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A Sombra Atrás de Mim

por Andrusca ღ, em 28.08.14

Capítulo 16

A Semana do Terror

 

- Porque é que nós temos de fazer isto? – Reclamou Stacey, à medida que acabava de pendurar as imagens de pequenos fantasmas nos ramos de uma das muitas árvores do cemitério.

- Costumavas adorar isto! – Exclamou Lydia, fazendo-a soltar um riso irónico.

- Não, tu costumavas adorar isto. Eu nunca tive nenhum fascínio por este sítio. Muito menos depois…

- Sim, eu sei – anuiu-lhe a amiga, suspirando e olhando em volta.

A semana do terror ia começar e, apesar de lhe ser atribuído o nome de “semana”, durava apenas três dias. Eram montadas bancas de quinquilharias no cemitério e eram feitas actividades para toda a população, incluindo a corrida dos alunos do liceu, feita à noite, em que os três primeiros lugares ganhavam um cupão de desconto para uma das lojas do centro comercial, à escolha. Não era algo muito pomposo, mas servia para se divertirem. Ou, pelo menos, costumava servir. Este ano o espirito andava um pouco em baixo, embora a morte de Adrien já tenha sido há longos meses atrás.

Stacey nunca gostara muito desta tradição, porém nunca tinha desgostado dela. Mas este ano ardiam-lhe todas as partes do corpo só de saber que tem de voltar àquele sítio, à noite, para ficar a vaguear por lá até chegar à meta.

- Falei com um polícia – murmurou, depois de averiguar que apenas ela e Lydia se encontravam a decorar aquela zona – Bem, um detective na verdade.

Lydia parou com o que estava a fazer e olhou para ela, surpreendida. Nunca mais tinham falado daquele assunto desde que saíra do hospital. Já tinha tido vontade de abordar o tema várias vezes, mas não sabia como Stacey reagiria visto que Clayton tinha sido atacado e quase morrera por sua causa.

- Falaste? – Perguntou, tentando mostrar interesse mas reserva.

- Sim. Ele armou-me uma armadilha, disse que ficou desconfiado que eu tinha mentido no interrogatório e que investigou melhor. Encontrei-me com ele na última sexta-feira.

- Como é que foi?

Stacey pressionou os lábios um contra o outro e suspirou, sem parar de pendurar os seus fantasmas.

- Não sei. Sinto-me aliviada por um lado, mas por outro… é como se estivesse à espera que ele faça alguma coisa para o Jackson o apanhar. O detective chama-se Jackson. Tenho medo que ele não o consiga apanhar e que mais alguém saia magoado. Juro que não consigo ir visitar mais pessoas ao hospital, Ly.

- Antes ao hospital do que à morgue – pensou Lydia em voz alta, sem que a outra a ouvisse, para levantar depois o tom de voz – Pelo menos agora já não estás sozinha nisso. Tens alguém a quem podes pedir ajuda quando te sentires em apuros, não é? Talvez esse detective o possa parar, disseste que andou a investigar…

- Sim, a minha vida.

- Ele tem alguns suspeitos.

Stacey parou de pendurar os fantasmas e olhou para a amiga, encolhendo os ombros.

- Tu – Respondeu –, o Ollie, o Rex, o Clayton, a rapariga que trabalha na pastelaria a que vou, todos os empregados da escola, colegas de trabalho dos meus pais… Ele diz que é tanto possível que seja alguém próximo de mim como alguém que apenas me viu uma vez, e que se fixou em mim.

 

*

 

A corrida já tinha começado, e todos alunos estavam organizados por pares. Seguiam pelo cemitério a desvendar segredos e à procura das pistas que os levassem até à banca como encontrariam novas direcções. A noite já tinha caído em força e a lua brilhava. Para azar de Stacey, Rex tinha adoecido durante a tarde e não se tinha apresentado para a corrida, o que significava que estava por si só. Felizmente o circuito era fechado, e se alguém se desviasse muito ia logo dar às fitas vermelhas que mostravam que estava a seguir o caminho errado, e isso acalmava-a. Além disso estava constantemente a encontrar colegas. Quando chegou à sua nona banca, a penúltima, respondeu corretamente a uma pergunta sobre os tempos medievais e foi-lhe dado um bilhete com novas indicações.

- “Segue em frente até à estátua de S. Miguel. Vira à direita e não pares até saíres do limite. As grandes surpresas estão fora de alcance. Vais obter o que queres perto da árvore mais alta” – leu, pondo-se a pensar.

Seguiu as instruções e, sem saber que o seu verdadeiro bilhete tinha sido trocado por este que lera, chegou até à limitação do jogo e pousou a mão na fita vermelha. “As grandes surpresas estão fora de alcance”, pensou, vendo o pequeno bosque à sua frente. Não era habitual que o jogo se estendesse para fora do combinado, mas uma surpresa não seria de estranhar. Clayton, que ao longe a viu a passar por baixo da fita e a dirigir-se ao bosque, franziu as sobrancelhas.

- Continua sem mim – disse para o colega, preparando-se para ir atrás dela.

- O quê? Se não chegarmos os dois à meta somos desqualificados! – Discutiu o outro.

- Não quero saber deste jogo estúpido.

Stacey já estava fora de vista por quem estivesse no cemitério, e ainda continuava à procura daquele caixão em miniatura que lhe possibilitaria chegar ao fim mas que não estava nem perto de si. Foi então que, na escuridão da noite, ouviu um ruído e se voltou. Ficou completamente petrificada ao ver uma silhueta escura ainda longe, mas que depressa se aproximava. Demorou pouco tempo a perceber que era ele, e desatou a fugir. Estava longe de tudo e de todos, gritar não ajudaria em nada, e não tinha o telemóvel para poder chamar Jackson. Estava perdida quando, aos tropeções, foi de encontra a um outro corpo e soltou um grito.

- Ei, calma – disse-lhe Clayton, agarrando-a. Só depois reparou no outro corpo vestido com uma escuridão ainda maior que a da noite que tinha parado a poucos metros de si. Desviou Stacey do seu corpo e, vendo o estado lastimável de lágrimas e soluços com que ela estava, deduziu que aquela pessoa a tinha magoado.

- Clayton não! – Gritou Stacey, imaginando qual seria o seu movimento seguinte e acertando.

Ele lançou-se sobre aquela sombra na noite e começou a persegui-la, porém não demorou muito a voltar para trás. Ele conhecia aqueles caminhos demasiado bem.

Stacey estava ainda caída no chão, já com as lágrimas limpas mas ainda a soluçar, quando Clayton se voltou a aproximar dela. Ele baixou-se e, assim que o fez, ela abraçou-o fortemente.

- Estás bem… - averiguou, ainda cheia de medo, sentindo-lhe o corpo – Estás bem…

- Sim… tu estás? – Perguntou ele, desviando-a – Stacey, quem era aquela pessoa? O que é que se passa?

Ela abriu a boca para falar mas calou-se no segundo em que a imagem dele, deitado naquela cama de hospital, lhe veio à mente.

- Eu… não sei – mentiu – O meu bilhete dizia-me para vir aqui, e eu vim, e depois aquele lunático começou-me a perseguir e…

Clayton revirou os olhos e largou-a, pondo-se de pé.

- Pára de me mentir! – Gritou-lhe, assustando-a – Pára Stacey!

Ela ficou sem reacção por poucos momentos.

- Não te estou a mentir.

- Claro que estás. Teres ficado drogada na festa das gémeas…? Teres recebido uma mensagem minha quando eu já estava inconsciente…? Teres andando com comportamentos estranhos há meses…? E agora isto?! Pára de me mentir!

- Não te estou a mentir! – Ela elevou-se também tanto a si, como à sua voz – Eu não preciso disto agora, Clayton!

Ele abanou a cabeça, frustrado. Só queria perceber o que se andava a passar com ela.

- Uma ova que não estás – disse, com desdém – Sabes, lá porque acabámos não quer dizer que deixe de me preocupar, está bem? Seja o que for, podes-me dizer! – Ao falar, alcançou-lhe o braço e ela desviou-se, dando dois passos atrás.

- Já te disse – permaneceu impávida – Não se passa nada.

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2 comentários

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De Maria a 04.09.2014 às 13:08

falta muito para saber quem é? diz que nao, diz que nao
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De Yria Rivers a 15.09.2014 às 12:29

-.-.-.-.-ele preocupado... ai, eu percebo a Stace mas detesto que ela seja ma para o Clay
adoreei e desculpa a demora

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