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DDO: O Ceptro da Pureza

por Andrusca ღ, em 18.09.13

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Capítulo 2

As Origens * Parte 1

 

Chelsea abriu os olhos e suspirou. Não conseguia pensar em nada além dos acontecimentos do dia anterior. Pela primeira vez em dois meses, tinha dormido a noite toda e descansado, sem ter qualquer pesadelo ou má lembrança. Levou a mão ao pingente que lhe repousava por cima da almofada, por ela estar deitada de lado na cama. Voltou-se de barriga para cima e olhou o tecto, engolindo em seco. “Voltei a tudo”, lamentou-se, enquanto revivia de novo o que se tinha passado no parque, “sou a Defensora de novo... Terei feito a escolha certa?”. Na altura pareceu-lhe a coisa certa a fazer. Ao ouvir o demónio dizer que podia fazer o que quisesse porque a Defensora já não fazia nada que o impedisse sentiu-se horrivelmente, não podia deixar as pessoas entregues àquilo. Por outro lado gostava que aquela responsabilidade toda não fosse dela. Que não se sentisse naquela obrigação de proteger todo o mundo. Porque por muito que se queixe, e por muito medo que tenha, Chelsea nunca vai conseguir voltar completamente as costas àquela sua parte que luta contra os seres da Escuridão.

Resolveu levantar-se e foi até à casa de banho, onde lavou a cara. Ao ver-se ao espelho verificou que já não se encontrava com um aspecto tão mau. Era como se voltar a ser a Defensora fosse exactamente o que precisasse para seguir em frente, ao contrário do que pensava.

Regressou ao quarto e escolheu a roupa para vestir, pondo-a em cima da cama já feita e com as almofadas a enfeitar. Bateram à porta nesse momento e ela olhou para o relógio: onze horas, era demasiado cedo para ser Richard, ele nunca se levantava antes do meio-dia a um domingo. Foi então até à porta e abriu-a, vendo a figura do rapaz atlético, de cabelos negros e olhos azuis, ao qual chamava de namorado.

- Jensen – murmurou, admirada – Não estava à tua espera.

Ele dirigiu logo atenção para o peito da ruiva, verificando que o colar ainda lá estava. Sorriu-lhe e cumprimentou-a com um beijo, como era hábito, antes de entrar para dentro do quarto. Chelsea suspirou, ela já sabia o que ia acontecer a seguir e não tinha a mínima vontade de falar naquele assunto.

- Podemos falar? – Perguntou ele, sentando-se na cama dela e fazendo-lhe indicação com a cabeça para que se sentasse também. Mas ela não o fez, e em vez disso virou costas e começou a fechar as gavetas e depois as portas do roupeiro, ainda aberto por ter estado a tirar a roupa de lá. Jensen suspirou, já sabia que não ia ser fácil falar com ela – Quando é que vamos falar sobre o que aconteceu?

Ela voltou-se de novo para ele e, com um elástico que tinha no pulso, prendeu os caracóis e sentou-se também na cama, com uma perna por baixo da outra.

- Sobre o quê? – Ainda tentou fazer-se de despercebida, mas ele sabia que ela não era burra nenhuma.

- Ontem, a Defensora, a maneira como derrotaste aquele demónio… podes escolher Chelsea – ela engoliu em seco. A maneira como tinha matado o demónio ainda lhe estava presa na garganta. Nunca antes se tinha sentido tão forte, nem tão mal. Era como se o que fez não estivesse certo, como se fosse algo maléfico ou fosse trazer algumas consequências graves. Tentou convencer-se de que o que fez foi pelo bem, destruiu um demónio, mas a sensação não a deixava. Afinal, explodiu-o sem pensar duas vezes, e isso não podia ser normal.

- O que é que há para falar? – Perguntou, encolhendo os ombros – Tu estavas lá, o Will estava lá, vocês viram tudo. O demónio atacou-me e no fim… bem, eu defendi-me.

- Tu explodiste-o Chelsea… naquele momento podia jurar que não eras tu… mostraste tanta fúria, tanto ódio… não pareciam os poderes da Defensora que estavas a usar – ela desviou o olhar para baixo, mas voltou depressa a encarar o rapaz.

- Tens razão – admitiu – Não sei de onde é que aquilo veio. Não me perguntes, porque não sei. E não me senti bem, ao explodi-lo. Mas ele era um demónio e ao matá-lo protegi várias pessoas. E claro que estou zangada com eles! Todos os demónios, todos os seres da Escuridão Jensen! O Tony… - ela respirou fundo, ao fim de dois meses ainda lhe custava dizer aquele nome – O Tony morreu por minha causa, mas foi morto por um deles.

Jensen franziu as sobrancelhas. Seria esta a primeira vez que ela ia falar do amigo?

- Conta-me – pediu.

A ruiva ainda hesitou, não se queria lembrar daquele dia, não queria reviver aqueles momentos. Mas sabia que se quisesse apanhar quem o matou, teria que o fazer mais cedo, ou mais tarde.

- Matei a Belle – Belle era a bruxa com quem Chelsea tinha lutado momentos antes – e depois fomos quase automaticamente transportados para o parque. Não sei como. Só sei que parecia que estava tudo acabado. Mas depois ele começou a sufocar. Vi algo a flutuar… era uma mulher. Estava muito escuro, as nuvens tinham vindo do nada, e por isso quase que só lhe conseguia ver a sombra. Usava um vestido comprido, e tinha um cabelo com caracóis. É apenas isso, tudo o que me lembro. Sei que ela o matou, só não sei como.

 

 

Jensen já tinha ido embora e Chelsea não queria ficar em casa o resto do dia. Decidiu então e dar uma volta pelo bosque por trás da sua casa, e assim que começou a caminhar e a sentir aquele ar puro e cheiro a natureza, sentiu-se logo melhor. Andou durante vários minutos, até que chegou ao local onde costumava treinar com Will. Sorriu interiormente, o círculo que ele usava como espaço para treinar ainda lá estava, e perto tinha várias pedras enormes. Tudo como se lembrava.

Acabou por se deitar na relva, a olhar o céu, e, sem dar por si, adormeceu.

 

O vento apenas soprava levemente por aquele bosque, situado atrás da casa de Chelsea. Esta estava com um mau pressentimento, era como se estivesse a ser vigiada. Envergava umas calças de ganga e uma blusa simples, com uns All-Star pretos.

- Quem está aí? – Perguntou, voltando-se rapidamente para trás, fazendo com que os caracóis abanassem, ao ouvir os arbustos a abanar. De lá de trás saiu uma figura um pouco mais madura que ela. Envergava a roupa da Defensora, mas não tinha a máscara a cobrir-lhe a face. Tinha um sorriso nos lábios, e o cabelo ruivo liso esvoaçava calmamente ao sabor do vento. Chelsea descansou – Faith?

Faith. A antiga Defensora. A sua vida passada. Estavam agora frente a frente, e Faith sorria a Chelsea.

- Fico feliz por teres voltado a aceitar o pingente – pronunciou, calmamente. Até a voz soava como a de Chelsea. Eram iguais – Mas estou preocupada, no entanto.

- Preocupada? – Perguntou a rapariga dos caracóis.

A antiga Defensora assentiu.

- Há coisas que precisas de saber. Tenho a certeza que te sentiste diferente da última vez que usaste os teus poderes…

Chelsea relembrou o momento em que explodiu o demónio e sentiu um arrepio percorrer-lhe o corpo. Sim, sentia algo diferente.

- Sim – confirmou – Porquê Faith?

- Sentiste-te… má? – Chelsea engoliu em seco, e Faith suspirou – Isso é na verdade culpa minha. Era jovem e pensava que tinha o mundo na palma da minha mão… fiz uma estupidez. Os teus poderes… os nossos poderes, não vêm da Luz, ou dos Deuses, ou dos Guardiães, como te foi dito. Vêm dela. Da Escuridão. É por isso que é tão fácil sairmos do caminho da nossa missão. Cedermos ao poder que sentiste. Não sei porque o fiz… arruinei a minha vida, e a tua…O que representas é força, fé e amor. Mas eu não era isso. O Pingente Mágico tem muita mais força em ti, do que alguma vez teve em mim, apenas tens que aprender a libertá-la.

- O que queres dizer? – Chelsea estava confusa. Não estava a perceber nada da história, o que lhe tinha sido dito foi que o Pingente Mágico tinha sido uma criação dos Deuses para uma guerreira destinada a livrar a terra das trevas.

- Acho que está na altura de te contar a minha história. Não aquela escrita nos livros, ou que os Guardiães tanto gostam de gabar. Acho que está na altura de saberes como eu era antes de me tornar na Defensora do Oculto, e porque me tornei nela. Está na altura de saberes as tuas origens.

- Conta-me.

- Era o ano 1890 e tinha acabado de completar o meu décimo sexto aniversário. Estava excitadíssima. Como habitualmente, saí com os rapazes. A minha mãe sempre me tentou criar de modo a me tornar numa senhora de bem e bons valores mas… não sei, havia alguma coisa naquelas brincadeiras de rapazes que sempre me atraiu. Acho que em parte era porque chateava tanto a minha mãe… Nessa noite, porém, ela obrigou-me a pôr um vestido bonito porque íamos sair. Lembro-me claramente de que fui ver um dos discursos privados de Robert Green Ingersoll…

- Quem…?

- Eu sei, provavelmente não o conheces. Mas naquele tempo ele era conhecido. Viajava pelos Estados Unidos e dava discursos sobre Shakespeare, ciência, religião… era considerado por muitos o melhor, mas devido às críticas à religião também obteve bastantes inimigos. Morreu poucos anos depois desse discurso, num mês de Junho. De qualquer maneira, a minha mãe arranjou-me a roupa para essa noite, um vestido bege e amarelo clarinho até aos pés, com umas rendas no peito e gola alta e manga comprida. Também tinha um chapéu a combinar… - Faith parou e sorriu, encolhendo os ombros – Porque é que não te mostro em vez de contar?

A paisagem começou a mudar e de um instante para o outro encontravam-se as duas num salão com paredes bordadas a fios de ouro e várias pessoas a rir e socializar. Notava-se que não pertenciam a um qualquer tipo social, não eram gente do povo mas também não pertenciam à nobreza. Burgueses, talvez.

O salão era riquíssimo, com várias mesas preenchidas de bebidas e comida, e lindíssimos arranjos de flores.

- Aquela sou eu – apontou Faith, para uma rapariga exactamente igual a Chelsea, que estava encostada a um canto, com um copo de champanhe na mão – E aquela era a minha família… - Faith dirigiu o olhar a uma mulher já mais velha, talvez com os seus quarenta anos e possuidora de uns belos caracóis castanhos – A minha mãe era linda, mas muito rigorosa. O meu pai morreu quando eu era pequena, e aquele era o meu irmão – Chelsea acompanhou o dedo da antiga Defensora do Oculto e viu um rapaz com um cabelo ruivo desgrenhado, e também muito bem vestido, entre todas as outras pessoas – Depois do discurso, a minha mãe e eu entrámos numa grande discussão. Eu queria sair desta cidade, queria sair deste sítio que nem se encontra no mapa e explorar o mundo, viver uma aventura, mas ela insistia que me devia casar, constituir família… - à medida que Faith falava, a sua versão mais nova discutia com a mãe, mas era como se a acção se passasse à parte. Chelsea apenas as via, não as conseguia ouvir – Lembro-me de sair pelas traseiras… - nisto, a Faith adolescente saiu e as duas raparigas seguiram-na, vendo-a parada no meio de uma rua escura com um homem à frente – Consegues reconhecê-lo? É…

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3 comentários

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De UmToqueDeSentimentos a 18.09.2013 às 23:08

OMG cada vez melhor!

Marisa
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De ♥ Annie ♥ a 20.09.2013 às 23:14

ESTÁS A BRINCAR????
Eu quero saber quem é!!!!!!!!
E quero saber o porque de ela ser má.
Adorei este capitulo. Acho importante sabermos mais tambem sobre a vida da Faith.
Mas quero mesmo saber quem é, portanto espero bem que as pessoas comentem.
Sem imagem de perfil

De Bia a 22.09.2013 às 13:31

CONTINUAAAAAAAAAAAAAAAA ;D

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