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DDO: Batalhas sem Fim

por Andrusca ღ, em 19.08.13

Estou oficialmente de volta.

E porque carga de água só tenho um comentário na Armadura do Coração e é quando tenho? Ai ai mau mau maria.

Á minha mais recente leitora, a fantasminha Fátima, respondi ao teu comentário no capítulo anterior (:

 

Capítulo 21

O Plano da Escuridão * Parte 1

 

Cada Bruxa tinha o seu palácio, mas todos eles eram idênticos. Eram todos escuros, todos tinham escravos a passearem de um lado para o outro e a lamuriarem-se do destino, enquanto demónios os torturavam de uma maneira física ou psicológica. De uma das salas mais afastadas de tudo o resto, aparecia uma melodia digna de se ouvir. Não se distinguiam palavras, apenas sons, mas eram sons belíssimos. A sala era oval e escura, tendo apenas duas janelas com grades, para que entrasse alguma luz, e estava decorada com pouca mobília – e a que havia estava coberta de teias de aranha ou pó. Uma pequena poltrona cor-de-rosa repousava a um canto, ao pé de uma das colunas que suportavam as paredes, perto de uma arca, e uma grande mesa de pedra ficava encostada a uma das paredes. Em cima dela vários frascos repousavam. Continham de tudo, desde pés de sapos até saliva de morcego. Dentro de uma pequena caixinha de madeira estavam tecidos e lãs, e ao lado, uma boneca já feita. Era simples, uma bola era a cabeça, outra o corpo, e depois quatro “chouriços” formavam as pernas e os braços. Dois botões negros fingiam de olhos, e a boca era apenas uma linha costurada. A lã vermelha serviu para fazer o seu cabelo, que se encontrava longo, e todo o corpo estava enrolado num tecido roxo, fazendo o que parecia ser um vestido que dava até meio da perna.

- Tens a certeza de que podes fazer isso?

A melodia parou de sair dos lábios da bela rapariga de estatura média, vestida com um manto negro que lhe ia até aos pés, e com o cabelo castanho-escuro preso num carrapito. Anteriormente estava a fazer os últimos retoques na sua boneca, mas assim que ouviu a voz do companheiro, voltou-se para ele. Jecek não estava confiante, mas Belle tinha a certeza das suas capacidades e, como tal, mostrou-lhe o sorriso de anjo que escondia a sua alma negra.

- Ela matou duas das minhas irmãs Jecek, não és apenas tu que procuras vingança – garantiu – Acredita, eu posso fazê-lo. Logo após lhe retirares o cabelo e de o trazeres, posso-te dizer quem ela é, e atraí-la cá. Com as minhas bonecas morrerá em instantes.

Jecek bateu com o punho na mesa de pedra, com força, ao lembrar-se dos irmãos. Ele odiava a Defensora mais que a qualquer outra pessoa. Já os tinha destruído uma vez, ao enfraquecer a Escuridão, e já tinha morto o seu irmão mais velho. Ele só gostava de saber como ela morreu e renasceu, não achava isso natural, primeiro achou que fosse uma farsa e por isso não ajudou Kayor a tentar destrui-la, mas quando chegou a notícia de que o irmão tinha morrido, tal como Lyux e Blinke, percebeu que era mesmo a genuína Defensora que tinha regressado e jurou vingança.

- Ela deve ser destruída – proferiu – Já me tirou o Byron, matou o Kayor. Não vou deixar que magoe o Trou ou o Fleth. Nunca me aliaria a ti se tivesse outra alternativa.

Em tempos todos lutaram juntos, Príncipes e Bruxas governavam o Reino da Escuridão, satisfazendo-se mutuamente em todo o tipo de tarefas. Lutavam juntos para instalar a escuridão no Planeta Terra. Mas quando uma das irmãs, Xay, se rebelou sozinha contra a Defensora apenas por ciúmes de um dos irmãos, Byron, e perdeu, todos se separaram e começaram a agir sozinhos e a sobreviverem como melhor podiam. Aos poucos, todos eles começaram a refazer as trevas às suas vontades, esquecendo-se das alianças que os uniam.

- Eu sei velho companheiro. Os nossos irmãos falharam, mas nós não vamos cometer o mesmo erro. Vamos destruir a Defensora do Oculto e garantir que desta vez fica morta para sempre!

Uma gargalhada melódica surgiu no ar e os dois puseram-se alerta, a olhar para todos os sítios. Nada viam, mas o riso dizia-lhes bem quem também se encontrava presente. Ela não era bem-vinda. No passado todos a viram como uma líder, um exemplo a seguir, mas não agora. Tinha estragado tudo, agido antes do tempo, arruinado os planos da Escuridão.

- Xay, sua Bruxa! – Gritou Jecek, mostrando toda a aversão que lhe tinha.

- Onde estás? – Perguntou Belle, com um travo de fúria na voz – Mostra-te!

De novo a gargalhada surgiu, tal como uma sombra perto da parede, ao lado da poltrona.

- Relaxem, não estou interessada em vocês – afirmou a Bruxa, dando poucos passos para a claridade, permitindo-se ser vista. Ela sabia que apesar da fúria que todos sentiam por ela, tinham a consciência de que era mais poderosa que todos eles. Sabia que no fundo sentiam medo, e gostava. Sim, Xay tinha deitado tudo a perder por orgulho e ciúme, mas tinha aprendido a sua lição, tinha recomeçado a Escuridão a partir do zero e tinha aprendido a ser paciente. – O vosso plano não vai funcionar. Estão a ser estúpidos, tal como a Lyux, a Blinke e o Kayor foram. Estão a menosprezar o poder da Defensora.

- Vai-te embora daqui – mandou-lhe a irmã, quando a viu já ao pé de si.

Xay era, de longe, a mais bela de todas as cincos irmãs. A mais bela e poderosa Bruxa de todo o Reino da Escuridão. Era possuidora de uns longos caracóis negros e uns olhos cinzentos-escuros. Tinha uma face oval e perfeitamente proporcional ao resto do corpo. O nariz era simétrico e os lábios carnudos e sempre bem encarnados. Envergava um belo vestido comprido, preto, com um decote bastante generoso e uma racha de cada lado, até acima do joelho. Os sapatos eram da mesma cor, umas sabrinas rasas. As suas semelhanças físicas à Defensora do Oculto eram esplêndidas.

- Já menosprezei o seu poder uma vez, também – continuou Xay a falar.

- Nós lembramo-nos – afirmou Jecek, com ira – Ninguém precisa de ti Xay, deixa-nos.

A Bruxa soltou de novo uma gargalhada.

- Ouve-te a ti mesmo seu arrogante – apesar das palavras que lhe saíam da boca não serem nada agradáveis, enquanto falava parecia estar a cantar, de tão bonita ser a sua voz – Você vão acabar por serem mortos, tal como os outros três idiotas.

- Nós temos um plano – garantiu Belle.

- Arrancar-lhe um cabelo e descobrir-lhe a identidade? Tentar matá-la com as tuas estúpidas bonecas de vudu? Por favor Belle, ofendes-me, julguei-te mais inteligente.

- Ninguém te convidou para te juntares, impuseste-te. Este é o nosso plano e vamos executá-lo como pretendido. Agora sai, Xay – garantiu o Príncipe, fazendo com que um sorriso maldoso aparecesse nos lábios da beldade de caracóis negros.

Ela aproximou-se dele graciosamente e pousou também a mão por cima da mesa de pedra, inclinando-se o suficiente até chegar com os lábios carnudos perto do ouvido dele.

- Vocês vão todos morrer a tentar matá-la… - sussurrou, desviando-se depois para falar mais alto, para que a irmã também ouvisse – e eu vou rir nas vossas covas. Eu vou destruir a Defensora do Oculto, enquanto todos vós morrem no processo.

Ela estava convencida disso. Iria deixar que os outros corressem os riscos, tal como as outras duas irmãs correram, e iria aprender com os seus erros para que, quando a sua vez chegasse, tivesse tudo o que precisava para derrotar a pessoa que mais odiava. A Bruxa começou a deslizar pelo ar até sair do alcance da luz e depois desapareceu sem deixar qualquer rasto no ar. Jecek olhou frustrado para Belle e, uma vez mais, bateu com o punho na mesa enquanto deixou que um grito de raiva lhe passasse pela garganta e fosse expelido com toda a força.

- A sua ambição condenou o Reino da Escuridão uma vez – disse Belle – Agiu sem um plano. Nós temos um. Nós vamos matar a Defensora do Oculto. Faz a tua parte, deixa o resto comigo. Como a pretendes encontrar?

Um pequeno sorriso maléfico apareceu nos lábios de Jecek.

- Ela aparece sempre que há problemas. Só vou ter que os criar.

 

 

Chelsea acordou com o despertador a tocar e apressou-se a desligá-lo, para voltar a enfiar a cabeça debaixo do lençol e dos cobertores. Já se tinham passado várias semanas desde o acidente, mas a rapariga ainda não tinha entrado na rotina de ter que se levantar cedo. Nem nunca haveria de entrar.

- Levanta-te senão chegas tarde – ouviu Richard gritar, saído do seu quarto e em direcção às escadas.

A ruiva suspirou. “Está tanto frio…”, pensou ela. Levantou-se e dirigiu-se à casa de banho, ainda algo adormecida. Quando regressou ao quarto pôs-se em frente ao roupeiro e suspirou, tudo o que menos lhe apetecia era ir para a escola. Vestiu umas calças de ganga e uma blusa quentinha, calçando os All-Star logo de seguida. Em frente ao espelho da casa de banho ajeitou os caracóis e o colar, aplicando um pouco de maquilhagem depois.

Ao descer as escadas viu as horas no relógio grande que estava na sala, estava atrasada.

- Oh, não – murmurou. Andou apressadamente até à cozinha e deu um beijo na bochecha de Margaret – O Rich e o pai já saíram?

- Há séculos! – Respondeu-lhe a mãe – Despacha-te Chelsea, vais chegar tarde.

A ruiva pegou numa das maçãs da fruteira e seguiu caminho enquanto a comia. Estava a andar consideravelmente depressa, mas nunca conseguiria chegar a horas. O seu telemóvel começou a tremer no bolso das calças, e ela sorriu ao ver quem lhe telefonava.

- “Perfeito, ainda não entraste” – disse Jensen, assim que a namorada atendeu, referindo-se ao facto de já estar na hora de ela entrar para a aula. Chelsea engoliu em seco, “se lhe digo que ainda vou a meio do caminho, goza comigo”, pensou para si.

- É… a professora atrasou-se – mentiu, mordendo o lábio.

- “Hum, hum… então porque é que te estou a ver a andar apressadamente pela rua?” – A rapariga parou subitamente e olhou para os lados e depois para trás, vendo-o encostado ao muro de um prédio, a rir-se. Ela suspirou e desligou o telemóvel, indo ter com ele.

- A mentir ao namorado, caracolinhos? Isso não é bonito – Brincou ele, dando-lhe um beijo demorado – Mas claro… isso com o teu feitio matinal eu não podia esperar muito melhor, não é? Ai desgraçado do homem que ficar contigo, há-de chegar tarde a todo o lado.

Chelsea semicerrou os olhos e fez cara de amuada, ao que ele se riu.

- É, esse homem há-de ser é um sortudo! – Afirmou – E tu hás-de ter muita inveja dele. Quem te dera acordar ao meu lado todas as manhãs.

A gargalhada de Jensen ecoou pela rua meio vazia, e Chelsea ainda ficou com um ar mais chateado.

- Quem é que disse? – Brincou, pousando as mãos na cintura da ruiva e puxando-a mais para ao pé dele – Não vou inveja nenhuma dele… vou ser ele, os outros é que hão-de ter inveja da rapariga com quem casei.

- Pois, pois – resmungou Chelsea – Engana-me que eu gosto. Mas diz-me, não devias estar na universidade?

- Temos problemas, vim-te buscar – ele agora já falava a sério, tinha deixado de lado as brincadeiras e as picardias e Chelsea não gostou muito da maneira como aquilo soou – Encontrei o Will há bocado, os Guardiães contactaram-no e estava a caminho de te ir buscar, mas eu disse-lhe para ficar descansado e que tratava de tudo.

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4 comentários

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De Syrena a 21.08.2013 às 13:03

Adorei xD
Espero que a Chelsea e o Jensen dêem cabo da Belle e do Jecek...
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De Annie a 21.08.2013 às 16:04

Vodu? Ai malditas bruxas,
A história está cada vez melhor, parabéns
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De Raqueel a 23.08.2013 às 22:26

Primeiro que tudo, miiiiiiiiiiil desculpas o: ja nao comento ha muito mas fui de ferias e tal o: entao adorei, nao acredito que a chelsea tenha tido um acidente o: Owwwww o Jensen e tao fofo, eles sao mesmo queridos juntos *-*
Posta rapidoooo, beijinhos
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De ♥ Annie ♥ a 03.09.2013 às 15:52

Vodu? Ok, isso é mesmo creepy.
Isto é mau, mas eu até gostei dessa Xay. Ela é má e tal, e vai tentar matá-los, mas não sei, até gostei dela... Sim, é muito mau!
A Chelsea sempre atrasada, aiai isso nunca irá mudar!
E ela e o Jensen mesmo fofos *.* god amo-os.
Já me estou a actualizar, isso é bom...
Adorei querida <3

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