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A Sombra Atrás de Mim

por Andrusca ღ, em 20.03.14

Capítulo 5

Perseguição

 

O caminho para casa pareceu-lhe mais longo do que aquele percorrido anteriormente. Com tudo o que se tinha passado ultimamente, isto era o cúmulo. Parecia-lhe estar em frente a um penhasco e só lhe apetecia dar um passo em frente para poder finalmente acabar com tudo.

Limpou as lágrimas dos olhos quando chegou a uma rua pouco iluminada. Detestava passar naquela parte da cidade, mas era o caminho mais rápido e directo para a sua casa, e como estava apenas desejava chegar, mandar-se para cima da cama e abraçar a sua almofada até que o novo dia chegasse. Sem Adrien, sem Clayton, com aquele psicopata à solta, Stacey sentia-se como se o seu mundo fosse desabar a qualquer momento.

- Devo ter feito muito mal numa vida passada… - murmurou, enquanto caminhava a um passo rápido.

Ouviu passos apressados atrás de si e viu um homem passar a rua e desaparecer do seu alcance de visão. Desvalorizou e voltou-se de novo para a frente para seguir caminho. “Quanto mais rápido andar, mais depressa chego a casa”, pensou. Uma suave brisa afastou-lhe os cabelos para trás dos ombros, e foi então que Stacey sentiu de novo outra presença naquela rua. Olhou discretamente para trás e viu uma pessoa um pouco mais alta que ela, com um casaco escuro e com o capuz a esconder o cabelo e a cara, que andava de um modo apressado demais.

Com os nervos à flor da pele, a somar ao facto de estar sozinha naquela rua duvidosa e com tudo o que se tinha passado com Adrien e o bilhete encontrado na escola, não conseguiu manter a calma. Assumiu logo, e bem, que aquela pessoa se encontrava ali por sua causa e por isso começou a correr desnorteadamente pela rua. A cada passo que dava sentia o coração a bater mais rápido, a respiração a ficar mais ofegante e as gotas de transpiração a formarem-se no corpo. Sentia que a roupa pesava quilos, e que os pés estavam colados ao chão e era impossível movê-los mais depressa devido à força da gravidade. Queria fugir mais rápido, mas era incapaz, e sentia o seu perseguidor a aproximar-se cada vez mais. O pânico começou a tomar conta de si e as lágrimas começaram a formar-se nos seus olhos. Sentiu agarrem-lhe pelo casaco, mas com um safanão soltou-se e continuou a corrida entre tropeções pela calçada.

- Deixa-me em paz! – Gritou com todas as forças que tinha enquanto empurrava o corpo que a tentava de novo agarrar.

Para sua sorte e alívio, esse mesmo corpo tropeçou e caiu permitindo-lhe, entre lágrimas, continuar a fugir.

Não parou de correr por mais três ruas. Por mais cansada que estivesse, por mais dificuldade que tivesse em respirar, por mais pessoas que já se encontrassem à sua volta naquela zona mais povoada da cidade, não quis diminuir o passo. Apenas o fez, e se permitiu respirar de novo, quando entrou de rompante pela esquadra da polícia lavada em lágrimas e com os batimentos cardíacos irregulares. A maior parte dos polícias, todos sentados às secretárias a preencher folhas ou ao telefone, repararam nela, e houve dois que se levantaram.

- Estás bem? – Perguntou um, tocando-lhe no ombro.

- Anda, senta-te – disse o outro, que a encaminhou até um banco de três lugares e a deixou repousar. Stacey começou a tentar controlar a respiração e bebeu o copo de água, que lhe foi entregue, com as mãos a tremer – Não nos queres dizer o que se passou?

- Eu… eu acho que me andam a perseguir – disse ela, quando conseguiu falar.

- Porque achas isso? Como te chamas?

- Stacey. Stacey Carrel. Alguém matou o meu namorado… alguém…

- Eras a namorada daquele rapaz, Adrien, não eras? – O polícia tentava ao máximo falar calmamente – Sou o detective Borris e o meu colega é o detective Fininghan. Ouve Stacey, o que estás a sentir é normal, é normal que estejas assustada e…

- Não! Quer dizer sim, estou assustada, mas isso é porque a pessoa que matou o meu namorado… deixaram-me isto – após remexer na mala retirou de lá o bilhete que tinha encontrado na escola e mostrou-o aos dois detectives que o leram seriamente.

- Estes tipos de brincadeiras são normais, os miúdos são cruéis – disse Fininghan – Provavelmente é alguém que não gosta muito de ti apenas a tentar pôr-te nesse estado.

- Funcionou. Mas sei que há mais qualquer coisa – então Stacey contou o que se tinha passado ainda agora, mas viu que, pela cara dos dois, nenhum estava disposto a acreditar em si – Não acreditam em mim… pois não?

Eles trocaram um breve olhar antes de Borris voltar a falar com o seu tom calmo e reconfortante que já estava a deixar Stacey ainda mais enervada.

- Nessa parte da cidade é provável que fosse apenas um sem-abrigo, um criminoso de meia tigela que te tenha visto passar, apenas isso. Mantém-te afastada de lá e vais ver que tudo passa. Está bem, Stacey?

“É incrível, eles não acreditam em mim”, pensou sem conseguir ainda acreditar.

- Sim… está bem.

Arrancou o bilhete das mãos de Fininghan e saiu da esquadra furiosa. Não parou de olhar para todos os lados enquanto seguia para casa e, quando finalmente lá chegou e fechou a porta, suspirou de alívio.

- Stacey? – Ouviu de seguida. Foi até à cozinha e viu a mãe sentada à mesa, com um ar sério.

- Mãe…

- Por onde é que andaste? Estava preocupadíssima. O teu pai anda pela rua à tua procura. Já é tardíssimo… não avisaste…

- Eu… - e ela ia-lhe contar tudo. Ia contar das suspeitas, da perseguição, mas então o seu telemóvel começou a tocar e, mesmo a estranhar ser um número não identificado, atendeu – Estou?

- “Stacey” – a voz era distorcida, quase robótica num aspecto sinistro.

- Quem fala?

- “Para todos os outros vais dizer que foi engano, mas ambos sabemos que eu quis mesmo foi telefonar para ti” – Stacey congelou por completo, mas tentou disfarçar perante o olhar inquisidor da mãe – “Escapaste-me hoje, mas não julgues que terás sempre a mesma sorte. Quanto à tua visita à polícia, sugiro que não a voltes a repetir, senão terei que fazer a outro dos teus amigos o mesmo que fiz ao pobre Adrien”.

Os olhos da rapariga começaram a ficar enlagrimados, a voz parecia-lhe presa na garganta mesmo que quisesse gritar. Voltou-se de costas para que a mãe não visse o seu estado.

- O que é que queres de mim? – Sussurrou de um modo enervado – O quê?!

- “Tudo, minha cara. Vamos ver-nos de novo. Ao menos eu vou ver-te a ti. Vou sempre ser a sombra atrás de ti”.

E então a chamada foi desligada. Stacey ainda ficou alguns segundos a agarrar o telemóvel junto à orelha, em estado de choque, a tentar digerir tudo, mas então foi forçada pela voz da mãe a regressar à realidade.

- Quem era?

- Nin… ninguém. Era engano. Vou subir mãe, estou esgotada – e a última parte não era mentira – Vou dormir.

- E não comes nada?

- Perdi o apetite. Estou bem, não te preocupes. Até amanhã.

Mas se achava que ia conseguir pregar olho durante a noite, estava muito enganada. Depois de um banho que nada a relaxou, e de vestir o pijama que a parecia sufocar, Stacey ficou deitada às voltas durante um tempo indeterminado até desistir e ligar o computador portátil em cima da cama, com o quarto escuro. “Vamos lá ver o que é que estou a enfrentar”, pensou enquanto escrevia “sociopata” no Google. “As características dos sociopatas englobam, principalmente, o desprezo pelas obrigações sociais, leis e a falta de consideração com os sentimentos dos outros”, leu. Parou por momentos, sem saber se devia, ou não, continuar a pesquisar, mas então encheu-se de coragem e continuou a ver várias páginas. “Egocentrismo exageradamente patológico”, “emoções superficiais”, “pouco controlo da impulsividade”, “frustração”, “falta de empatia com outros seres humanos e animais”, “ausência de remorso”… as características iam-lhe aparecendo em frente aos olhos e quanto mais lia, mais Stacey queria continuar a ler. “Manipuladores”, “sedutores”, “incrivelmente inteligentes”. Acabou por adormecer com o computador ao lado, a ter pesadelos com todos estes tipos de criaturas.

 

Por favor digam-me o que estão a achar desta história...

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4 comentários

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De Maria a 20.03.2014 às 21:52

bem, para mim isto é mais um psicopata. Andas a ver os filmes que dão a tarde no fox life, não é? É que só dão filmes de lunáticos... E eu estou a gostar obviamente
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De francis marie a 21.03.2014 às 21:06

Obviamente, eu estou a gostar da história, né?
quero mais, quero mesmo saber quem é esse doido que está a traz dela!
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De Yria Rivers a 21.03.2014 às 21:18

Eu estou a adoraaaaaaar!
e não fiques triste se andas com menos pessoas aqui a comentar, são fases, mas elas voltam ^^
beijinhos!
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De ♥ Annie ♥ a 27.03.2014 às 20:06

Eu tambem estou a adorar querida, sempre.
Esse psicopata nao parece mesmo querer parar. So quero saber porque...

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