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A Sombra Atrás de Mim

por Andrusca ღ, em 03.08.14

Capítulo 14

Trabalho Comunitário

 

Lydia percorria os corredores da escola envergonhada. Apenas duas pessoas falavam consigo: Oliver e Rex. Sentia-se triste com toda a situação, chateada consigo mesma por se ter colocado naquela posição, mas mais que tudo sentia-se desiludida por ter traído a confiança da amiga. Parte de si não sabe se, naquela altura, naquela sala de interrogatório, falou do perseguidor de Stacey como uma tentativa de a ajudar ou como uma tentativa de se ajudar a si própria. Agora que tinha devolvido todos os bens roubados, e que ia passar as próximas semanas a fazer trabalho comunitário, bem achava que a amiga lhe podia voltar a falar. Mas sabia que não ia ser assim tão simples. Viu-a chegar, ao longe, e logo teve aquela ânsia de ir ter com ela. Vinha com o ar cansado com que andava ultimamente, mas mesmo assim os seus cabelos negros metiam inveja e o batom vermelho vivo estava perfeito. Não o admitiria em voz alta, mas tinha inveja dela. E agora, que sabia o quanto sofria, ainda tinha mais. Apesar de ser por muitos considerada uma beleza rara, Lydia sempre invejara aqueles cabelos negros e olhos claros. Mas não só. Admirava-lhe a maneira de ser, por suspeito que parecesse não se admirava nada que Stacey tivesse um perseguidor. Se ela tivesse de perseguir alguém, seria a amiga.

- Não vás – disse-lhe Oliver, assim que se apercebeu do que pensava a namorada.

- Mas Ollie…

- Já sabes como ela é Ly. Não vás, dá-lhe tempo. Vocês já se zangaram milhões de vezes e tudo voltou ao normal, só tens de deixar a poeira assentar.

Lydia suspirou. Sim, durante todos aqueles anos de amizade já tinham havido imensas brigas.

- Mas nunca assim – murmurou, engolindo em seco – A maneira como ela me falou no posto da polícia… Ela nem sequer olha para mim. Não sei Ollie… acho que fiz mesmo asneira.

Durante as aulas Stacey manteve-se completamente impávida, não olhou para a amiga durante tempo algum, era como se nem a conhecesse, o que fez com que Lydia se sentisse ainda pior. Stacey não sabia o que pensar, não queria acreditar que Lydia tinha dito o seu segredo, como tinha sido tão irresponsável… e depois pensava que quem tinha sofrido as consequências tinha sido Clayton… que apenas o tinha salvo graças à sorte. Sorte? Ou teria sido tudo planeado para que o encontrasse? Para que percebesse que aquele psicopata, fosse ele quem fosse, conseguia controlar tudo e todos para que as coisas saíssem como pretendia? Quanto mais pensava nisso, mais atormentada ficava. E agora tinha mais uma vez ficado sem ninguém com quem desabafar, visto que Lydia estava fora de questão.

Quando o horário escolar terminou, chegou a hora do castigo de Lydia, que seria nada mais, nada menos, que limpar a capela e ajudar na manutenção do cemitério durante duas semanas. Foi para lá que se dirigiu e, apesar de recebida com desconfiança, arranjaram-lhe logo tarefas para fazer. Foi enquanto estava a arrancar umas ervas daninhas que foi dar ao local onde o corpo de Adrien tinha sido encontrado, e logo sentiu um arrepio. “Pode ser que agora apanhem o desgraçado”, pensou, pondo a sua fé na polícia.

Quando o seu turno chegou ao fim, já o sol se tinha posto, foi ter com o padre para se despedir porém não o conseguia encontrar em lado nenhum.

- Padre? – Chamou, sem obter resposta.

Decidiu ir então à sala que ele usava para receber as pessoas, onde tinha a sua secretária e alguns bens pessoais. Bateu à porta, mas não ouviu nenhum ruído lá de dentro e então, quando a abriu, um grito estridente soltou-se da sua garganta ao ver o corpo do padre ensanguentado caído de frente para cima da secretária.

- Alguém me ajude! – Continuou a gritar, em completo pânico, enquanto se aproximava do corpo. Ao puxá-lo para trás verificou que a garganta do pobre homem tinha sido cortada e que, como tanto temia, ele estava mesmo morto – Alguém! Socorro!

Quando se voltou de novo para a porta viu que na parede, escrito a sangue, se encontrava a frase “Por muito que queiram, ninguém nunca me vai encontrar” e sentiu um nó na garganta que foi incapaz de desfazer. Só queria fugir, e foi mesmo isso que fez. Ia a sair pela porta quando se deparou com um corpo todo vestido de negro, com um capuz pela cabeça e um cachecol a tapar-lhe tudo menos os olhos. Nem gritar conseguiu, primeiro porque não teve tempo antes de levar uma pancada que a fez perder os sentidos e segundo, porque mesmo que tivesse tido tempo, a voz não lhe sairia.

Horas depois Stacey entrou alarmada no hospital. Ainda há pouco lá estivera por causa de Clayton, e agora uma vez mais via-se a entrar lá por alguém ter sido posto em perigo.

- O que aconteceu? – Perguntou logo a Oliver, quando o viu a ele e a Rex à espera sentados nas cadeiras lá postas para isso. Tinha sido ele a telefonar-lhe.

- Não sei bem… - disse, balbuciando – A Ly estava a cumprir a pena, a trabalhar na igreja, não sei… Só sei que o padre foi encontrado morto, que ela estava inconsciente…

- Como é que ela veio aqui parar? Ela está bem? – Apesar de chateada com a amiga, Stacey nunca se perdoaria se algo de mal lhe acontecesse. Se o padre estava morto e Lydia viva então era porque o assassino queria, e isto tinha sido ele mais uma vez a provar-lhe que pode chegar a qualquer pessoa em qualquer momento.

- Ela foi encontrada pelo segurança do cemitério… - explicou Rex – Ele ouviu gritos e encontrou-a já desmaiada e ao padre já morto… chamou o 112.

Stacey abanou a cabeça e respirou fundo, estava numa pilha de nervos, só queria ver a amiga.

- É este o quarto dela? – Não esperou pela resposta e entrou pelo quarto, vendo logo de seguida um médico, uma enfermeira e Lydia a olhar para si.

- Stacey? – Perguntou Lydia, deitada na cama e tapada. Ele parecia estar apenas a fazer alguns testes simples.

- Desculpe menina, não pode estar aqui – disse logo o médico.

- Não, não faz mal – intercedeu Lydia – Eu quero que ela fique.

O médico assentiu e após lhe dizer umas últimas coisas deixou-as às duas no quarto, fechando a porta. Stacey puxou a cadeira e sentou-se ao lado da cama da amiga, agarrando-lhe na mão.

- Ainda bem que estás bem, Ly – disse, apertando-lhe levemente a mão. Lydia pôde notar-lhe os olhos vermelhos e a pintura esborratada, tinha estado a chorar.

- Estás bem?

Stacey sorriu.

- Tu estás?

- Acho que sim… - murmurou, revirando os olhos – Dói-me a cabeça como tudo mas… sim, acho que sim. Estás aqui… não estava à espera que me viesses ver…

- Claro que estou, foste atacada, onde é que querias que estivesse? O que aconteceu, Ly?

- Não sei… não me lembro de muito. Mas acho que foi ele Stace… só pode ter sido. E foi porque disse à polícia… ele matou o padre por minha causa, porque disse para o investigarem, porque…

- Ei, shh – fez-lhe logo a amiga – Isto não é culpa de ninguém. É dele, apenas dele. Ele fez isto para me mostrar que ninguém está a salvo. Que este pesadelo nunca vai acabar.

 

A partir do próximo capítulo a história vai levar uma reviravolta...

Não se esqueçam de ler e comentar a DDO (:

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1 comentário

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De Yria Rivers a 18.08.2014 às 14:02

uma coisa é certa, não pode ser o clay porque ele estava no hospital e.e eehhehehhehe

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