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Armadura do Coração

por Andrusca ღ, em 27.07.13

Capítulo 28

 

Samantha e Raj entraram na sala do trono mesmo a tempo de verem o lorde Marx a assinar o tratado que devolveria o reino a William, e a rapariga ficou parada a observar o príncipe, que se encontrava de costas para si. Sabia que não teriam direito a despedidas, que talvez apenas poucas palavras cordiais trocassem, e por isso sabia também que não iria saber o que ele achava do seu plano. Se bem que já suspeitava que não gostasse.

- Ah, Samantha! – Exclamou o lorde, ao vê-la, despertando a atenção de William e dos soldados, que se voltaram todos ao mesmo tempo, tendo todos arregalados os olhos perante a imagem da rapariga. Marx não tratava mal os seus hóspedes, e logo desde o primeiro dia Samantha tivera vestidos novos e lavados, tal como sapatos, sendo cada um mais belo que o outro – Ainda bem que chegaste, como podes ver está tudo assinado.

A rapariga assentiu com a cabeça e deu mais umas passadas em direcção a eles. William franziu as sobrancelhas ao ver Raj junto a ela, mas nada disse, calculou logo que fosse tudo parte do plano.

- Então eu cumpro a minha parte – disse ela – Partimos assim que desejar.

Marx soltou um pequeno sorriso presunçoso e, aproximando-se dela, apertou-lhe uma bochecha.

- Não é tão agradável? Ver-te tão domesticada? – Provocou, largando-a depois e dirigindo-se para fora do trono – William, estás livre para fazeres tudo o que quiseres… eu tenho de ir dizer à rainha… antiga rainha… do que se passa. Samantha, queridinha, está pronta em trinta minutos perto do estábulo.

Assim que ele saiu da sala, o ambiente aliviou, e Samantha pôde parar de morder a língua. Olhou para William e nada disse, esperava uma reacção vinda dele, qualquer uma, menos aquela que recebeu. Em vez de gritos, ou pedidos de explicações ou que abortasse aquele plano, recebeu um abraço bem apertado.

- William… - suspirou, quando o príncipe a largou.

- Porque é que fizeste isto? – Perguntou ele.

- Sim, porquê? – Meteu-se Quorq.

- Foi por isto que me pediste para tomar conta deles? – Questionou Eresm, surpreendendo os outros.

- Calma rapazes – pediu ela, rindo-se – Tu sabes porque fiz isto, Will. Não te preocupes comigo. E sim, Eresm, agora mais que nunca vocês têm que continuar juntos.

- Samantha, temos que ir – disse Raj, ao ver que já mais soldados se acumulavam à entrada da sala com um ar desconfiado. A rapariga olhou também para lá e depois o seu olhar retornou a William.

- Mas ainda nem tive tempo de te dizer… - começou ele a falar.

- Eu sei – cortou-lhe ela a palavra – Eu também lamento. Isto não é um adeus, Will. Nós encontrámo-nos depois de dez anos, vamos encontrar-nos agora também.

- Eu sei – murmurou ele – Eu amo-te, Samantha.

O coração da rapariga falhou uma batida. Nunca pensara sentir-se assim tão desarmada graças a algo que sempre tomara como fraco, amor. Mas ao ouvi-lo falar, era como se mais valesse mandar a sua espada para o chão e render-se, pois aquela era uma luta que jamais venceria.

Fez uma vénia, em jeito de despedida, para manter as aparências aos soldados que os observavam de longe, e depois voltou a sorrir.

- Quando tudo isto acabar, Will… - disse, deixando no ar e ínfimas possibilidades do que poderia acontecer. Deitou mais um olhar a Eresm e a Quorq – Portem-se bem, rapazes.

Deu meia volta e, seguida por Raj, retornou aos seus aposentos, onde reuniu algumas das suas coisas, incluindo o dinheiro e a espada, e enquanto se dirigia à entrada do palácio para ir depois para os estábulos ia ouvindo o histerismo da agora rainha reformada, que tinha acabado de perder tudo, que tinha sido um mero peão e, levada pela sede de poder, confiara no homem errado. William mandá-la-ia desertar, e acabaria os seus dias na miséria, entre os pobres que sempre desprezara.

Pouco depois Marx chegou e já estava tudo pronto. A carruagem era grande o suficiente para ambos, mas Samantha optou por cavalgar junto a Raj atrás da carruagem, em vez de ir na companhia do lorde. Cavalgaram dia e noite por três dias, com apenas pequenas pausas para o descanso e a comida. Ninguém falava. Nem os soldados que os acompanhavam, nem a própria Samantha ou o antigo comandante. Todo o caminho podia ser associado a uma marcha fúnebre, a adivinhar por ar e pela expressão de todos.

Na madrugada do quarto dia finalmente chegaram à entrada de Walcaster e, enquanto todos avançaram, Samantha fez com que o seu cavalo parasse enquanto observava o que tinha à sua frente sentindo, pela primeira vez em muito tempo, o pânico a tomar conta de todo o seu corpo como jurara nunca mais deixar acontecer. Há dez anos que não retornava àquele lugar. Há dez anos deixara lá um pedacinho de si, naquela noite, e nunca voltara para o recolher. A sua inocência, a sua liberdade. Matava-a de medo voltar a entrar por aquelas muralhas, a ver aquela sua gente a ser explorada e maltratada pelo homem que lhes matara um suserano bondoso e justo. Porque pela primeira vez em muito tempo sentia que tinha, ao contrário do que se forçara a acreditar, abandonado aquela gente à triste sorte do que viria.

O primeiro a notar a sua falta fora Raj, que depressa cavalgou para trás e parou junto ao seu cavalo.

- O que se passa? – Perguntou, vendo a cara de assombro que o seu melhor soldado tinha.

- Nada – mentiu Samantha, dando um coice no cavalo para este avançar – O meu cavalo parou. Anda, vamos.

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3 comentários

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De ♥ Annie ♥ a 28.07.2013 às 16:29

I LOVE YOU WILL.
Ai god, só espero que o plano corra bem...
Adorei :)
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De Annie a 29.07.2013 às 18:31

como te disse anteriormente, o capítulo está óptimo.
Espero mesmo que o plano corra bem.
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De francis marie a 01.08.2013 às 15:25

Adoreiii *-*
Estou ansiosa para saber mais o:

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