Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




DDO: Batalhas sem Fim

por Andrusca ღ, em 29.08.13

A Defensora nunca esteve tão embaixo em termos de comentários vossos, já me estão a deixar triste...

 

Capítulo 22

A Dor da Perda * Parte 1

 

- E onde está ela agora? – Oyuan perguntou.

Assim que deixou o casal e retornou a Diamond City, depois de deixar Chelsea, Jensen rumou à casa de Will e juntos vieram para a Casa dos Guardiães.

- Deixei-a na escola – respondeu o rapaz dos olhos azuis – Ela não queria, mas eu insisti. Mas vá lá Oyuan, quem é essa Belle? É uma das Bruxas?

- Sim. Belle é uma das Cinco Bruxas da Escuridão. E pelo que parece juntou um plano com o Jecek. Agora não é uma altura para a Chelsea ficar desprotegida – afirmou o Guardião.

- As aulas dela já devem ter acabado. Vamos ter com ela, pô-la a par das coisas, avisá-la para ter cuidado – disse Will.

- Não vou sair do seu lado até que isto esteja resolvido – comprometeu-se Jensen.

Assim que retornaram à Terra, Jensen telefonou a Chelsea e combinou encontrar-se com ela no parque, ao pé do pequeno lago que lá havia, e a ruiva concordou.

 

 

- Mas então porque faltaste à primeira aula? – Perguntou Tony, que ia a caminhar com Chelsea até ao parque.

- Já te disse, estava enjoada Tony, que coisa – respondeu ela – Ouve… eu vou-me encontrar com o Jensen…

- Já percebi, querem ficar sozinhos – disse ele, revirando os olhos – Relaxa, eu deixo-te lá e depois vou à biblioteca, tenho que lá ir buscar um livro e sabes que se tem que passar pelo parque para lá ir.

Chelsea sorriu nervosamente. Não era que quisesse que o amigo se fosse embora, pelo contrário, adorava cada minuto que passava com Tony, mas já sabia que Jensen e Will iriam ter novidades sobre o que se passou mais cedo, e estava preocupada sobre o que poderia ser.

Finalmente entraram no parque, e Chelsea avistou Jensen e Will de costas ao pé do lago. Com o frio de Fevereiro que se fazia sentir, o parque estava praticamente abandonado ao vento e aos poucos pássaros que voavam de árvore em árvore.

- Eu vou por aqui – disse Tony, apontando para a direita, onde, mais à frente, se encontrava a biblioteca.

Assim que se afastou por dois passos, Chelsea sentiu um calafrio e começou a ver uma roda negra criar-se por baixo de si. Olhou alarmada para o namorado e o aspirante a Guardião, que estavam de costas.

- Jensen! – Gritou ela, com o pânico na voz. Tentou sair de lá, tentou saltar o que antes era um círculo e agora se começava a formar numa bola, tendo-a a ela no centro, mas houve qualquer força mágica que não a deixou.

- Chelsea! – Gritou Jensen, começando a correr na direcção da namorada.

Tony, que estava mais perto, alarmado pelos gritos, deu meia dúzia de passos e saltou para dentro da enorme bola escura mesmo a tempo desta desaparecer, não deixando rasto de nenhum dos dois.

Jensen e Will pararam nesse mesmo sítio, a olhar para todos os lados.

- Agora a vossa luta é comigo – ouviram, por trás. Voltaram-se os dois rapidamente. Jecek.

 

 

- Chelsea… Chelsea – a ruiva finalmente abriu os olhos e, assim que o fez, viu o rosto de Tony próximo do seu. O amigo suspirou, aliviado, e deixou-se descair para trás, sentando-se na terra.

- O que estás aqui a fazer? – Perguntou a ruiva, confusa – Tony, não devias estar aqui! – Ela olhou em volta e, ao ver onde estava, levou as mãos à cabeça em sinal de desespero. Para trás de si apenas tinha bosque; para a frente, um palácio. Era enorme e tinha várias torres, mas parecia antigo e tinha mau aspecto – Onde estamos?

O amigo encolheu os ombros e ela suspirou, olhando para o céu de seguida. Estava negro, completamente negro, e por isso pouca luz havia. “Isto é uma armadilha para a Defensora”, pensou Chelsea ao olhar para Tony, “e bolas, ele também foi apanhado”. O rapaz levantou-se e olhou também em volta. Ele estava mais confuso que ela, mas não o queria deixar mostrar. Queria ser corajoso para a poder proteger, desconhecendo que estava na presença da sua idolatrada Defensora do Oculto.

- Temos que ir para ali – afirmou, apontando para o palácio, que ficava a alguns metros. Assim que o disse, começou a andar nessa direcção, mas a amiga impediu-o agarrando-lhe na mão.

- Espera – pediu Chelsea – Isto não pode estar certo, é demasiado óbvio.

Ela fechou os olhos por breves momentos e não teve dúvidas, tudo naquele lugar lhe sentia a escuridão.

- Temos que fazer alguma coisa, não podemos ficar aqui para sempre – argumentou ele – Olha, o que é que sabes sobre estas coisas? Como é que íamos sobreviver aqui até que alguém nos viesse buscar? E pior, e se ninguém vier Chelsea? Não podemos simplesmente ficar aqui parados, talvez naquele palácio alguém nos ajude.

- Acabaste de te ouvir? – Perguntou ela, retórica – Credo Tony, tu nunca vês filmes? Isso é o que todos pensam antes de serem mortos. Achas que um palácio assustador no meio do nada é um bom presságio? Que mora lá algum casal idoso e amigável e que nos vão dar uma tarte de maçã enquanto esperamos? Não quero ir para lá Tony, ficamos aqui.

- Ouve, eu sei que tens medo, mas não vamos ficar aqui no meio das árvores, quando provavelmente há ali gente que nos pode ajudar.

Ela pressionou os lábios. “Eu sou a Defensora do Oculto”, pensou, apesar de desejar tê-lo dito em voz alta. Sim, estava inundada de medo, assustada até aos cabelos, mas se estivesse sozinha ainda conseguiria suportar melhor, apesar de nunca desejar estar só num momentos destes. Mas tê-lo lá, alguém sem poderes e que não se consegue defender dos perigos da Escuridão, deixa-a ainda mais aterrorizada.

- Tony, ouve… tu não compreendes…

- Então eu vou e peço ajuda, e depois venho ter contigo, combinado? Não te preocupes, se acontecer alguma coisa a Defensora do Oculto ajuda-nos, ela vem sempre nestas situações – ele sorriu no final da frase para incentivar a amiga, mas Chelsea ainda se sentiu pior. “Ela não é assim tão forte”, pensou a ruiva.

- Acho que desta vez estamos por nossa conta, Tony – declarou, engolindo em seco – E eu não… - parou de repente ao sentir um mau pressentimento. Não, não era um mau pressentimento. Demónios. Ela sentia demónios.

- O quê Chelsea? – Perguntou Tony.

- Shh – ela apenas fez o som, e depois voltou-se para trás, para todas as árvores, e apenas observou os ramos a mexerem devido ao vento e as folhas espalhadas no chão a bailarem cada vez mais.

- Chel… - Tony não teve tempo de acabar o nome da amiga pois um demónio saltou do cimo de uma árvore e aterrou entre os dois. Ia atacá-lo, mas Chelsea empurrou-o e, defendendo-se do ataque do demónio com o antebraço, e deu-lhe um pontapé na barriga que o fez retroceder.

Ele sorriu, e atrás de si apareceram mais. Deviam ser acerca de vinte, e Chelsea sentiu o coração bombear o sangue muito mais depressa nessa altura. Mais um mandou-se a ela, mas pouco depois acabou no chão, para grande surpresa de Tony.

- Onde aprendeste a fazer isso? – Era só o que ele perguntava, enquanto, um a um, os demónios iam sendo mandados para o chão.

- Tony – murmurou Chelsea, agarrando-lhe na mão – Corre para o palácio!

- Mas tu disseste…

- Palácio! Agora! – Mais demónios estavam a chegar de dentro da floresta, e Chelsea, apesar de saber que era tudo um jogo para a fazer entrar no palácio, não conseguiu evitar de jogar. Se ficasse seria morta por eles, entrando e seguindo o jogo talvez tivesse algum tempo para pensar e resolver as coisas. Pelo menos assim esperava.

Correram sobre uma ponte de madeira que passava por cima de um rio que circundava todo o palácio e entraram pela porta dupla, de madeira e grande, fechando-a em seguida. À sua frente estendia-se um longo corredor bastante escuro. Viam-se várias sombras junto às paredes, escravos a esconderem-se, demónios a observar, mas todos eles sem faces ou corpo por bem dizer. Apenas as sombras. Chelsea engoliu em seco, nunca se safaria sem se transformar, nunca poderia proteger Tony se não o fizesse.

- Isto é arrepiante – murmurou ele, quando olhou para onde estava – Definitivamente não vivem aqui velhinhos simpáticos – voltou-se depois para a amiga – Chels, onde é que aprendeste a lutar assim? Aqueles movimentos foram fantásticos!

Ela suspirou e encolheu os ombros. Já estavam nesta confusão juntos, não havia volta a dar.

- Já te devia ter dito isto antes – afirmou. Respirou fundo e concentrou-se, deixando-se iluminar por aquela luz roxa que, aos olhos arregalados de Tony, lhe mudou as vestes e esticou o cabelo, tornando-a na guerreira de que ele tanto gosta – Não te devias ter mandado para dentro da bola, Tony.

Foi a vez de o rapaz engolir em seco. Se antes achava que isto era uma loucura, então agora tinha quase a certeza de que estava a sonhar.

- Só podes estar a gozar comigo – foi a reacção dele.

 

 

- Levanta-te e luta cobarde! – Jecek cuspiu as palavras, e Jensen, já com o seu fato de luta vestido, cerrou os punhos e levantou-se do chão, enraivecido. Olhou para Will, o loiro já tinha desmaiado há alguns minutos, e ele próprio já tinha estado perto de perder os sentidos várias vezes.

Jensen mandou-se àquele que, noutra vida, tinha sido seu irmão e atacou sem pensar duas vezes, envolvendo-os de novo aos dois naquele bailado de murros e pontapés que os entretinha há já algum tempo. Jecek caiu, e Jensen pousou o seu pé na garganta do Príncipe, para que não se movesse.

- Diz-me onde ela está – ordenou, ao que Jecek apenas sorriu de um modo maldoso – Diz-me!

- A Escuridão já a tem – limitou-se ele a dizer, mostrando de novo aquele sorriso que tinha tanto de encantador quanto de trevas.

“Ele não me vai dizer nada”, pensou o rapaz do cabelo negro e olhos azuis, com tristeza. Engoliu em seco e, antes que pudesse pensar duas vezes, Jecek soltou-se e tornou-se invisível logo de seguida.

- Pensava que querias uma luta justa! Chamas-me de cobarde, mas escondes-te com os teus poderes – Gritou Jensen, obtendo uma gargalhada como resposta.

- És um tolo se pensas que vais ganhar esta guerra – disse Jecek – Um tolo, Byron.

À frente de Jensen formou-se uma espada, completamente vinda do ar, para sua surpresa. No entanto, ele reconheceu-a. Lembrava-se dela em sonhos, em lutas do passado… sabia que era sua. Tinha um cabo escuro, mas a lâmina brilhava de tão limpa estar a prata que a formava. Talvez os seus poderes fossem em algo parecidos aos de Chelsea, talvez ainda tivesse alguns truques além dos evoluídos movimentos de luta e da habilidade de levitar. Agarrou na espada e, ao sentir um mau pressentimento, ao confiar totalmente nos seus instintos de guerreiro, voltou-se para trás e espetou-a no que parecia ser ar. Jecek apareceu nesse momento, com a espada a trespassar-lhe o sítio do coração, e a começar a deitar sangue da boca. Caiu, e Jensen desviou-se enquanto o via desaparecer e as cinzas serem levadas pelo vento que se tinha formado.

- Pelo menos ganhei esta batalha – afirmou, agarrando na espada com força antes desta, também, desaparecer com a mesma velocidade com que aparecera. Jensen ficou confuso, mas não tinha tempo a perder. Só conseguia pensar em Chelsea, tinha que a achar.

Correu até onde Will estava e deu-lhe estalos na cara até este acordar, sobressaltado, para que fossem pedir auxílio aos Guardiães. Tinham chegado tarde demais, Belle já tinha apanhado a bela ruiva de longos caracóis.

- O que aconteceu? – Perguntou Clayde, ao ver a figura de Jensen, que apresentava o fato roto nas mangas e arranhões por todo o braço direito, e de Will, que tinha apenas o lábio rebentado.

Os rapazes explicaram tudo. Com impaciência, sim, mas certificaram-se de que nenhum detalhe falhava. Teriam que jogar bem as cartas que ainda tinham no baralho, não podiam cometer erros.

- Toma isto – disse Oyuan dando um frasco, com um líquido que parecia prata derretida dentro, a Jensen – Parte-o quando precisares de vir para cá. É uma poção e vai-te dirigir directamente para cá. Encontra a Defensora, e trá-la.

 

 

O silêncio era o que mais reinava naqueles corredores que pareciam nunca mais ter fim. De quando a quando Chelsea olhava para Tony, que permanecia calado e preso a pensamentos. Ela não sabia o que lhe dizer, temia que tivesse ficado chateado, mas tal não era verdade. Ele estava apenas surpreendido, custava-lhe um pouco a acreditar que a sua melhor amiga de infância, a rapariga que tem medo de tudo e é desastrada, é na verdade a Defensora do Oculto.

- Diz alguma coisa – pediu a ruiva, ao fim de vários longos minutos.

- Estou assustado – murmurou ele, baixinho – Queria-me manter firme por ti, por saber que tens sempre medo de tudo e isso, mas… aparentemente não tens.

Ela riu. Ele não sabia o quão mentira aquilo era.

- Estou aterrorizada – afirmou – Caí numa armadilha, Tony, e tu não devias ter saltado para me ajudares. Se soubesses que eu era a Defensora, que me podia defender… Acho que desta vez estamos mesmo em grandes problemas.

- Quem nos trouxe aqui?

- Acho que foi uma das Bruxas da Escuridão. Eu sei, parece tolo, ou mentira, mas é verdade e perigoso. Acho que o nome dela é Belle.

Ele queria rir, mas ao mesmo tempo não achava piada nenhuma ao que estava a acontecer. Bruxas? Escuridão? Mais parecia um enredo de um filme com um fraco argumento e mal produzido. Quando ia falar qualquer coisa, começou-se a ouvir um cantarolar e Chelsea sentiu um aperto no coração. “Não posso deixar que ele se magoe”, pensou ela.

- O que é isto? – Perguntou o rapaz.

- A Belle – adivinhou ela, ao ver uma porta dupla abrir-se na frente deles, dando caminho a umas escadas que ambos começaram a descer. Eram de pedra, tal como as paredes, e em forma de caracol, e cada vez mais Chelsea sentia que não devia estar a tomar aquele caminho. 

Autoria e outros dados (tags, etc)


4 comentários

Sem imagem de perfil

De Syrena a 29.08.2013 às 18:55

Adorei :)
O Jecek ja foi à vida, falta a Belle
Sem imagem de perfil

De Bia a 31.08.2013 às 15:24

OMG!! Tens de postar a continuação rápiod, por favor!! O Jensen tem que a conseguir salvar!!
Imagem de perfil

De ♥ Annie ♥ a 03.09.2013 às 20:01

Tony, não!
Ele foi mesmo querido a querer ser forte para a proteger, mas agora vai acontecer-lhe alguma coisa má, e eu não quero isso :c
Ainda bem que o Jecek já foi á vida. Menos um...
Jensen, Por favor ajuda-os, por favor...
Adorei <3
Imagem de perfil

De Annie a 10.09.2013 às 18:02

Esta Belle, só me apetece desfazê-la aos pedacinhos e dar comida aos leões.
Malditas bruxas e príncipes da escuridão.

Comentar post




Mais sobre mim

foto do autor




The Ghosts

web counter free