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A Sombra Atrás de Mim

por Andrusca ღ, em 03.07.14

Capítulo 12

Um “Fim” com um “Bang”

 

Stacey andava desnorteada pela rua. E agora o que ia acontecer? Ia ser chamada a dar o seu depoimento sobre o seu perseguidor. O perseguidor do qual ninguém devia saber. O perseguidor que ameaçara magoar toda a gente caso ela abrisse a boca. O perseguidor que lhe matara Adrien.

Ela já não via nada à frente. Sentia um enorme aperto no coração, um enorme medo de perder toda a gente, de que ele cumprisse as ameaças e lhe roubasse mais alguém.

- O que é que faço? – Perguntou para o ar, enquanto deambulava com um ar pálido e sem expressão.

Por um lado queria entrar naquela esquadra e dizer tudo. O medo que sente. A falta de segurança que sente. A sensação de estar constantemente a ser vigiada. Mas quem lhe garantia que aqueles homens de uniforme a podiam ajudar? Que o podiam apanhar antes que magoasse mais alguém?

Todos estes seus pensamentos foram interrompidos pelo bip do seu telemóvel. Olhou para ele e estranhou ao ver uma mensagem de Clayton. Abriu-a e pôde ler “precisamos de falar urgentemente, vem já à minha casa”. Engoliu em seco. Mais um drama. Já não tinha espaço para mais nenhum na sua vida, por isso a vontade que tinha em ir ter com Clayton, em estar junto dele e não lhe poder tocar, em vê-lo e ter de resistir à vontade que tem de o beijar, era pouca. Não queria ir. Queria ficar perdida na rua dentro da sua bolha. Dentro dos seus pensamentos deprimentes. Mas se não fosse ele podia suspeitar que algo se passava. Não falavam desde aquela noite, na festa das gémeas, e mesmo aí ele pareceu suspeitar que ela não estava bem. Se Stacey tinha de manter as aparências, se tinha de convencer todos de que não se passava nada, então teria de colocar o seu melhor sorriso e agir como se assim fosse.

Mudou então de rumo. Ia dar uma grande volta à cidade de modo a não passar por aquelas ruas duvidosas, mas preferia assim. Durante todo o caminho não parou de pensar sobre em que é que Clayton poderia querer conversar que fosse assim tão urgente, e nada lhe vinha à cabeça. Parte de si queria ouvi-lo dizer que tinha saudades, que ainda a amava e que deviam tentar outra vez, mas a outra parte desejava que o assunto fosse outro pois se fosse esse seria de novo forçada a mentir e a afastá-lo.

Quando começou a avistar a casa dele começou a sentir um aperto no peito. Sabia que o pai dele estava fora há já alguns dias, tinha-o ouvido a comentar com pessoas lá na escola, e sabia que era comum fazer isso devido às bebedeiras. Para azar do filho, regressava sempre. Mas por essa mesma razão tinha medo de não se concentrar sozinha com ele. Mesmo assim, respirou fundo e aproximou-se. Quando bateu à porta, esta desviou-se, o que a fez estranhar. Com as sobrancelhas franzidas e os olhos cerrados, empurrou mais a porta e entrou para o corredor, constatando que havia um cheiro estranho na casa.

- Clay? – Chamou, não obtendo resposta – Clayton? – Voltou a chamar, desta vez mais alto, enquanto percorria o pequeno corredor e estranhava cada vez mais aquele cheiro que reconhecia agora como sendo gás.

Ao passar em frente à porta da cozinha pôde ver a figura de Clayton debruçado sobre a mesa, aparentemente sem sentidos. O seu coração acelerou e o pânico começou a correr-lhe pelas veias.

- Oh meu deus.

Correu até ao fogão e fechou os seus quatro bicos que se encontravam no máximo, tapando a boca e o nariz com a manga da camisola. Até ela já se começava a sentir tonta. Foi até ele e tentou levantá-lo a custo, mas acabaram por cair os dois para o chão. Stacey levantou-se e tossiu, sem saber o que fazer fez a única coisa que lhe ocorreu: arrastá-lo pelo chão para fora da casa. Arrastou-o até cerca de cinco metros da porta e depois deixou-se cair também no chão, ainda a tossir e a sentir-se zonza, enquanto sentia uma brisa que a aliviava.

- Clay? – Chamou, dando-lhe algumas chapadas no rosto – Oh meu deus… - pegou no telemóvel e ligou para as emergências, dando todas as indicações para que a ambulância os fosse buscar. Durante a chamada pediram-lhe que tentasse a manobra de reanimação cardiorrespiratória, coisa que ela começou a fazer assim que desligou – Vá lá Clay… - enquanto fazia as compressões no peito apercebeu-se de um pequeno papel que ele tinha no bolso da camisa desabotoada que vestia por cima da t-shirt e tirou-o, sabia que nunca punha nada no bolso das camisas e por isso estranhou. Quando o ia ler os socorristas chegaram e teve de se afastar para eles fazerem o seu trabalho, daí ter colocado o papel no bolso das calças e nunca mais se ter lembrado.

Os socorristas puseram Clayton a oxigénio e colocaram-no dentro da ambulância, onde foram examinando Stacey durante a viagem e concluíram que estava bem. Após a chegada ao hospital a rapariga teve de ficar na sala de espera enquanto lhe cuidavam do amigo, o que a fez quase desesperar com a falta de notícias. Andou de um lado para o outro durante a meia hora mais longa da sua vida, sentava-se e levantava-se, levava as mãos à cabeça, esfregava-as…

 

Stacey caminhava pelo parque. Estava um sol abrasador, era Verão, e pouca gente tinha a coragem de sair de casa para enfrentar um calor daqueles, mas ela sentia que não conseguia era ficar sem fazer nada. Com o seu batom vermelho e os cabelos negros apanhados num carrapito, passeava de vestido e garrafa de água na mão. Sentia que precisava de pensar, sabia que algo de diferente se passava consigo.

- Porque é que isto está a acontecer agora? – Questionou-se, ao relembrar minutos atrás em que estivera com o namorado, Adrien. Já há umas semanas que se sentia assim, que tinha percebido que o seu amor por ele já não era o mesmo. Amava-o, sim, mas apenas de uma maneira familiar, de uma maneira conhecida e confortável. Já não sentia a paixão, e era desse sentimento que mais saudades tinha.

Ia a passear junto ao lago quando viu  um rapaz alto e misterioso a ler um livro sentado à sombra de uma árvore. Já o tinha visto na escola, sabia da sua reputação duvidosa, mas não se importava. Para ela, ele era completamente indiferente. Foi então que viu que um cachorro pequeno se afogava, e depressa pousou a garrafa de água e se tentou inclinar para o alcançar. Clayton, que observava tudo a partir do seu poiso, abanou a cabeça e soltou um sorriso sarcástico, achava aquela rapariga completamente idiota e sem interesse, porém levantou-se e agarrou-a mesmo a tempo de a impedir de cair da plataforma para o lago. Ela olhou para ele e sorriu-lhe em tom de agradecimento.

- Só mais um pouco – disse-lhe, esticando-se um pouco mais. Foi então que também Clayton escorregou e ambos caíram dentro de água. Nadaram até à outra margem, subindo para a relva com o cão com eles, e depois riram-se.

- Obrigada – disse Stacey, espremendo o cabelo, com um tom divertido.

- Achas isto engraçado? – Perguntou ele, incrédulo.

- Oh vá lá, não fiques carrancudo…

- Clayton.

- Clayton. Eu chamo-me Stacey – foi nesse momento, quando ambos apertaram as mãos e sorriram um para o outro, que o coração de Stacey voltou a acordar. Algo aconteceu dentro de si que a fez acreditar que talvez a paixão voltasse à sua vida.

 

Quando finalmente apareceu um médico que lhe disse que Clayton se encontrava bem e já tinha recuperando a consciência foi como se lhe tivessem retirado o peso do mundo de cima dos ombros.

- Ele pediu para te ver – disse o médico.

Quando Stacey entrou no quarto e o viu ali, deitado naquela cama e com um ar tão frágil, sentiu um aperto no coração.

- Olá – disse um pouco a medo. Clayton esboçou-lhe a coisa mais similar a um sorriso que conseguiu fazer.

- Disseram-me que tinha sido salvo por uma rapariga… não sabia que tinhas sido tu… - murmurou.

Ela sorriu-lhe e puxou a cadeira que estava perto da janela para junto da cama, sentando-se.

- O que é que aconteceu? – Perguntou ela.

- Não faço ideia… só me lembro de adormecer… Disseram que houve uma fuga de gás.

- Uma fuga de gás? – “Pois sim, os bicos do gás todos ligados não me parece um simples acidente”, pensou ela, lembrando-se logo do papel que tinha achado no bolso dele e que ainda não tinha conseguido ler – Porque é que me disseste para lá ir, Clay?

A confusão tomou conta da cara do rapaz.

- Não te disse nada – afirmou ele – Até te ia perguntar porque lá tinhas ido Stace…

- Não me mandaste uma mensagem para ir ter à tua casa?

- Não.

Stacey ficou calada por momentos sem perceber nada, e então engoliu em seco e levantou-se rapidamente.

- Bem, não interessa, o importante é que estás bem. Agora tenho de ir, Clay, as melhoras.

Antes de o deixar dizer alguma coisa saiu do quarto e andou pelos corredores do hospital até chegar novamente à sala de espera. Respirou fundo e levou a mão ao bolso das calças, desdobrou aquele papel e leu-o atentamente:

 

“Apenas dois minutos mais tarde e… bang. Eu tinha cuidado com o que dizes à polícia se fosse a ti”

 

Stacey levou a mão à boca, horrorizada, e encostou-se à parede com medo de cair para o lado. Ele tinha feito aquilo. Ele quase tinha matado mais uma pessoa que lhe era querida. E ele sabia que ia ser convocada a prestar depoimentos.

- Este pesadelo nunca vai terminar… - murmurou.

 

Estive a actualizar os links, por isso já têm todos os links de todos os capítulos já postados desta história na barra lateral.

O que estão a achar até agora?

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3 comentários

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De Yria Rivers a 04.07.2014 às 14:08

o.o omg, eu estou aqui a pensar o quão maluco podia ser o clay para se pôr em risco para retirar as duvidas de cima dele mas.... eu não quero que seja o clay, vou ficar tão deprimida se for -.-.-.-.-.-.-.- opá
adorei ^^
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De ♥ Annie ♥ a 04.07.2014 às 20:04

Não tive tempo de me vir actualizar nesta historia porque estive ocupada a acabar de ler um livro, mas quando voltar venho ler tudo +.+
Obrigadaa querida s2
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De Maria a 24.07.2014 às 21:02

não é o clay, agora nem tenho mais teorias

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