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DDO: Batalhas sem Fim

por Andrusca ღ, em 03.09.13

Capítulo 22

A Dor da Perda * Parte 2


Quando finalmente chegaram ao fim das escadas, viram, de frente para uma mesa de pedra, uma rapariga com um cabelo castanho-escuro, preso num carrapito impecavelmente bem feito e vestida com um manto negro, que lhe cobria todo o corpo. Voltou-se para eles segundos depois de terem descido o último degrau. Os olhos eram profundos, e abrigavam uma enorme sede de vingança. Abriu os lábios num sorriso, ao ver a ruiva à sua frente. Levantou a mão, mostrando o que segurava. A pequena boneca de trapos. Pequena, mas nas mãos da Bruxa, mortal.

- Chelsea Burke – disse ela, firmemente, apanhando a rapariga desprevenida. Agora ela tinha a certeza que Belle era uma das irmãs que governavam o Reino da Escuridão, nunca ninguém além das outras duas a tinha olhado com tanto ódio.

- Belle – falou Chelsea.

- Vejo que trouxeste um amigo – Belle começou a andar, abanando a boneca de trapos na mão, o que fez com que a ruiva se começasse a sentir um pouco maldisposta – Mataste as minhas irmãs.

- Elas mataram os meus amigos – de novo, Chelsea falou firmemente, pondo-se à frente de Tony, que até estava a ficar branco de medo.

Belle sorriu e, com a sua unha grande e bastante afiada, pintada de uma cor escura, fez um pequeno corte no tecido que fazia de braço direito da pequena boneca que segurava. Chelsea arquejou nesse momento e dirigiu logo a atenção para o sítio de onde provinha a dor: o seu próprio braço direito que mostrava agora um corte consideravelmente grande. Voltou a olhar para a Bruxa, que mostrava uns olhos confiantes e um sorriso glorioso.

- Como…? – Perguntou Tony, espantado, olhando alternadamente para Belle e para Chelsea – Já sei! Chelsea é a boneca! O que ela faz à boneca, acontece-te a ti!

A ruiva revirou os olhos. Sim, era um bocado óbvio.

- Sim, isso já percebi – murmurou ela.

- É inútil tentares usar os teus poderes em mim – avisou a Bruxa – Enquanto tiver esta boneca, são inúteis.

Belle cantarolou qualquer coisa impercebível e depois soltou uma pequena gargalhada. Parecia daquelas pessoas que tinham perdido o juízo e tudo o que faziam agora era rir sem haver qualquer motivo para tal. Em seguida agarrou na perna da boneca e levantou-a ligeiramente, fazendo a perna de Chelsea produzir o mesmo movimento sem que a ruiva se conseguisse controlar.

- Pára! – Gritou-lhe. Belle voltou a rir, e pousou a perna da boneca para depois agarrar no pescoço e rodá-lo ligeiramente para a direita.

- Pergunto-me o que aconteceria se separasse o pescoço do resto do corpo… - murmurou, com uma voz sinistra – Queres-me ajudar com a resposta, Chelsea?

- Não o faças – murmurou a Defensora do Oculto, enquanto sentia o seu pescoço começar a ser levemente puxado por uma força aparentemente invisível – Belle pára!

- Obriga-me.

“Ela controla a Chels pela boneca”, pensava Tony, “mas então… como? Em todos os filmes ou livros em que isto acontece, é preciso algo pessoal. Um objecto de valor, ou um fio de cabelo”. Observou bem a boneca.

- É isso! – Gritou, saindo de trás de Chelsea e, numa velocidade bastante veloz, mandando-se à Bruxa e mandando-a para o chão. A boneca voou das mãos de Belle e caiu no chão, fazendo com que Chelsea sentisse o embate e caísse também ela.

- Seu…! – Gritou Belle, pronta a atacar o amigo da Defensora. Mas ela já não tinha a boneca, já não estava imune. A ruiva fez com que Belle voasse até à outra ponta da sala e batesse contra a parede, caindo de seguida, enquanto Tony se levantava e agarrava na boneca.

- Toma – disse ele, dando a boneca a Chelsea, juntamente com alguns cabelos castanhos-escuros – Tirei-lhos agora. Substitui pelos teus Chelsea. Depressa!

A ruiva fez isso mesmo. Tirou todos os cabelos ruivos que estavam juntos à lã vermelha e atou alguns dos fios de cabelo castanho mesmo a tempo de ver Belle levantar-se e ficar paralisada a olhar para ela. O plano era bom, os poderes de Chelsea nunca resultariam nela logo nunca poderia roubar-lhe a boneca. Se Tony não tivesse ido, tudo correria na perfeição.

- Suponho que agora os teus poderes não funcionem em mim – pronunciou Chelsea – Adeus Belle.

Chelsea fê-lo rápido. Não se pôs com torturas psicológicas ou físicas, não a fez sofrer. Separou a cabeça da boneca do resto do corpo com uma velocidade que não superou dois segundos, e o corpo da Bruxa explodiu instantaneamente. A ruiva deixou as duas partes da boneca caírem no chão e viu-as pegar fogo, tornando-se em cinzas em questões de poucos momentos.

- Como vamos para casa agora? – Perguntou Tony.

Chelsea suspirou, ela não fazia a mínima ideia.

Nesse preciso momento, por trás das cortinas cor de vinho, sem que ninguém a visse, apareceu uma bela figura de longos caracóis negros. Xay. Apenas se viu o seu sorriso maquiavélico e o brilho do mal no olhar.

- Eu encarrego-me disso – murmurou, estalando-os dedos, sem que os dois jovens a ouvissem. Chelsea tinha passado no teste da Bruxa. Xay apenas a queria conhecer antes de a enfrentar. Conhecer os seus pontos fortes e os fracos, e usava as suas irmãs para tal. Ainda não estava totalmente pronta a enfrentar, queria continuar a estudá-la por mais um pouco. Se tivesse chegado mais cedo talvez tivesse informações mais valiosas. O seu nome, talvez. Mas não chegou.

O que se estendia à frente de Chelsea e de Tony mudou radicalmente e num segundo estavam na sala do palácio de Belle, e no outro encontravam-se no parque, de onde tinham saído há pouco mais de uma hora atrás. Olharam os dois para todos os lados, confusos, nenhum deles entendia como tinham regressado a Diamond City. Mesmo assim, Chelsea respirou fundo e abraçou Tony com todas as forças que tinha. Por segundos temeu mesmo perdê-lo e isso não poderia ser.

- Lamento tanto – sussurrou Chelsea, ao ouvido do amigo.

- Estás a gozar? – Ele desviou-a e ela viu o sorriso mais genuíno que alguma vez tinha visto, vindo dos seus lábios – Esta é o tipo de história que vou contar aos meus netos!

Mas um final feliz de uma história bonita para que os netos um dia ouvissem não estava no destino da Defensora. Pelo menos não nesta batalha.

O céu começou a ficar escuro, várias nuvens aproximaram-se sem qualquer aviso prévio, e Chelsea sentiu um grande calafrio percorrer-lhe cada milímetro do corpo.

- Vamos embora – murmurou, para o amigo.

Tony assentiu com a cabeça, mas quando ia para dar um passo perdeu as forças e caiu no chão, contorcendo-se de dor.

- Tony! – Gritou a bela ruiva, com uma voz de puro pânico. Ajoelhou-se perante ele e agarrou-o, ao mesmo tempo que olhava para todos os lados. Apenas viu uma sombra muito perto do céu já totalmente coberto. Não conseguia distinguir muitos traços do rosto, apenas que era uma rapariga que usava um vestido e que tinha o cabelo encaracolado a abanar ao sabor do vento. Os olhos, esses sim, conseguia vê-los bem, sendo de uma cor tão pouco usual. Era como se fossem capazes de se destacar do resto da face – Quem és tu?! Pára com isto!

Xay sorriu. Não, ela não ia parar. Agora vinha a segunda parte do seu plano. Descobrir o que aconteceria à Defensora quando perdesse um dos seus.

- Chelsea… Chelsea… - murmurou Tony, agarrando-lhe no braço e forçando-a a dar-lhe atenção. A voz estava fraca e os olhos da ruiva já se estavam a encher de lágrimas.

- Tony aguenta-te!

A Bruxa, do cimo dos céus, estalou os dedos e a respiração de Tony começou a ficar mais irregular. O ar custava-lhe a entrar.

- Pára! – Gritou de novo Chelsea – Eu faço o que quiseres, mas pára!

Mas Xay não o fez.

- Chelsea… não pares de lutar – pediu-lhe, com a voz sumida, fazendo-lhe com que fosse difícil de o ouvir. Mais um estalar de dedos vindo da Bruxa e o corpo de Tony ficou imobilizado no colo da Defensora.

- Tony? – Perguntou ela, com a voz a falhar-lhe e já a chorar – Tony não! Tony acorda! Tony!

Voltou a olhar o céu mas a imagem da rapariga já lá não estava. Os dados estavam lançados, Xay apenas tinha que esperar.

A ruiva sentiu todo o seu mundo começar a cair aos pedacinhos. “Não pares de lutar”, foram as últimas palavras do rapaz com quem cresceu, daquele que tantas vezes a ajudou a levantar-se após uma queda feia, de quem ela desejava poder acompanhar durante muitos mais anos.

- Chelsea! – Ouviu, ao fundo.

Dirigiu para lá as atenções, lavada em lágrimas, e viu que Jensen vinha a correr na sua direcção. Oyuan tinha pressentido o seu regresso e mandou-o para a ir buscar. Do outro lado do parque começou-se também a ouvir movimento. Várias pessoas chegavam e olhavam horrorizadas para a cena que viam. A Defensora, a guerreira do povo, com um cadáver no colo.

- Temos que sair daqui – afirmou o rapaz dos olhos azuis, tentando levantar a namorada, que estava agarrada com bastante força ao corpo do amigo – Vá lá, por favor.

Chelsea abanou a cabeça.

- Não o vou deixar! Deixa-me em paz! – Gritou-lhe, empurrando-o. Jensen engoliu em seco. Ele percebia-a. Tony era seu amigo também, mas as pessoas estavam a chegar e eram cada vez em número maior. Não teve escolha, agarrou na namorada e quebrou o frasquinho que Oyuan lhe tinha dado, que continha a poção que os levaria directos à Casa dos Guardiões.

Houve um grande clarão de luz e quando Chelsea conseguiu voltar a abrir os olhos e ver bem, ainda com lágrimas a caírem-lhe fortemente, constatou que se encontrava no grande salão, onde Oyuan e Clayde sempre a recebiam.

- Tony… - murmurou ela, afastando o abraço que Jensen lhe ia dar – O Tony está… ele… Eu devia ter podido fazer qualquer coisa… ele nem sabia… era completamente inocente…

- Não havia nada que pudesse ser feito – garantiu Oyuan, enquanto Clayde assentia. Ele falou calmamente, tinha também uma feição infeliz – É triste, ele não devia ter conhecido esse fim…

- Então trá-lo de volta – implorou Chelsea, à medida que as lágrimas caíam. Não seria a primeira vez que Oyuan traria algum dos seus amigos de volta. Tony nem se precisaria de se lembrar de nada, desde que estivesse vivo – Trá-lo de volta. Já o fizeste uma vez. Por favor!

- Não posso minha cara… ele cumpriu a sua tarefa, fosse qual fosse.

Por muito que Oyuan quisesse, ele não podia ressuscitar os mortos sempre que queria. Os seus poderes eram tudo menos ilimitados. Apenas podia fazer aquilo que os Deuses lhe permitiam, e segundo eles, nem todos os que morrem podem ser ressuscitados. Algumas pessoas estão mesmo destinadas a esse fim, mesmo que seja injusto ou cedo demais.

- Isso são tretas! Ele é meu amigo, e morreu por minha causa! – Gritou ela, ficando depois com a expressão vazia – Ele morreu… por minha causa. Tens que o trazer de volta. Por favor, ele tem que… tem que casar com a mulher da vida dele, tem que ter filhos, tem que cumprir todos aqueles sonhos que dizia ter… tem que viver! É demasiado novo Oyuan, não pode estar morto! Por favor, faz alguma coisa!

- Lamento.

A ruiva engoliu em seco. Isto não estava bem. Não havia nada nesta história que estivesse bem. Na primeira batalha observou duas Bruxas matarem o seu irmão, a sua então melhor amiga e o seu namorado. Foram ressuscitados sem que nenhum se lembrasse nada. E nesta batalha, perdeu o Tony. Como pode alguma destas coisas ser o pagamento para todo o seu esforço em manter a Escuridão fora da Terra? Como é que é justo?

- Então eu acabo com tudo. Acabou. Chega de lutas, chega de demónios. Estou farta! Estou cansada. Isto não me trouxe nada além de problemas. A Cassie não se lembra de mim! Descobri que o meu pai me prenderia se soubesse quem sou! E agora… agora o meu melhor amigo foi-se… ele… o Tony… Estou farta, desisto!

As roupas de Chelsea regressaram ao normal e o pingente, que brilhava ao seu pescoço, emitia uma luz cada vez mais fraca. “Nunca quis isto, odeio isto”, pensava a rapariga. Levou a mão ao pescoço e arrancou o colar, mandando para o chão à medida que via a luz apagar-se. Chelsea sentiu-se algo aliviada, mas todos os outros ficaram mais que preocupados. Para onde teria ido aquela luz? O que tinha acontecido?

O pingente estava a ficar agora sem brilho, sem vida, sem força. Estava roxo baço. A verdade é que o pingente é apenas tão forte quanto a sua portadora, e apesar do seu coração puro, naquele momento Chelsea não tinha luz nenhuma dentro de si. Talvez ela aparecesse de novo, talvez não.

Chelsea deu meia volta e começou a andar, lentamente.

- Não podes desistir. É o teu destino! – Gritou-lhe Oyuan.

- O destino que se lixe – disse a rapariga dos cabelos ruivos.

Will e Jensen ficaram paralisados. Não souberam o que fazer nos breves segundos em que o salão ficou silencioso e apenas se ouviam os passos de Chelsea a afastarem-se cada vez mais. Ela estava cansada. Nunca tinha pedido por nada disto e agora perdera uma das pessoas que lhe eram mais queridas. Precisava de tempo. Tempo longe de tudo o que fosse demoníaco, ou mágico, ou qualquer coisa fora do normal. Dirigia-se para casa, fosse o caminho qual fosse. Havia de encontrar um Guardião que a encaminhasse, havia de chegar ao seu destino.

Jensen trocou um olhar com Will, que o incentivou a ir atrás da namorada, e ele assim fez, deixando o loiro ao lado dos dois Guardiães.

Oyuan sabia que Chelsea estava de cabeça quente, mas Clayde estava insegura sobre o facto de a rapariga ter, ou não, pretendido mesmo dizer aquilo. Para ela, o fim da Defensora do Oculto podia estar mais próximo do que se esperava. Chelsea não era como Faith, e Clayde foi a primeira a perceber que as duas não podem ser confundidas. Faith deixava que o dever a guiasse, enquanto Chelsea nunca conseguiu esconder as emoções visto serem estas que a levavam a suportar tudo.

- Achas… - Clayde olhou para Oyuan, e nos seus olhos viu também medo. Medo de que a Defensora do Oculto estivesse a falar a sério – Achas que é o fim?

- Não sei – limitou-se o sábio Guardião a responder, cruzando os braços.

 

Continua...

 

Pronto esta parte acabou, e gostava de saber o que acharam.

A quem comenta, obrigado, a quem não comenta espero que percam a preguiça.

A terceira parte há-de chegar.


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7 comentários

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De Bia a 03.09.2013 às 16:16

Isto não pode acontecer, ela tem de continuar!! Posta a 3ª parte rápido, que isto é desesperante ;D

«Ele morreu… por minha causa. Tens que o trazer de volta. Por favor, ele tem que… tem que casar com a mulher da vida dele, tem que ter filhos, tem que cumprir todos aqueles sonhos que dizia ter… tem que viver!» Esta parte está tão, mas tão linda! Fez-me mesmo chorar!!
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De UmToqueDeSentimentos a 03.09.2013 às 20:45

AWESOME!
o.O
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De Raqueel a 04.09.2013 às 11:24

Oh ele morreu :c coitado :c compreendo a atitude da Chels... E adoreiiiiiiiiiiii claro *-*
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De Syrena a 05.09.2013 às 14:06

oh o Tony :'(
mas tal como ele disse, a Chelsea não pode parar de lutar
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De ♥ Annie ♥ a 05.09.2013 às 18:45

Tu deves gostar muito de me por a chorar, só pode!
Não acredito que o Tony morreu. NÃO ACREDITO, ELE NAO PODE TER DESAPARECIDO, NAO PODE!
Se eu tivesse no lugar dela, fazia exatamente o mesmo. Não conseguiria aguentar, desistia tambem.

Oh querida sabes que simplesmente adoro esta historia, e esta temporada não é exceção. Aquela ansiedade para o Jensen se lembrar, o Richard voltar a descobrir tudo, ela derrotar mais bruxas e principes, e agora o Tony ter morrido. Emociono-me bastante a ler esta história, e adoro. Agora podes é parar de matar pessoas, agradecia :)
Já sabes, amo esta história, e fico á espera da proxima temporada <3
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De Annie a 10.09.2013 às 18:11

Ai meu deus, ai Andreia Maria Ramos que é desta vez que eu vou a tua casa e que te mato.
Então tu matas-me o Tony? O Tony que é o melhor amigo da Chels e da Helen. O Tony que tem aquele "ar" super tranquilo e que se preocupa com tudo e todos?! Ai jesus, que me vai dar uma coisa má.
E agora, agora a Chels desiste assim.
Se eu não soubesse as tuas capacidades, deixava já de ler a história. A tua sorte é seres talentosa :)
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De Yria Rivers a 16.02.2014 às 19:48

eu nem consigo comentar isto, tenho tanta pena do tony...

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