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DDO: Batalhas sem Fim

por Andrusca ღ, em 10.08.13

Capítulo 19

Os Riscos do Trabalho * Parte 1

 

- A antiga Defensora conseguia até ir ter com os demónios apenas com a sua intuição como mapa – dizia Oyuan –, por isso sim, é normal que aos poucos te consigas aperceber deles, apesar de aparentarem ser humanos.

Chelsea respirou fundo.

- O que mais? – Perguntou ela – Há alguma coisa, algum poder, que vá crescer e eu deva saber Oyuan?

O velho Guardião riu e depois encolheu os ombros.

- Todos, minha cara – afirmou – À medida que os aprendes a controlar, eles vão sempre crescer. Vais ficando mais poderosa há medida que treinas, e há-de chegar a uma altura em que chegaste ao auge do poder. A Faith era muitíssimo poderosa, mas não acredito que tenha conseguido.

- Então eu nunca vou conseguir… - murmurou a ruiva.

- Nunca se sabe. Vocês são muito diferentes uma da outra, iguais por fora, mas com mundos de diferença por dentro. É verdade que agora o poder é mais fraco em ti, e que não és tão boa guerreira como ela, mas nunca deves perder a fé Chelsea. A Escuridão está cada vez mais forte e tu és a única que a pode deter, mas para isso não podes duvidar de ti nem das tuas capacidades. Deves sempre acreditar.

- Isso é tudo muito bonito, mas a verdade é que qualquer dia esta história dá para o torto – desabafou ela – Há-de chegar o dia em que eu não vou ser capaz, em que tudo vai depender de mim e eu não vou conseguir parar o demónio ou a demónia, ou o Príncipe ou a Bruxa. E depois o quê? Falho e o mundo cai na miséria?

O velhote suspirou e pousou a mão no ombro da beldade de caracóis ruivos.

- Exacto – confirmou – Quando esse dia chegar, se não conseguires, ninguém mais conseguirá. Há profecias e profecias. Aquelas das quais não temos certezas, e as outras que não podiam ser mais claras. No teu caso, Defensora do Oculto, o futuro não podia ser mais explícito. O teu destino está espalhado no ar que respiras, pelo chão onde andas, pelas ruas pelas quais passeias… e esse mesmo destino levar-te-á a esse dia que tanto temes. E não duvides, se falhares, todo o mundo será governado pelas trevas.

Chelsea engoliu em seco. Era muita pressão para se pôr em alguém tão novo. Muito peso nos ombros de uma rapariga distraída e desastrada, que nem se conseguia levantar a horas para ir para a escola sem chegar tarde. Demasiada responsabilidade para alguém que até há alguns meses, mal sequer sabia o significado da palavra.

- Oyuan… eu…

- Esse dia vai chegar – afirmou o Guardião, interrompendo-a e fazendo um sorriso amigável –, mas ainda está longe. Até lá, estarás mais preparada. Lutarás melhor e os teus poderes crescerão. Não percas noites de sono por isto, não ainda. Agora está na hora de ires para casa, já é tarde, tiveste um primeiro dia de aulas difícil.

Chelsea assentiu com a cabeça e, com o Guardião ao lado, caminhou até ao salão principal da Casa dos Guardiães, onde Will a esperava para regressarem a Diamond City.

- É verdade! – Exclamou Chelsea, voltando-se de novo para o Guardião e esticando a mão, exibindo o corte feito há poucas horas – Podes curá-lo? Podes?

Oyuan suspirou e passou com a sua mão por cima da de Chelsea, curando-a instantaneamente fazendo a rapariga sorrir. Ainda ninguém que não soubesse do seu segredo tinha visto o ferimento, por isso ninguém iria suspeitar. Ela já tinha ido a casa, mas Margaret nem fizera reparo.

Assim que foram teletransportados para a casa do rapaz, Chelsea saiu para se dirigir à sua. “Então vou começar a saber onde os demónios estão”, pensou ela, “isso significa que não os vou só caçar quando os encontrar por acaso… significa que os vou procurar a qualquer altura”. Deu um pontapé numa pequena pedra que repousava em cima do passeio, fazendo-a ir de encontra a um pequeno muro e depois regressar poucos milímetros, e continuou a andar. “Aqueles demónios estavam lá na escola”, continuou ela a pensar, “isso significa que outros podem estar em qualquer lugar, mais perto de mim do que penso. Tenho que ter mais cuidado”.

Estava a passar pelo Largo da Câmara quando viu uma grande agitação perto da esquadra da polícia, e isso só podia querer dizer que havia problemas. Tentou concentrar-se, mas fosse o que fosse, não aparecia no seu radar sobrenatural. Deviam ser mafiosos à moda antiga. Este era o trabalho do seu pai, não o seu.

- Despachem-se! O xerife está ferido! – Ouviu um polícia dizer, enquanto corria para um dos carros de patrulha, para os outros quatro que o seguiam. Sentiu um aperto no coração. “O meu pai está ferido?”, pensou, com medo. Parou de andar e olhou em volta. Em poucos segundos o Largo tinha ficado praticamente vazio. Todos os causadores da confusão à porta da esquadra estavam agora em carros que, a tocar aquele seu toque característico de polícia e a andar a toda a velocidade, se dirigiam para o local onde Norman Burke se encontraria.

- Eu tenho que ir… - murmurou ela, dando dois passos em corrida na direcção para onde os carros iam, mas parando logo de seguida – mas não posso, não é sobrenatural… que se dane, é o meu pai.

Correu até um beco e foi lá que se transportou, antes de subir a um telhado para ter uma melhor visão da cidade e detectar onde estavam os carros de patrulha. Perseguiu-os por cima dos telhados e viu que pararam nas docas, onde dois homens apontavam uma arma a Norman, já no chão, e outro polícia estava perto do carro, com o intercomunicador na mão, também estendido no chão sem sinais de vida.

A polícia rapidamente fez um cerco aos criminosos, mas estes, usando Norman como moeda de troca, impediram os disparos.

Chelsea escondeu-se em cima de um ramo de uma árvore, a contar com as folhas e a escuridão da noite para impedirem que fosse avistada. Ela não ia agir a não ser que fosse mesmo necessário. Já quando começou a ser a Defensora Will tinha tido esta conversa com ela, o seu trabalho era apenas proteger as pessoas dos perigos que mais ninguém consegue deter, e não ser polícia e andar atrás de ladrões ou assassinos.  

- Vá lá pessoal – rezava ela, enquanto observava tudo ao ínfimo pormenor. Ver que o seu pai apenas se encontrava ferido na perna ajudou-a a acalmar, mas nunca ficaria verdadeiramente descansada até ele estar livre da linha de fogo.

Ouviu várias palavras desagradáveis até os criminosos mandarem Norman para o chão e abrirem caminho através de tiros, para começarem a correr. Alguns polícias ainda os perseguiram, mas tinham um carro à espera e Chelsea viu-os a escapar.

 

 

- Já cheguei! – Anunciou a ruiva ao abrir a porta de casa.

Depois de ver os dois homens a fugir da polícia, esperou até ver uma ambulância chegar, que levou o seu pai e o outro colega para o hospital. Ainda pensou em segui-los, mas já estava a tornar-se tarde e a sua mãe devia estar a ficar preocupada. Além disso havia uma escolta de polícias que ia seguir o xerife e o outro colega até ao hospital.

- Por onde andaste? – Perguntou logo Margaret, espreitando desde a sala, alarmada. Depois do jantar Chelsea tinha ido ter com Will para irem falar com os Guardiães, mas demoraram-se mais do que tinham previsto.

- Fui dar uma volta com o Will – mentiu – Vou-me deitar mãe, estou cansada.

- Tens o Jensen no quarto do Richard, passou por cá para te ver mas afinal enganaste-o – disse-lhe a mãe. Chelsea sorriu, assentiu, e começou a subir as escadas.

Entrou no quarto do irmão sem bater e deu com os dois num confronto bem renhido numa corrida na PlayStation. Suspirou e deixou-se cair na cama do irmão, visto que eles estavam os dois sentados no chão, sabe-se lá porquê.

- Está tudo bem? – Perguntou Richard, pondo pausa no jogo e levantando-se, para se sentar ao lado da irmã.

- Por onde andaste? – Questionou Jensen, imitando o amigo e dando um beijo à namorada – Vinha estar contigo mas olha, ele arranjou logo maneira de…

- O pai foi baleado – interrompeu-o Chelsea, a olhar directamente para Richard, que ficou pálido – Mas tem calma, ele está bem.

- O que aconteceu? – Foi o rapaz dos olhos azuis e cabelo escuro que falou.

- Depois do jantar saí para ir ter com o Will – relatou ela – Fomos falar com os Guardiães por causa de eu ter sentido os demónios na escola. O Oyuan…

- Quem é o Oyuan? – Havia muita coisa que Richard já sabia, mas algumas delas apenas ia sabendo à medida que iam surgindo.

- É um dos Guardiães – respondeu Jensen – Continua Chelsea.

- Ele disse que era normal, que era um sinal de que os meus poderes estavam a evoluir. Depois transportou-nos de novo para a casa do Will e vim-me embora, mas pelo caminho ouvi uma grande algazarra perto da esquadra e um dos polícias passou por mim a dizer que o xerife estava magoado.

- E tu foste atrás dele – calculou Richard, ao que a ruiva assentiu com a cabeça.

- Escondi-me numa árvore. O pai foi baleado na perna e tinha outro polícia no chão, mas não sei se estava morto. Havia dois homens e depois vários polícias à volta deles, mas conseguiram escapar. Esperei até a ambulância chegar e depois vim-me embora. Ele estava consciente e tudo mas… quando ouvi o polícia dizer aquilo fiquei tão assustada… - o irmão abraçou-a e suspirou.

- O que ele faz tem muitos riscos – murmurou.

Chelsea não descansou enquanto o pai não chegou a casa, o que aconteceu por volta das duas da manhã. Só depois de o ouvir a contar a história a Margaret e de verificar que estava bem é que conseguiu adormecer.

Acordou ainda antes do despertador. Estava morta de sono, mas demasiado preocupada para conseguir descansar. E se aqueles homens voltassem?

Levantou-se e arrastou-se até à casa de banho, onde, como tinha tempo, tomou um duche para acordar. Vestiu uma roupa quentinha e meteu o gorro branco que Jensen lhe tinha oferecido no Natal, tal como o anel que nunca tirava. Depois de arrumar as coisas dentro da mala, desceu as escadas e, ao passar para a cozinha, viu o pai sentado no sofá de sala, com a perna com apenas um pequeno curativo. Foi ter com ele.

- Estás bem? – Perguntou-lhe. Ele não sabia que ela sabia o que tinha acontecido, por isso ela não lhe podia perguntar tudo o que queria – O que aconteceu?

- Dois homens escaparam da nossa custódia e viraram-se contra mim – disse ele, suspirando. Tinha um ar cansado, era evidente que não tinha pregado olho toda a noite – Mas estou bem, não tens que te preocupar.

Chelsea deu-lhe um abraço bem apertado e suspirou.

- Não vais trabalhar hoje, pois não?

- Não, disseram-me para ficar uns dias em casa.

- Já os apanharam? – Norman ficou em silêncio, e Chelsea suspirou – Não – deduziu – Pai, e se eles voltam?

- Porque voltariam?

- Por tua causa. Disseste que se viraram contra ti, isso soa pessoal. Podiam simplesmente ter fugido, mas escolheram magoar-te.

Norman sorriu.

- Parece que alguém anda a ter muitas intuições policiais – disse, em tom de brincadeira – Fui eu que os prendi, e sim, eles juraram várias vinganças, mas muitos criminosos o fazem sem que nunca as cumpram.

- Mesmo assim… não te quero deixar aqui sozinho…

- Relaxa, há um carro de patrulha lá fora. Eles não se iam atrever a vir à casa do xerife. Vai-te despachar, tens que ir para a escola.

Chelsea suspirou. Não gostava da ideia de o deixar sozinho em casa o dia todo, não gostava nada, mas tinha sido dele que tinha herdado a sua teimosia, por isso sabia que era inútil discutir. Em vez disso foi tomar o pequeno-almoço e quando a mãe desceu, tal como Richard, já ela tinha saído de casa.

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2 comentários

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De ♥ Annie ♥ a 12.08.2013 às 17:04

Pobre Norman, até fiquei preocupada...
E TAMBEM ESTOU COM MEDO QUE ELES VOLTEM!!!
Adorei
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De Annie a 16.08.2013 às 20:45

Fiquei super contente com este capítulo, tem tanta ação ...

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