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DDO: Ceptro da Pureza

por Andrusca ღ, em 20.01.14

Capítulo 5

Uma Mensagem aos Demónios * Parte 2

 

Richard, tal como ela, começou a prestar atenção ao que era transmitido. No lado esquerdo do ecrã estava uma jornalista a falar, e no direito um vídeo do que parecia ser uma rapariga a contorcer-se toda para se livrar das mãos dos polícias que a agarravam, a chorar e a gritar.

- “Passavam pouco das oito horas de hoje quando algo bizarro aconteceu nesta vizinhança. Os vizinhos da Clara ouviram barulhos estranhos vindos da casa e, quando foram ver o que se passava, dizem terem sido atacados pela própria rapariga” – dizia a jornalista – “Segundo o que muitos afirmam, Clara começou depois a fugir e foi vista a agredir mais três pessoas, incluindo uma criança de seis anos. O mais estranho é que, duas horas depois de ter fugido a sua própria casa, foi encontrada num beco a chorar e a lamuriar-se de que não tinha culpa do que tinha feito, enquanto culpava seres do outro mundo, afirmando-se possuída”.

- Chels…

- Shh, deixa ouvir – Chelsea mandou o irmão calar-se.

- “Foi levada pelos polícias e, enquanto chegava ao carro de patrulha, começou a atacá-los, formando incríveis golpes de luta tal como as nossas câmeras captaram e podem ser vistos agora mesmo, em transmissão” – Chelsea captou a sua atenção na parte direita do ecrã, onde imagens dessa luta passavam. Realmente não era algo simples, Clara saltava por cima do carro, derrubava todos os cinco polícias, e esgueirava-se dos ataques como se não tivesse quaisquer ossos no corpo – “Além do comportamento estranho, Clara estava também vestida de um modo pouco usual para sair à rua. Envergava uma camisa de noite, branca, e andava descalça. Após agredir os polícias, diz ter caído em si, ou, nas suas palavras, “o demónio deixou-me por breves momentos”, e afirmou estar arrependida mas que a culpa não era sua. Foi então levada para o Hospital de Diamond City, para lhe serem feitos os respectivos exames”.

Chelsea baixou o som da televisão e voltou-se para Richard, com cara de caso.

- Tu não acreditas mesmo que ela… Chels, por amor de Deus – disse-lhe ele.

- Porque não? – Retorquiu a mais nova dos Burke – Pareceu-me bastante credível, não te pareceu?

- Mesmo que esteja possuída, como é que pensas tirar o demónio de dentro dela? Duvido que ele saia de livre vontade, e que saiba não conheces nenhum exorcista, ou conheces? – Chelsea revirou os olhos e levantou-se do sofá, dirigindo-se às escadas – Onde é que vais?

- Fazer alguma coisa! – Gritou ela, num tom de sussurro para que os pais, que estavam na cozinha, não ouvissem – Se ela estiver mesmo possuída, precisa da minha ajuda.

Já no quarto, Chelsea telefonou a Will e este disse-lhe que também tinha visto a mesmo notícia, porém informou-lhe algo que ela não gostou nada de ouvir: que não havia maneira de salvar aquela rapariga. Disse-lhe que apenas um demónio podia escolher sair do corpo em que se escondia, e que, até que essa altura chegasse, não havia nada que Chelsea, nem ninguém, pudesse fazer. A única saída era a morte. Mas Chelsea recusou-se a acreditar nisso. Não podia ser, ela não ia matar uma inocente.

Mesmo sem saber o que podia fazer, Chelsea vestiu o fato de treino e saiu pela janela, começando a andar de um modo apressado pelas ruas. Não tardou a chegar ao hospital, e assim que o fez entrou de uma maneira discreta. Primeiro viu onde se encontravam os médicos e enfermeiros, e só depois rumou à parte do hospital que se destinava aos quartos.

Ouviu barulho de passos a virem na sua direcção, e por isso entrou no primeiro quarto que conseguiu, fechando a porta. Por azar, esta foi logo aberta e Chelsea ficou entre ela e a parede, a rezar para que não a apanhassem ali escondida. Viu a rapariga da televisão, Clara, ser passada da maca para a cama, e algemada às grades por um polícia, enquanto os médicos a punham mais confortável com almofadas e a ligavam às máquinas.

- Deixem-me! – Gritava ela – Não posso ficar no hospital, vou magoar alguém!

- Estás doente, precisas de ajuda – disse uma enfermeira.

- Há um demónio dentro de mim! Não sai, e vai magoar alguém! Por favor, deixem-me ir! – Insistia Clara.

Mas ninguém lhe deu importância. Depois de fazerem tudo o que tinham a fazer, todos saíram, fechando a porta. Chelsea respirou fundo, ao mesmo tempo que Clara arregalava os olhos de a ver ali. Não a esperava, havia uma estranha no seu quarto e isso metia-lhe medo.

- Quem és tu? – Perguntou-lhe Clara, prestes a premir o botão que estava situado ao lado da cama, para chamar algum dos enfermeiros.

- Não primas esse botão! – Chelsea precipitou-se para a cama mas parou logo, ao ver que estava a assustar a rapariga – Eu acredito em ti. Quero ajudar. Mas se chamares alguém, não consigo fazer isso. Confia em mim, Clara.

Clara, ainda desconfiada, largou o botão e respirou bem fundo, e Chelsea viu que a máquina dos batimentos cardíacos já não os mostrava tão acelerados.

- Quem és tu? – Voltou a rapariga a perguntar.

- Não interessa – disse Chelsea, agora aproximando-se com calma e agarrando-lhe na mão.

- Não! – Clara tentou tirar a mão da de Chelsea, mas a algema não a deixou – Larga-me… ele vai voltar, e depois vai-te magoar. Magoou os meus vizinhos… e aquele polícia… porque é que acreditas em mim?

Chelsea engoliu em seco. Puxou uma cadeira e sentou-se ao lado da cama, voltando a agarrar na mão de Clara.

- Porque vejo muitas coisas destas – respondeu-lhe – Quando é que começou?

- Há poucas semanas… mas não era tão grave, quase que podia controlar. Mas agora… já não é o meu corpo. Eu sinto-o em mim, sinto quando vai tomar o controlo… oh não… ele está a vir… ele…

Chelsea apertou-lhe mais a mão e forçou-a a olhar para si.

- Respira devagar – disse-lhe – Não o deixes tomar o controlo. Se não te puder controlar, ele sai, Clara. Não o deixes controlar o teu corpo… não…

Uma gargalhada rouca e sonora saiu da boca de Clara, e Chelsea suspirou. Ela tinha-o deixado.

- Não o deixes, não o deixes – gozava agora Clara, no domínio do demónio.

- Deixa-a em paz – Mandou Chelsea, com uma voz séria. De novo, o corpo de Clara produziu uma longa gargalhada – Pára de rir!

- A única maneira de me fazeres sair deste corpo… é se a matares – disse o demónio, remexendo-se para se soltar as algemas – Mata-a! Vá lá ruivinha! Mata-me.

- Não! – Chelsea deu uma chapada na cara de Clara, e esta ficou a respirar pesadamente enquanto olhava para baixo – Eu não te vou matar. Clara, ouve-me, és mais forte que ele.

- Não sou… - choramingou ela, agora voltando a si. Porém soluçou e, quando voltou a olhar para Chelsea, já tinha de novo aquele ar maléfico na sua expressão – És patética! Quem te julgas ser?!

- Clara, ignora-o – continuou Chelsea, apertando-lhe ainda mais a mão, apesar desta se tentar soltar – Não sabes a força que tens, até seres obrigada a usá-la. Podes ficar exausta, podes desmaiar, o teu coração pode não aguentar tanto esforço… mas se ele ficar dentro de ti, morrerás de certeza.

- Continua a falar – gozou o demónio – Não passas de uma miúda qualquer.

Chelsea abanou a cabeça. Era escusado. Clara não tinha a força suficiente, não o conseguia expulsar de dentro de si, e Chelsea recusava-se a aceitar que o único modo seria matá-la. Esse fim era inaceitável. “Pensa, Chelsea”, exigiu-se, ao mesmo tempo que se sentia frustrada.

- Não – falou Chelsea, largando a mão da rapariga e pondo-se de pé – Tu é que não passas de um mísero demónio. Um entre muitos. Nem sequer consegues enfrentar uma miúda qualquer, como eu, sem usares as forças de uma rapariga inocente. Fraco. Um ninguém a esconder-se no corpo de outra pessoa.

- Não sou um ninguém! – Gritou-lhe, furioso.

- Não? Prova-me.

- Saio deste corpo, para me poderes apanhar? Não sou tão estúpido.

Chelsea encolheu os ombros.

- Eu sabia. És um fraco, e medricas. Até medo de enfrentares uma rapariga vulgar tens. És uma vergonha para todos os demónios. Pergunto-me o que eles diriam se te vissem – o plano de Chelsea estava a resultar. A expressão de Clara estava cada vez mais enervada, e era mesmo assim que o demónio se sentia. Talvez Clara não o conseguisse expulsar, talvez ele não quisesse sair, mas talvez Chelsea o conseguisse convencer – Do que é que tens medo? E pensa bem, o meu corpo não ia aguentar mais que o dela? É quase anoréctica. Certamente que não tem muita energia. Mas claro, isso só aconteceria se me vencesses, e vamos encarar os factos, não me conseguias vencer em nada nem que tivesse metade do tamanho que tenho.

- Idiota! – Gritou Clara, estremecendo por todos os lados. Chelsea engoliu em seco. Não faltava quase tempo nenhum. Ela ia conseguir – Tu é que as pediste!

A boca de Clara abriu-se e de lá saiu uma enorme nuvem de fumo escuro, que, à frente de Chelsea, formou uma forma que, distorcida, equivalia à de um homem. O corpo de Clara relaxou, e esta caiu de encontra ao colchão, desmaiada. Chelsea sorriu no preciso momento em que a nuvem negra se posicionou à sua frente, entre a cama e a porta.

- Eu não sou uma miúda qualquer – disse ela – Sou a Defensora do Oculto, seu idiota.

“Destrói-o Pingente, peço-te”, pensou ela, respirando fundo. E como se apenas de um se tratassem, o Pingente Mágico fez-lhe a vontade e irradiou uma pequena luz arroxeada que, aos poucos, fez com que o fumo se dizimasse entre o que pareciam ser murmúrios destorcidos de um demónio sem corpo. A ruiva sorriu, radiante. “Sabia que não a tinha que matar”, gloriou-se.

Pressionou o botão para chamar as enfermeiras e saiu do quarto, em direcção à saída do hospital. Não tardou a voltar às ruas de Diamond City e, enquanto caminhava para casa, pensava no que tinha acontecido ultimamente. Os demónios andavam completamente fora de controlo. Antes ainda se tentavam esconder, tinham cuidado, mas agora até para a frente das câmaras de televisão se iam exibir. Não podiam continuar assim. Perderam o medo pela Defensora ter parado de aparecer, mas agora a história tinha voltado a mudar. Chelsea tinha que arranjar uma maneira lhes mostrar que a Defensora estava de volta.

- Tenho que lhes mandar uma mensagem… - murmurou ela, suspirando. Mas como? Teria que ser uma coisa que não passasse despercebida. Algo que dificilmente fosse ignorado. Algo marcante, que, mesmo que não fosse visto no momento, tinha que voltar a ser mencionado e repetido até toda a gente estar informada. Algo memorável – Já sei! – Exclamou ela, olhando o céu.

Dirigiu-se a um beco e deixou que o pingente lhe mudasse as roupas e alisasse o cabelo, apressando-se depois a subir para cima do prédio mais alto que encontrou. “Espero que isto resulte”, pensou para si. Respirou bem fundo e, com gestos de mãos e bastante concentração, começou a fazer com que as poucas nuvens que existiam no céu formassem palavras. Nada de complicado. Três palavras. Dezanove letras. “A Defensora Regressou”. Quando acabou a sua escrita, Chelsea observou o seu feito. Escrever com nuvens. Certamente não iria ser facilmente ignorado.

- Espero que eles recebam a mensagem – murmurou, dirigindo depois a atenção à cidade. 

 

Amanhã vou postar um capítulo da Armadura do Coração, okay? (:

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7 comentários

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De Bruna a 20.01.2014 às 19:38

Cada vez adoro mais ler esta magnifica história:)
aqui estarei à espera de mais.
Beijinho*.*
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De ♥ Annie ♥ a 20.01.2014 às 20:59

huu a Chels já está a ficar bastante inteligente u.u ahah jk.
Adorei a mensagem nas nuvens. Lá está, inteligente!
Amanha não vou puder vir ler, mas na quarta cá encontrarás um comentário todo fofo meu :3


Consegui dormir uma horinha á tarde (milagre), agora veremos o meu humor amanha..
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De Yria Rivers a 22.01.2014 às 17:56

Bah, eu queria ler esta história desde o sítio onde parei, mas já são tantos capítulos que com testes e tudo não dá para nada -.-

btw, sou a cate daqui : http://blogs.sapo.pt/userinfo.bml?user=eraseyouitsfunny decidi mudar-me para tentar fazer uma história até ao fim x)

sabes dizer-me se vais começar mais alguma história? Quando uma destas acabarem?
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De Andrusca ღ a 22.01.2014 às 18:00

Oii
Pois eu percebo, é complicado.
Eu queria, mas sinceramente não sei se consigo por causa da falta de tempo... as ideias estão cá, está é complicado passá-las para o pc
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De Yria Rivers a 28.01.2014 às 21:09

Eu compreendo-te
eu por exemplo começo uma história e não a acabo por isso é que agora me mudei e assim só vou postar quando acabar a história, tipo novo começo
mas espero que arranjes tempo porque eu adoro mesmo a forma como escreves
beijinhos
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De Maria a 09.02.2014 às 17:01

Guess who\'s back? Back again
E esse demonio? morreu mesmo? assim tao facilmente? hmmm
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De Maria a 09.02.2014 às 17:13

Foi o lado obscuro da Chels, que matou o Tony, não?
A Chelsea esta cada vez mais experiente

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