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DDO: Ceptro da Pureza

por Andrusca ღ, em 17.01.14

Capítulo 5

Uma Mensagem aos Demónios * Parte 1

 

- Bom dia! – Saudou Brad, ao chegar ao pé do grupo de amigos. Olhou para a rapariga dos piercings de alto a baixo e franziu as sobrancelhas – Quem és tu?

- É a Cassandra – apresentou Chelsea – E Cassie, este é o Brad. Mudou-se para cá no Verão. Não acho que se tenham encontrado ainda…

Helen olhou para ela, já tinha sido informada de que Brad não sabia de nada, e Chelsea pretendia que continuasse assim. O rapaz já gostava demasiado dela sendo ela normal, por isso a sua obsessão apenas se tornaria pior se soubesse que é ela a Defensora do Oculto.

- Olá – cumprimentou Cassie.

Estiveram alguns minutos a falar, até soar a campainha. Mais um dia de aulas, mais umas horas a ouvir alguém a falar em frente ao quadro. Chelsea não conseguia pensar em mais nada a não ser no treino desta tarde. Iria, pela primeira vez desde que tudo aconteceu, voltar a treinar com Will. Para começar não iam tocar no assunto dos poderes, Oyuan disse que isso seria uma coisa que iria aparecer com o tempo e que apenas Chelsea os poderia controlar. Não. Iriam começar por rever os movimentos de defesa e ataque que ele já lhe tinha ensinado. O que a punha mais nervosa era que Jensen também ia fazer de seu oponente, e não o queria magoar, e, como se não bastasse, Helen e Cassie tinham implorado para irem assistir. Mesmo que ela dissesse que não, elas apareceriam, afinal, a rapariga dos piercings, tendo a memória de volta, sabe a localização do sítio onde ela treina com o loirinho.

- Chelsea… Chelsea! – Helen quase que lhe gritou aos ouvidos, e a ruiva pulou na cadeira – A aula já acabou, estavas a dormir acordada?

- Hum… o quê? Não! – Chelsea começou a arrumar as coisas à balda, na mala, e depois levantou-se – Claro que não, vamos.

Tinha sido a última aula, e iam-se encontrar com Cassie para irem depois almoçar. Ficou combinado comerem todas juntas e depois irem a casa de Chelsea, para que esta mudasse de roupa, e irem ter com Will.

Comeram numa pizzaria, sempre sem haver um único momento de silêncio. Helen ainda tinha muitas perguntas sobre a Defensora e quem respondia à maior parte delas era Cassie. Chelsea limitava-se a observar, era engraçado ver como elas se davam tão bem. Era bom tê-las de novo às duas. Se Tony também ali estivesse, seria perfeito. Este pensamento deixou-a um pouco em baixo, mas teve pouco tempo para pensar pois a próxima pergunta de Helen foi-lhe dirigida.

- Chelsea, então podes voar? – Perguntou a morena. Chelsea riu.

- Não – quem respondeu foi, de novo, Cassie – Levitar. É diferente. Permite-lhe saltar de prédios e essas coisas todas, é super fixe.

- Para mim isso é voar – murmurou Helen, pondo a palhinha na boca para beber mais um pouco de Coca-Cola.

- É parecido – disse Chelsea – Bem meninas, vamos? Está quase na hora.

Foram pagar e depois dirigiram-se à casa da rapariga dos caracóis ruivos. Lá, Chelsea vestiu uns calções do fato de treino e um top branco e fez uma trança com o seu longo cabelo encaracolado. Calçou os ténis da Nike e, depois de vestir um casaco fininho, saíram e contornaram a casa, em direcção ao bosque. Ao princípio Helen achou que o caminho era demasiado longo, mas assim que chegaram parou de reclamar e sentou-se numa pedra, ao lado de Cassie. Will, Jensen e PJ já lá estavam, e PJ juntou-se às amigas.

- Estão atrasadas – ralhou Will, recebendo um calduço de Chelsea enquanto esta fazia o caminho até ao namorado.

- Dá-me uma folga, sim? – Disse ela – Já não estou habituada a isto.

- És sempre a mesma coisa – reclamou ele, sendo ignorado por todos.

Chelsea chegou finalmente a Jensen e cumprimentou-o com um beijo mais demorado do que o normal, sorrindo-lhe no fim.

- Estás pronto, amor? – Perguntou-lhe, num tom de desafio. Ele riu-se, adorava desafiá-la e sabia que nada a chateava mais do que perder numa luta para ele.

- Para te derrubar? A qualquer momento – retorquiu ele.

- Chelsea, podes começar com dez voltas ao recinto – disse Will, interrompendo-os. Chelsea olhou para ele, especada.

- Mas pensava que íamos treinar a luta – argumentou a rapariga.

- E vamos. Depois. Antes disso precisas de começar também com a resistência, não te parece? – A rapariga bufou e começou a corrida, contrariada. Ela queria passar à parte mais ou menos divertida. E é claro que, à quarta volta, já estava cansada.

Quando acabou as dez, parou em frente a Will e dobrou-se, apoiando as mãos nos joelhos enquanto respirava fundo.

- Uf… estou cansada – desabafou, no segundo antes a ser atingida pelo punho do amigo e mandada ao chão. Olhou para ele, especada, e levantou-se – Não estava pronta!

- E esse é o teu maior problema – retorquiu ele, colocando-se numa posição de ataque. Chelsea olhou para ele enervada, aquilo era escusado. Will atacou-a de novo e ela defendeu-se, porém, quando Jensen lhe fez uma rasteira, voltou a cair no chão. Levantou-se e mandou um olhar fulminante ao rapaz dos olhos azuis. “Estão os dois armados contra mim”, pensou para si, “e bolas, estou enferrujada. Quem diria que dois meses fariam tanta diferença?”.

- Alguém não vai ser bem tratado mais logo – brincou PJ, em relação a Jensen, recebendo um olhar matador por parte das outras duas.

- Força Chelsea! – Helen torcia por ela, visivelmente animada, e cada vez que a amiga caía ao chão ainda gritava mais alto. Chelsea até compreendida a animação da amiga, mas assim estava a desconcentrá-la.

- Então Chelsea?! – Reclamou Will, ao mesmo tempo que a rapariga se levantava de novo.

- Podes fazer melhor que isso – assegurou Jensen.

A ruiva suspirou. Sim, podia. Bastava-lhe querer, bastava-lhe esforçar-se. “Não podes usar os poderes…”, pensou. Will ia-a atingir com um murro mas ela baixou a cabeça e, ao mesmo tempo, voltou-se para trás e fez uma rasteira a Jensen que a ia também atacar. Este caiu, e ela saltou por cima dele e voltou-se para Will, em posição de ataque. PJ, Helen e Cassie aplaudiram, e Chelsea revirou os olhos. O loiro passou também por cima de Jensen, e investiu num pontapé, mas Chelsea deu um salto mortal por cima de si e, assim que aterrou, empurrou-o contra uma árvore. Jensen agarrou-lhe no ombro, para a impedir de escapar, mas a rapariga dos caracóis ruivos agarrou-lhe no pulso e, dando impulso, impulsionou o seu corpo por cima das suas costas e viu-o cair à sua frente, no chão. Sorriu vitoriosa, e quando se ia afastar como vencedora o seu pé foi puxado e caiu de frente no chão. Quando se voltou, viu Jensen e Will de pé à sua frente, e suspirou.

- Nunca tires os olhos do oponente – aconselhou-lhe o namorado, ajudando-a a levantar – Por hoje chega, já são quase horas de jantar.

Chelsea deu-lhe a mão e levantou-se, recebendo um beijo na bochecha.

- Portaste-te bem – disse Will – Amanhã à mesma hora, combinado?

A ruiva suspirou. Aparentemente ele só a ia deixar ter alguma folga quando já se conseguisse defender de todos os ataques que lhe fossem feitos naqueles treinos; Will estava mais exigente agora, não a queria deixar desprotegida. Queria fazer dela uma verdadeira lutadora.

- Ela tem que treinar todos os dias? Antes não era assim – questionou Cassie.

- Quanto mais treinar, mais preparada está para o futuro – justificou o rapaz dos cabelos loiros.

Dirigiram-se todos para fora do bosque, indo cada um para a sua casa. Chelsea, assim que chegou, foi tomar um banho. Estava toda transpirada e cheia de terra por tanto cair. Depois vestiu logo o seu pijama, uns calções e um top, e só então desceu para o andar de baixo, para o jantar. Ajudou a mãe a pôr a loiça na mesa e depois sentaram-se os quatro nos lugares habituais.

- Então, como foi o vosso dia? – Perguntou Norman, olhando logo para o filho mais velho. Ele sabia que Chelsea, ultimamente, não era muito dada a conversas. Limitava-se a ficar no seu canto presa nos seus pensamentos. Era assim desde a morte de Tony.

- Foi normal – respondeu Richard – E o teu?

- Também. Não aconteceu nada de especial, apenas uns ladrões quaisquer que apareceram já agora para o fim do dia – disse ele – Então e tu, filha? Alguma coisa que queiras partilhar?

Chelsea pousou os talheres e olhou para o pai, encolhendo os ombros. Sim, ela sentia-se mais leve, mas isso não queria dizer que estivesse bem. Isso apenas viria com o tempo, e por agora a ferida era ainda demasiado recente.

- Tive aulas, foi como é sempre – disse ela.

- Chelsea… - Margaret inclinou-se sobre a mesa e agarrou na mão da filha, fazendo-a desconfiar que qualquer coisa se avizinhava – Eu e o teu pai estivemos a falar, e chegámos a uma conclusão. Pensamos que talvez seja melhor para ti teres algumas consultas com um psicólogo.

A ruiva olhou para ela incrédula, mas tentou não se exaltar, e Richard engasgou-se com a água que bebia.

- Porquê? – Perguntou ela.

- Porque… porque não tens andado normal, Chelsea – prosseguiu o xerife Burke – Entendo que pelo que passaste foi difícil… mas não vejo a Helen como tu, vejo-a a sorrir de quando a quando.

- É diferente pai – argumentou a rapariga.

- Porquê? Diz-nos, ajuda-nos a perceber – insistiu Margaret.

- Mãe… - murmurou Richard – É normal que ela esteja triste, é tudo muito recente.

- Entendo isso. Mas ela não anda triste, ela anda apática! – Discutiu a mãe.

- Eu vou melhorar – disse Chelsea, para surpresa dos três. Encolheu os ombros e mostrou um pequeno sorriso – O que eu e a Helen sentimos quando o Tony… quando ele… foi muito parecido, sim, mas nunca é a mesma coisa – “por exemplo, ela não o viu morrer”, pensou – Mas eu prometo que vou melhorar. Já estou melhor, só preciso de tempo. E um psicólogo? Isso não me vai ajudar.

- Apenas queríamos que tivesses opções – explicou Norman – Que soubesses que se precisares de ajuda, seja de que tipo for, pode ser tratado para que a tenhas.

- Eu fico bem – garantiu a rapariga dos caracóis, levando mais uma garfada de comida à boca.

O resto do jantar foi passado no mais puro dos silêncios e, assim que Chelsea acabou de comer, levantou-se e foi ver televisão para a sala acompanhada por Richard.

- Estás bem? – Perguntou ele, enquanto ela passava pelos canais sem tomar qualquer atenção ao que neles era transmitido.

- Sim, não te preocupes – respondeu-lhe, parando num canal de notícias. Ficou intrigada a olhar para as imagens, e aumentou um pouco o som – Vê isto.

 

Uma coisa que ainda não vos tinha perguntado e que tenho curiosidade: o que acham do facto de os poderes da Chels terem vindo da Escuridão e acham que isso a vai influenciar?

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4 comentários

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De Bruna a 17.01.2014 às 19:03

Bem, agora fiquei curiosa relativamente ao que ela estava a ver na televisão. O que será que se está a passar? Tenho de esperar para descobrir xD
Relativamente à tua questão, eu acho que os poderes a vão influenciar e que se vai descobrir uma Chelsea mais sombria mas no fim acho que ela vai conseguir controlá-los e usá-los para o bem:)
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De Andrusca ღ a 19.01.2014 às 23:45

amanhã logo descobres ;)
talvez tenhas razão (:
beijinho*
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De ♥ Annie ♥ a 19.01.2014 às 21:44

''O que a punha mais nervosa era que Jensen também ia fazer de seu oponente, e não o queria magoar'' omd ahahah ri-me muito.
Adorei mesmo muito deste capitulo! Adoro imenso ver o Jensen e a Chels juntos. Eles são tão lindinhoooos *.*
Ai adorei este treino. Ela agora tem uma plateia.. ahah
Quanto aos seus poderes como ela disse no capitulo anterior pode dar-lhe uma vantagem, mas por outro lado acho que os da escuridão (ainda não sei como) poderá usar isso contra ela..
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De Andrusca ღ a 19.01.2014 às 23:46

ahah, as partes dela e o Jensen em lutas são sempre giras
vamos ver se lhe dão a volta ou se ela continua boazinha (:

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