Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




DDO: O Ceptro da Pureza

por Andrusca ღ, em 08.09.13

Sou oficialmente uma caloira, viva eu!


Capítulo 1

A Defensora Ergue-se De Novo * Parte 2

 

Já estava quase a anoitecer, e Chelsea estava deitada num dos bancos de madeiras do parque de Diamond City, já deserto. Antes Norman Burke, o xerife e seu pai, costumava preocupar-se, mas ao fim de dois meses percebeu que tinha que dar liberdade à filha para que ela “sarasse” como melhor fosse.

Ela suspirou e levantou-se, estava a começar a ficar com frio. Começou a caminhar lentamente para sair do parque e entrou numa zona cheia de relva, com o lago ao fundo, e várias árvores e arbustos.

- O que faz uma rapariga tão bonita sozinha no parque a estas horas? – Ouviu Chelsea, vindo de cima. Conforme olhou, um vulto caiu para a sua frente, e viu um rapaz mais ou menos da idade dela, com o cabelo todo em pé e um sorriso nos lábios. Tinha uma roupa de cabedal, e os olhos cintilavam.

Chelsea paralisou. Ela sabia o que ele era. Sentia arrepios por todo o corpo e, mesmo sem o pingente, percebia que aquele rapaz tão esbelto não era nada bom. Sabia o que se seguia. Mas não conseguia agir. Era como se todos os seus músculos estivessem ligados à última memória de Tony e a impedissem de seguir em frente. Aquele rapaz aparentemente inofensivo e até simpático representava tudo o que a aterrorizava. A Escuridão. O mal. O que levou o seu melhor amigo e se recusou a devolvê-lo.

Ela não parou de lutar por vingança aos Guardiães por não terem ressuscitado Tony. Não o fez por achar que não valia a pena. Fê-lo sim porque a aterrorizava dos pés à ponta dos cabelos. Tinha visto quão simples a Escuridão tinha tirado uma vida e tinha ficado apavorada. Apavorada de que se continuasse, os seus outros amigos tivessem o mesmo fim.

- Afasta-te de mim – a voz de Chelsea foi tão sumida que mal se ouviu a um passo a rapariga. O rapaz riu. Aquele riso… Chelsea já não o ouvia há algum tempo. Face de anjo, alma de pecador. Riso de maldade. O aspecto podia mudar, mas aquele riso soava sempre do mesmo modo.

- O que disseste? – Perguntou ele, dando dois passos na direcção da rapariga.

A rapariga dos cabelos ruivos sentiu o seu coração a disparar. Sentia-se como se tivesse a ter um ataque de pânico. Todos os seus sentidos pararam de funcionar, não se conseguia movimentar, não conseguia fugir, não conseguia fazer nada.

- Afas… afasta-te de mim – repetiu ela, com a sensação de que o coração lhe ia sair pela boca.

- Ouve, provavelmente vais ficar assustada… mas repara, monstros podem existir – ele não sabia quem ela era nem o que vira no passado. Desconhecia estar perante a grandiosa guerreira de outros tempos. Para ele, Chelsea era apenas uma presa fácil – e eu sou um deles. E às vezes gostamos de nos divertir…

Dito isto, o rapaz deu uma chapada em Chelsea que a fez cair no chão e ficar lá. Ela não se queria levantar, estava perdida dentro da sua própria escuridão. Perdida dentro de si, presa a um único momento e a esquecer-se de todos os outros.

Ao longe, ocultados por poucos arbustos, estavam Jensen e Will, que observavam a cena. O rapaz da máscara, ao ver o perigo em que a namorada se encontrava, precipitou-se na sua direcção mas Will agarrou-o e impossibilitou-o de andar.

- Ela precisa da nossa ajuda! – Debatia-se Jensen, enquanto se tentava soltar.

- Não! – Contestava o aspirante a Guardião – Ela precisa de enfrentar os medos!

- Ela não tem poderes!

- Ela não precisa de poderes para lutar! Foi por isso que a treinei!

Chelsea olhou para a face do demónio a tempo de o ver levantá-la pelo pescoço e mandá-la de novo para o chão, para poucos metros à frente. “É isto”, pensou ela, “é o fim… não quero… não quero mais isto”. Antes que se pudesse levantar, ou antes que tivesse vontade de tal, recebeu um pontapé na barriga que a fez dar umas poucas piruetas no ar e voltar a cair no chão. Mesmo que quisesse, Chelsea não tinha forças. Doía-lhe o corpo e estava destruída por dentro. Não tinha nada ao que se agarrar.

- Estás a facilitar demasiado – proferiu o rapaz, tirando um pequeno punhal do cinto.

Chelsea levantou-se, com as pernas a tremer, mas não se desviou a tempo de se livrar de um corte no braço e voltou a cair na relva. Foi aí que Will perdeu a esperança. A Defensora estava mesmo perdida. Tinha perdido a vontade de lutar, já não queria defender a justiça nem proteger o mundo. Já não tinha o mesmo brilho que costumava ter.

- Mas que poderia querer mais? – Perguntou o demónio de maneira retórica – Afinal, és só uma rapariguinha.

- Pára – pediu ela, com uma voz de súplica, pondo-se de gatas – Por favor só… pára. Não tens que fazer isto, não tens…

- Cala-te – mandou ele, com repugnância – Eu posso fazer o que bem quiser. Já não há nenhuma Defensora do Oculto para me impedir!

Aquelas palavras. Chelsea detestou ouvi-las, mas ela sabia que era a verdade. Odiava aqueles monstros, nunca conseguiria esquecer que são a causa da morte do amigo. E agora, ao ter renunciado da sua missão, tinha-os deixado livres para fazerem tudo o que quisessem, quando quisessem.

“Não pares de lutar”, apareceu-lhe subitamente na mente, enchendo-lhe os olhos de lágrimas. “Não pares de lutar”, as últimas palavras de Tony.

Chelsea olhou para cima, para o demónio, e o seu coração encheu-se de uma força que nem ela saberia como explicar. Odiava aquele ser com todas as suas forças, mas não era apenas isso. Ela queria justiça, justiça por um amigo perdido.

Chelsea levantou-se desengonçada e com a mão no braço direito, já magoado, e ficou a poucos metros do demónio.

- Não pares de lutar – murmurou, respirando fundo – Eu nunca, nunca, vos perdoarei, ouviste? Nunca!

 

 

Na Casa dos Guardiães Oyuan olhava o Pingente Mágico, suspenso apenas no ar, dentro de uma bola de cristal, no centro de um altar. Estava lá, sem dar sinais de poderes, de vida, de vontade, desde que Chelsea o arrancara do peito e o mandara para o chão. Estava lá desde que a rapariga tinha desistido. E nenhum dos Guardiães estavam contentes por isso. Preocupava-os o facto da Defensora ainda não ter dado sinais de voltar a lutar contra a Escuridão, e preocupava-lhes o facto dela se encontrar completamente desprotegida de todos os perigos que rondavam a esquina.

- Achas que ela vai voltar algum dia? – Clayde, uma das Guardiães mais antigas, chegou até ele vinda por trás.

- É difícil de saber.

O velhote de cabeça careca suspirou e voltou a dirigir a atenção àquele pingente roxo, com tristeza. Mas algo o fez mudar de expressão. A luz do pingente começou a ficar mais intensa, e Oyuan sorriu. Aquilo só podia querer dizer uma coisa: a Defensora precisava finalmente do pingente. E o belo colar em forma de lágrima tinha percebido isso, tinha percebido quando a sua verdadeira dona estava em perigo, e correu a ajudá-la. Desvaneceu-se por completo, Oyuan sabia que ele ia ao seu encontro.

 

 

Uma luz roxa e brilhante começou a criar-se em frente ao peito de Chelsea, parando à frente dela e criando uma pequena lágrima roxa, que se solidificou e ficou presa por um fio de prata. O Pingente Mágico. Chelsea levou a mão até ele e ainda pensou duas vezes se o deveria aceitar ou não. Will largou Jensen nesse momento, e este precipitou-se para ao pé da namorada, com o amigo também atrás. A ruiva nem prestou atenção à presença deles, a sua atenção estava concentrada naquele objecto brilhante que flutuava à sua frente. Ela sabia o que significava agarrá-lo. Não seria apenas por esta vez. Não poderia desistir mais. Significava ter que fazer mais sacrifícios e viver como não queria.

- Não o faças – e Jensen sabia-o bem, e mesmo por isso aconselhou-a a que não o fizesse. Ele odiaria vê-la ainda mais infeliz.

Chelsea pressionou os lábios e engoliu em seco. “Não pares de lutar”, ela sorriu levemente. O primeiro sorriso em dois meses. Parecia que o conseguia ouvir ao seu lado. Não o queria decepcionar, não queria fazer a sua morte ser em vão. Agarrou o pingente e, conforme o fez, uma luz roxa irradiou por tudo quanto era sítio e encandeou todos naquele local. Sentiu uma força incrível, da qual já pouco recordava, percorrê-la à medida que as suas vestes se iam transformando. A paz que a invadiu apenas por segundos, juntamente com um calor familiar e aconchegante, era indescritível. A túnica que descia até um pouco abaixo dos calções, roxa e com uma racha do lado direito, abanava ao sabor do vento, tal como o seu cabelo agora completamente liso. Já sentia o pequeno peso da máscara negra na sua face, tal como as botas de cano curto e salto raso, da mesma cor. Era ela. A Guerreira Defensora contra o Oculto.

Quando a luz se dissipou, Chelsea já não tinha nada a mão. O pingente estava graciosamente pousado no seu peito.

- Não é possível – proferiu o demónio.

A Defensora do Oculto engoliu em seco, ao vê-lo dar poucos passos para trás.

- Vai-te lixar – declarou ela, com uma voz segura e irritada. Chelsea nunca tinha sentido aquela força antes. Talvez fosse a raiva que sentia, talvez o luto pelo amigo. A verdade era que os seus poderes estavam mais fortes. Em vez de apenas mandar o demónio para longe usando a telicnese como normalmente fazia, Chelsea começou a esticá-lo para todos os lados, sem nunca o mover de sítio, fazendo com que explodisse e se desvanecesse no ar ao som de um grito sofrido. Ela permaneceu livre de sentimentos, o que antes a faria sentir-se mal agora não lhe fazia surtir qualquer efeito. Teoricamente, ela queria justiça, mas há uma linha bastante ténue entre justiça e vingança, e a Defensora teria que ter cuidado para não a cruzar.

Caminhou até ao namorado e a Will, ambos chocados com a situação que acabaram de presenciar, e parou ao lado de ambos, no meio, sem se virar directamente para nenhum.

- Chels…

- Não comeces – travou a ruiva Jensen, pressionando os lábios com força. Agora é que estava a cair em si e no que tinha acabado de acontecer, e não queria falar sobre isso. Não conseguia – Vou para casa.

E assim fez. 

Autoria e outros dados (tags, etc)


2 comentários

Imagem de perfil

De ♥ Annie ♥ a 10.09.2013 às 02:27

ok... tambem chorei com este capitulo... isto é nromal??
É que o facto do Tony ter morrido torna tudo mais triste :cccc
Fiquei preocupada com a Chels, não a quero ver infeliz, mesmo que seja a fazer o que está certo.
Mas por outro lado, ele sente-se bem em faze-lo.
E está a ficar cada vez mais forte, as bruxas vão todas ao fundo!
Imagem de perfil

De Annie a 10.09.2013 às 19:10

Oh meu deus, os capítulos desta temporada estão tão intensos e ainda só li dois.
Fico sempre tristinha quando referem o nome do Tony. E a nossa chels, está tão revoltada que tenho medo do que lhe possa acontecer.
Beijinhos e parabéns mais uma vez, senhora caloira.

Comentar post




Mais sobre mim

foto do autor




The Ghosts

web counter free