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A Sombra Atrás de Mim

por Andrusca ღ, em 05.03.14

Capítulo 3

Segredos Ocultos

 

Stacey sentiu uma mão a tocar-lhe no ombro e evitou gritar, apesar de se sentir completamente aterrorizada.

- Stacey? Ei, o que é que tens?! – Sentiu-se a ser abanada e percebeu que conhecia aquela voz. Voltou-se e observou um Clayton algo preocupado, com uma postura bastante diferente daquela que mostra em público. Tentou recompor-se.

- Não devias estar nas aulas? – Ele formou um pequeno sorriso de gozo.

- Então e tu? Já te andas a baldar no teu primeiro dia de volta? – Notou pela sua expressão que tinha feito mal em falar-lhe naquele tom de gozo, por isso engoliu em seco e decidiu mudar de assunto – Mas já que estamos ambos cá fora, que tal falarmos agora? Estão todos nas aulas, ninguém nos vai ver… tal como querias.

Ao olhar nos seus olhos Stacey pôde jurar ter visto tristeza, mas não ousou perguntar-lhe o porquê. Não tinha sido justa com ele. Nunca o fora. Nem com ele, nem com Adrien, e muito menos consigo própria. Em vez de se mostrar preocupada, de lhe dizer que não se importava que os vissem a falar, limitou-se a assentir de um modo apático e a começar a pôr um pé à frente do outro para caminharem juntos até às traseiras da escola, mais conhecido como o “sítio dos drogados”, onde apenas um grupo restrito costumava ir para fumar marijuana e outras substâncias nos intervalos. Normalmente os dois resguardavam-se a um canto escondido por arbustos, e os outros já estavam tão pedrados que nem reparavam neles, mas como naquele momento o espaço coberto de grafitis e garrafas vazias e beatas no chão se encontrava vazio, sentaram-se no banco de pedra.

- Não vais dizer nada?

- Tu é que querias falar, Clay.

Ele respirou fundo e desviou o olhar para o céu. Detestava falar com ela quando ela estava assim, a fugir dos assuntos, a evitar, a não querer conversar. As coisas entre ambos nunca tinham sido fáceis, e logo quando pensara que podiam melhorar aquilo aconteceu.

- Passei os dias inteiros a telefonar-te. Estive tão perto de te ir bater à porta. Porque é que não atendeste, Stacey?

- Porque não queria falar com ninguém.

- Nem comigo?

- Especialmente contigo.

O rapaz engoliu em seco e levantou-se, com um ar chateado, pondo-se a andar de um lado para o outro.

- Juro que não te percebo!

- Não há nada para perceber.

- Pára! Pára de responder assim. Pára com essas tretas!

Pela primeira vez desde que lá tinham chegado Stacey olhou directamente para ele e levantou-se também.

- Mas que tretas? O que é que queres que te diga, hum?!

- Quero que me digas o que queres fazer. Não, quero que me digas o que vais fazer. Porque preciso de saber o que isto é, Stacey, o que nós somos. Isto para mim assim não dá.

Ela abanou a cabeça e encolheu os ombros. Sabia que não tinha o direito de estar chateada por ele lhe estar a falar naquele tom. Sabia que pedia demais dele, mais paciência ou tempo, e ele sempre lhe dera mais do que já tinha exigido, mas reconhecia-lhe na voz que estava cansado de estar na expectativa.

- Eu ia dizer-lhe – acabou por murmurar – Naquela noite ia-lhe dizer que queria acabar as coisas, estás contente?

Clayton franziu as sobrancelhas.

- Ias? Porque pensei que…

- Que o quê? Que te escondias no meu quarto, davas-me um ultimato, pedias-me um tempo e depois eu ficava com ele como se tu não existisses?!

Ele engoliu em seco.

- Só fiz isso porque…

- Eu já te tinha dito que lhe ia contar, só precisava de mais tempo. E percebo que estivesses, ou estejas, farto de esperar, mas parece que os teus problemas se revolveram na perfeição. O Adrien já não existe, todos os teus problemas desapareceram – Stacey encolheu os ombros e Clayton olhou chocado para ela.  

- Estás a dizer que estou feliz por ele ter morrido?

- Estou a dizer que te deu jeito. Ele era o meu namorado, tu eras o outro, agora ele está fora da fotografia e tu és o único. Algumas pessoas chamam a isso motivo.

- Motivo para quê? Assassinato? Tu estás… estás-me a acusar de o ter morto?

- O quê? Não, claro que não. Eu sei que nunca poderias fazer algo assim. Estou só a dizer que foi conveniente para a nossa situação. E eu ia acabar com ele, Clay, mas, apesar de te amar, gostava dele. Era o meu melhor amigo. E agora está morto e eu…

Stacey parou a meio e começou a ficar com os olhos enlagrimados. Estava-se a sentir de novo vulnerável como se tinha sentido naquele cemitério, incapaz de controlar as emoções e com as lágrimas prestes a escorrer-lhe pelas bochechas. Clayton apercebeu-se e apressou-se a abraçá-la, um abraço que ela não recusou.

- Shh, está tudo bem.

- Não, não está tudo bem. Como é que as coisas ficaram tão estragadas, Clay?

Ele formulou um pequeno sorriso.

- Tudo começou numa tarde, no parque, há quatro meses, quando vi uma rapariga teimosa que queria impedir um cão de se afogar no lago e a fui ajudar. Acabámos os dois por cair e ficar encharcados. Não a larguei desde então.

Stacey respirou fundo e viajou até essa tarde, sorrindo também. Nunca antes desse dia tinha imaginado Clayton como a boa pessoa que é por baixo daquele ar frio e perigoso. Desde então que também nunca o tinha largado. Fazia-a sentir-se diferente, viva, especial, como Adrien nunca a conseguira fazer sentir. Sentia-se amada a sério, e não como uma melhor amiga.

- Desde pequenos que ouvimos que íamos acabar juntos – proferiu, baixinho, referindo-se a si e a Adrien –, mas acho que ele também nunca o quis verdadeiramente. Eu sei que ele ia perceber. Era da reacção dos meus pais que tinha medo. O Adrien, ele… ele só me queria ver feliz.

- E dos teus amigos – ela permaneceu calada – Não faz mal, eu vejo como eles olham para mim.

- E eles vêem como tu olhas para mim. É de admirar que ainda não tenham dito nada. Clayton, sobre nós…

- Eu sei – murmurou ele, com algum desgosto. Ela quebrou o abraço e olhou-lhe directamente para os olhos.

- Sabes?

- O que pensaria toda a escola de ti se começasses a andar comigo agora, logo depois do Adrien ter… tu sabes. Eu sei como é importante para ti que gostem de ti, acredita. Não percebo, mas respeito. Isto vai tudo continuar o segredo que tem sido e nós… nós vamos…

- Por agora. Não para sempre.

- Por agora.

Ele deu-lhe um beijo na testa e começou a afastar-se, como lhe tinha prometido silenciosamente que faria. Stacey suprimiu a vontade de chorar e olhou para o céu, amaldiçoando aquele maldito dia. Do bolso das calças retirou o post-it achado na aula e voltou a lê-lo, cerrando os lábios.

- Tu mataste o Adrien… - murmurou para o papel, sentindo um nó na garganta – Mas porquê?

Por muito que lhe doesse, talvez tivesse que admitir que o facto de Clayton se ter afastado até podia ser positivo. Com aquele lunático à solta, nunca se sabia qual poderia ser a próxima vítima.

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5 comentários

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De francis marie a 05.03.2014 às 21:06

Awww gostei tanto :3
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De Maria a 05.03.2014 às 22:50

o clay vai ser a proxima vitima
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De Yria Rivers a 06.03.2014 às 18:25

o clay é todo sexy e dark e misterioso aiii só espero que se safe deste gajo
adorei ^^^^^^ quero maiiis
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De ♥ Annie ♥ a 06.03.2014 às 22:11

Oh, pobre Clayton. E pobre Stacey e Adrien tambem..
Ele parece mesmo ama-la.. espero que esse por agora não seja muito.. e espero mesmo que ele nao seja a proxima vitima.. isso seria demasiado mau.
Adorei o capitulo.
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De Syrena a 11.03.2014 às 00:23

adorei adorei adorei
quanto à defensora do oculto perdi-me um bocado da história, tenho de voltar a ler o ceptro da pureza desde o inicio a ver se me oriento ;)

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