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DDO: Batalhas sem Fim

por Andrusca ღ, em 25.08.13

Quem ainda não leu o capítulo anterior, vá ler.

Depois deste já só falta o 22, estamos a chegar ao fim.

Quem lê por favor diga o que achou.

 

Capítulo 21

O Plano da Escuridão * Parte 2

 

- O que se passou? – Perguntou ela.

- Encontraram o Jecek, está perto daqui, ao pé dos campos de trigo. Fez de propósito para ser visto, de certeza, e negociou soltar três pessoas se aceitasses ir ter com ele.

Chelsea franziu o sobrolho, havia qualquer coisa mal contada nessa história.

- Então vamos – afirmou – Eu depois digo que me senti doente ou assim. Mas espera! Tu não devias faltar à universidade Jensen, devias…

- Nem sonhes que te deixo ir sozinha – interrompeu ele – Isto é claramente uma armadilha, já me devias conhecer um pouco melhor.

Ela assentiu com a cabeça e dirigiram-se os dois para a mota de Jensen, que estava estacionada um pouco mais adiante.

Os campos de trigo eram um enorme descampado, a poucos quilómetros fora da cidade, apenas utilizado para… plantar trigo. Costumavam ser muito melhor tratados no passado, do que é agora, mas mesmo assim notava-se que lhes era dedicado bastante trabalho. As espigas já estavam bastante altas, ultrapassando mesmo a cintura de Jensen. Ele deixou a mota um pouco afastada, estacionada na borda da estrada, sítio onde também ambos se transformaram. Caminharam os dois de mão dada até ao início da plantação de milho e depois olharam em volta.

- Para onde? – Perguntou Chelsea.

- Como queres que saiba? Tu é que podes detectar demónios, certo? – Ela revirou os olhos e ele encolheu os ombros.

A ruiva fechou os olhos e concentrou-se apenas no que os seus sentidos lhe diziam. Conseguia ouvir o vento e as espigas a abanarem levemente ao seu sabor; ouvia um ou outro pássaro que andavam apenas de passagem e sentia-se relaxada, muito relaxada. Tentou concentrar-se mais, precisava de algum sítio de onde captasse uma má vibração. Precisava que um arrepio lhe percorresse a espinha e sentisse aquele mau pressentimento que tantas vezes sentiu.

- Então? – Perguntou-lhe Jensen, assustando-a levemente.

- Isto não é assim – resmungou ela –, tens que ter calma.

Voltou a respirar fundo e a concentrar-se de novo nas sensações. Com os olhos fechados via apenas sombras, apenas produtos da sua imaginação, ou não, que andavam de um lado para o outro. Mas depois de algum esforço, conseguiu sentir de onde a escuridão vinha. Abriu os olhos e esticou o braço, de dedo esticado a apontar o caminho para a frente.

- Por aqui – afirmou – Mesmo no meio da plantação.

Jensen assentiu com a cabeça e começaram os dois a correr na direcção que Chelsea tinha indicado, até chegarem a um círculo em que as espigas de milho se encontravam mais baixas, muito mais baixas, não chegando a passar dos tornozelos de ambos. Um casal de jovens estava desmaiado, no chão, mas tirando isso mais nada se via.

- Isto não faz sentido – murmurou Jensen – Disseram que ele aqui estava.

Chelsea rodou sobre o seu próprio corpo e não viu nada além daquela paisagem amarela-torrada a contrastar com o azul do céu. A rapariga engoliu em seco, ela continuava a sentir uma presença maligna, sabia que sim.

- E está – garantiu, agarrando o namorado pela mão, impedindo-o de avançar na direcção do casal – Ele torna-se invisível, lembras-te? Ele está aqui, consigo senti-lo.

Jecek, colocado mesmo atrás da rapariga, rangeu os dentes. Ela tinha evoluído desde a última vez que se encontraram, conseguia perceber isso. Esticou o braço para a alcançar, apenas precisava de um fio de cabelo, nada mais mas, quando estava prestes a tocar-lhe, a Defensora virou-se bruscamente e acertou-lhe na barriga, mandando-o ao chão, fazendo-se notar pelo abanão que as espigas sofreram e pelo facto de algumas terem ficado esmagadas. “Como é que me descobriu?!”, pensou ele, irado.

- Mostra-te, deixa de ser um cobarde! – Gritou Jensen, alerta.

Jecek levantou-se e permitiu-lhes vê-lo, formando um sorriso logo em seguida.

- Irmão, que saudades – Disse, ironicamente – Sabes Byron, nunca imaginei que descesses tão baixo. Mas nada disso importa. Eu vou destruir-te. Ambos vocês.

- Foi para isso que me mandaste chamar? Para nos dares um aviso? Para veres se temos medo das tuas ameaças? – Perguntou Chelsea que, apesar de estar cheia de medo por dentro, não mostrou qualquer sinal de o temer.

O Príncipe da Escuridão formulou uma gargalhada bem alta e Jensen cerrou os punhos, de ódio.

- A tareia que te dei há poucos meses não foi aviso suficiente? – Perguntou Jecek, quando acabou de se rir sozinho.

Jensen não aguentou mais, passou por Chelsea e deu um murro na cara daquele com quem, noutra vida, partilhara o mesmo sangue. Num segundo Jecek ameaçava e ria, e no outro tinha esquecido por completo qual a sua missão ali era. Tinha-se envolvido numa luta com Jensen da qual Chelsea só desejava um fim. Já farta de gritar e ordenar que parassem, a Defensora separou os dois apenas com o poder da mente, mandando-os aos dois ao chão, um para cada lado. Aproximou-se depois de Jecek e este sacou de um punhal, que tinha preso no cinto, e apontou-lho.

- Pára! – Veio de uma voz que ninguém conseguiu identificar de onde. Era melódica e serena, mas por trás de toda essa farsa ansiava vingança – Lembra-te do que foste fazer. Não me falhes, Jecek.

- Sim… Belle – afirmou o jovem Príncipe, levantando-se e recompondo-se – Não te vou falhar.

Num gesto rápido agarrou Chelsea e, com o seu braço à volta do pescoço da rapariga, apenas lhes arrancou uns poucos cabelos, mandando-a depois para ao chão, para ao pé de onde Jensen ainda se encontrava meio sentado. A ruiva ficou a olhar para ele confusa, mas ele apenas sorriu e desapareceu, deixando-a sem saber o que pensar.

- O que é que acabou de acontecer? – Perguntou ela, enquanto Jensen a ajudava a levantar.

- Não sei – limitou-se ele a responder – Anda lá, temos que levar estas pessoas para fora daqui e depois vamos falar com o Will.

E assim fizeram. Depois de deixarem aquele casal perto da estrada, para que alguém o socorresse, Chelsea e Jensen voltaram ao seu aspecto habitual e voltaram a rumar para dentro da cidade.

- Que voz seria aquela? – Perguntou Jensen, enquanto conduzia.

- Não sei… - murmurou Chelsea, preocupada.

 

 

- Aqui tens – afirmou Jecek, ao descer as escadas depois de entrar pela porta dupla que ia dar à sala em que Belle ainda estava, de volta da enorme mesa de pedra. A Bruxa voltou-se para ele e abanou a cabeça, indo na sua direcção e tirando-lhe os finos fios de cabelo ruivo que tinha na mão, de uma maneira bruta. Ela estava furiosa, odiou ter que interferir quando apenas lhe tinha dado uma missão tão simples. Atrair a Defensora e arrancar-lhe poucos fios de cabelos. Mas não, Jecek teve que se armar em espero e ousar pensar em matá-la. Se Belle não tivesse interferido, ele teria morrido e ela nunca conseguiria pôr o seu plano em marcha.

- Quase arruinaste tudo! – Acusou-o, com uma voz já não tão serena.

- Eu sei – respondeu, mal-humorado – Vi-o lá, com ela. O Byron. Ela roubou-o de mim e fez com que me atacasse! Senti-me com raiva.

Belle aproximou-se mais dele e pousou-lhe a mão no ombro, fazendo-lhe festas, como se o confortasse.

- Vais obter a tua vingança – prometeu – Vamos ambos obter as nossas vinganças.

A Bruxa voltou-se de novo para a sua mesa, onde repousava um cálice feito de osso com vários detalhes entalhados, tais como símbolos do oculto ou caveiras, e cheio com um líquido de um tom prateado com vários reflexos de azul clarinho.

- Tens tudo o que precisas? – Perguntou Jecek.

Belle mandou-o calar, retirando apenas um dos fios de cabelo de junto dos outros, e pousando os restantes em cima da mesa, perto da boneca já completada. Desses, retirou três, que atou na lã que fazia de cabelo na pequena boneca. Seria isso que ligaria a boneca a Chelsea, seria isso que permitiria Belle a magoar a Defensora do Oculto.

O fio que ficou na sua mão, juntou-o ao cálice em que aquele estranho líquido jazia, o que causou uma pequena explosão com o vapor dos mesmos tons. Belle fechou os olhos e inspirou aqueles vapores, concentrando-se para fazer a sua magia. Aos poucos um rosto foi-se formando na sua mente. Uma bela rapariga de olhos verdes e caracóis ruivos. Depois algumas memórias da sua vida, incluindo tempo que passou com a família e os amigos e, incluindo também, alturas em que escreveu o seu nome ou foi chamada por alguém. A Bruxa tomou mais uma golfada daqueles vapores e voltou a mergulhar na vida da Defensora até já não haver quase nada que restasse para ser visto. Por fim abriu os olhos e um sorriso diabólico apareceu-lhe nos lábios quando, ao voltar-se para Jecek, sorriu e disse:

- Já a descobri. Chelsea Burke.

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5 comentários

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De Syrena a 25.08.2013 às 13:41

e aqueles dois descobriram quem é a defensora -.-'
o que irão fazer a seguir?
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De Maria a 28.08.2013 às 17:56

omg descobriram a chelsea? eii já está tudo estragado.
posta please
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De Bia a 29.08.2013 às 13:26

A Belle assusta-me como tudo a falar das bonecas e afins, aquilo tem muito que se lhe diga. E ainda por cima descobriu a Chelsea! Maiiiiiiiis ;D
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De ♥ Annie ♥ a 03.09.2013 às 16:17

oh fuck, eles descobriram-na.
E o Jecek não gostou mesmo nada de ver o irmão do lado da defensora, estupído!
Já está no fim?!? Como é que isso é possivel?!? Esta temporada passou mesmo depressa!
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De Annie a 10.09.2013 às 18:00

Ai rapariga, é por isso que eu gosto das tuas histórias. Em alguns capítulos, juro que me apetece ir ao pé de ti e dar-te um abraço, noutros apetece-me enrolar-te a cama com o lençol e deixar-te lá a sofrer.
Eles descobriram-na e isto só pode piorar.
Adorei <3

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