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A Sombra Atrás de Mim

por Andrusca ღ, em 19.02.14

Capítulo 1

A Trovoada

 

Tudo começou naquela noite de trovoada. O céu já estava completamente negro estava coberto de nuvens, mas não caía uma única pinga. Relâmpagos rasgavam-no com uma ferocidade inacreditável, deixando que o ambiente naquele cemitério na pequena cidade de Britmont ainda mais sinistro.

Uma gargalhada soou, depois de um susto apanhado, quando Stacey se sentiu agarrada por trás e verificou que eram os braços de Adrien que a apertavam.

- Odeio que me faças isso – reclamou, sorrindo genuinamente enquanto se voltava para ele.

- Que eu saiba, a menina é que gosta de vir para o cemitério.

Ela revirou os olhos.

- A menina… Lydia, queres tu dizer, porque se não fosse por ela podes ter a certeza que não estava aqui.

Ele sorriu e deu-lhe um beijo leve nos lábios, que se foi tornando mais intenso a cada segundo que passava. Stacey riu com todos os dentes que tinha na boca e voltou a unir os lábios dos dois. Não se importaria de prolongar mais aquele momento mas, em conjunto com mais um relâmpago, veio uma voz:

- Prontos ou não, aqui vou eu – dissera Lydia.

Os dois separaram-se para se irem esconder e enquanto Stacey ficou logo ali entre algumas campas e desligou a lanterna, Adrien continuou a correr. Era sexta-feira e o grupo tinha todo decidido sair, mas apesar de saberem o quão estúpido era estarem num cemitério a jogar às escondidas como se tivessem sete anos, não conseguiam deixar de achar a sua graça à coisa. Stacey sentiu um arrepio e olhou em volta, detestava aquele lugar. Detestava as campas, detestava o silêncio, e podia até jurar que o vento era mais gélido ali. Sempre tivera medo que os mortos voltassem à vida e a tentassem agarrar, e não gostava nada da ideia de estar ali sozinha. Começou a respirar fundo para se acalmar e, ao longe, começou a ver a luz de uma lanterna. Ia rodeando as campas à medida que a luz ia passando e sentiu-se triunfosa quando Lydia deu a curva no mausoléu sem reparar em si. Num outro olhar pelo cemitério reparou que Rex se escondia a quatro campas de si, e fez-lhe um sinal para que fizesse pouco barulho e para se aproximar dela com cuidado.

- O que achas? Vamos pregar-lhe um susto de morte? – Perguntou-lhe, a rir-se.

- Vamos!

Puseram-se a andar lado a lado e ambos se arrepiaram quando ouviram o vento a assobiar por entre os ramos desnudos das árvores que, supostamente, deviam atenuar o aspecto sombrio daquele local. Iam a contornar o mausoléu quando viram uma sombra parada à frente de ambos, estagnando por completo. Engoliram os dois em seco, cheios de medo, e então o homem saiu do escuro e olhou-os com um ar bastante chateado. Era magrinho e alto, e envergava uma roupa de contínuo em tons verdes, tendo na mão um ancinho. Parecia mesmo a figura da morte, mas era apenas o guarda do cemitério. Os dois amigos respiraram de alívio, do susto não se tinham livrado mas ao menos não era nenhum assassino fugido de uma prisão à procura de vingança num sítio remoto como ambos tinham pensado por poucos segundos.

- O que é que estão a fazer aqui outra vez? – Perguntou rezingão – Há mais de vocês?

- Que susto – queixou-se Stacey, tentando recompor-se – Pedimos desculpa, nós não…

- Ai menina, farto de ouvir desculpas de adolescentes que vêm brincar para o cemitério estou eu. Vieram sozinhos, ou está por aqui mais alguém?

- Temos mais três amigos – disse Rex –, mas não sabemos onde estão, estávamos a jogar às escondidas.

- Então é melhor encontrámo-los – murmurou o homem, ainda com um ar demasiado direito e suspeito.

Assim que proferiu aquilo um grito ecoou por todo o cemitério. De tão alto que foi, os corvos levantaram voo e começaram a fugir para longe. Tinha sido potente o suficiente para acordar os mortos mas esses, porém, permaneceram quietos e inanimados nas campas.

Stacey e Rex entreolharam-se alarmados. Eles conheciam o grito.

- Lydia – murmurou a rapariga, antes de ambos começarem a correr na direcção de onde o grito tinha vindo. O guarda, também alarmado, começou a correr a coxear atrás deles.

Chegaram perto da estátua que estabelecia o centro do cemitério, um grande anjo de mármore com as mãos juntas como se rezasse, e viram a amiga a vários metros sentada no chão a chorar. Correram até ela e baixaram-se.

- Lydia, estás bem? – Perguntou Rex.

- O que se passou? – Quis Stacey saber.

Lydia, com as lágrimas a escorrerem-lhe pelas bochechas, levantou o braço e, a tremer, apontou para a estátua. Os dois amigos seguiram-lhe o gesto com o olhar, tal como o guarda que já os tinha alcançado, e mais um grito horrorizado soou ao mesmo tempo que Stacey deixou cair a sua lanterna.

- Adrien! – Stacey impulsionou-se para a frente depois de ter gritado e Rex reagiu e agarrou-a para que não se aproximasse do corpo. Mais um raio rasgou o céu e iluminou a noite, iluminando o corpo inanimado que jazia ao lado da estátua numa poça de sangue. Os seus caracóis cor de bronze estavam despenteados como sempre, mas os seus olhos não irradiavam qualquer tipo de brilho; no peito tinha um punhal cravado, apenas por capricho, pois tinha também a garganta cortada, por onde tinha saído a maior parte do sangue.

Stacey debateu-se a chorar e a berrar nos braços do amigo enquanto o guarda se benzeu. Saído de detrás de uns arbustos apareceu Oliver, com um ar preocupado que, após presenciar aquela cena, ficou mudo e se deixou cair também no chão.

- Shh – dizia Rex para Stacey, após terem também os dois caído e enquanto a abraçava com força – Vai ficar tudo bem.

- Ele está… está… morto – disse ela, tanto horrorizada como destroçada.

Fez-se um silêncio de morte naquele cemitério até que o guarda esforçou a visão pela escuridão da noite e notou num pequeno detalhe.

- O que é aquilo? – Perguntou, aproximando-se do corpo com alguma aversão. Todos olharam para ele e, ao vê-lo a baixar-se para lhe tocar, Stacey sentiu uma raiva enorme.

- Não lhe toque! – Gritou, levantando-se e dirigindo-se depressa a ele, sendo depois surpreendida pelo mesmo pormenor que chamara à atenção do guarda – O que…?

Aquele punhal espetado no peito de Adrien não se tratava de um mero capricho. Era o que prendia uma folha de papel ao corpo. Rex, que os seguira, apontou para lá a luz da sua lanterna.

- “Isto é apenas o começo, nunca vou parar até seres minha” – leu, engolindo em seco. Stacey olhou para ele alarmada e cheia de medo, ainda com a cara lavada em lágrimas.

- Vamos chamar a polícia – disse.

 

Estava a pensar pôr um capítulo por semana até porque ainda tenho pouquinhos, o que acham?

O que acharam deste primeiro capítulo?

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5 comentários

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De francis marie a 19.02.2014 às 16:16

Uma morte no primeiro capitulo, wow!
Adorei! E estou super curiosa para saber quem é esse louco!!!
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De Yria Rivers a 19.02.2014 às 20:04

epa é que me irrita estar sempre a adormecer! ontem adormeci sentada com a testa colada à secretária, achas normal?
omg ja postaste ^^ vou ler
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De Yria Rivers a 19.02.2014 às 20:10

omg coitadinho, ainda por cima tinha caracolinhos ^^ tão fofo
coitado.. fiquei mesmo com pena
quero maiiis, e sim, fazes bem e postar uma vez por semana
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De ♥ Annie ♥ a 24.02.2014 às 17:36

Oiii! Desculpa só ter lido agora, mas começei a aproveitar as aulas de MACS, em que nao faço nada, para ler capitulos.. e so li este hoje.
Mas adorei a nova historia!


Este ano, na aldeia do meu avo, os meus amigos tiveram a brilhante ideia de ir passear ao cemiterio numa noite, e depois disso começamos a ir mais vezes. Para meu desagrado, porque eu odeio completamente essas coisas. Morro de medo!
Depois de me habituar ja começava a custar menos... Tambem jogavam lá as escondidas (eu não) e sinceramente estava sempre cheia de medo de alguma coisa como esta fosse acontecer..
E o pior é que, ja depois de me ter ido embora la da aldeia, eles voltaram a ir ao cemiterio uma noite, e um dos meus amigos lembrou-se de lhes pregar uma partida: vestiu-se todo de preto, disse que se ia embora e do nada apareceu-lhes a frente com uma sachola para os cagar de medo. Pelo que me contaram foi horrivel. Ficaram mesmo todos cheios de medo. E dei graças por ja nao la estar quando ele se lembrou de fazer isso, porque acho que morria mesmo de medo..

Okkeyy, entao, depois desta historiazita (:p) queria dizer que gostei deste capitulo, e fiquei cheia de pena dela. Coitadinha :cc e dele tambem ne..
Fiquei mesmo curiosa para saber quem é esse maniaco
"Fez-se um silêncio de morte naquele cemitério" acho esta frase deveras ironia..
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De Maria a 27.02.2014 às 20:42

Uau! Estou a gostar

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