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DDO: Ceptro da Pureza

por Andrusca ღ, em 21.02.14

Capítulo 9

Seguir os Sonhos * Parte 2

 

Chelsea foi bastante convincente nas suas palavras, porém eram poucas aquelas em que acreditava. Sim, as oportunidades de fazer aquela viagem iam ser cada vez mais poucas, mas por outro lado ela sabia que Kiki podia mesmo ser uma nova ameaça. Mas, por agora, tinha decidido desvalorizar o assunto. Além do mais, se Kiki fosse quem ela pensava ser, então não seria má ideia ter Jensen um pouco mais afastado. Talvez assim estivesse mais descansada, ao saber que estava do outro lado do Atlântico.

- Então e tu? Não te posso deixar aqui sozinha.

- Sozinha? Não. O Richard não vai a lado nenhum, nem a Helen ou a Cassie. O Brad vai estar sempre de roda de nós. E o Will não me vai parar de massacrar com os treinos. Vou ter o Verão mais ocupada da minha vida! – Afirmou ela, exagerando um pouco a realidade – A sério, devias ir. As coisas vão continuar iguais quando voltares.

- Mas…

- Só… promete-me que deixas as portuguesas em paz.

Jensen riu-se, e abraçou a namorada, sussurrando-lhe um pequeno “obrigado” ao ouvido.

- Mas se acontecer alguma coisa…

- Eu digo-te – interrompeu-o ela.

- E eu…

- Vens logo de seguida – ele voltou-se a rir, e Chelsea aproximou-se mais, deixando a distância que os separava mais pequena – Não te preocupes, não vai acontecer nada de mal.

 

 

- E tu estás bem com isso? – Perguntou Cassie.

Chelsea encontrava-se deitada na cama, com os pés voltados para a cabeceira e a cabeça a cair, pendurada, pelo fundo, abraçada a uma almofada prateada e felpuda. A rapariga dos piercings estava sentada na cadeira da secretária, e Helen encontrava-se encostada à ombreira da porta que dava para a casa de banho.

- Claro que estou bem com isso – desvalorizou a ruiva.

- Chelsy, a sério? – Quem insistiu foi Helen – Já te conhecemos. Diz a verdade.

- É óbvio que vou ter saudades dele, mas não o posso impedir de ir.

- Mas querias? – Perguntou Cassie.

A ruiva suspirou e meteu-se para cima, sentando-se de pernas cruzadas e na mesma a abraçar a almofada.

- Está quase a fazer um ano que ele morreu – murmurou – Ele morreu, voltou dos mortos, não se lembrava de nada. Passei um Verão inteiro com a imagem do corpo dele gélido e imóvel no chão. A saber que ele não se lembrava de nada do que tínhamos vivido juntos. Acreditem, saber que está a viajar e a conhecer o mundo, algures em França ou na Alemanha, é um Verão muito melhor do que o do ano passado. Além disso o PJ vai com ele logo, se houver algum acidente ou algum problema, não vai estar sozinho.

- Então e tu? – Perguntou Helen – Quem é que te protege a ti?

Chelsea sorriu.

- Ele merece uma pausa – afirmou – E eu tenho o Will, que me dá uma mãozinha. E talvez vá passar algum tempo na Casa dos Guardiães. E também, como lhe disse, o Will vai querer aperfeiçoar algumas técnicas. Não vou sequer ter tempo para ter saudades dele.

As duas amigas olharam-se entre si. Não acreditavam nem numa palavra das que saíam da boca de Chelsea, mas nada podiam fazer. Ela é que sabia o que queria fazer e, sendo teimosa como já a conheciam, não iria mudar de ideias apenas porque elas ateimavam.

- Quando é que ele vai? – Perguntou Helen.

- Depois de amanhã – murmurou a ruiva – Ele e o PJ têm que estar no aeroporto às duas da tarde porque o avião parte às quatro.

Passadas mais algumas horas de conversa, as duas amigas abandonaram a casa de Chelsea e esta sentou à secretária, a pesquisar algumas coisas no computador. O seu telemóvel tocou pouco depois, mas ela não quis atender. Era o namorado, e já sabia que só o facto de o ouvir a dizer que desistir da viagem era uma possibilidade, não ia conseguir não lhe pedir para ficar. E sabia que isso não podia ser. Jensen tinha o direito de fazer uma pequena pausa de todos os momentos horrendos que viviam diariamente, e além disso ia com PJ, amigo de ambos, que nunca deixaria que nada de mal acontecesse.

Decidiu então e ir tomar um duche de água fria, para arejar as ideias, e depois vestiu logo o seu pijama – uns calções e um top.

A mãe telefonou-lhe, a dizer que tinha recebido uma encomenda e ia precisar de ficar na loja por mais algum tempo, por isso desceu para a cozinha e descongelou uma pizza. Tinha-a acabado de colocar na mesa, quando Richard chegou a casa.

- Já? – Perguntou-lhe ele, ao dar-lhe um suave beijo na testa – Ainda é cedo, maninha.

- Sim, mas a mãe não vem comer e eu já estava com fome. O pai também não deve demorar – justificou ela.

- Então não sabes? Houve uma emergência qualquer para o lado das montanhas, e o pai vai ter que trabalhar a noite toda – afirmou o rapaz, encolhendo os ombros – Parece que somos só nós.

 

 

O dia da despedida de Jensen chegou. Às duas da tarde já estava no aeroporto com PJ, enquanto Chelsea estava sentada num dos bancos do parque, com o olhar vazio, presa em pensamentos. Tinham-se despedido no dia anterior, com meia dúzia de beijos e promessas de que falariam todos os dias e que iam ter saudades. Chelsea tinha-lhe assegurado que ia ficar bem mas, agora que a hora chegara, estava a começar a sentir um vazio enorme. Embora sabendo que o avião ainda nem tinha partido, já sentia bastantes saudades de voltar a olhar naqueles olhos azuis e a despentear aquele cabelo negro.

- Chels? – Por trás de si apareceu Cassie. A ruiva voltou-se para ela surpreendida, não esperava vê-la lá. A rapariga dos piercings tomou o lugar no banco, ao seu lado, e só depois voltou a falar – Eles já foram?

Chelsea abanou a cabeça.

- Só às quatro é que o avião parte – respondeu.

- Então porque é que não te vais despedir dele? Assim ao menos…

- Já nos despedimos. Além disso, é só um mês, vou estar tão ocupada que nem vou dar pelo tempo passar – disse ela, a despachar o assunto.

Cassie revirou os olhos e levantou-se.

- Às vezes és muito casmurra Chelsea Burke. Vai-te despedir do teu namorado, vais ver que não perdes nada.

A ruiva olhou para ela. Não queria ir. Não queria ir até ao aeroporto e vê-lo a embarcar no avião sem poder fazer nada para o impedir de ir. Sentia que assim ainda ia ficar com mais saudades, e não queria que isso acontecesse. Mas, se não fosse, arrepender-se-ia certamente. Levantou-se e assentiu à amiga, que lhe sorriu, e apressou-se a sair do parque. Vários táxis passaram por si, mas nenhum parava. Olhou as horas, três e quarenta. Engoliu em seco e começou a correr pelas ruas. Chegar a horas ao aeroporto seria um milagre concretizado, mas a verdade era que agora que tinha decidido ir vê-lo ir, dizer-lhe um último adeus, não suportava pensar que podia não chegar a tempo. Correu pela estrada até chegar a uma ponte, de onde já conseguia ver o aeroporto, e parou um pouco, inclinando-se e pousou as mãos nos joelhos, para recuperar o fôlego. Continuou então o caminho, e entrou no aeroporto mais cansada do que se tivesse acabado de correr a maratona. Dirigiu-se ao balcão, passando à frente de todas as pessoas que esperavam, e perguntou em que comporta ia sair o avião para França. Correu então até lá, e viu no relógio grande pregado na parede que faltavam apenas dois minutos para o avião descolar. Passou, impaciente, pela segurança do aeroporto, sendo obrigada a descalçar-se e tudo o mais, e depois finalmente pôde ir para o sítio onde os passageiros esperavam para entrar para o avião. Via montes de pessoas, adultos, crianças, idosos, havia de tudo um pouco.

- Jensen! – Gritava, enquanto passava pelas pessoas à procura dele – Jensen!

Ao longe, encostado a uma parede, viu-o. Estava com uma camisa clara a contrastar com as calças de ganga, e falava com PJ. Sorriu, tinha chegado a tempo. As portas abriram-se nesse momento, e os passageiros começaram a dirigir-se para lá, dificultando-lhe um pouco a tarefa de chegar até ao namorado.

Chelsea correu e, quando conseguiu passar por um grupo de adultos, Jensen viu-a, ficando surpreendido. Abriu os braços e esperou que ela saltasse para eles, rodopiando-a um pouco e dando-lhe um beijo demorado.

- O que é que estás aqui a fazer? – Perguntou-lhe, incrédulo e com um sorriso nos lábios.

- Vim-me despedir – explicou ela –, e desejar-vos uma boa viagem.

Pouco depois os dois rapazes tiveram de embarcar, e em poucos segundos aquele espaço ficou completamente vazio. Chelsea olhou para os lados e, perante a solidão, suspirou. Ia começar o mês mais longo da sua vida.

 

Para quem ainda não viu, já postei o primeiro capítulo da nova história (:

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4 comentários

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De ♥ Annie ♥ a 21.02.2014 às 19:52

ohhhhh eu tambem vou sentir muito a tua falta Jensen!
awwww mas que cena mais linda e amorosa no aeroporto *.* amei tantooo s2 que amorosos. Ai num me aguento!
" - Só… promete-me que deixas as portuguesas em paz." Ahah ai adorei!
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De Yria Rivers a 22.02.2014 às 20:31

eu tenho medo de chocar alguém porque acho que as leitoras, a não ser tu, são todas mais novas e o.o eu nao sei bem se isso não é chocante para elas.
eu espero que resulte, já ouvi dizer que era uma boa coisa de se fazer, vamos lá ver agora

____

coitadinha da chels, acho que fosse eu não ia conseguir dizer ao meu namorado que podia ir
adorei ^^
beijinhos
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De Yria Rivers a 22.02.2014 às 22:16

Ai eu sei é horrível isso acontecer, eu reescrevi mil vezes aquela fala por ser demasiado mau, mas acabou por ficar ahahaha
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De Maria a 27.02.2014 às 20:21

espero que ela fique bem sem o jensen

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