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A Sombra Atrás de Mim

por Andrusca ღ, em 12.03.14

Capítulo 4

Olhares Interceptados

 

Stacey estava sentada na relva, no pátio, sozinha e com aquele bilhete na mão. Não conseguia parar de pensar naquilo. Por um lado ponderava que podia ser apenas uma brincadeira de mau gosto, uma partida pelo seu regresso à escola, uma maldade de adolescentes. Mas por outro olhava em volta e via tudo tão normal, tão rotineiro, os rapazes a rir e as raparigas a conversar, e não acreditou que alguém ali lhe pudesse fazer isso. Claro que havia gente que não gostava de si, claro que algumas dessas pessoas a podiam querer ver magoada, mas nunca assim. E por isso só lhe restava a opção de que o assassino de Adrien estava perto, e que este pesadelo estava longe de terminar.

- O que estás a fazer? – Ela assustou-se e escondeu o papel rapidamente para que o amigo não o visse, sorrindo-lhe de um modo forçado.

- Oliver! Nada, estava só a pensar. Senta-te.

Ele olhou em volta e sentou-se no chão, ao lado dela, observando também o que os colegas faziam.

- O primeiro dia está a ser difícil?

- Impossível. Mal posso esperar para chegar a casa.

- Não consigo imaginar como isto deve estar a ser para ti.

- Pois… Mas vocês também eram bastante próximos, também não pode estar a ser fácil para ti.

Oliver retraiu-se um pouco e respirou fundo, engolindo em seco.

- Não… nada mesmo. Mas vamos ultrapassar isto. Juntos. – Ele deu a mão à rapariga e esta apertou-a, sorrindo-lhe.

- Sim, vamos. Obrigado Ollie.

Stacey deu-lhe um beijinho na bochecha e logo a seguir ouviu-se o toque da campainha. A hora de almoço tinha terminado e tinham que ir para as aulas. Oliver seguiu atrás dela, sempre de um modo protector e a olhar para os lados para ver se alguém os vigiava.

Quando chegaram à sala sentaram-se nos lugares e Stacey começou logo a dispersar. O seu primeiro dia de regresso não estava a ser como esperava, apesar de não ter posto as expectativas muito altas. Sabia que o professor falava, tinha a noção de que escrevia no quadro, mas era incapaz de lhe prestar qualquer atenção.

Sentiu alguém tocar-lhe nas costas e voltou-se lentamente, permitindo a que o colega de trás lhe entregasse um papel dobrado em dois. O coração começou-lhe logo a ficar acelerado, mas então obrigou-se a acalmar-se. Abriu-o e os seus olhos depressa se dirigiram para o fundo da sala, onde Clayton estava sem prestar qualquer atenção ao professor. Leu então o bilhete.

 

“Não quero que fiquemos assim. Talvez seja egoísmo da minha parte, mas quero gritar ao mundo inteiro que estou contigo. Podemos encontrar-nos depois da escola? Por favor?”

 

Stacey engoliu em seco e voltou a trocar um olhar com ele antes de responder. “Eu encontro-te”, escreveu apenas, antes de voltar a dar o papel ao colega para que lho passasse. A partir de então fez um esforço maior para prestar mais atenção, mas mesmo assim concentrava-se mais nos ponteiros daquele relógio pendurado na parede que teimavam em não se mexer.

Quando aquela aula finalmente terminou, a rapariga respirou fundo e levantou-se do lugar. “Sobrevivi”, pensou aliviada. Quando ia a sair foi interceptada por Lydia.

- Vais já para casa? – Perguntou-lhe.

- Sim, não me apetece ir a lado nenhum.

- Então vamos, eu acompanho-te.

Stacey assentiu e começaram a tomar caminho. Por alguns segundos andaram caladas enquanto se afastavam do recinto da escola, mas então Lydia não aguentou mais e começou a falar.

- Posso-te perguntar uma coisa?

- Claro, Ly.

- O que é que o esquisito do Clay te queria? – Stacey engoliu em seco.

- Como assim?

- Passou o dia inteiro a comer-te com os olhos, Stacey. E depois mandou-te um papel a meio da aula, que eu vi. É que ele é mesmo estranho.

- Oh, não era nada… só queria saber se eu estava bem, por causa do que aconteceu. Era só isso – mentiu, ao chegar à sua rua – Bem, eu fico por aqui. Vemo-nos amanhã?

Lydia ainda demorou algum tempo a responder, como se estivesse a analisar a resposta da amiga, mas então sorriu e assentiu com a cabeça.

- Até amanhã.

Stacey entrou em casa e deixou-se cair derrotada no sofá. Queria ficar lá, sem fazer nada, a sentir pena de si própria, mas obrigou-se a levantar e a ir deixar as coisas no quarto para depois sair.

Caminhou por aproximadamente meia hora e então viu uma casa mais pequena que a sua, com uma pintura branca já desgastada. De lá de dentro ouviu uma garrafa a partir-se e, quando ia a bater à porta, esta abriu-se e um homem bêbedo saiu de lá a berrar para quem estava dentro da casa. Dizia que o odiava, que devia morrer, que nunca mais lá punha os pés. Stacey abanou a cabeça e baixou o olhar, se ele não voltasse seria a sorte da única família que lhe restava, o filho.

Clayton apareceu à porta, a enxotar o pai para a rua, e foi então que a viu. Não pôde deixar de se sentir envergonhado pela situação, tanto que mal a conseguiu encarar mesmo depois do homem já ter virado a curva.

- Nunca cá tinhas vindo – murmurou, ainda com o olhar colado ao chão.

- Eu disse que te encontrava.

- Pensava que ia ser na escola.

- A Lydia não me largou. Posso entrar? – Ele assentiu com a cabeça e deixou-a passar. A casa era modesta, não havia grandes luxos, e Stacey deixou-se encaminhar até à cozinha – Não está cá mais ninguém?

- Não há mais ninguém Stacey.

- O que é que querias falar? – Perguntou-lhe, directamente. Pôde ver pelo seu olhar que aquela sua distância e quase frieza o magoava. Ele parecia duro, mas na verdade era apenas um rapaz que queria alguém que o estimasse e amasse. Sim, era estranho e impulsivo e intimidante para certas pessoas, mas isso devia-se ao facto de ter tido de assumir o papel de homem da família cedo demais.

- Aquela conversa que tivemos na escola… eu percebo a tua parte, e quero respeitar o espaço que queres mas…

- Eu não quero espaço – interrompeu-o ela – Mas tenho medo. Com tudo o que se passou… e sei que toda a gente acha que foi uma coisa de uma vez, que eu estou maluca por achar que há alguém atrás de mim, mas…

- Ninguém acha que estás maluca. Passaste por muito e…

- Não vou voltar a ter esta conversa, estou cansada de a ter. O que quero dizer é que agora mais que nunca ninguém pode saber que estamos juntos Clay. Talvez isto passe e não seja nada, mas para todos os efeitos o rapaz que foi morto era o meu namorado. E se a pessoa que o matou o fez por ele ser meu namorado, então a última coisa que quero é que saibam que é contigo que estou.

- E se nunca se descobrir nada? Continuamos escondidos para sempre? Não estás a pensar como deve ser, Stacey, estás a…

- Eu preciso disto! Não para sempre, por agora. Eu sei que te custa, e sei que… também me custa a mim. Mas aguentámos tanto tempo… só mais algumas semanas, só até se saber alguma coisa. Por favor.

Ele engoliu em seco e ela ficou a fitá-lo por alguns momentos.

- Sabes que te amo – murmurou ele, com os olhos enlagrimados –, mas não quero estar numa relação em que não posso estar com a minha namorada. Estou cansado disso.

Por momentos Stacey não soube o que dizer, mas então encheu o peito de ar e deitou-o fora de uma vez.

- Está bem – proferiu, já com uma voz chorosa – Então devias tentar encontrar alguém com quem possas estar. E se daqui a algum tempo ainda não a tiveres encontrado, fica a saber que vou estar à espera.

Enquanto se despedia dele com um beijo na bochecha, uma lágrima escorreu-lhe pela face. Voltou-se repentinamente e seguiu até à porta, que fechou, deixando o rapaz também de lágrimas nos olhos no meio da cozinha.

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5 comentários

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De Maria a 13.03.2014 às 16:19

clay tão impaciente, mas se calhar assim ela até acaba por protege-lo
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De francis marie a 13.03.2014 às 18:59

Gostei tanto s2
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De Yria Rivers a 14.03.2014 às 22:09

tenho tanta pena deles :c coitadinhos
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De Yria Rivers a 14.03.2014 às 22:09

carreguei no enviar sem acabar -.- ainda por cima ia dizer uma coisa e esqueci-me
eu adorei ^^ estou viciada nesta história e continua a postar ^^
beijinhoos
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De ♥ Annie ♥ a 16.03.2014 às 19:44

Opá coitadoos :cc
O Oliver foi um querido
E a Lydia foi um bocado cruel com ele. ''Passou o dia inteiro a comer-te com os olhos'' ahah adorei.
O Clay devia perceber que ela o esta apenas a querer proteger.
Adorei o capitulo. Espero mesmo que eles se entendam.. :c

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