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A Sombra Atrás de Mim

por Andrusca ღ, em 26.02.14

Capítulo 2

Depois da Tempestade…

 

Depois da tempestade vem a bonança. Nos mares, sempre que uma tempestade pára, os marinheiros respiram de alívio por terem resistido ao destino de terminarem nas profundezas. Em Britmont, uma cidade que até por acaso ficava perto da costa, a calmaria estava longe de regressar. Pelo menos para Stacey que, após duas semanas daquela tragédia, ainda continuava a ter pesadelos todas as noites. Num momento via Adrien a falar consigo, a beijá-la, a abraçá-la e a trocar juras de amor consigo, e no outro via-o deitado, imóvel, morto, no chão frio do cemitério que serviria também de seu túmulo.

- Estás com um ar péssimo – reparou-lhe Joyce, a mãe, durante o pequeno-almoço – Também não dormiste hoje?

- Dormi – mentiu.

- Stacey, já tivemos esta conversa. O que aconteceu ao Adrien pode não estar relacionado contigo.

- Não. Tu viste aquele papel. O Adrien morreu por minha causa, tenho a certeza. E esse cretino ainda está por aí, e disse que não ia parar e…

- Pára – pediu Joyce, com uma voz compreensiva – Isto é tudo ansiedade por voltares à escola.

Stacey revirou os olhos. Já devia perceber que a mãe não ia concordar consigo. A polícia também não concordava. Tinham dito que o bilhete fora provavelmente apenas uma brincadeira de mau gosto, a cereja no topo do bolo que tinha sido aquele assassínio, apenas para causar o pânico. Asseguraram-lhe de pés juntos que recebiam queixas de ameaças do mesmo género vezes e vezes, e que mais nada acontecia. Ligaram a morte de Adrien a um criminoso barato que, provavelmente, apenas o tinha morto por estar no lugar errado à hora errada, porque por mera coincidência nessa mesma noite a capela ao lado do cemitério tinha sido assaltada e que, para disfarçar o ocorrido, tinha colocado aquele bilhete. O que não a descansava era saber que também esse criminoso barato ainda andava à solta.

- Tenho mesmo que ir?

- Não podes continuar a faltar. Sabes bem que o teu pai já queria que tivesses ido na semana passada – a rapariga baixou o olhar e respirou fundo, estava realmente ainda muito abatida – Não fiques assim, também vai ser bom para ti continuares a conviver com os teus amigos. Vais ver que…

- Pronto, já percebi, não me vou conseguir safar. Já que é assim, vou já.

Stacey levantou-se da mesa, depois de ter limpo a boca com um guardanapo, e agarrou na mochila que tinha em cima da outra cadeira.

- Mas não queres que te leve?

- Não, caminhar faz-me bem às ideias.

Deu um beijo à mãe, gritou um “adeus” ao pai que ainda se despachava no andar de cima e saiu. Da trovoada que assombrou aquela noite já nem havia rasto, no céu brilhava agora o sol que, apesar de ainda ser cedo, já transmitia algum calor.

A rapariga caminhou pela rua com os fones nos ouvidos e parou em frente a uma pastelaria, observando a montra. Conseguiu ver o seu reflexo nela, e percebeu como tinha sido perfeita em disfarçar o seu ar abatido. Com umas calças justas, um top roxo e uma camisa axadrezada por cima, uns ténis pretos, um gorro na cabeça, o cabelo negro, liso, que lhe dava até meio das costas, o rímel e o batom vermelho vivo, parecia a mesma Stacey de todos os dias. Sorriu ligeiramente e observou um cupcake cor-de-rosa, relembrando-se da última vez que tinha ido àquela pastelaria com Adrien. “Pode ser que aceitem encomendas e façam o nosso bolo de casamento”, dissera ele, “és completamente doido. Alguma vez eu me casava contigo?”, tinha ela respondido. Sentiu uma dor no coração e obrigou-se a pensar noutra coisa. Além de medo, por si, pelo que pudesse vir a acontecer se aquele bilhete não tivesse sido uma brincadeira, sentia remorsos. Remorsos por não ter sido a pessoa que Adrien precisava e admirava.

Quando chegou à escola viu os alunos à porta, todos agrupados com os respectivos amigos, e respirou fundo. Não podia continuar a fugir. Iam olhar para si como a coitadinha que perdera o namorado. A “pobre Stacey” que precisou de uma semana só para conseguir sair da cama, a “pobre Stacey” que ainda não caiu em si nem admitiu que realmente não o vai ver nunca mais. A “pobre Stacey” que não é tão pobre assim, porque por dentro não o amava realmente como todos julgavam.

Vindo das traseiras da escola apareceu um rapaz com os cabelos também escuros e um ar sinistro e intimidante, com um brinco numa orelha e umas roupas escuras e estranhas. Foi olhado de lado por muita gente, mas os seus olhos apenas pararam numa pessoa. Andou até ela com o seu ar de rufia mas coração de menino e agarrou-a pelo braço, um gesto que para muitos pareceu violento, mas sem exercer qualquer tipo de força.

- Clay, o que é que estás a fazer? – Perguntou Stacey, tanto acanhada como furiosa.

- Precisamos de falar, não achas? – Ele estava sério, e ela sabia que ele tinha razão, mas não precisava daquilo naquele momento. Não precisava de mais problemas.

- Aqui não – disse, num tom baixo, com a noção de que os amigos já os tinham visto e se dirigiam para lá.

- Quando então?

- No segundo intervalo. No nosso sítio?

Quando Lydia, juntamente com Oliver e Rex, que com os caracóis castanhos a saltitar de um lado para o outro se aproximou, Clayton assentiu com a cabeça e largou Stacey, começando a andar com aquele seu ar de arruaceiro para outro lado.

- Eu estou bem, Lydia – disse-lhe a rapariga, antes que a outra pudesse falar alguma coisa.

- O que é que aquele rufia queria? – Perguntou Rex.

- Nada, estava só a comentar o… o que aconteceu ao Adrien. Está tudo bem – mentiu Stacey.

- Tens a certeza que estás pronta para voltar para a escola? – Oliver parecia preocupado.

- Não posso continuar a faltar assim e a perder matéria.

- Basicamente o teu pai está-se a passar contigo – adivinhou Lydia, fazendo todos rir nem que fosse por um segundo – Anda lá, vou estar contigo durante todo o tempo!

Ouviram a campainha a tocar e dirigiram-se para o interior do edifício, para martírio de todos. Quando o professor de Artes chegou todos ocuparam os seus lugares menos Stacey, pois ele tinha-lhe pedido que ficasse perto da sua secretária para lhe devolver o trabalho que ela tinha entregado ainda antes do sucedido.

- Ando com isto na mala há duas semanas – dizia, enquanto remexia em todos os papéis que tinha na mala até encontrar um pequeno portefólio com várias folhas e o entregar a ela – Não penses que te vou facilitar a vida, Stacey, mas por hoje não vou “implicar” contigo.

Ela riu-se e agradeceu, ocupando depois o seu lugar. Abriu o portefólio para ver a nota mas o A+ que lá estava nem lhe chamou à atenção. Toda ela foi roubada para o pequeno post-it lá pegado que lhe tirou logo o sorriso dos lábios.

 

“O prof. Carlton já devia saber que os armários não são seguros. O assalto à capela até veio a meu favor. Pena que Deus não tenha ajudado o teu namoradinho. Até seres minha… nunca terás paz, nem com a ajuda de todos os santinhos”

 

Agitada, depois de ter lido, olhou para todos os lados e parou com os olhos na mesa onde Adrien se costumava sentar, agora vazia, e começou-se a sentir a sufocar naquela sala. Tinha que sair dali. Pegou nas coisas e começou a tropeçar nos pés enquanto andava para fora da sala.

- Desculpe – dizia – Tenho que ir.

O professor ainda a chamou algumas vezes, mas foi ignorado. Pelos corredores vazios da escola Stacey não conseguia abandonar a ideia de que estava a ser seguida e, quando começou a ouvir passos na sua direcção, gelou por completo. “É agora”, pensou.

 

Então, o que acham?

Querem que vos continue a avisar de quando os capítulos saem?

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6 comentários

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De Khaleesi a 26.02.2014 às 21:29

a ficar cada vez melhor!
sim, avisa :)
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De francis marie a 26.02.2014 às 21:50

Ai ameiii, o que é que irá acontecer agora? o:
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De Miguel Alexandre Pereira a 27.02.2014 às 17:40

Não venho a este teu blogue com tanta frequência, mas vou tentar mudar isso no futuro. Gostei muito do capítulo, parece-me uma história muito interessante. Escreves muito bem :)
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De Maria a 27.02.2014 às 21:04

mas espera qual "nosso sitio" o que? o obcecado não será o clay?
já estou cheia de teorias. posta depressa.
E yeeees vai avisando please, eu agradeço
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De ♥ Annie ♥ a 28.02.2014 às 15:51

Ai mas o que é que esse Clayton quer?? Cá para mim é suspeito..
Omd esse bilhete. E omd esta alguem atras dela.. QUE MEDOOO!
Estou a adorar!
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De Yria Rivers a 01.03.2014 às 13:21

omg coitadinha dela...
quero maiiiis e sim, gostava que me avisasses
adorei ^^ vou ler a outra

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