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Armadura do Coração

por Andrusca ღ, em 17.08.13

Já voltei pessoal, e esta história já está acabada. Tem 38 capítulos.

Por favor vejam este post e ajudem-me xD


Capítulo 30

 

A biblioteca da Casa de Walcaster tinha escapado ilesa ao incêndio, e era lá que Samantha andava enfiada há dias. Tentava com todas as suas forças descobrir o que Marx queria, porque tinha invadido aquele espaço. Sentia que o cerco se apertava, a cada dia que passava ele torna-se mais desconfiado de que ela não sabia o que procurava, embora lhe garantisse sempre o contrário e lhe prometesse de que muito em breve ia conseguir obter o que ele tanto desejava. Mas as horas passavam, e o seu desespero aumentava.

- Lady Samantha – disse Matilda, que tinha acabado de chegar com uma tigela com uma mistela qualquer que, para um estômago esfomeado como o da rapariga, parecia o céu – Está aqui há tantas horas… já passou da hora de jantar, mas preparei-lhe uma coisinha.

- Oh Matilda, obrigada – a mulher pousou o tabuleiro numa das mesas e ia dar meia volta, mas a voz da rapariga fê-la voltar-se de novo – Espere. Faz-me companhia por um pouco?

- Claro.

Matilda assentiu e sentou-se à mesa com Samantha, uma mesa onde estavam espalhados quase um terço dos livros da imensa biblioteca.

- Matilda… você vive aqui há bastante tempo… há algum segredo aqui? Alguma coisa que só Walcaster tenha? Qualquer coisa que os Kendric guardem?

A servente cerrou os olhos, enquanto pensava.

- Não que eu saiba, mas… algo tão importante não seria discutido com uma mera criada, não acha?

- Sim… sim, claro. Desculpe, é só que… Deus, não tenho ideia nenhuma do que procuro. E preciso de me despachar… o Marx está a ficar impaciente.

- Devia comer. Toda a gente pensa melhor de estômago cheio. O meu sobrinho Milo falou-me de si…

Samantha arqueou a sobrancelha enquanto ia levar uma colherada do jantar à boca e, depois de engolir, voltou a olhar directamente para a senhora.

- O Milo é seu sobrinho? Então foi você que o acolheu depois… depois…

- Sim, fui eu. Ainda me lembro… do caos, quero dizer.

- Sim… também eu. Como se tivesse sido ontem. Lembro-me das pessoas a correr… lembro-me dos gritos… do fogo… - então levantou-se e deu meia dúzia de passadas até uma parede onde estava pendurado o retrato do lorde seu pai, Claude Kendric, com o seu ar importante porém simples, vestido de um modo rico e com a postura ao mais alto nível. Era a única pintura que tinha restado dele, e Marx deixara-a na biblioteca para se lembrar da vitória que tinha obtido – Lembra-se dele, Matilda? Do meu pai?

- Sim… um homem de segredos, sem dúvida, mas muito atencioso e preocupado.

- Segredos? Como assim?

- Ele e o rei passavam a vida a falar sobre projectos, coisas de que mais ninguém sabia… cada vez que alguém entrava na mesma sala fechavam-se em copas. Diziam que tinham encontrado uma coisa que ia trazer de volta um poder antigo que ia tornar o reino intocável… mas nunca disseram o quê.

- É isso. É isso que o Marx quer – pensou ela, em voz alta, enquanto observava a figura do pai. Ficou presa num pequeno detalhe. Um anel desenhado no seu dedo, um anel vermelho com um dragão desenhado nele. Esse mero objecto levou-a de volta até uma memória há muito enterrada na sua mente.

 

- Papá, papá, voltaste! – Exclamou Samantha, enquanto corria para os braços do pai, que a levantou e rodopiou instantaneamente – Demoraste bastante! Anda, a comida está pronta, temos que nos despachar, prometeste que me ias levar a andar de cavalo esta tarde.

Claude soltou uma gargalhada.

- Calma filha, deixa-me cumprimentar primeiro o resto da família. E lamento, mas hoje não vou poder ir andar a cavalo contigo.

- Mas… porquê? – Perguntou ela, fazendo beicinho – Tu prometeste!

- O rei quer…

- O rei, o rei… mas eu sou a tua princesa! – Respondeu logo, cruzando os braços e fazendo um ar de amuada – Porque é que agora estás sempre com o rei?

O lorde de Walcaster riu-se e ajoelhou-se, de modo a ficar do tamanho da filha, e retirou um anel vermelho que levava no bolso, protegido do sol. Estavam ambos à sombra de uma árvore.

- Vês isto? – Perguntou-lhe, ao que ela assentiu – Esse dragão desenhado no meio? – De novo a menina disse que sim – Há centenas de anos havia homens que cavalgavam os céus com eles. Domavam os dragões.

- Mas dragões já não existem, papá.

- Não… mas nada fica enterrado para sempre Samantha. Isto – e de novo elevou o anel – é a tua herança. Tua, e dos teus irmãos. Ainda és muito nova, mas prometo que um dia quando fores mais crescida te explico tudo.

Mas não explicou. Deu o anel à pequena para que esta não ficasse amuada, ela agarrou-o com a mão fechada e correu a escondê-lo no seu esconderijo secreto para que o pai não o encontrasse quando o quisesse de volta e, quando a noite chegou, a Casa foi atacada e os lordes de Walcaster mortos.

 

Samantha mirava aquele anel com uma certa minucia. “A minha herança…”, pensava, “dragões? Será isso que o Marx procura? Mas isso é impossível… ninguém consegue esconder um dragão”.

- Desculpe Matilda, tenho de ir – disse, antes de sair à pressa da biblioteca.

- Mas ainda nem sequer comeu… - discutiu a empregada já tarde demais, encolhendo os ombros – Parece que ela faz disto um hábito… sair à pressa.

Samantha entrou no quarto que Marx lhe tinha designado, o também seu antigo quarto e do resto das crianças Kendric, e fechou a porta na tranca. Dirigiu-se ao fundo dele e baixou-se, começando a bater nas pedras que formavam a parede, encontrando um espaço oco. Retirou essa pedra e lá estava ele. O anel do seu pai. Junto de outras coisas, onde o deixara há dez anos atrás.

Sentou-se no chão a olhar para ele com toda a atenção que tinha, mas nada lhe parecia estranho. Tinha a gravura de um dragão, mas isso podia não querer dizer nada.

- Ajuda-me pai – pediu, apertando o anel com força – Sei que estou perto… ajuda-me.

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2 comentários

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De Bia a 19.08.2013 às 15:31

Esta história está a ficar cada vez melhor! Já falta pouco para acabar...
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De ♥ Annie ♥ a 03.09.2013 às 20:25

Oh tambem me esqueci de comentar isto, estou toda baralhada xD , são muitas coisas xD

Mas que raios é que ele quer? Um dragão? --' Não percebo.
Aquela memoria do pai dela, que horros, eles morreram nessa noite... AI que horror!

''- O rei, o rei… mas eu sou a tua princesa!'' Adorei tanto esta parte. Derreto-me toda com crianças.

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