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DDO: O Ceptro da Pureza

por Andrusca ღ, em 24.09.13

Bem parece que isto estagnou de vez... para quem ainda se dá ao trabalho de comentar, obrigada, são poucos mas significam muito (':

 

"à medida que Faith falava, a sua versão mais nova discutia com a mãe, mas era como se a acção se passasse à parte. Chelsea apenas as via, não as conseguia ouvir – Lembro-me de sair pelas traseiras… - nisto, a Faith adolescente saiu e as duas raparigas seguiram-na, vendo-a parada no meio de uma rua escura com um homem à frente – Consegues reconhecê-lo? É…"


Capítulo 2

As Origens * Parte 2


- É o Kayor, o Príncipe da Escuridão mais velho – respondeu Chelsea, chocada. Ela lembrava-se bem dele, quase a matou e a Jensen, mas, no fim, ela conseguiu acabar com ele.

Faith assentiu.

- Abordou-me nessa noite e fez-me a proposta que sabia que nunca recusaria. Comprometeu-se a dar-me o poder que desejasse, e em troca eu teria que sair desta cidade. Parecia perfeito, os meus desejos tornados realidade. Nem sequer pensei duas vezes, nem sequer quis saber o porquê de ele não me querer lá – Faith parou e ficaram as duas a observar a acção que se passava entre o Príncipe da Escuridão e o passado da antiga Defensora do Oculto. À frente de Kayor uma luz negra começou a surgir, e dessa mesma luz uma lágrima foi criada, sendo ampliada e solidificada. E a Faith mais nova apenas a agarrou – Esse foi o primeiro momento em que na verdade me senti poderosa. Mas era uma ilusão.

Chelsea abriu a boca de espanto. O colar que a jovem Faith agarrava agora nas suas mãos era igual ao Pingente Mágico, porém completamente negro.

- O que aconteceu depois? – Quis saber.

- Viajei por meses. Até que comecei a ter saudades… sentia saudades do riso do meu irmão, até da minha mãe a chatear-se comigo… decidi regressar. E quando o fiz, encontrei a cidade inteira reduzida a cinzas – De novo a paisagem mudou, e Chelsea foi exposta a uma das mais horríveis vistas a que alguém pode ser exposto. Corpos carbonizados, casas a desmoronarem-se, queimadas, corrompidas pelo mal. Ela viu a versão mais nova de Faith correr para dentro de uma casa e momentos depois voltar, reduzida a lágrimas – Corri para casa, a minha mãe… o meu irmão… eles estavam lá. Estavam abraçados, sabias? Havia marcas de chamas quase até ao tecto da casa, e eles estavam abraçados… morreram lá, porque eu fui demasiado egoísta e saí da cidade.

- Faith…

- Porquê?! – Chelsea assustou-se ao ouvir o som, visto que Faith não tinha falado, e por isso voltou-se para a adolescente que chorava no chão, ajoelhada, de mãos abertas ao céu – Porque é que fizeste isto?! Porquê?!

De súbito ele apareceu à sua frente. Kayor.

- Porque te preocupas? – Perguntou ele – Não gostavas desta cidade… sonhavas em fugir da tua mãe…

Chelsea engoliu em seco. Ouvir a sua voz de novo era estranho, mesmo que soubesse que não era real.

 - Naquela noite em que aceitei o pingente, com os poderes, não sabia que o Kayor tinha tirado algo de mim. O pingente estava a sugar as minhas forças, as minhas crenças, desejos e felicidades, e a alimentar as Trevas. E como era em mim, era em tantas outras pessoas. Eu era apenas um brinquedo – explicou Faith, engolindo em seco – Naquele momento percebi no que me tinha metido.

- Seu filho da mãe… - amaldiçoou a Faith mais nova, levantando-se – Eu vou-te matar!

Kayor riu e levou a sua mão ao peito da rapariga, para arrancar o pingente negro que lá repousava, mas algo que não esperava aconteceu. Ele repeliu-o. Criou uma luz roxa brilhantíssima e transformou-se também nessa cor, mandando Kayor ao chão. Ele fugiu, assustado, sem saber o que se passava.

- Porque é que o pingente não se deixou tirar? – Perguntou Chelsea.

- Os Guardiães dizem que foi por minha causa. Que foi aqui que comecei a ser a Defensora do Oculto – de novo o cenário mudou, e Chelsea e Faith retornaram àquele grande espaço entre árvores e arbustos. Ao bosque. – Dizem que os Deuses viram o meu arrependimento e decidiram que a partir de todo aquele mal, criariam o Pingente Mágico. Criariam algo bom. Andei por dias à deriva até o Oyuan me encontrar. Ele convenceu-me que por alguma razão os Deuses viram alguma coisa em mim e decidiram usar os meus poderes, nascidos do mal, para fazer o bem. Convenceu-me que a única maneira de me redimir para com a minha família era pôr um fim à Escuridão. Os Guardiães treinaram-me, criaram-me para me tornar na melhor guerreira que alguém poderia desejar. Suprimi os meus sentimentos como uma maneira de ser uma melhor defensora, para não sofrer. Ao princípio cacei demónios ao mesmo tempo que destruía cada um dos pingentes que a Escuridão tinha distribuído. Levei um ano inteiro, mas destruí-os a todos. Conheci os meus outros inimigos, lutei com eles… e então o Byron apareceu e…

- Fez-te sentir de novo – deduziu Chelsea. Faith assentiu.

- Em 1900 foi a derradeira batalha em Diamond City. Tinha estado um tempo sem memória, hospedada numa estalagem perto desta cidade… e então um dia o pingente voltou para mim. Tinha-o perdido numa batalha… bastou-me tocar-lhe para me lembrar de tudo. Parti nessa noite, e usei os meus poderes para ir ter com os Guardiães, que me informaram do que Xay estava a fazer aqui, em Diamond City. A sua grande sede de vingança por o Byron me ter escolhido a mim. Juntei-me com o Byron, e lutámos… pensei que tínhamos ganho, mas enganei-me. Morremos, e o pingente voltou para a Casa dos Guardiães. Já não pertencia ao mal, a sua casa era lá. Os Deuses tinham dado o poder aos Guardiães para que o tornassem num objecto do bem. E é por isso que se diz que eles criaram o Pingente Mágico. Porque hoje é único, e luta a favor deles

- Percebo…

- Mais tarde, depois de mais de cem anos de repouso, o pingente sentiu as forças que o criaram pela primeira vez a fortalecerem-se e acordou, para te encontrar a ti. A minha reencarnação. Chelsea, o que fizeste àquele demónio no parque… é uma das partes mais negras desse pingente. O mal não está extinto dele, ele dá-te o poder de fazeres qualquer coisa. Depende de ti como o usas.

Chelsea engoliu em seco e desviou o olhar para a relva. Ela já tinha percebido que algo não estava certo. A maneira como se tinha sentido não era de todo boa. Voltou a elevar o olhar e falou.

- Tenho medo Faith. Sempre tive, mas agora é pior… se voltar a ser a Defensora a minha vida nunca mais vai ser só minha, percebes? Vai sempre haver mais alguém a mandar nela. Os Guardiães vão sempre…

- Eles também costumavam fazer isso comigo – afirmou Faith, sorrindo levemente – Até que me chateei e os fiz parar. Um dia disse que já chegava. Virei-me para o Oyuan e disse “já chega, estou cansada de lutar para defender pessoas que nem conheço, quando não posso estar com quem amo”. Foi uma grande discussão, mas eu ganhei.

Faith aproximou-se de Chelsea e pousou-lhe a mão por cima do coração, mostrando-lhe um sorriso bondoso.

- O Pingente Mágico pode ter nascido da Escuridão, mas eu sei que dentro de ti há mais Luz que isso. Podes estar a passar por uma fase difícil, todos passam por essas fases, mas nunca podes desistir – Chelsea sorriu, fora exactamente o que Tony lhe dissera.

- Vou tentar – assegurou. Faith abanou a cabeça.

- Não. Vais conseguir. Faz as tuas próprias escolhas, segue os teus próprios caminhos. És a Defensora do Oculto, ninguém te devia dizer o que fazer.

 

Chelsea abriu os olhos repentinamente e viu três caras preocupadas a olhar para si, o que a fez assustar-se ligeiramente. Respirou fundo e levantou-se, sem saber bem o que dizer. Will olhava-a calmamente, Jensen também, mas Oyuan estava com um semblante pensativo de mais. Ela não queria ter que lidar com o Guardião naquele momento.

- Chelsea – cumprimentou ele, com um breve sorriso nos olhos.

Ela engoliu em seco. Há dois meses que não o via, e da última vez as coisas não tinham corrido muito bem.

- Oyuan – saudou também. Era evidente que a tensão estava no ar, e Jensen e Will eram os mais desconfortáveis.

- O Oyuan insistiu em vir falar contigo – justificou Will, até que Oyuan levantou a mão como um sinal que ele se calasse.

- Então, parece que a Defensora retornou… demorou bastante tempo – disse Oyuan, calmamente.

Chelsea engoliu em seco e respirou fundo. Agarrou no colar e tirou-o do pescoço, dando uns passos até chegar a Oyuan. Ela sabia que já não havia volta atrás. Ia estar presa àquele pingente até ao fim dos seus dias, por isso mais valia mostrar já a sua posição em tudo isto.

- Isto – Chelsea ergueu o colar com o pingente lá pendurado até ficar mesmo em frente à cara de Oyuan – é meu. – Oyuan não percebeu a afirmação da rapariga, mas ela não lhe deu tempo para perguntar – E isso não presta. Não pedi por este pingente. Não pedi por estes poderes. E nunca pedi nada em troca por fazer o trabalho sujo e arcar com o peso do mundo aos ombros. Fiz tudo o que me pediram. Destruí demónios, aniquilei Príncipes e combati Bruxas… e perdi o meu melhor amigo por isso – cada vez que pensava nisso dava-lhe um aperto no coração, mas não podia continuar a chorar. Não agora, pelo menos – Acreditei que ao não lhe contar nada o estava a proteger. Acreditei, porque foi isso que vocês, Guardiães, me disseram. O que tu me disseste. E agora ele morreu, inocente, sem noção do que se passava. Por isso não te permito que me digas quanto tempo posso ficar de luto.

Foi a vez de Oyuan ficar sério. Não esperava uma resposta tão directa vinda de Chelsea.

- Não foi o que quis dizer. És a Defensora do Oculto, sempre foste, sempre…

- Serei. Já percebi. Mas vamos esclarecer uma coisa: a minha vida é a minha vida, não a tua, não de qualquer outro Guardião. Minha. Aceito voltar a ser a Defensora do Oculto, mas não vou lutar para defender pessoas que nem conheço, quando não posso estar com quem amo – Oyuan olhou para ela muito admirado. Ele reconhecera a frase, por momentos julgou ter a própria Faith a falar com ele, o que o fez sorrir – Os meus amigos, as pessoas que amo, elas vêm em primeiro lugar. Sempre, entendido? Por isso vou contar tudo à Helen, e não me importo com o que vais dizer, não quero saber que grites ou reclames porque, no fim, é a minha escolha que conta. Não a vou deixar ignorante e desprotegida como deixei o Tony. Estamos esclarecidos? Vou contar à Helen, e vou contar ao PJ, e tu vais devolver a memória à Cassie e ao meu irmão porque desta vez vou fazer as coisas à minha maneira.

Ele ficou especado a olhar para ela. Falava de um modo determinado, forte. Diferente. Acabou por assentir com a cabeça, fazendo com que ela repetisse também o gesto.

- Tu – apontou para o loiro – vais-me ajudar a treinar. E tu – apontou para o namorado – também vais lutar contra mim. Estou em baixo de forma, vou precisar de treinar o mais que conseguir. Vamos apanhar todos os demónios que ousarem passar por aqui, e vamos encontrar quem matou o Tony.

 

 

A noite já estava cerrada e o vento tinha ficado mais forte com o passar das horas. Chelsea encontrava-se de pé, a encarar a campa de Tony. Envergava as mesmas calças de ganga e um casaco preto, que lhe ia até aos joelhos, com um cinto à cintura. Baixou-se e pousou uma rosa vermelha sobre a campa do amigo, e sorriu.

- Não vou parar de lutar – garantiu, correspondendo assim ao último pedido do seu eterno melhor amigo – Prometo, Tony.



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3 comentários

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De ♥ Annie ♥ a 26.09.2013 às 21:47

O Kayor foi, tal como a Faith disse, um filho da mãe!
Não gostei mesmo nada do que ele fez.
Acho a Faith uma querida, a serio, principalmente para a Chels, adoro :)
Ainda bem que apartir de aqui ela ira fazer as coisas a sua maneira. Concordo plenamente: ela a Defensora, não deviam por ordens em cima dela, ela é que está a salvar o mundo, ela é que esta a agir.
Quero mesmo que ela lhes conte, e que a Cassie se volte a lembrar, estou mesmo ansiosa!

Oh querida, como já disse, não gosto mesmo nada que fiques triste pelos comentários :( . Juro que não percebo: esta historia é optima, tu és uma optima escritora, a serio que não percebo a falta de comentários e leitores...
Mas já sabes que eu estarei sempre aqui para comentar e adorar o que escreves <3
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De Maria a 28.09.2013 às 14:21

Não se estagnou nada, que eu volteeeeeeei.
Até agora não acredito que o Tony morreu, e que existe um lado negro naquela pingente.
Gostei muito desta face decidida da chelsea(depois de estar tão triste). E estou a adorar esta temporada, okay? Okay.
Posta rápido , vai ser giro vê-la a lutar com o Jensen agora que está mais forte.
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De Annie a 30.09.2013 às 20:46

Que filho da mãe este príncipe da escuridão.
Acho a atitude da Faith muito bonita e respeitável.
Beijinhos

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