO: Ceptro da Pureza

por Andrusca ღ, em 28.02.14

Capítulo 10

O Ceptro Misterioso * Parte 1

 

No sítio mais obscuro e temível do Reino da Escuridão, no cume de uma montanha negra e sem vida, ficava um palácio. Estava vazio de qualquer sentimento bom, e trazia arrepios e maus presságios a quem se aproximasse. Era um sítio onde nem os piores pesadelos de uma criança se atreviam a chegar ao pé. Um sítio onde apenas o pior de todos os males podia prevalecer.

Sentada no seu trono de pedra, com uns duendes com mau aspecto a polirem o chão e a cuidarem do palácio já degradado, estava ela. Os seus longos caracóis estavam mais negros que nunca, e aos olhos cinzentos nada escapava. Com os lábios carnudos e vermelhos fazia um pequeno sorriso que adivinhava desgraça, e mexia o seu vestido preto, com um decote algo generoso e uma racha de cada lado, até acima do joelho, com uma das mãos. O seu pé, calçado com um sapato raso, negro, não parava quieto, o que fazia com que se percebesse que se encontrava algo impaciente.

- Onde está o Trou? – Perguntou, com a sua voz melodiosa, para os duendes. Estes, vestidos apenas com trapos e muito magrinhos, de modo a conseguir ver-se todos os ossos do corpo, começaram todos a encolher-se e a abanar a cabeça atrapalhadamente, com medo do que lhes podia vir a acontecer por não saberem responder à pergunta da sua soberana – Será que tenho que fazer tudo sozinha?!

Xay, a mais temível Bruxa do Reino da Escuridão, levantou-se furiosa e começou a andar pelo chão de pedra. Destruiu dois dos seus servos para amedrontar os outros, para que para a próxima lhe soubesse responder à pergunta. Então, apenas com um estalar de dedos, as portas à sua frente abriram-se, deixando-a passar, fechando-se logo de seguida. Caminhou pelo corredor e, quando ia fazer uma curva, uma figura masculina apareceu à sua frente.

- À minha procura? – Perguntou, de um modo presunçoso, formulando um sorriso quase irresistível.

- Trou – murmurou Xay. Trou envergava uma casaca azul escura, que contrastava com as suas calças claras, com uns botões grandes e uma gola arqueada. Nos pés trazia umas botas de cano alto, pretas. O seu cabelo escuro estava, como sempre, impecável. Olhou a Bruxa com os seus olhos grandes e azuis-claros. Ela mirou-o bem, gostava de o ter assim, confiante mas recatado. Era, de todos os Príncipes, o mais parecido ao Byron.

- Já tens novidades sobre a Defensora? – Perguntou ele, ao que Xay sorriu malevolamente.

- Não… ainda não consegui descobrir a sua identidade, mas não faz mal. Vou mudar de táctica. Temos que falar com o teu irmão.

Trou franziu as sobrancelhas.

- O Fleth? – Perguntou, surpreendido. Nada de bom poderia vir com uma aliança com Fleth, e ele sabia-o bem. O irmão não era bom em trabalho em equipa, gostava demasiado de levar os méritos por tudo.

- Não. O Kayor e o Jecek, que estão mortos, e o Byron, que nos deixou para se juntar à Luz. – Disse Xay, sem paciência, de um modo sarcástico – É claro que é o Fleth!

- Mas Xay…

- Manda-o chamar. Já – ordenou, sem deixar espaço para o outro falar. Voltou costas e começou a dirigir-se de novo à sua sala do trono – Eu espero-o no meu trono.

 

 

- Chelsea… Chelsea… - Chelsea abriu os olhos, muito alarmada, e olhou em volta. Estava deitada numa rede branca, atada a duas árvores, e envergava apenas um vestido de alças, branco e de Verão. Encontrava-se descalça e, ao pôr os pés na relva, sentiu cócegas. Estranhou a paisagem, não era o bosque com que normalmente costumava sonhar. Não, era uma pradaria calma e silenciosa.

- Sim? – Perguntou ela – Quem está aí?

Ninguém respondeu, a voz que antes soava baixa e suavemente dissipou-se e nem o vento se fazia ouvir. A beldade de caracóis ruivos olhou em volta e sentiu um calor estranho e, ao mesmo tempo, familiar percorrer cada fibra do seu ser. Sem saber como, soube para onde se dirigir. Era como se não houvesse um caminho errado, como se, tomasse que decisão tomasse, fosse sempre ter a onde devia de ir.

Caminhou descalça sobre a relva bem tratada durante alguns segundos, até começar a avistar uma pequena colina. O sol estava exactamente por trás dela, tornando difícil a tarefa de Chelsea reconhecer quem se encontrava lá em cima. A ruiva levou a mão à testa, de modo a fornecer-lhe alguma sombra em redor dos olhos, e forçou um pouco a vista perante a imensa claridade. Aquele cabelo perfeitamente liso, da mesma cor do seu, que esvoaçava ao sabor de um vento que não se sentia, não deixava sombra de dúvidas. E, se ainda as houvesse, as vestes roxas e pretas tiravam-nas. Só havia uma pessoa com tanta graciosidade como força, e essa pessoa estava à sua frente.

- Faith – murmurou Chelsea, baixinho. Mas então a sua atenção virou-se para outra coisa. Nas mãos da grandiosa Defensora do Oculto do antigamente estava um objecto que Chelsea nunca antes vira. Era um ceptro comprido, desde o chão até quase ao queixo de Faith, todo feito de prata cintilante e com um grande diamante roxo no topo, que era rodeado várias vezes por finos fios de prata, criando alguns desenhos difíceis de distinguir ou decifrar. A ruiva ficou de boca aberta ao ver como a pedra preciosa cintilava quando os raios de sol lhe batiam e ao perceber o tamanho dela.

Era um ceptro lindo e, de alguma maneira, Chelsea sentia uma paz enorme ao vê-lo. Reparou, depois, que o semblante de Faith estava preocupado. Olhava o horizonte de olhos cerrados e não tinha um ar amigável. Estava preocupada e a sua postura era séria. Agarrava o ceptro, em pé à sua frente, com as duas mãos, a direita colocada um pouco acima da esquerda, e esperava pacientemente. Algo de terrível se aproximava, e Faith sabia-o.

Chelsea seguiu o olhar da outra e nada viu. “Estou demasiado em baixo”, pensou, “tenho que subir a um sítio mais alto”. E, então, começou a correr para a colina onde Faith se encontrava. Demorou pouco a chegar lá, e subiu-a sem dificuldade para, depois, se juntar à outra. Mirou-a de perto, mas a rapariga nem deu por ela. Era como se, para ela, Chelsea fosse invisível. Como se não estivesse ali. Apenas podia observar, era uma mera espectadora. E foi então que a bela rapariga de cabelos encaracolados viu o que Faith via. Uma onda enorme de escuridão a aproximar-se. Uma onda escura e temível estava a chegar a grande velocidade.

Faith apertou mais o ceptro e respirou fundo, olhando o perigo que se encontrava mesmo à sua frente. Depois fechou os olhos e concentrou-se. Do enorme diamante uma luz arroxeada saiu em todas as direcções, forçando Chelsea a tapar os olhos com as mãos. Conseguiu ver, porém, por entre os dedos, que aquele enorme foco de luz estava a dissipar a Escuridão.

 

Chelsea acordou toda transpirada e sentou-se na cama. Tinha a respiração acelerada e o coração aos pulos mas, ao mesmo tempo, ao recordar a luz brilhante e reconfortante que saía daquele ceptro desconhecido, sentia alguma calma. Como viu já alguma claridade através do estore, olhou para o relógio pousado na mesa-de-cabeceira e verificou que eram ainda oito e meia da manhã. “Ainda é cedo para ir ter com o Will”, pensou. Ainda ponderou voltar a dormir, mas achou melhor não. Depois perdia a vontade de treinar. Por isso, em vez de ficar no vale dos lençóis, levantou-se e dirigiu-se ao roupeiro, de onde tirou uns calções e um top, de desporto. Calçou os ténis e, na casa de banho, passou a cara por água e prendeu o seu cabelo numa longa trança. Saiu do quarto devagar e de um modo silencioso, não queria fazer barulho e acordar Richard pois já sabia que, se tal acontecesse, ele ficaria rabugento durante todo o resto do dia. Richard não tinha mau acordar, mas quando o acordavam demasiado cedo mais valia fugirem dele nas horas que se seguiam.

Após ter comido uma taça de cereais colocou a loiça suja na máquina e saiu pela porta da frente, contornando a casa, e seguiu até ao bosque. Apenas lá começou a correr entre as árvores e os arbustos, com o caminho desnivelado e sem rota traçada. Limitava-se a mexer uma perna a seguir à outra enquanto regulava a respiração e via, na sua mente, todos os pormenores do sonho que tivera há poucos minutos. Sabia que provavelmente era alguma mensagem. Algo do seu passado que ainda não conhecia. Algo que lhe era importante tomar conhecimento o quanto antes. A julgar pela maneira como aquela luz dissipara a Escuridão, Chelsea não duvidava que encontrar aquele ceptro seria uma das suas prioridades. Faith tinha-lhe mostrado o que aquele ceptro podia fazer por um motivo, e Chelsea não pretendia ignorá-lo.

 

Para os mais distraídos, já postei o segundo capítulo da história nova ;)

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3 comentários

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De Yria Rivers a 28.02.2014 às 21:10

venho ler isto tudo amanhã, estou a meio de um jantar hoje ^^'
beijinhos
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De Yria Rivers a 01.03.2014 às 13:41

estou mesmo a ver o que é que vem daí
tenho saudades do Jensen :c só espero que nao lhe aconteça nada
quero mais
beijinhos
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De ♥ Annie ♥ a 01.03.2014 às 22:11

ahhh o 'Ceptro da Pureza', right!
Espero que a Chels descubra o que tem de fazer.
Essa Xay..
Por acaso tambem pensei no Jensen na descrição do Trou..
Adorei!

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