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DDO: Ceptro da Pureza

por Andrusca ღ, em 01.02.14

Capítulo 7

A Última Dança * Parte 2

 

- Chels, despachem-se! – Mandou Richard, dando uma batida na porta do quarto da irmã enquanto descia as escadas para ir receber os amigos.

Chelsea revirou os olhos, que apressados. Agarraram as três nas respectivas malas de cerimónia e saíram, também em direcção à entrada.

As gargalhadas de Richard, PJ e Jensen pararam quando notaram que as raparigas iam a encaminhar-se para lá, e prontamente lhes prestaram atenção. Os olhos azuis de Jensen encontraram aqueles de um tom de esmeralda, e a namorada sorriu-lhe. Ele aproximou-se quando ela desceu o último degrau e deu-lhe um beijo na bochecha.

- Estás deslumbrante – elogiou. Chelsea corou.

- Também estás muito bem aperaltado – disse ela. E estava. Estava de fato preto e camisa branca, com o botão de cima por abotoar, e sapatos de verniz.

- Mas falta-te uma coisa – Jensen afastou-se até à sala e, quando regressou, trazia uma caixa de plástico. Lá dentro estava uma bela pulseira de flores roxas e azuis claras, e bolinhas brilhantes. O rapaz retirou-a da caixa e enfiou-a no pulso da namorada, sorrindo – Perfeita.

- Compraste-me um corsage – murmurou Chelsea, com um brilho especial nos olhos – Obrigado.

Ela deu-lhe um abraço e, depois de se despedirem dos seus pais, saíram. Foram os dois no carro dos pais de Jensen, um mercedes preto e descapotável, pois este nunca poderia levar a namorada, tão bonita e bem arranjada, ao baile na sua outra “menina”. A mota ficava na garagem por esta noite. Levou também Cassie e Helen. Os outros três foram no carro de Brad, que buzinou à frente da casa.

Estacionaram à entrada do liceu, e saíram dos carros em direção ao ginásio. Este já estava bastante cheio, e também bem enfeitado. O palco encontrava-se ao fundo, ao meio da parede, e nele tocava uma banda local ainda pouco conhecida. Havia uma mesa com alguns aperitivos e ponche, e uma grande bola de espelhos no tecto. Os focos de luzes, vindos de todos os sítios, eram de várias cores. Uns amarelos, outros rosas, outros azuis.

- Isto está lindo! – Elogiou Helen, fazendo com que todos os outros rissem.

Começaram a dispersar-se e, enquanto alguns foram dançar e os outros se dirigiram à mesa da comida, Chelsea manteve-se quieta no mesmo sítio.

- Estás a pensar nele, não estás? – Perguntou Jensen, agarrando-lhe na mão e dando-lhe um beijo suave.

Chelsea olhou em volta e encolheu os ombros para, depois, se voltar para o namorado.

- Ele nunca vai poder cá estar – lamentou – Sabes? Vir ao baile, à entrega dos diplomas. Lembras-te da passagem de ano? Ele nunca vai poder fazer tudo aquilo que queria.

Também o rapaz suspirou, olhando directamente naqueles olhos verdes que já começavam a ficar brilhantes.

- Isso não significa que tu não possas continuar a viver a tua vida – disse-lhe – Se não fosse por isso… a esta altura estavas a dançar. Se nada tivesse acontecido, sorrias a qualquer altura do dia, e não apenas quando te permitias, por poucos segundos, pôr o que aconteceu de lado. A vida continua Chelsea, a tua vida. E não espera por ti. Não podes deixar que te passe ao lado.

- Tu não percebes…

Ela largou a mão do rapaz e começou a dirigir-se à saída do ginásio.

- Caracolinhos! – Chamou Jensen, seguindo-a até lá.

- Pensava que conseguia fazer isto, mas não consigo – desabafou ela, já fora do ginásio, voltando-se de novo para o namorado – É demasiado. São demasiadas memórias. Não consigo, Jensen.

- Chels… - Chelsea voltou-se e retomou a marcha, e Jensen ia, de novo, segui-la, quando subitamente parou. Ficou parado, no corredor vazio, a vê-la afastar-se apenas fazendo um pequeno barulho com os seus saltos altos. Ele conhecia-a bem, não valia a pena segui-la e insistir.

Helen apareceu, saída do ginásio, neste momento e ia-se precipitar para seguir a amiga, porém Jensen agarrou-a pelo pulso e abanou a cabeça.

- Mas… - discutiu a rapariga.

- Ela precisa de ficar sozinha – pronunciou ele.

Chelsea abriu a porta do liceu com força e passou por ela, sentindo uma leve brisa passar-lhe pelo corpo, fazendo com que se sentisse automaticamente mais leve. Caminhou pelas ruas já algo desertas sem ter qualquer destino. Não andava muito depressa, a sua intenção não era fugir, era espairecer. Precisava de arejar as ideias, pô-las no lugar. Não conseguia perceber como os amigos podiam estar no baile, a dançar, a divertir-se. Era como se nem sentissem a falta dele. E isso chateava-a. O facto de Helen estar tão entusiasmada, o facto de estarem todos tão animados e felizes com o baile ao qual Tony nunca comparecerá.

- É como se já o tivessem esquecido – murmurou, enquanto andava apenas de bolsinha na mão.

Ela sabia o que Helen sentia, sabia que era difícil para ela, que Tony também era o seu melhor. E isso ainda fazia com que compreendesse menos a atitude da amiga. Como é que podia estar a dançar e a pular quando ele nunca mais o poderia fazer?

Jensen tinha razão, era mais difícil para Chelsea. Ela culpabilizava-se ainda que mais ninguém o fizesse. Voltar a ser a defensora tomou muito de si, e, apesar de muitos terem tomado isso como ponto de partida para o regresso da rapariga de caracóis ruivos que conheciam, tal não aconteceu. Apenas deu outro rumo à sua frustração. Aquele olhar na face do rapaz, nos seus últimos momentos, assombrava-a todas as noites. Fechava os olhos e lá estava essa imagem. A luz apagava-se e lá o imaginava. Ela precisava de seguir em frente. Já todos o tinham feito. Não o tinham esquecido, mas sim arrumado e deixado num sítio feliz, onde apenas o iriam buscar quando quisessem recordar memórias felizes. Mas a bela ruiva teimava em não deixar esse momento para trás. Tal como uma masoquista, quando se começava a esquecer, forçava-se a lembrar. Não era Tony que não a deixava seguir em frente, era ela própria.

Fez uma curva e, ao longe, notou uma grande confusão. Havia pessoas encostadas às paredes dos prédios, algumas com expressões de horror. Parado, aí no meio, encontrava-se um rapaz agarrado por outro. Um demónio. “Logo hoje”, pensou a rapariga. Subiu até um terraço e lá transformou-se num piscar de olhos, ficando com as suas vestes roxas e a máscara negra. Saltou de lá, um perfeito salto mortal, e caiu na frente dos dois rapazes. Não parecia feliz, ou triste, ou desafiadora. Não parecia nada. Chelsea estava completamente vazia.

Moveu-se quase maquinalmente, sem sequer prestar atenção ao que fazia. O refém foi mandado para o chão e a luta entre a Defensora e o demónio começou, com todos a ver. Mas ela baixava-se, ela atacava, ela defendia-se… sempre sem ter a cabeça no sítio. Tinha-a noutros locais completamente distantes, não estava concentrada. O demónio acertou-lhe e mandou-a ao chão, e ela não se levantou. Hoje sentia-se derrotada. Em dias bem piores, nunca se sentira assim.

- Levanta-te e luta! – Mandou o demónio. Ela nada fez. Continuou deitada no pavimento de cimento, de olhos abertos a ver as expressões das pessoas. Tinha a plena noção de que as estava a desiludir. Que esperavam uma heroína que nunca fosse derrotada e prevalecesse sempre. Mas ela não era essa heroína – Levanta-te fraca!

O demónio, vendo que não tinha qualquer resposta, deu duas passadas largas até ela e em seguida pregou-lhe um pontapé na barriga, que a fez sair disparada para poucos metros adiante. Chelsea caiu no chão de costas, a olhar o céu. Estava escuro e, no entanto, aqueles pontinhos brilhantes pareciam-lhe mais brilhantes que nunca. “Que desde que descobriste que os teus poderes provêm da Escuridão que estás mais reticente”, Chelsea relembrou as palavras de Cassie, ditas ainda na tarde do dia anterior. Na sua própria maneira de pensar, se os seus poderes vinham da Escuridão então era porque ela também lhe pertencia. E Chelsea não podia aceitar pertencer a algo que tinha matado o seu melhor amigo. “De onde eles vêm não define como vão ser usados”, dissera-lhe Will haviam alguns dias. Mesmo com todas as pessoas a dizer-lhe que os seus poderes apenas seriam maus se ela os usasse para tal, Chelsea tinha medo de tentar. E se desse para o torto? “Nunca sabes se não tentares”, a ruiva sorriu. O seu melhor amigo tinha-lhe dito isso numa tarde em que estavam apenas os dois, a propósito de um assunto que nada tinha a ver com este. De súbito, a Defensora viu uma das estrelas a brilhar mais intensamente. Quando era mais nova a mãe costumava dizer-lhe que cada estrela era alguém que tinha morrido, e que era muito amado na Terra. E que brilhavam para mostrar que não se tinham ido embora e continuavam a observar tudo. “O Tony brilha mais que as outras”, pensou ela, piscando os olhos, “Nunca saberei se não tentar”.

Desviou-se a tempo de evitar outro pontapé e levantou-se, dando um mesmo na barriga do demónio.

- Estava a começar a perceber o porquê de não conseguires salvar todos – afirmou ele, rindo-se.

Raiva. Foi isso que a bela ruiva sentiu. E assim, num combinado de murros e pontapés, continuou a luta contra ele. Acabaram por ficar a poucos metros um do outro, e o demónio, de trás das costas, retirou um punhal. Chelsea olhou em volta. Havia demasiadas pessoas. Demasiados alvos. Se a sua magia não desse certo, se explodisse algo a mais do que devia… “Não, não posso pensar assim”, pensou. Abanou a cabeça e respirou fundo e, à medida que o demónio corria para si, esticou-lhe as mãos, fazendo um gesto similar ao que fazia quando queria transportar as coisas. Imaginou apenas o demónio, concentrou-se apenas nele, e foi apenas ele que explodiu. Ouviu-se uma exclamação de surpresa, e a Defensora sorriu.

Quando todos se iam aproximar dela, fugiu. Durante algum tempo correu transformada, mas assim que achou seguro voltou a ser a Chelsea Burke.

Entrou no ginásio do Liceu de Diamond City e procurou Jensen com os olhos. A maior parte dos alunos estavam a dançar aos pares, a música era calma, e o rapaz dos olhos azuis estava junto à mesa de comida.

Chelsea apressou-se a chegar ao pé dele e puxou-o pela mão até à pista de dança, pousando depois os seus braços nos ombros dele e começando a abanar-se ao ritmo da música.

- O que é que te deu? – Perguntou ele, com um sorriso parvo nos lábios.

A rapariga encolheu os ombros e olhou em volta, reparando pela primeira vez na beleza do ginásio. Era um baile bonito, era um ambiente relaxado, todos se divertiam.

- Tinhas razão – disse ela, retomando o olhar ao namorado – Não posso deixar de continuar a viver porque ele já não o pode fazer. Além disso, ele não desapareceu, está a observar-nos algures. E acho que não ia querer que eu vivesse com medo de tudo e sem aproveitar a vida.

Jensen assentiu com a cabeça e depositou-lhe um beijo nos lábios, retomando depois os dois a dança. A última dança no liceu.

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2 comentários

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De ♥ Annie ♥ a 02.02.2014 às 00:55

oh. Juro que odeio ver a Chels assim.
Fico mesmo feliz por ela já ter entedido e começado a seguir em frente :)
Amo tanto o Jensen, ele é tão amoroso *.* AI NUM ME AGUENTOOO!!
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De Bruna a 03.02.2014 às 20:41

A Chelsea finalmente aceitou a morte de Tony. Apesar de continuar a sofrer pela morte de um grande amigo, deu um passo à frente.
Fico à espera de mais.
Beijinho*.*

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