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DDO: Ceptro da Pureza

por Andrusca ღ, em 26.01.14

Capítulo 6

No Meio da Pequenada * Parte 2

 

Chelsea sorriu-lhe, Clayde ainda não tinha perdido o hábito de não lhe chamar o seu nome verdadeiro.

- Eu também, Clayde – disse-lhe. Clayde fez um cumprimento com a cabeça a Jensen, que lhe repetiu o gesto, e depois voltou a dar a atenção à Defensora do Oculto.

- Parecias preocupada. Fala.

- Trouxemos isto – Chelsea pegou no rabisco que Jensen tinha nas mãos e passou-o a Clayde, que franziu os sobrolhos ao observá-lo. O seu ar imperturbável tinha sido, por apenas instantes, derrubado e Chelsea pôde ver-lhe medo nos olhos. Quem seria aquela pessoa? – É a mulher que matou o Tony. Tenho sonhado com ela. Quem é?

- Eu não…

- Sabes quem ela é – acusou Chelsea –, não digas que não. Consigo vê-lo nos teus olhos. Clayde por favor, recorri a ti porque sabia que o Oyuan nunca me diria se achasse que me iria perturbar de algum modo. Mas tu sempre me disseste a verdade. Não pares agora. Quem é ela?

Clayde suspirou e, depois de encolher os ombros, voltou a olhar directamente para Chelsea.

- Há cinco Bruxas da Escuridão, mas nem todas possuem a mesma quantidade de poder. Já mataste três, e nenhuma delas era a mais poderosa. Esta aqui, sim, é. Nós, Guardiães, esperávamos que não tivesses que a encontrar tão cedo, mas suspeitávamos que tal não fosse acontecer.

- Porquê?

- Porque ninguém tem controlo sobre o que ela faz – Jensen envolveu a cintura de Chelsea com o seu braço, e olhou preocupado para Clayde. Aquela conversa não lhe agradava – Das cinco, ela é a mais poderosa. A Xay.

- Foi ela que…

- Matou a antiga Defensora? – Clayde adivinhou a pergunta de Jensen, e este assentiu com a cabeça – Sim. A Defensora apenas a enfraqueceu, e deu a sua vida para tal. Era ela que amava o Byron, e que criou toda aquela batalha que ditou o fim de muitos. Estava quieta há demasiado tempo, mas parece que decidiu “acordar”. E pelo que parece a sua vingança ainda não está completa.

- Clayde – interpelou Jensen, fazendo-a dirigir-lhe a atenção – Porque é que ela é parecida à Chelsea?

- Não sei. Talvez por serem perfeitos opostos? – Clayde encolheu os ombros – Sim, as semelhanças são notórias, e há lendas que afirmam ser devido ao facto de estarem destinadas a partilharem o destino final, tal como já aconteceu com a Faith. A Defensora e a quinta Bruxa, numa luta que decidirá o destino do mundo.

- Pois… sem qualquer pressão – murmurou Chelsea, irónica, para em seguida falar para a Guardiã – Obrigada Clayde.

- Não vás atrás dela – aconselhou-a a sábia senhora – Mesmo sem ter todo o seu poder, a Xay é mais poderosa que tu. E não olha a meios para conseguir os fins. E tu não estás pronta para isso.

- Hei-de estar – garantiu Chelsea.

 

 

A última semana de aulas tinha chegado, e Chelsea corria pelas ruas de Diamond City como se não houvesse amanhã. Fez uma pequena paragem devido ao cansaço, mas depressa continuou. Não podia chegar atrasada, pelo menos não hoje.

- Ei! – O barulho ensurdecedor do motor pertencente a uma mota, já bem conhecido da rapariga, abafou o grito saído da boca do rapaz de cabelos negros e olhos azuis, que a montava.

Chelsea parou de correr e voltou-se para ao lado, vendo a reluzente mota preta parar mesmo ao pé de si.

- Bom dia! – Saudou.

Jensen retirou o capacete e inclinou-se para a ruiva, dando-lhe um beijo suave, sorrindo-lhe depois.

- Atrasada para a creche? – Perguntou-lhe. Chelsea suspirou e assentiu – Sobe, eu levo-te.

E assim fez ela. Subiu para a mota e agarrou-se bem ao namorado, à medida que ele arrancava.

A escola de Chelsea tinha iniciado um novo projecto. Para se saberem comportar num ambiente de trabalho, os alunos foram destacados para certos centros de ofícios. Havia desde secretariado a empregado de mesa, e cada aluno tirava um papel com o nome do sítio onde iria passar um dia inteiro. A ideia não era que o aluno gostasse, mas sim que aprendesse a se adaptar. A Chelsea tinha-lhe calhado a creche de Diamond City, por isso iria passar o dia a tomar conta dos pequenos pirralhos que lá andavam. Até não tinha sido muito mau, ela sempre gostou de cuidar de crianças. A Helen, por exemplo, saiu um trabalho bem pior: ajudante de dentista. A pobre rapariga mal podia ver sangue, e ia ter que estar a passar os utensílios à médica dentista à medida que esta fazia os procedimentos.

A mota parou mesmo em frente à creche, e Chelsea observou um grande arco com os tons do arco-íris, com uma placa em cima a dizer “Creche – Os Bebés Diamond”. A rapariga desceu da mota e depois sorriu ao namorado.

- Acabas às quatro, certo? – Perguntou-lhe ele.

- Sim.

- Eu saio da universidade às três, por isso posso-te vir buscar e depois damos um passeio. Que achas?

- Acho… - Chelsea inclinou-se para a frente e deu um beijo na bochecha de Jensen – perfeito.

Começou depois a desviar-se, a andar para trás, e o rapaz abanou a cabeça.

- Vê lá, não te percas no meio dos miúdos, nós já sabemos que és muito infantil! – Gozou ele.

- Que engraçado! – Respondeu-lhe ela.

- Tu amas-me – Jensen encolheu os ombros e sorriu, presunçoso.

- É a tua sorte! – Exclamou Chelsea, dando uma gargalhada e voltando-se depois para a frente para andar bem – Até logo.

- É mesmo… - murmurou ele, sem que ela ouvisse, antes de pôr a mota a trabalhar e de começar a conduzir em direcção à universidade.

Chelsea entrou na creche e assim que o fez uma dúzia de carinhas pequenas e rechonchudas olharam para ela. A educadora de infância veio cumprimentá-la, e disse-lhe que tudo o que tinha que fazer era dar o lanche às crianças, a meio da manhã, evitar zangas entre elas e brincar um bocadinho para as entreter. Houve algumas brigas entre algumas crianças, mas depois acalmaram. A maior parte, tal como Chelsea, ainda estavam anestesiadas com o sono.

- Venham pessoal, está na hora do almoço – disse Chelsea, quando chegou a hora do almoço. As tigelas de sopa já tinham sido postas naquela mesa pequenina, com as cadeiras também para a medida das crianças, e Chelsea acompanhou-as à casa de banho para lavarem as mãos. Algumas precisaram que as educadoras, ou Chelsea, lhes dessem a sopa à boca, mas outras já diziam ser “crianças crescidas” e comiam sozinhas.

A manhã tinha passado demasiado rápido e Chelsea estava quase a acabar de cumprir o horário.

- Pára com isso – mandou Chelsea, afastando um menino de uma rapariga pequena, visto que ele lhe queria roubar a boneca – Roubar as coisas aos outros é muito feio, está bem?

Ele amuou, e depois foi brincar com um puzzle, e Chelsea riu-se. A rapariga ficou a olhar para ela, e a ruiva dirigiu-lhe um pequeno sorriso. Achou-lhe piada, vestia um vestido muito bonito e estava muito bem penteada, com dois ganchinhos a prender-lhe o cabelo castanho e ondulado.

- Como é que te chamas? – Perguntou-lhe, puxando uma daquelas cadeiras pequenas e sentando-se nela.

- Helen – respondeu-lhe a pequena.

- Helen? A minha melhor amiga chama-se Helen – partilhou Chelsea, rindo-se. Só depois reparou na boneca que a pequena Helen tinha na mão, e sorriu – Essa é…?

- É a Defensora do Oculto – respondeu Helen, algo envergonhada – Não há bonecas dela, por isso a minha mãe fez-me esta.

Era uma boneca de pano, mas extremamente bem feita.

- É muito bonita – elogiou Chelsea.

Quando se ia a levantar deu com o olhar na porta, e através dela, visto ser feita de vidro, viu que Jensen a observava. Sorriu e foi até ele, abriu-lhe a porta e deu-lhe um beijinho na bochecha.

- Já passam dez minutos da hora – informou ele – Até quando estás no meio das crianças te atrasadas, caracolinhos.

Chelsea riu-se.

- Um segundo – pediu.

Foi ter com a educadora e esta assinou-lhe o papel dado pela professora, a afirmar que Chelsea tinha cumprido todos os requisitos. A ruiva saiu depois com Jensen, e começaram a caminhar pelas ruas de mão dada, pois o rapaz já tinha ido deixar a mota a casa.

- Gostei de te ver no meio deles – admitiu o rapaz do cabelo negro – Dás-te bem com crianças.

- Já sei o que vais dizer, é porque sou infantil, e pertenço ao ambiente deles, e…

- Não. Na verdade ia dizer que isso era bom, que ias fazer uma boa mãe – Chelsea parou de andar e olhou para o namorado, sentindo as suas bochechas a aquecer.

- O quê?

- É verdade! – Defendeu-se ele – És carinhosa, e tens paciência para brincar com eles. Acho que vais ser uma boa mãe para os nossos cinco filhos.

A ruiva engoliu em seco.

- Cinco?

- Ou seis, se quiseres – Jensen riu-se – Uma casa cheia de caracolinhos ruivos a correr de um lado para o outro – Chelsea soltou uma gargalhada, e Jensen encolheu os ombros – O que foi? Não me digas que… não me digas que não queres filhos?

- Não, claro que quero… - retomaram o andamento, e foi a vez de a ruiva encolher os ombros – Mas um chega.

- Um?

- Sim, Jensen, um é o suficiente.

- Mas… então e os nossos futuros cinco filhos? Vais esquecer quatro?

- Dizes isso porque eles não nascem de ti. Nem sonhes, tira daí as ideias. Um filho. Acabou a discussão.

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4 comentários

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De ♥ Annie ♥ a 26.01.2014 às 23:48

AIIIII JENSEN S2S2S2S2
Juro que morro sempre que ele a chama caracolinhos! Amo tanto!
E essa conversa dos filhos, omd ahaha amei tanto!
Ela dá-se mesmo bem com crianças.
Tenho medo da Xay. Espero bem que elas não se encontrem muito em breve...
Mas amei o capitulo!
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De Bruna a 28.01.2014 às 16:06

5 filhos?! o Jensen é mesmo maluco.. vê-se mesmo que não é ele a dar à luz:)
Adorei o capítulo.
Beijinho
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De Maria a 09.02.2014 às 17:29

Queria ver se o Jensen ia achar tanta piada se os cinco saíssem dele. Doido
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De Maria a 09.02.2014 às 17:30

Queria ver se o Jensen ia achar tanta piada se os cinco saíssem dele. Doido

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