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A Sombra Atrás de Mim

por Andrusca ღ, em 21.05.14

Capítulo 10

Grande Festa * Parte 2

 

A casa das gémeas estava a encher à velocidade da luz, cada vez mais chegavam novas pessoas com mais bebidas, cigarros, drogas, tudo e mais alguma coisa. A música aumentava de volume e voltava a descer. Roupas voavam graças ao aumento da temperatura no recinto ou à cota de álcool que lhes corria pelas veias. Estava a loucura completa, e todos pareciam estar a desfrutar menos uma pessoa.

- Acho que me vou embora – gritou Stacey ao ouvido da amiga, por causa da música.

- O quê? – Perguntou Lydia – Porquê?!

- O Clay está aqui… não me quero encontrar com ele, Ly.

Lydia revirou os olhos e pegou na amiga pela mão, arrastando-a até ao bar. Pediu uma bebida e passou-lha para as mãos, sorrindo-lhe.

- O teu problema é que estás sóbria – afirmou – Bebe, dança, diverte-te. Esquece-o, esquece os problemas… Diverte-te, Stacey. Só esta noite.

Stacey respirou fundo. Também já ali estava, e se fosse embora agora iria sozinha e isso era algo que definitivamente não queria. Levou o copo à boca e deu um gole. Uma noite, que poderia correr de mal?

Voltou para o meio da multidão com Lydia e começaram a dançar junto a Oliver, que tinha tudo menos jeito para a coisa. Passados poucos minutos inclinou-se para as duas e declarou que ia à casa de banho e que já voltava. As amigas continuaram a dançar e a beber. Lydia já estava claramente bêbeda, e Stacey começava a ver as coisas desfocadas. “Mas eu ainda estou no segundo copo”, pensou, sentindo uma tontura e sendo amparada por alguém que não viu quem era. Não se estava a sentir nada bem, parecia que todo o mundo estava voltado de pernas para o ar.

- Lydia, vou lá fora apanhar ar… - avisou, sentindo-se cada vez pior, porém a amiga estava tão ocupada a festejar que nem notou pela sua ausência.

Foi buscar o casaco acima do sofá e vestiu-o, cambaleando até à porta da rua, ficando em pé no alpendre encostada a um dos pilares a respirar profundamente. Pôs a mão no bolso para telefonar a Rex, para lhe pedir que viesse depressa e depois a fosse deixar a casa, quando reparou que tinha lá um papel. Custou-lhe a ler, custou-lhe a focar o olhar, mas quando finalmente conseguiu ligar aquelas letras que pareciam dançar e fugir ficou ainda pior. “Podes estar num sítio cheio de gente, mas eu vou-te sempre conseguir apanhar”.

- Oh meu Deus… - murmurou Stacey, que desceu as três escadas do alpendre aos tropeções enquanto se sentia a cair. “Ele pôs-me qualquer coisa na bebida”, concluiu enquanto tentava pensar em todas as pessoas com quem tinha estado desde que chegara à festa. Mas não conseguia fazer nexo de nada, estava tão drogada que não conseguia associar rostos a pessoas, via gente a passar por si e parecia que só via vultos, tudo desfocado, tudo fora de contexto. Levou as mãos à cabeça e fechou os olhos com força, sentia que a qualquer momento ia perder os sentidos, e então o que aconteceria? Estaria ele à espera para a apanhar?

Abriu de novo os olhos e pareceu-lhe ver uma sombra perto de uma das árvores do parque, iluminada pelos candeeiros acesos, o que a assustou ainda mais. Podia não ter a certeza do que via, mas não queria continuar ali. Deu meia volta e começou a andar de um modo atabalhoado para a estrada, onde por pouco um carro se desviou de si. Deixou-se cair na outra margem do passeio e, à medida que via uma sombra a aproximar-se de si, apesar de todo o seu pânico, desmaiou.

 

*

 

Stacey acordou com uma dor de cabeça do tamanho do mundo. Abriu os olhos e verificou que não conhecia o sítio onde estava. Estava deitada numa cama, num quarto que tinha pouco mais que isso e o armário. Nas paredes já com pouca cor estavam rachas, e nas poucas prateleiras um amontoado de pó. Havia um capacete de mota encima de uma delas.

A rapariga levou uma mão à cabeça e tentou focar melhor o olhar, sentia-se com a pior ressaca de sempre. Então, ao ouvir passos do lado de fora, sentiu o pânico a apoderar-se de si. Não se lembrava de nada. Lembrava-se da festa, de se sentir mal, mas pouco mais. Quando a porta se começou a abrir temeu vir finalmente a conhecer aquele assassino que a assombrava, pegou no candeeiro que tinha na mesa-de-cabeceira e assim que o corpo entrou mandou-o a ele, ficando depois surpreendida.

- Ei, tem calma! – Disse Clayton, de um modo perplexo e um copo de água numa mão e um comprimido na outra, após se desviar.

- Clay? – Perguntou ela, confusa.

Ele sentou-se aos pés da cama e ela chegou-se a ele, fazendo expressões estranhas o que o fez rir.

- Parece que alguém festejou muito ontem à noite – disse ele, passando-lhe o comprimido e a água – Bela ressaca, hein? Deves-me um candeeiro, já agora.

Stacey tomou o comprimido e olhou em volta, ainda confusa.

- Como é que vim aqui parar?

- Eu vi-te a sair da festa, e não parecias nada bem… por isso segui-te. Quase foste atropelada por um carro, Stacey. E depois desmaiaste no passeio.

- Desmaiei?

- Sim. Peguei em ti e trouxe-te para a minha casa. O que é que se passou?

- Eu não… - Ela respirou fundo. Não podia dizer a verdade, não podia dizer o que achava, tinha de uma vez mais mentir – Acho que devo ter bebido um copo a mais…

- Não me mintas, só bebeste dois no máximo, eu reparei. Conta-me a verdade – insistiu ele.

- Estou a contar – disse ela, pouco convincente, levantando-se da cama e tendo uma tontura – Céus… tenho de ir para casa.

- Eu levo-te.

- Prefiro ir a pé.

- Eu acompanho-te. Acho que não estás em condições de ires sozinha.

Stacey ia resmungar, dizer que não precisava, negar a sua oferta, mas sentia-se esgotada para discutir, ainda para mais com ele. Por momentos achou estranho que ele tenha pegado em si e a levado para a sua casa em vez de a um hospital… achou estranho ele estar lá na hora certa, se nada tinha sido planeado… mas decidiu ignorar todos esses seus instintos aos quais chamava paranoicos.

- Obrigado.

 

Parece que o Clay anda cada vez a levantar mais suspeitas... ou não?

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2 comentários

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De Maria a 02.06.2014 às 21:39

O clay? Nao pode ser o Clay, não faz sentido. Ele é que a deixou...
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De Yria Rivers a 02.06.2014 às 22:22

eu nao consigo acreditar que tenha sido o clay -.- mas pronto, nunca se sabe não é?
vim atrasada mais uma vez

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