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Armadura do Coração

por Andrusca ღ, em 11.09.13

Capítulo 33

 

- O que é que fazemos? – Perguntou Milo em pânico.

Samantha estava no chão, amparada por Raj, mas era apenas uma questão de tempo até os soldados de Marx os alcançarem. Elaine olhava para todos os lados, mas apenas via mato e mais mato. Pareciam não ter salvação.

- Sam, abre os olhos – dizia Raj, enquanto abanava levemente a rapariga – Bolas soldado, abre os olhos!

Mas não obtinha qualquer resposta. Quando ouviram um barulho nos arbustos ele levantou-se rapidamente e sacou da espada, pondo-se alerta. Se alguma coisa acontecesse a Elaine ou àquele miúdo Samantha nunca o perdoaria, isso sabia com toda a certeza.

Uma mulher de meia-idade vestida com várias camadas de tecido e com um ar imundo apareceu à frente deles.

- Então é verdade… - pronunciou – Venham. Sigam-me. Eu ajudo-vos. Tragam a rapariga, os cavalos. Apressem-se.

Eles os três trocaram olhares entre si, mas sabiam que as opções eram limitadas. Raj pegou em Samantha ao colo e Milo agarrou nas rédeas dos dois cavalos para seguirem a pé. Caminharam por pouco tempo até chegarem a uma caverna escondida entre a vegetação, onde a mulher começou a entrar.

- Não gosto disto – murmurou Milo.

- É a nossa melhor hipótese – assegurou o antigo comandante.

Seguiram-na para dentro da caverna e chegaram a um sítio oval onde havia várias coisas, entre elas uma mesa cheia de ervas dentro de frascos, entre outras coisas viscosas, e uma cama feita de palha. A mulher acendeu várias velas, iluminando o sítio.

- Podem amarrar os cavalos além – disse, apontando para um pilar feito de pedra – E deitem a rapariga aqui – mandou, apontando para a cama de palha. Raj obedeceu-lhe e depressa a viu começar a mexer nos frascos e frasquinhos.

- Desculpe mas… quem é você? – Perguntou-lhe, sem rodeios.

- O meu nome não é importante. O vosso, no entanto, há-de ficar para a História – respondeu de um modo evasivo depois de dar uma olhadela à saca que Milo tinha acabado de pousar no chão. Despejou um líquido para dentro de uma tigela de osso e juntou-lhe algumas ervas, que começou a moer.

- O que é que está a fazer? – Interessou-se Elaine – Porque é que nos ajudou?

As suas perguntas foram ignoradas. A mulher começou a despir Samantha, o que fez com que os dois rapazes se voltassem de costas, e depois aplicou-lhe a mistela nas feridas, tapando-a com uma manta. Molhou depois um pano em água e passou-o pela sua testa.

- Esta rapariga… - murmurou, como se pensasse alto – passou por muito. Isto deve ajudar a sarar as feridas mais depressa. O corpo dela entrou em choque, mas não se preocupem. Ela é forte.

Ficaram em silêncio por longos minutos, entreolhando-se, observando-se mutuamente, em desconfiança.

- Eu sei o que você é… - disse Milo, por fim – É uma bruxa, não é?

A mulher soltou uma gargalhada.

- Uma bruxa? Não… prefiro pensar em mim como uma curandeira… uma vidente… uso o que a floresta me dá a meu proveito, e sei coisas que mais ninguém sabe. Isso não faz de mim bruxa. Não tenho nenhum poder sobrenatural que possa usar – disse-lhe.

- E essa coisa que pôs nas feridas da Samantha… o que é? – Perguntou Elaine.

- Remédio. Um remédio natural. Deve ajudar a febre a baixar, a cicatrizar a pele mais rapidamente… Ela deve acordar em poucas horas.

- Como é que sabia onde nos encontrar? – Questionou Raj, ainda desconfiado que, tal como Milo, já se tinha voltado de novo para elas após Samantha estar coberta.

- Já vos disse… sei coisas que ninguém sabe.

- Como o quê? – Insistiu ele. De novo, ela deu uma nova olhadela à saca pousada aos pés do rapaz mais novo. Ia falar quando um pequeno gemido invadiu a gruta e todos os olhos se voltaram para Samantha que, aos poucos, ia abrindo os olhos.

- Onde… onde é que estamos? – Perguntou ela, ainda sem se conseguir conectar a todos os seus sentidos.

- Esta é forte… - pensou a vidente em voz alta – Está tudo bem, estás a salvo. Podes descansar.

Samantha abanou a cabeça e tentou endireitar-se. Só então reparou na sua falta de roupas e, depois de espreitar para a mistela que lhe cobria as feridas, teve o cuidado de puxar o cobertor consigo.

- Não sei quem você é…

- Não… mas eu sei quem tu és. Escapaste da morte quando eras uma criança. Juntaste-te ao exército, mascarada de homem. Roubaste o coração de um príncipe e causaste a queda de um rei. E vais salvar-nos a todos. A tua reputação precede-te, Samantha de Walcaster – respondeu-lhe.

Samantha focou o olhar na saca.

- Milo, dá-me isso – pediu, ao que o jovem logo obedeceu. Abriu-a e respirou fundo ao constatar que o ovo ainda lá estava. Abraçou-o contra o corpo e sentiu o seu calor a passar para si. Estava mais quente do que antes. Quase fervia. Samantha estranhou isso, e como tal retirou o ovo de lá, mal podendo tocar-lhe. Com um descuido, o ovo caiu no chão e rachou-se. Mas a racha não parou por aí. Estava a chocar.

- O que raios…? – Perguntou Raj.

- Está a chocar – murmurou Samantha, incrédula – Mas como…?

- Recebeu calor – esclareceu a mulher – O teu calor. Sabes o que é, não sabes?

Samantha olhou desconfiada para a mulher.

- Também você – deduziu. Nesse momento a casca do ovo partiu-se um pouco mais e saído dele apareceu um pequeno bicho. Não era maior que um cão bebé, porém tinha o corpo coberto de escamas cor de púrpura, duas asas e um focinho mais pontiagudo, tal como a sua longa cauda. As orelhas não eram muito grandes e, quando abriu os olhos, deu para ver que eram de um tom acinzentado. Saiu do ovo de um modo desajeitado e fez um som parecido ao rachar de um espelho. Observou tudo com os olhos de quem via o mundo pela primeira vez, e então o seu olhar parou naquela rapariga deitada na cama de palha. E foi para ela que, de um modo desastrado mas o mais rápido possível, a tentar voar e a tentar correr ao mesmo tempo, se dirigiu, aninhando-se nos seus braços sem que Samantha nada pudesse fazer – É um dragão.  

 

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2 comentários

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De ♥ Annie ♥ a 12.09.2013 às 00:28

OHHHHH DEUS, ADOREI, ADOREI, ADOREI.
O dragão foi ter com ela mas que amooooor <3
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De Annie a 12.09.2013 às 19:14

Achei a última parte tão fofinha *-*

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