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DDO: O Ceptro da Pureza

por Andrusca ღ, em 06.09.13

Então pronto, chegou a nova temporada. O sistema continua igual, capítulos divididos e tal. Espero que gostem e comentem

 

Capítulo 1

A Defensora Ergue-se De Novo * Parte 1

 

- É com grande pesar que nos despedimos deste nosso amigo tão querido. Que a sua alma descanse em paz – foram as precisas palavras do padre.

O caixão, branco e já fechado, estava pronto a enterrar. O funeral tinha acabado. As últimas despedidas estavam feitas.

Chelsea olhou em volta. Helen, a sua melhor amiga, tentava não chorar enquanto, ao mesmo tempo, consolava a mãe de Tony que chorava o filho perdido. Havia imensas pessoas do Liceu de Diamond City. Ele era um rapaz querido por muita gente. Um dos que são raros de encontrar.

O caixão foi enterrado e aos poucos todos foram embora, deixando Chelsea abandonada ao sossego do cemitério, já apenas com a lua para lhe iluminar o espaço. Ela tinha ficado até ao último momento. Não o queria abandonar. Não queria sair daquele recinto e admitir que o amigo estava agora debaixo de terra.

- Tony… - murmurou ela, deixando várias lágrimas escorrerem dos seus olhos verdes, enquanto se aproximava da lápide – Tony, lamento tanto. Isto foi tudo culpa minha.

E começou a chorar de novo.

Um vento mais forte começou a levantar-se, o que fez com que o seu vestido preto e os caracóis ruivos começassem a abanar.

Ela sentia-se culpada pela sua morte. Apesar de todos lhe dizerem que fez tudo o que pôde. Apesar de ninguém a acusar e de todos a defenderem, Chelsea culpabilizava-se acima de tudo. Ele tinha morrido nos seus braços. Tinha morrido por ela ter sido alvo de uma armadilha por ser a Defensora do Oculto. Tinha morrido… e ela nem sabia quem o tinha matado. Tinha um desejo enorme de descobrir. Uma sede de vingança que mal conseguia manter dentro de si. Mas não a ia cumprir. Desistira de ser a guerreira do povo, decidira afastar-se de todos os Príncipes e Bruxas e demónios que pudessem vir da Escuridão. Não queria pôr mais ninguém em perigo.

- Se pudesse voltar atrás… - murmurou, fungando.

Nesse momento dois braços romperam o chão e dirigiram-se a Chelsea, puxando-lhe a perna, fazendo-a gritar. Conseguiu-se soltar, mas atrás dos braços veio o resto do corpo e ela acabou por ficar sentada no chão, a olhar para o corpo do falecido melhor amigo, que tinha uma imagem lastimável. Estava pálido, muito pálido, e com umas olheiras enormes. Tinha as unhas todas partidas, de ter aberto o caixão e escavado pela terra. Parecia um zombie de um filme com uma má maquilhadora.

- Tony… - a voz de Chelsea saiu baixa, devido ao terror de ver o amigo naquela figura.

- Tu mataste-me! – Gritou ele, atirando-se a ela para a atacar.

 

- Ah! – Chelsea acordou sobressaltada e a gritar, assustando Jensen. O seu coração estava descompassado e tinha uma vontade enorme de chorar. Começou a olhar em volta e, ao constatar que conhecia o quarto em que estava, o seu ritmo cardíaco começou a diminuir um pouco. Olhou para o namorado, que a olhava com um ar de preocupação. Ele bem tentava esconder, mas aqueles olhos azuis denunciavam-no. Chelsea já o conhecia demasiado bem.

- Estás bem? Tiveste outro pesadelo? – Perguntou ele, visivelmente preocupado.

Estavam ambos deitados na cama dele, começaram por conversar, mas às tantas o cansaço começou a atacar e a ruiva deixou-se vencer por ele, adormecendo junto a Jensen.

- Adormeci… - constatou ela, suspirando – Estou bem, foi… foi o de sempre.

Tony tinha morrido havia dois meses. A explicação arranjada foi paragem cardíaca, mas Chelsea sabia a verdade. Ela, apesar de mais ninguém saber, sabe que o melhor amigo foi morto por alguém do Reino da Escuridão. Uma Bruxa, mais provavelmente.

Dois meses atrás Chelsea tinha sido apanhada numa armadilha de uma das Bruxas da Escuridão, e como Tony desconhecia que ela era a Defensora do Oculto, tentou ajudá-la, acabando também por ser apanhado. Mas conseguiram safar-se. Voltaram à cidade onde ambos moravam, Diamond City, mas então o rapaz começou a ficar cada vez com mais falta de ar até não conseguir aguentar mais, morrendo mesmo nos braços dela.

- É tarde, porque não ficas cá a noite? Amanhã é sábado e hoje a minha mãe deve chegar tarde do hospital. Telefona ao Richard e pede-lhe para inventar qualquer coisa.

- Não, eu quero ir para casa – Chelsea levantou-se e começou a calçar os All-Star roxos.

- Chels, o teu irmão inventa qualquer coisa – insistiu Jensen.

- Eu sei, mas não quero. Estou cansada Jensen, só quero ir para casa e… desculpa não ficar mais tempo – ela contornou a cama e depositou-lhe um pequeno beijo nos lábios – E desculpa ter adormecido.

- Mas já é tarde. Deixa-me ao menos levar-te a casa! – Gritou ele, quando ela já ia perto da porta de saída.

- Não é preciso. Até amanhã!

Chelsea fechou a porta ainda antes que ele pudesse responder e Jensen bateu com a cabeça na cabeceira da cama. Ele estava preocupado com ela, muito preocupado.

A ruiva caminhou pelas ruas calmamente. Já era Abril, o frio não se fazia sentir tanto, e o vento que soprava era agradável. Ajudava-a a pensar, apesar de desejar não o conseguir fazer.

Depois de o seu melhor amigo morrer, Chelsea desistiu de ser a Defensora do Oculto. Chegou a uma altura em que se fartou de pôr as pessoas que ama em perigo, para salvar outras. Deixou o Pingente Mágico, o pequeno pingente roxo que lhe deixava acessar aos seus poderes, aos Guardiães e tem vivido uma vida relativamente normal depois disso. É estranho, ela não o diz em voz alta, mas é estranho. É esquisito ver-se ao espelho e não ter aquele pingente em forma de lágrima poisado sobre o seu peito, é esquisito não poder mover os objectos e até o silêncio e a calma a fazem estranhar de quando a quando. Mas não é o suficiente para a fazer querer voltar ao que era. Pela primeira vez em meses, Chelsea não tinha qualquer ferida – pelo menos física – e tinha tempo para fazer tudo o que quisesse.

Quando chegou a casa já os seus pais estavam deitados. Jensen tinha razão, já era bastante tarde.

A ruiva subiu as escadas lentamente e sem fazer barulho e, quando ia abrir a porta do seu quarto, reparou que ainda vinha luz pelo quarto do seu irmão. Bateu devagar e abriu a porta, vendo-o estendido na cama a ressonar baixinho, com a televisão ligada.

- És sempre a mesma coisa Richard – resmungou para si, tapando-o com uma manta para em seguida desligar a televisão e depois a luz.

Foi então para o quarto e vestiu o pijama, já sem ser muito grosso, visto que já não estava muito frio. Antes de se deitar ainda observou as estrelas por um tempo, enquanto rodava o anel, com uma pedrinha roxa, que tinha no dedo anelar da mão esquerda. Fora uma prenda de Jensen, a representação de uma promessa de um dia trocá-lo por um anel de noivado. Estava nervosa. O dia de amanhã seria complicado, pelo menos dentro da sua mente. Seria o dia em que faria um ano desde que descobrira que era a Defensora do Oculto. Um ano desde que combateu o seu primeiro demónio, naquela tarde na escola. “Se não tivesse encontrado aquele pingente no dia anterior…”, abanou a cabeça e mudou o rumo do pensamento, “não, ia ser igual. O Will ia-me achar na mesma. Os Guardiães enviaram-no para me treinar, ele achar-me-ia de qualquer modo”.

Quando se deitou adormeceu instantaneamente. Estava cansada, ultimamente não dormia bem. E de novo esta noite, os pesadelos atacaram em força. A culpa que sentia não a deixava dormir descansada.

Acordou cedo, dormiu poucas horas, mas não conseguiu ficar mais tempo na cama. Vestiu umas calças de ganga e uma blusa, com um casaco para não ter frio. Em frente ao espelho aplicou um pouco de maquilhagem, estava com um aspecto lastimável e, depois de se calçar, desceu as escadas e foi tomar o pequeno-almoço.

- “Parece impossível, mas na realidade aconteceu” – ouviu, assim que acendeu a televisão. Era uma jornalista – “Ninguém sabe como os ladrões entram. Não partem vidros, não arrombam portas, não disparam alarmes. Parece qualquer coisa de outro mundo” – desligou a televisão de novo. “Não tenho paciência para isto”, pensou.

 Saiu de casa. Ainda ninguém mais tinha acordado.

As pessoas na rua abriam as lojas e os empregados dos cafés montavam as esplanadas cá fora. Chelsea suspirou, se continuasse a não conseguir descansar bem então o seu rendimento na escola iria baixar ainda mais.

Ao longe avistou um rapaz de cabelos loiros, mas antes que pudesse voltar para trás e esconder-se nalgum sítio, ele avistou-a e acenou-lhe. Will. Ela andava-o a evitar o mais que conseguia, mas em certas situações era impossível. A ruiva não consegue perceber o porquê de ele continuar em Diamond City, afinal, a sua tarefa era treinar a Defensora do Oculto, e agora ela já não existe. Ele devia voltar para a Casa dos Guardiães.

- Bom dia! – Ao princípio a rapariga dos caracóis ruivos pensava que Will ia ficar chateado por ela ter desistido de tudo, mas a verdade é que o rapaz nunca mostrou índices de tal.

- Olá – saudou a ruiva.

Ele observou-a e depois suspirou, abanando a cabeça.

- Sabes que te é permitido sorrir algumas vezes, certo? – Perguntou Will, tentando que ela formulasse um pequenino sorriso que fosse. Mas isso não aconteceu, por isso ele continuou a falar – Costumavas sorrir cada vez que vias alguém. Já lá vão dois meses Chelsea… não podes continuar apática a tudo. Não podes ignorar o que se passa à tua volta e estares só com a Helen. Chelsea…

É verdade. Nos últimos dois meses Chelsea afastou-se de quase tudo e todos, menos de Helen. A única pessoa cuja dor se comparava à dela, por ambas terem perdido o melhor amigo.

- Não quero ter esta conversa outra vez – disse a rapariga, fazendo com que ele suspirasse. Will não se mostrava zangado, mas isso não significava que fosse desistir de a fazer voltar.

- Ontem destruí mais um demónio com o Jensen, ele contou-te? Foi mais difícil, acho que estão a ficar mais fortes…

Desde que Chelsea desistiu do cargo de guerreira, Will e Jensen têm combatido os demónios sozinhos. Ela sabe disso, detesta a ideia, mas não os conseguiu convencer a não o fazer e por isso mantém-se à parte.

- Raios Will! Não vês que não consigo falar disso?! – Ela falou mais alto que o aconselhado, e viu várias pessoas olharem na sua direcção. Respirou fundo, então, e começou a falar muito mais baixo – Não consigo falar sobre demónios, ok? Não consigo fingir que não me sinto triste, ou deslocada do mundo, está bem? – Para o fim a voz de Chelsea já não passava de um mero sussurro, e os seus olhos já se encontravam enlagrimados – Só não consigo…

- Shh, está bem – Will aproximou-se dela e envolveu-a nos seus braços – Desculpa. Só quero… quero que enfrentes as coisas em vez de fugires Chels. Consegues fazer melhor que isto. Apenas admite que algumas coisas eram boas.

Ela desviou-se dele e encolheu os ombros. “Sim, algumas coisas eram boas”, respondeu interiormente, “a face das pessoas que salvava… o agradecimento espelhado nos olhos delas. Poder fazer saltos que nunca faria sem poderes… mover objectos… sim, não era tudo mau. Mas não compensa”.

- Não, não consigo. Sou trapalhona, e tiro más notas, e nunca me lembro de onde guardei as coisas. Não consigo salvar o mundo, quando nem o meu amigo consegui manter a salvo. Desculpa Will… eu tenho que ir.

Chelsea começou a andar a passos largos e só se voltou de novo para o amigo ao ouvi-lo falar.

- Chelsea! – Gritara ele – É o primeiro aniversário da… tu sabes.

Ela assentiu com a cabeça e suspirou.

- Como poderia esquecer? – Perguntou, retórica.

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4 comentários

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De Syrena a 06.09.2013 às 16:47

não gosto de ver a Chelsea assim tão triste :(
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De ♥ Annie ♥ a 07.09.2013 às 01:01

E pronto, outro capitulo que me deixou a chorar...
Odeio ver a Chels assim. A coitada da rapariga começa todas as temporadas em sofrimento...
Vou ter saudades do Tony :'''c
O Will e o Jensen a combater os demonios?? Bem, pelo menos não os deixaram por ai á solta para magoar as pessoas.
Adorei, espero que ela volte a ela depressa
E feliz aniversário á Defensora ;)
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De Raqueel a 07.09.2013 às 15:55

Like wow o: a chels esta mesmo triste, e é compreensivel ela ter desistido de ser defensora... espero que corra tudo bem o:
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De Annie a 10.09.2013 às 18:42

Ai meu deus, a minha Chels está tão tristinha e o Jensen super preocupado.
Ai Andreia andreia

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