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DDO: Batalhas sem Fim

por Andrusca ღ, em 15.08.13

Este é maior porque se o cortasse ao meio ficava minúsculo. Assim só tem uma parte

 

Capítulo 20

Acidente

 

- Estás a gozar – afirmou Tony, que não largava o jornal por nada. Helen, que estava ao seu lado, reforçou a sua história.

- Não estou nada, é verdade! – Disse ela.

Chelsea chegou nesse instante e sorriu ao ver que os amigos se encontravam em mais uma daquelas belas discussões que só eles sabiam ter.

- O que foi desta vez? – Perguntou ela, encostando-se às grades do portão.

- É verdade que a Defensora do Oculto voa? – Perguntou Tony.

- Eu… - “perfeito, agora o que é que respondo?”, perguntou-se a ruiva – acho que só salta muito alto… porquê?

- Porque aqui a menina Helen jura a pés juntos que ela voa – disse-lhe o amigo.

- É verdade! – Discutiu Helen, tirando o jornal ao rapaz e desfolhando-o de seguida, para então o passar para as mãos de Chelsea – Lê aí.

Chelsea assim o fez.

 

“Parece que a assiduidade da Defensora do Oculto tem sido mais que boa, nas ruas de Diamond City. O número de testemunhos de pessoas que a viram aumentaram bastante nestes últimos meses e, pelo que parece, as lutas em que participa começam a ser também menos discretas.

Mas afinal, que lutas são essas?

O que todos sabem mas ninguém quer dizer é que não são coisas deste mundo. Seja o que for que a Defensora do Oculto combate, não é normal. Objectos voadores, saltos exageradíssimos e várias piruetas são alguns dos exemplos do que nunca falta num combate da bela heroína de cabelos ruivos. Algumas pessoas afirmam também que já a viram a voar.

Outra das perguntas mais persistentes é: o que será a Defensora do Oculto?

Sim, leu bem. “O que”, e não “quem”. Segundo Mathew Montgomey, especialista em casos especiais, é “impossível que alguém consiga realizar saltos dessas dimensões sem ter quaisquer lesões, e ainda mais impossível saltar-se de um prédio para o outro, ou pular de árvores”. Segundo ele, “há doenças que permitem que não se sinta dor, mas as lesões continuam lá, e essa rapariga precisa de ser tratada”.

Sydney White, uma especialista na arte do oculto, conta uma história diferente. “A Defensora do Oculto não é uma rapariga doente, pelo contrário, tem até uma grande aversão a doenças e lesões. É sim alguém possuidor de uma grande energia psíquica e provavelmente recorre a artes do oculto, tal como vudu, para poder fazer tudo o que faz. Há dúzias de rituais satânicos para se obter tais capacidades”, diz a própria. Por isso perguntamos, será a Defensora do Oculto alguém doente, ou um ser vindo das profundezas do Inferno ou do mais puro dos Céus?”

 

- Helen, isto é estúpido – queixou-se Chelsea.

Helen revirou os olhos, ela já sabia que Chelsea não ia comentar muito o assunto, já tinha reparado que sempre que falavam nesse assunto a amiga esquivava-se. Não tinha percebido era porquê.

- Eu ainda acho que ela pode voar – defendeu-se ela –, mas pronto. Vocês vão já para casa?

- Estou à espera da minha boleia – disse a ruiva –, mas vocês podem ir andando.

Poucos minutos depois Jensen fez a curva, com a sua mota veloz e reluzente. Vinha a acelerar, como Chelsea já tinha verificado ser um hábito, e não gostava nada. Quando ele parou ela deu alguns passos na sua direcção e, após o ver tirar o capacete preto, cumprimentou-o com um beijo.

- Devias andar mais devagar – advertiu, subindo para trás dele e abraçando-o por trás – Qualquer dia ainda tens um acidente grave Jensen.

- Tem calma, já apanhei o jeito da minha “menina” – assegurou-lhe ele.

- Pois, pois, por muitos dizerem isso é que depois vão parar ao hospital e nunca se recuperam – reclamou ela entre dentes.

O rapaz revirou os olhos e passou-lhe o capacete para ela pôr. Ele só tinha um, e sempre que a namorada andava também na mota, dava-o a ela.

Ele começou a encaminhar-se para a casa de Chelsea, mas estava um trânsito fora do normal e acabaram parados numa fila. Quando finalmente conseguiram passar suspiraram os dois de alívio.

- Jensen! Cuidado! – Gritou Chelsea, com o pânico espelhado na voz. Quando fizeram uma curva, o carro da frente travou bruscamente e Jensen, para não ir contra ele, desviou-se para a direita, porém foi contra outro que tinha entrado sem qualquer previsão, de um cruzamento, e com o impulso a mota inclinou-se toda para a frente, expelindo os dois para a estrada. Foi tudo tão rápido que num momento estava tudo bem, e no outro a mota já se encontrava no chão. Jensen caiu perto dela, mas quando olhou em volta não viu a namorada.

- Chelsea? – Gritou – Chelsea?!

Viu-a mais ao longe. O impacto tinha sido maior nela e por isso tinha ido parar mais à frente, e consequentemente, com mais força. Enquanto sobrevoava o pavimento Chelsea conseguiu, com a mente, fazer com que o namorado não caísse de uma maneira muito má. Protegeu-o. Porém quando foi a sua vez já não foi capaz de fazer grande coisa e acabou por cair algo ao acaso. Sim, a Defensora podia levitar, e pular alto, e fazer acrobacias difíceis. Mas isso era quando o planeava fazer. É muito diferente mandar-se, de ser mandada. O capacete tinha-lhe saído, ele sempre lhe estivera largo, e a ruiva encontrava-se deitada de barriga para baixo, inconsciente. Jensen queria correr até ela, e correu, mas a coxear.

Da fila de carros que se tinha criado começaram a sair várias pessoas, que iam rodeando o local.

- Chelsea? – Jensen, ajoelhado, abanou a namorada e sentiu as lágrimas chegarem-lhe aos olhos ao ver que ela não dava sinais de vida – Alguém chame uma ambulância! Chelsea acorda, acorda!

 

 

O clima na sala de espera do hospital era de cortar à faca. Jensen tinha apenas dado um jeito ao pé, por isso o seu curativo foi bastante rápido de se fazer, porém Chelsea tinha sido levada para dentro do bloco operatório.

Margaret e Norman já tinham sido chamados e, tal como eles, também Richard se encontrava sentado naquelas cadeiras de plástico cor de laranjas, acompanhado de PJ. Jensen também lá estava, tinham-lhe dito para ir para casa, mas nunca o conseguiria fazer.

- Lamento tanto… - repetia ele, pela décima vez. PJ deu-lhe uma palmadinha no ombro e sorriu-lhe.

- Ela vai-se safar bem – tentou animá-lo, porém Jensen abanou a cabeça.

- Não percebo o que aconteceu, num segundo estava tudo bem e…

- O outro condutor estava bêbedo – interrompeu Norman – Está na esquadra. Não foi culpa tua.

- Ainda antes disso ela me tinha dado na cabeça por causa da velocidade – lastimou-se ele – Se ela… se ela… - Jensen calou-se e escondeu a cara nas mãos. O que sentia era insuportável de aguentar. “Eu devia protegê-la dos perigos, não levá-la para eles”, pensava ele.

- Nem penses nisso! – Disse Richard de um modo brusco, acalmando-se um pouco depois – Nem penses nisso, isso não vai acontecer. Eles ainda lá estão a operar há pouco tempo, se tivesse acontecido algum imprevisto vinham cá avisar.

O rapaz dos olhos azuis, agora brilhantes das lágrimas que queriam cair, assentiu com a cabeça e depois olhou alarmado para a porta ao ouvir passos apressados e vê-la abrir-se. Will corria até eles.

- O que aconteceu? – Perguntou ele, alarmado.

- A Chelsea e o Jensen tiveram um acidente na mota dele – explicou PJ – Ela está a ser operada, mas os médicos disseram que não parecia grave.

Will olhou para Jensen com uma preocupação específica no olhar, e o rapaz já sabia no que ele estava a pensar. Que ela era a Defensora do Oculto. Que se lhe acontecesse alguma coisa, o destino do mundo morreria com ela. Mas naquele momento apenas lhe preocupava a namorada, não queria saber do destino do mundo.

As portas do bloco operatório abriram-se pouco depois e o médico, doutor Webber, apareceu de bata azul clarinha e um sorriso nos lábios.

- Ela vai ficar perfeita – garantiu, para alívio de todos. Norman apertou-lhe a mão e agradeceu-lhe – Está sob o efeito da anestesia, mas deve acordar daqui a poucos minutos. Tinha um ombro deslocado e o tornozelo torcido. Fez-nos passar por um susto por não acordar, mas deve ter sido apenas como o seu corpo reagiu ao choque. Os níveis vitais estão normais, provavelmente foi a maneira que o cérebro arranjou para a proteger da dor, cada caso é um caso. De qualquer modo, vamos mantê-la sob observação apenas por hoje e depois pode ir para casa.

- Obrigado de novo, doutor – disse Norman.

- Não me agradeças, velho amigo. Agradece ao anjinho que a tua rapariga tinha a olhar por si, porque da maneira como me descreveram a queda, tem sorte de ter apenas aqueles pequenos ferimentos, por assim dizer. Teve muita sorte em não ter partido nada, já vi gente ficar paraplégica por menos.

Por trás do médico apareceram várias enfermeiras, incluindo a mãe de Jensen, a empurrarem a cama em que Chelsea estava deitada, ainda inanimada, para o quarto em que ela ia ficar.

- Mãe – murmurou Jensen, com os olhos enlagrimados, quando Phyllis o abraçou.

- Ela vai ficar bem – garantiu ela, sorrindo-lhe – Eu sabia que aquela mota não era boa ideia, mas o teu pai… ai valha-nos Deus, ainda bem que não foi nada de sério.

- São bem-vindos a ficar à espera que ela acorde – disse o doutor Webber –, os quartos foram recentemente remodelados e acho que se vocês se apertarem um pouco, cabem lá todos.

Todos assentiram e seguiram atrás da cama.

Chelsea foi posta num quarto individual, com janelas gigantes para o corredor. Ficou ligada a poucas máquinas, apenas as necessárias. Havia um sofá ao lado da cama, encostado à parede e azul clarinho. Não era muito grande, mas lá sentaram-se Norman e Margaret, e PJ. Jensen ocupou o lugar da cadeira que estava do outro lado da cama, mais chegada a ela, e inclinou-se sobre o colchão para agarrar na mão da namorada. Richard andava inquieto de um lado para o outro de um modo impaciente, e Will estava encostado à ombreira da porta. Enquanto isso, a bela ruiva de longos caracóis repousava descansadamente.

Passaram poucos minutos, mas que pareceram uma eternidade, até ela levantar as pálpebras e mostrar aqueles olhos verdes dos quais já todos tinham saudades.

- Caracolinhos – murmurou Jensen, que foi o primeiro a reparar, chamando a atenção a todos os outros. Ele levantou-se, fazendo apenas força no pé que não estava magoado, e inclinou-se para mais perto dela – Acordaste.

A rapariga respirou fundo e olhou em volta. Tinha agora toda a gente mais próxima, todos a olhar para ela de um modo intimidador. Ela não reconhecia o sítio em que estava, nem sabia como tinha ido lá parar, mas não se sentia mal. Sentia-se nas nuvens, provavelmente da morfina.

- Onde… - ainda antes de terminar a pergunta foi assolada com as últimas recordações que tinha. As do acidente – Oh meu Deus Jensen, tu estás bem?

- Sim, sim – ela ia-se levantar, mas o namorado empurrou-a de novo gentilmente para trás – Estou óptimo, só torci o pé.

A ruiva respirou fundo e ele olhou para ela desconfiado. Era lógico que ela tinha feito alguma coisa para que não se magoasse mais, nunca seria possível numa queda daquelas Jensen torcer apenas o pé.

- Mas tu deslocaste o ombro e torceste também o tornozelo – disse Margaret – Sentes-te bem?

- Sim, mãe… estou bem. Quando… quando vamos para casa?

- Amanhã – disse Norman – Vais ficar cá à noite para observação, e amanhã podes ir para casa.

- Mas…

- Não te preocupes, eu fico a fazer-te companhia – apressou-se Richard a dizer.

- Sim, eu também – voluntariou-se PJ – Vou a casa buscar um baralho e passamos a noite toda a jogar às cartas.

- Estão-se a esquecer do horário de visitas, certo? – Perguntou Jensen – Ou acham que eu já não tinha pensado nisso?

Os dois rapazes suspiraram e Chelsea riu.

- Deixem lá, eu sobrevivo – disse ela.

- A minha mãe faz-te companhia, ela disse que sempre que pudesse passava por aqui – disse Jensen.

Passado algum tempo de conversa, todos foram buscar comer fora do hospital, deixando Chelsea aos cuidados de Will e Jensen, que preferiram ficar para trás.

- Tu fizeste alguma coisa, não fizeste? – Perguntou Jensen, mal todos saíram da sala, tirando o pingente da rapariga do bolso das calças e passando-lho para as mãos – A minha mota está quase impecável, e eu só torci o pé Chels.

Chelsea suspirou.

- Posso ter dado uma ajuda – murmurou – Da maneira como te vi a cair a mota ainda te caía em cima Jensen. E depois acabei por perder o controlo e já não me consegui ajudar muito bem…

- Desculpa, desculpa… eu juro que nunca mais…

- Cala-te, não faças juramentos que sabes que não podes cumprir – interrompeu a ruiva – Tu amas a tua “menina”, Jensen, não vais deixar de andar nela que eu já te conheço bem.

- Chelsea, tens a certeza que estás bem? – Perguntou Will, falando pela primeira vez desde que ficaram sozinhos.

- Absoluta Will, não te preocupes que… - Chelsea olhou em volta e para fora do quarto, para verificar que ninguém os ouvia, e continuou – ainda não foi desta que te safaste da Defensora.

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8 comentários

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De francis marie a 16.08.2013 às 11:23

AIIIIIIIIIII DESCULPA , DESCULPA, DESCULPA NÃO TER COMENTADOOOO :C
MAS EU AMEIIII *OOOOO*
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De Fátima a 16.08.2013 às 18:32

Heii :) Fantasminha apresenta-se! ;)
Descobri o teu blog à uma ou duas semanas e já li todas as tuas histórias! :D
Resolvi "apresentar-me" porque tornei-me uma grande fan tua. Amo as tuas histórias, apaixonei-me completamente por todas elas. Mas confesso, tenho um carinho especial pela "O Amor Na Porta À Frente" e pelas Fanfics "Spotlight" e "Robin Hood - The Legend".
Eu já tinha pensado em comentar, mas fiquei tão...hipnotizada...pelas tuas histórias que prontes...acabei por não o fazer, sorry :s
Aff, passei aqui um mau bocadinho até conseguir encontrar a DDO. Não me aparece na listagem, como as outras histórias. Mas lá consegui :P
Aguardo ansiosa e impacientemente o próximo capítulo xD

Parabéns pelas lindíssimas histórias com que nos presenteias e por este magnífico blog :)
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De Andrusca ღ a 17.08.2013 às 14:55

Olá Fátima, muito obrigado por te teres acusado e por teres comentado (:
Nem sabes como fico feliz em saber isso!
A DDO está na listagem como "A Defensora do Oculto" na parte das histórias, mas como tenho estado de férias os links para os capítulos estão desatualizados... ainda vou tratar disso ;)
O próximo capítulo já não demora.
Obrigada, beijinhos*
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De Annie a 16.08.2013 às 20:44

Eu sei, eu sei Maria Andreia que ando muito ausente mas houve a festa de cá, e depois fiquei sem net devido a um incêndio. Tenho lido os capítulos pelo telemóvel e como sabes não consigo comentar.
Adorei, mas isto do acidente quase que me "partiu" o coração
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De Maria a 17.08.2013 às 23:11

gosh ainda bem que a defensora está bem
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De ♥ Annie ♥ a 29.08.2013 às 15:50

oioi :D
I'm back again, e vou ler todos os capitulos, mas so nao sei se vao ser todos de seguida :s
Não ando com muita paciencia para fazer nada.
Mas nao te preocupes, ja me vou recompor e actualizar.

Paralizei com este acidente.
Coitados dos dois. Mas felizmente já estão bem, uff
Adorei <3

E bem vinda tambem de volta ;)
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De Yria Rivers a 16.02.2014 às 18:59

awww o jensen fica tão lindinho quando fica preocupado ^^
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De Andrusca ღ a 16.02.2014 às 19:22

pois fica ahah

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