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A Sombra Atrás de Mim

por Andrusca ღ, em 17.08.14

É a partir deste capítulo que a história dá a volta...

Gostava que opinassem ;)

 

Capítulo 15

Uma Pequena Esperança

 

Foi naquela quinta-feira à tarde que tudo tinha dado uma reviravolta inesperada. Stacey estava deitada na sua cama, com os fones nos ouvidos, longe do mundo e dos problemas quando, de súbito, o seu telemóvel emitiu um pequeno ruído. Distraída nos seus pensamentos, e com a música a soar, nem deu por ele e apenas reparou que tinha dado sinal depois do jantar, quando lhe pegou. Tinha recebido uma mensagem de um número desconhecido e não identificável, o que só de si a punha a tremer de medo.

- “Amanhã às 15h onde o Adrien morreu. Vem sozinha, ou mais alguém se vai juntar a ele” – leu, aterrorizada.

Seria agora? Seria desta vez que o seu perseguidor ia finalmente ser revelado, seria agora que iam estar finalmente frente-a-frente com nada mais a ditar a sorte além do destino? Mesmo aterrorizada, Stacey queria saber quem ele era, queria ver quem lhe andava a estragar a vida, quem tinha assassinado Adrien e posto Clayton e Lydia no hospital. Mas sabia que se tal encontro se desse sairia a perder, fosse ele quem fosse já se tinha revelado capaz de levar a cabo as piores coisas imagináveis.

- Não tenho escolha… - murmurou.

Foi uma noite passada em claro, e Stacey apenas queria que o tempo passasse rapidamente e que as 15h de sexta-feira chegassem finalmente. Desse por onde desse.

Quando o despertador tocou levantou-se e despachou-se para ir para a escola, como sempre. Pelo caminho parou numa pequena loja e comprou um spray lacrimogéneo, como se fosse isso que ditasse o resultado final.

Passou a manhã inteira estranha e desligada do mundo, com o coração prestes a saltar-lhe pela garganta e os pulmões a carecerem de oxigénio.

- Então Stace, o que se passa? – Perguntou-lhe Rex, enquanto almoçavam todos juntos no bar da escola.

- Porquê? Não se passa nada – disfarçou ela, dando uma dentada na sua sandes mista. Olhou então para o relógio, já eram meio-dia e vinte, daí a nada entraria para a sua última aula e então seria a hora decisiva. “Se ele escolheu este horário é porque sabe a que horas saio das aulas… claro que sabe, ele sabe tudo”.

- Estás com uma cara de enterro… - opinou Lydia.

A relação de Stacey e de Lydia não estava bem como era, a segunda ainda tinha medo de dizer algumas coisas, sabia que tinha traído a confiança da amiga, aliás, de todos, e percebia que tal iria ser difícil e demorado de recuperar. Mas após o susto que todos apanharam, tudo tinha sido atenuado.

- Não se passa nada, a sério – insistiu Stacey, o que não convenceu ninguém.

Quando a campainha tocou, às 14h, Stacey sentia vontade de vomitar tal eram os nervos. Guardou tudo apressadamente dentro da mala e fugiu de lá o mais rápido que conseguiu, não queria encontrar ninguém que a fosse fazer perder tempo ou algo do género, não se podia dar a esse luxo.

Eram 14h43 quando chegou à entrada do cemitério, tinha parado pelo caminho para comprar qualquer coisa para comer, embora tenha desistido e guardado o que sobrava graças à fragilidade com que tinha o estômago. Parou em frente àquela porta e começou-se a sentir mais ofegante, só agora tinha caído em si e percebido o que estava prestes a acontecer. “Talvez devesse ter dito a alguém”, deu por si a pensar, mas quem? Clayton tinha apenas saído do hospital há dias, e Lydia não podia fazer nada para a ajudar. A polícia estava fora de questão. Se tudo acabasse hoje, então não teria de mentir a mais ninguém. “Mas é uma armadilha”, pensou também, “acaba tudo porque estarei morta. E no mesmo sítio onde o Adrien morreu… este homem é nojento”.

Encheu os pulmões de ar e deu um passo para dentro do cemitério, seguido de tantos outros. Não podia voltar atrás, se voltasse então outra pessoa ficaria posta em perigo. Quem seria desta vez? Rex? Oliver? Os seus pais? “Não”, decidiu, “isto acaba hoje, dê por onde der”. Levou a mão à mala e de lá tirou a lada de spray pimenta, preparando-se para atingir fosse quem fosse que ia encontrar. Quando fez a curva viu que tinha finalmente chegado ao local, aquele anjo de mármore nunca lhe parecera tão macabro, e aquelas mãos juntas como se rezasse apenas lhe soavam a pura ironia.

Constatou que estava sozinha e, assim que respirou fundo, sentiu uma mão a pousar-lhe no ombro. Não teve tempo de ter falta de ar ou de petrificar, voltou-se com força e cheia de medo e apontou a lata de spray para os olhos da pessoa que a agarrada, disparando o seu conteúdo. O homem nos seus trinta anos recuou vários passos e levou as mãos aos olhos, enquanto Stacey agarrou num ancinho que repousava junto aos arbustos e lhe dava com o cabo para o tentar mandar ao chão.

- Pára! – Pedia ele – Pára Stacey, pára! Não sou eu! Não sou eu!

Perante aquelas palavras sim, Stacey ficou confusa. Quando parou para pensar sim, percebeu que nada daquilo fazia sentido. Tinha sido perseguida por uma pessoa completamente tapada de preto, cara incluída, e agora à sua frente tinha um homem que nunca antes tinha visto e vestido de um modo normal, calças, camisa e uma gabardina clara. Parou de lhe bater, e Jackson olhou para ela com os seus olhos também claros, vendo-a desfocada por causa do spray.

- Quem é você? – Perguntou ela, não tanto assustada mas sim com um tom de falsa ameaça.

O homem levou a mão ao bolso e de lá tirou um distintivo.

- Sou um detective – disse-lhe – Chamo-me Jackson. Fui eu que te mandei aquela mensagem para que me encontrasses aqui.

Stacey franziu as sobrancelhas.

- Porquê?

Jackson observou-a e depois olhou em volta, avistando um banco de pedra a poucos passos. Dirigiu-se para lá e fez-lhe sinal para que o seguisse. Ao princípio Stacey não soube o que fazer, estava confusa, não percebia nada. Mas optou por ir atrás, ficando de pé enquanto ele se sentou.

- Vi o teu interrogatório, há uns dias – explicou ele – Estava explícito que estavas completamente aterrorizada. Eu tenho experiência com casos destes…

- Que casos? – Interrompeu ela.

- De perseguições. Não é isso que tens? Um perseguidor – a rapariga engoliu em seco mas não conseguiu desmentir – Ouve Stacey, não precisas de me dizer nada. Só o facto de teres aparecido aqui, agora, prova todas as minhas suspeitas. Se apenas tivesses recebido a minha mensagem, então não te darias ao trabalho de cá vires por nada. Eu posso-te ajudar.

- Não… não pode – murmurou ela, sentindo os olhos a ficarem enlagrimados. Estaria finalmente a ceder – Ninguém me pode ajudar.

- Isso é o que ele quer que penses. É isto que eles fazem. Ele afasta-te de tudo e de todos para que não tenhas a quem recorrer, para que não tenhas em quem confiar. Os perseguidores pegam na vida das pessoas e fazem-nas duvidar de tudo até que não tenham mais nada a que se agarrar.

- Eu…

- Está tudo bem – ele falava agora num tom calmo e compreensivo, apesar da sua postura rígida e militar – Podes-te agarrar a mim. Eu reconheço alguém a precisar de ajuda a quilómetros de distância. Ouve, eu percebo que estejas confusa e que não saibas em quem confiar. Por um lado tens o Clayton, o rapaz mau que afinal é bom, e por outro tens a Lydia, a rapariga simpática que afinal é uma ladra. Nada faz sentido e não há maneira de saberes em quem confiar.

Stacey olhou para ele, perplexa, e deu um passo atrás.

- Andou a estudar a minha vida? Como é que sei que não é você? Como é que sei se posso confiar em si?

Jackson levantou-se e deu um passo na direcção dela.

- Não sabes – constatou, encolhendo os ombros –, mas que escolha é que tens?

- Ele vai descobrir… - murmurou ela, a olhar para o chão – Ele vai descobrir e…

- Espero que descubra – afirmou Jackson, confundindo-a de novo – Se ele descobrir vai ficar com medo e vai tentar agir mais rapidamente. É nessas alturas que as pessoas cometem erros.

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2 comentários

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De Yria Rivers a 18.08.2014 às 14:10

*expressão confusa e desconfiada*
eu espero que postes rápido que isto está a deixar-me demasiado curiosa!
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De Maria a 04.09.2014 às 12:59

estou confused

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