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DDO: O Ceptro da Pureza

por Andrusca ღ, em 29.10.13

Capítulo 4

Consegues-te Lembrar? * Parte 1

 

Chelsea tinha saído da casa de Helen já quase à hora do jantar. Pela primeira vez em dois meses, sentia-se aliviada. Quase feliz, arriscava a pensar. Afinal Helen não a tinha ficado a odiar. Afinal tinha ficado interessada em toda a história da Defensora e ainda lhe disse que a admirava. Afinal não a culpava de nada.

A ruiva caminhava lentamente pelas ruas já escurecidas da cidade quando, ao longe, viu duas silhuetas já suas conhecidas.

- Rich! PJ! – Chamou ela, fazendo com que os dois rapazes se voltassem para si. Correu até eles e, enquanto o fazia, perguntava-se se Jensen já teria contado toda a verdade a PJ.

- Por aqui ainda? – Perguntou Richard, quando ela chegou ao pé deles. Ela apenas assentiu antes de olhar para PJ e de ter tempo de se desviar do murro que o amigo lhe ia dar, para sua surpresa. Ficou chocada a olhar para ele, para que é que tinha sido aquilo?

- C’um caraças! Ela é mesmo a Defensora! – Exclamou PJ, com os dois amigos especados a olhar para ele – Quer dizer, se não fosse não se desviava, certo? Oh meu Deus, eu quase dei um murro à Chelsea… Chelsea eu…

- Não há problema – murmurou a rapariga, aparentemente calma, mas ainda desconfiada – Vejo que o Jensen já falou contigo. Sabes, podias-me apenas ter perguntado… não precisavas de me ter tentado atacar…

Richard abanou a cabeça e Chelsea encolheu os ombros, enquanto PJ olhava para ela, admiradíssimo.

- Anda lá meu, hoje jantas lá em casa. Se vais assim tão atarantado para casa ainda és atropelado – disse Richard, puxando-o.

- A tua irmã é a Defensora do Oculto… - murmurava PJ, ao longo do caminho.

- Eu sei – dizia Richard – É mesmo. Vamos lá.

Andaram os três durante vários metros, até que Chelsea parou subitamente. Era a primeira vez que tinha aquela sensação desde há meses atrás. Depois de ter deixado o pingente com os Guardiães, nunca mais a tinha sentido, e desde que o tinha com ela, de novo, ainda não tinha sentido nenhum demónio. Mas agora sentia, a sensação era demasiado única para ser confundida com qualquer outra.

- O que foi Chels? – Perguntou-lhe o irmão, quando a viu parar.

Ela olhou para os lados com um ar observador, mas não notou nada fora do normal.

- Eu sinto um – anunciou.

- Um quê? – A boca de PJ abriu-se de espanto ao perceber a resposta à sua própria pergunta – Tu sentes um demónio? Consegues senti-los? Que fixe!

Chelsea revirou os olhos e aquela sensação voltou a percorrer-lhe o corpo. Não a conseguiria ignorar mesmo que tentasse com todas as suas forças.

- Vão para casa – mandou a ruiva –, eu vou procurá-lo.

- Sozinha? – Richard não gostava dessa ideia, sabia que ela já não treinava há bastante tempo, e tinha medo que se magoasse. Mesmo quando estava habituada, ele ficava sempre mais descansado quando sabia que Jensen ou Will iam com ela. E depois tinha medo que, ao ver um demónio, Chelsea fosse paralisar ao lembrar-se de Tony.

A rapariga, porém, sorriu-lhe calmamente e deu-lhe um beijo na bochecha, gesto que repetiu em PJ.

- Eu fico bem – assegurou, baixinho, voltando-se de costas e começando a correr. “Onde é que estás tu agora?”, pensava ela.

Não sabia para onde se dirigia, mas era como se fosse guiada por uma força invisível qualquer que a direccionava ao demónio. Como se a sua sensação de mau estar diminuísse à medida que se aproximava.

Fez uma pequena curva e viu três homens altos e robustos, voltados de costas. Todos envergavam casacos compridos, castanhos-escuros, e velhos. Os cabelos eram curtos, e, vistos de costas, pareciam perfeitas cópias uns dos outros.

Chelsea tentou ver quem se encontrava escondido por eles, mas como eram bastante grandes, era-lhe impossível.

- Posso-vos ajudar? – Perguntou-lhes, para os fazer dirigirem-lhe atenção – Precisam de ajuda para sair daqui?

Um deles rangeu. Agora, de frente, eram também iguais. Os traços do rosto, o nariz grande e os olhos pequenos e para dentro… eram como gémeos.

- Sai daqui rapariga – mandou ele, com maus modos.

- Não! – Disse outro – Deixa-a ficar. Uma é bom, duas é melhor…

 Quando um deles deu alguns passos na sua direcção, a ruiva finalmente conseguiu ver quem se encontrava escondido por trás daqueles gigantes. Até sentiu uma dor momentânea no coração. Cassandra estava sentada no chão, com o medo espelhado nos olhos parcialmente cobertos pelo seu cabelo, agora, pintado de loiro com reflexos a azul-escuro.

- Cassie… - murmurou ela.

- Tu és a Chelsea, não és? – Perguntou a rapariga dos dois piercings no lábio inferior.

Chelsea assentiu com a cabeça e depois voltou a dar a sua atenção aos brutamontes à sua frente. Eles, parecendo que se tinham esquecido de Cassie, formavam agora uma roda à volta da ruiva.

- O que é que planeavam fazer com ela? – Perguntou ela.

- Matar… torturar… não te preocupes, vai ser igual para ti – respondeu um deles.

Chelsea cerrou os punhos. Não estava transformada, mas estava no meio da rua, logo não o podia fazer. Alguém podia ver. Mas isso não a impedia de dar dois murros em cada demónio, se fosse preciso.

- Chelsea! – Ouviu, por trás de si. “Idiotas!”, pensou logo. Os demónios pararam de lhe dar atenção para se concentrarem em Richard e PJ, que tinha gritado, que estavam a poucos metros atrás. A ruiva aproveitou essa distracção momentânea e abriu caminho até Cassie, ajudando-a a levantar-se.

- Foge – disse-lhe, porém um dos demónios pôs-se à frente das duas enquanto os outros dois iam ter com o irmão e o amigo da rapariga dos caracóis ruivos.

Chelsea não esperou muito, deu um par de pontapés ao demónio, mandando-o depois para trás de si, contra a parede de um prédio, e apressou-se a fazer o mesmo aos outros dois. Mas os medos de Richard confirmavam-se, os reflexos da Defensora do Oculto estavam mais lentos, ela estava menos experiente.

- Vamos! – Afirmou Richard, puxando os amigos até uma casa abandonada, do outro lado da rua, onde entraram e fecharam a porta mesmo a tempo de impedir os demónios de os seguirem.

- Como é que fizeste isso?! – Perguntou Cassie, para Chelsea. A ruiva pressionou os lábios. Não sabia se lhe devia contar tudo, ou se era melhor esperar que Oyuan lhe devolvesse a memória. Fosse como fosse, a prioridade seria mantê-la a salvo.

Decidiu apenas abanar a cabeça e começar a pôr velhos pedaços de madeira e móveis destruídos a barricar a porta, para prevenir. PJ e Richard ajudaram-na, e depois fizeram o mesmo com as janelas.

- Estás magoada – observou PJ, apontando para a boca de Chelsea, aonde ela levou a mão e constatou que lhe doía.

- Acertaram-me – murmurou, entre dentes, sem dar muita importância ao assunto – Mas o que é que se passa com vocês?! Eu disse-vos para irem para casa!

Richard e PJ entreolharam-se, e encolheram os ombros ao mesmo tempo que faziam uma expressão algo cómica. Uma batida com força na porta fez Cassie pular.

- O que é que se passa aqui? – Perguntou ela, visivelmente assustada.

- São demónios – Richard recebeu um olhar reprovador pela irmã, mas não retrocedeu – Ela tem o direito a saber! Se já o entendeu no passado, vai entender agora.

- O quê? – Insistiu a rapariga dos piercings. Mais uma batida na porta. Se continuassem assim, a madeira não iria aguentar.

- Não te lembras mas…

- Basta! – Gritou Chelsea – Vamos para o andar de cima, temos que fazer alguma coisa – Nesse preciso momento a porta partiu e atrás dela apareceram dois dos demónios, com caras chateadas – Vão! Corram!

Enquanto os outros três começaram a subir pelas escadas de madeira já velha e cheia de pó e teias de aranha, Chelsea lutou com os dois demónios e conseguiu agarrar em dois pedaços de madeira, perfurando-os ao mesmo tempo. Por segundos pensou tê-los vencido, tinha-lhes acertado exactamente no coração, porém depressa percebeu que estava enganada. Os demónios retiraram os pedaços de madeira e cada um deles se transformou em dois. Tinha agora quatro demónios iguais à sua frente. A ruiva engoliu em seco, precisava de tempo para pensar. Usou o poder de telicnese para os mandar contra uma parede e correu também pelas escadas, entrando pela primeira porta que encontrou, fechando-a. Quando se voltou para dentro do quarto, saltou ao ver Cassie, que também se assustou. A rapariga dos piercings ia falar, mas Chelsea tapou-lhe a boca para que não fizesse barulho. Ouviram-se passos lá fora, mas aos poucos foram-se dissipando e, então, Chelsea destapou a boca à amiga.

- O que é que se passa aqui?! – Perguntou ela, já algo chateada – Percebi que aquelas coisas não são normais, e percebi que tu não és normal porque claramente não estás chocada com isto, por isso… diz-me o que se está a passar!

- Não posso. Lamento – murmurou Chelsea, engolindo em seco. Ela sabia que se lhe dissesse toda a informação de uma vez, seria demasiado, mas não se via com mais saída nenhuma. Queria esperar por Oyuan, mas o tempo estava-se a esgotar.

- Diz-me – insistiu Cassie.

Chelsea abanou a cabeça e contornou a cama, já sem ter sequer um colchão, e aproximou-se da janela, espreitando pelo lado. Um dos demónios estava à porta da casa, sozinho.

- Preciso de pensar. Não sei como os destruir. O Will… - ela levou a mão ao bolso e de lá retirou o telemóvel, onde marcou rapidamente o número do aprendiz de Guardião. Tocou apenas três vezes até ele atender – Will! Preciso da tua ajuda. Estou presa naquela casa velha perto do parque das crianças. Há demónios aqui.

- “Que demónios? Estás magoada?” – Perguntou ele.

- Não, estou bem. Não sei… atingi dois, devia tê-los morto, mas em vez disso dupliquei-os. O PJ e o Richard estão por aqui algures e neste momento estou com a Cassie, mas tenho que os encontrar Will. Quem são estes demónios? Que faço?

- “Acho que são Espelhos. São ilusões”.

- Não batem como ilusões.

- “Um reflexo do verdadeiro demónio. Se matares o verdadeiro, os outros desaparecem também”.

- Como é que devo saber qual é o verdadeiro?!

- “Precisas de sentir. Como Defensora do Oculto, deves conseguir sentir a diferença”.

- Certo…

- “Vou dizer ao Jensen. Vamos já para aí”.

- Despacha-te.

Chelsea desligou e voltou-se de novo para Cassie, suspirando.

- Temos que sair daqui – afirmou, indo até ela e puxando-a para ao pé da porta. Abriu-a um pouco e espreitou devagarinho, para constatar que podiam avançar.

- Não vou a lado nenhum até me explicares o que se passa! – Afirmou Cassie, firme.

Chelsea suspirou pesadamente. Ela reconheceu aquele olhar. Aquela teimosia que nunca desaparecia. Sabia que uma discussão com Cassie seria inútil, a amiga era mais teimosa do que qualquer outra pessoa que conhecesse.

- Conto-te pelo caminho – cedeu, puxando-a – Anda sem fazer barulho – Começaram a andar devagar, com Cassie sempre atrás de Chelsea – Eu sou a Defensora do Oculto, e nós éramos amigas. Não te consegues lembrar disso por causa dos Guardiães, mas prometo que assim que sairmos daqui te explico tudo. Só preciso que tenhas paciência. Agora temos que encontrar o meu irmão e o PJ.

Cassie parou de andar, e Chelsea imitou-a. Via confusão nos seus olhos, e sentiu-a mais tensa, porém nada disse. A rapariga dos piercings assentiu com a cabeça e continuaram a andar pelo corredor junto às escadas, em silêncio. A explicação era uma loucura, mas ela, estranhamente, não tinha grandes problemas em aceitá-la. Sempre sentiu um grande carinho pela Defensora do Oculto, e nunca conseguiu perceber porquê. Talvez o facto de terem sido amigas fosse a explicação.

- Chelsea! – Gritou ela, quando um dos demónios saltou do tecto e caiu no meio delas, sendo de imediato mandando contra o corrimão das escadas, partindo-o e caindo lá para baixo, por um pontapé de Chelsea – Obrigada.

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3 comentários

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De ♥ Annie ♥ a 03.11.2013 às 18:45

AIIIIIII ELA CONTOU Á CASSIE!!! Que alegria, espero que voltem a ser amigas, e a Hellen também :)
OMG AHAHAH O Pj ia dar-lhe um murro AHAHAHAH Ai a serio adorei essa parte. Ele mesmo tolo com ela ser a Defensora.
Aiiii os demonios multiplicam-seee. Espero que o Will e o Jensen chegem depressa para ajudar :)

Como sempre adorei querida <3
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De Maria a 09.02.2014 às 16:20

Cassieeee, já não era sem tempo
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De Andrusca ღ a 09.02.2014 às 16:21

Demorou mas foi xd

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