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Armadura do Coração

por Andrusca ღ, em 03.09.13

Capítulo 31

 

- Já se passaram dois meses, Eresm – William andava de um lado para o outro da sala do trono. Há dois meses que exercia a sua posição de rei, tomando conta de todo o reino menos das partes de Marx, porém sentia-se completamente incapacitado – Ela nunca mais deu notícias… Achas que…?

- Claro que não – foi Quorq quem lhe respondeu – Se o Marx a tivesse matado, já saberíamos. Notícias dessas viajam pelo reino à velocidade da luz, rei William.

- Rei… - murmurou William – Ainda não me habituei a isso. Mas estou preocupado… temos de resgatar a Sam.

- Com todo o respeito, não acha que era melhor fazermos o que nos pediu? – Perguntou Eresm – Você pode estar habituado a vê-la como a Samantha, uma rapariga, uma amiga, mas eu já a vi no meio da guerra e sei que consegue ser um melhor soldado que muitos homens.

- Eu sei disso, mas…

- O Eresm tem razão – apoiou Quorq – Se a quiser resgatar, estarei na linha da frente. Mas decerto que ela tem um plano. Mais que tudo, a Samantha é esperta. Ela tem sempre um plano.

- Então acham que não devíamos fazer nada… é isso?

- Talvez devêssemos esperar mais umas semanas. Se nada se alterar, então aí agimos e vemos como a vamos buscar de volta. Concorda?

- Mais duas semanas. Nem mais um dia.

 

*

 

- Ela nunca mais nos dá resultados – queixou-se Jonah ao lorde Marx, que se encontrava sentado a uma secretária cheia de papéis, no quarto que tomara como seu e que antes pertencera aos pais de Samantha.

- Mas vai dar – respondeu ele, calmamente.

- Como é que pode ter tanta certeza? Às vezes parece que nem sabe o que procurar. Eu conheço a Samantha, lorde Marx, cresci com ela. Está a tramar alguma, só pode.

- Uma rapariga daquelas, com um fogo daqueles dentro de si, nunca iria abaixo sem dar luta – murmurou o lorde, como se pensasse alto.

- Ela é capaz de o derrubar. Sabe disso, certo? A sua sede de vingança…

- Não é nada comparado à arma que terei.

- E se ela não lhe der a arma? E se ficar com ela para si?

- Ela vai-me dar, sim. E vai encontrá-la bem em breve. Eu conheço os guerreiros como a Samantha, Jonah. Já os venci. Julgam saber tudo, são convencidos, demasiado presunçosos… julgam-se protegidos e intocáveis. Para os vencermos apenas temos de saber onde atacar. A sua fraqueza. Sabes qual é a fraqueza da Samantha, Jonah?

O traidor pensou por poucos segundos.

- O príncipe William – disse, convicto de que tinha acertado, ao que Marx se riu.

- Ela pode amar o príncipe William, mas ele está bem guardado. Porém há outra pessoa que ama, outra por quem daria a sua vida. Não há nada como o amor de filha. Para vencer guerreiros como a Samantha… temos que lhes dar um incentivo.

Nesse mesmo momento, a quilómetros de distância, dois soldados da guarda pessoal de Marx batiam à porta de uma pequena casa familiar que outrora estava cheia de gente, mas agora era habitada apenas por uma pessoa. Elaine, descontraída e ignorante ao perigo que corria, abriu-a.

- Posso ajudá-los? – Perguntou, já com um ar assombroso, por ter reconhecido as armaduras dos homens e as ter associado ao lorde.

Eles nada disseram. Apenas sorriram. Sorriram, deram-lhe uma cacetada da cabeça, e carregaram-na até aos cavalos para a levarem para Walcaster.

Pouco mais de um dia depois chegaram. Elaine esforçou-se por fugir, debateu-se contra os seus agressores, mas de nada lhe serviu.

- O que é que estou aqui a fazer? Estou a perder tempo… - reclamava Samantha, no grande salão da Casa, onde estavam também Marx, Raj e Jonah, fora alguns membros da guarda.

- Estás a perder o meu tempo – corrigiu Marx – Dois meses! Dois meses passaram, e não me trouxeste nada!

A rapariga engoliu em seco. Sabia que aquele dia ia chegar. O dia em que ele se cansava de esperar.

- Estou perto – disse, esforçando-se por mentir bem – Prometo. Já não vai demorar muito mais.

As portas abriram-se e de lá apareceram os dois guardas a arrastar Elaine que, ao ver o filho, ficou estática. Samantha estava de costas.

- Eu sei que não vai. Olha para trás – mandou Marx, ao que ela obedeceu, sentindo o coração a acelerar.

- Elaine! – Exclamou – Larguem-na! Ela não tem nada a ver com isto, Marx. Isto é entre tu e eu! – Marx riu-se, e ela olhou depois para Jonah – Então e tu? Não fazes nada? Aquela é a tua mãe! É a tua mãe, Jonah!

Jonah engoliu em seco e desviou o olhar para o chão. Não queria que a mãe se magoasse. Apenas queria enriquecer, nada mais. Tinha-se convencido há muito que, acontecesse o que acontecesse, nada seria culpa sua, que tinha o direito de ambicionar mais riquezas como tantos outros homens.

- Levem-na para as masmorras – ordenou Marx, ao que os guardas obedeceram.

- Elaine não te preocupes – dizia Samantha, enquanto acompanhava os homens até à porta – Eu vou-te tirar de lá.

- Sam… por favor – pediu-lhe a mãe não biológica.

- Não tenhas medo. Eu vou-te ajudar – assim que eles saíram do salão ela caminhou furiosamente para Marx – Porque é que fez isto?! Isto não tem nada a ver com ela!

- Tens até ao anoitecer, rapariga – disse-lhe ele, com um ar implacável, antes de se dirigir à saída – Ela é posta na forca nessa altura. Se vive ou morre depende de ti.

Jonah seguiu atrás dele, porém parou ao lado da rapariga a quem costumava chamar de irmã, e pela primeira vez em muito tempo olhou-a directamente nos olhos.

- Por favor, despacha-te – pediu-lhe – Por favor. Pelo bem da mãe.

Samantha abanou a cabeça, cheia de raiva.

- Ela não é a tua mãe – afirmou – Nada tão mau pode ter vindo de alguém tão bom.

- Também não é a tua mãe – disse ele – E mesmo assim queres salvá-la. Só… não a deixes enforcar.

Em poucos segundos aquele enorme salão ficou apenas com duas almas dentro de si. Samantha, que se voltou para Raj, estava com um ar completamente em pânico.

- E agora? – Perguntou-lhe – O que é que faço, Raj? Há um mês que ando a tentar perceber o que é que o anel e os dragões têm a ver com isto tudo, e não encontro nada! Tenho que salvar a Elaine… ela é como uma mãe para mim.

- Eu sei. Shh, tem calma. Vais conseguir sair desta.

- Como? A lua sobe em pouco mais de seis horas…

- Onde está o anel? – A rapariga levantou a corrente que levava ao pescoço, escondida pelo decote do vestido, e agarrou no anel lá enfiado – É a nossa melhor pista, Sam.

- É inútil – ela aproximou-se da janela, por onde os raios solares entravam e aqueciam o espaço, e começou a rodar o anel, o que formou uma espécie de brilho dentro dele, fazendo-a franzir as sobrancelhas – Raj… vem ver isto.

Enquanto ele se aproximava, ela tirou o fio do pescoço e colocou o anel mais ao sol, o que formou uma faixa de luz para dentro da floresta.

- O que é isso? – Perguntou o antigo comandante, espantado.

- É feito pelo sol. É algum caminho, talvez?

- Talvez o devesses seguir.

- Não tenho tempo para isso, tenho que salvar a Elaine.

- Ouve… tu ouviste as lendas. Dragões a reinar nos céus. O teu pai disse-te que esse anel era a tua herança, talvez ele…

- O quê? Me leve até dragões? Isso é de loucos!

- E se não for? Há curandeiros, há bruxas no meio dos bosques… coisas que não entendemos. Vale a pena tentar, não tens mais pista nenhuma.

Samantha engoliu em seco e respirou fundo, apertando o anel com a mão.

- Tens razão. Vou buscar um farnel à cozinha e vou tentar ver onde isto me leva. Mas Raj, dê por onde der, antes do anoitecer estou cá. E se não trouxer nada comigo, vou lutar para tirar a Elaine daqui.

- Tal como eu. Sabes que te seguirei em todas as lutas que travares. Agora apressa-te, quanto mais falarmos mais tempo perdemos.

 

Bem Bia espero que gostes (:

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3 comentários

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De Bia a 05.09.2013 às 16:48

Odeio o Jonah, a sério que odeio!! E aquele Marx também é detestável! A Sam tem que conseguir salvar a Elaine, ela é tão querida :) Adorei
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De ♥ Annie ♥ a 07.09.2013 às 00:32

Ás vezes tambem tenho preguiça de comentar, mas como sei que é importante faço-o na mesma, sempre.

Não, a Elaine não, ela é tão querida, não quero que lhe aconteça nada :c
E o Jonah é mesmo detestável, deus, por momentos pensei que, quando visse a mãe, a defendesse, mas nem assim...
Adoro tanto o Raj, ele tambem é um amor, adoro adoro adoro!
Espero que ela consiga encontrar, o que quer que seja que o Marx quer.
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De Annie a 10.09.2013 às 18:19

Oh meu deus, primeiro começam as coisas a descambar na Defensora e agora a Elaine está em perigo.
Eu bem digo, eu bem digo que às vezes mereces um puxão de orelhas.
Dragões? Oh Max, prepara-te.
Sempre ouvi dizer que a vingança é um prato que se serve frio, mas neste caso, parece-me que vai ser bem aquecido.

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