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DDO: Batalhas sem Fim

por Andrusca ღ, em 02.08.13

Capítulo 17

A Época de Milagres * Parte 2


Durante a tarde Chelsea e Jensen percorreram as ruas de Diamond City com os seus disfarces e ninguém se atravessou nos seus caminhos. Quem assistia às cenas da Defensora a presentear os pequenos ficava boquiaberto, quem não assistia perguntava aos que tiveram essa sorte. Certo é que ao fim da tarde já o saco mal pesava, e não só pelas coisas terem sido distribuídas por quem as pediu, mas também por Chelsea ter ido dando uma aqui e outra acolá a quem passava.

- Já só falta uma carta – anunciou Jensen – Queres ser tu a lê-la?

- Pode ser – Chelsea agarrou na carta e começou a lê-la: - “Querida Defensora do Oculto, a minha mãe diz que fazes milagres e que ajudas as pessoas. Podes-me ajudar a mim? Tive um acidente há três meses e desde então que as minhas pernas não funcionam. Os médicos dizem-me para ter paciência, que elas podem voltar ao normal. Mas e se não voltarem? Neste Natal só quero que me devolvas as minhas pernas e que me ajudes a andar novamente” – Chelsea engoliu em seco e sentiu um aperto no coração, as palavras que lá estavam escritas começaram a atingi-la, era como se sentisse a dor de quem as escreveu – “Quero voltar para a escola e brincar com os meus amigos. Gosto de jogar futebol, sabias? Como é que posso jogar futebol numa cadeira de rodas? Estou farto de estar no hospital e quero ir para casa, e isso podia acontecer se tivesse as minhas pernas boas. Por favor, por favor, dá-me um pouco da tua magia. Um beijo e um abraço muito grande do teu grande e fiel seguidor Neal”.

- Chels…

- O que é que vou dizer para esta criança? – Perguntou Chelsea, baixinho, respirando fundo.

- Não tens que ir, há mais desejos que não cumprimos…

- Sim, pedidos de prendas excessivamente caras ou fúteis mas isto… ele merece que eu ao menos vá falar com ele, certo?

- Mas não podes concretizar o seu desejo Chels.

- Olha, o hospital é já ali – Chelsea apontou para o hospital – Estamos tão perto Jensen… quem sabe, talvez haja mais alguma coisa que lhe possa dar.

Jensen encolheu os ombros e ambos começaram a andar. Ele não gostava muito da ideia, sabia que Chelsea, ao ver aquele rapaz numa cadeira de rodas, se ia sentir mal por ele e por não lhe conseguir concretizar o desejo. Mas sabia que ela era teimosa e que por muito que isso a fosse magoar, não ia voltar atrás.

Quando chegaram ao recinto do hospital, viram-no. Tinha dez anos, no máximo, e Chelsea sentiu um aperto no coração. Realmente era uma injustiça que crianças perdessem a chance de viver realmente, enquanto assassinos e ladrões andam pelas ruas livremente. Jensen ficou mais para trás, Chelsea pediu-lhe que a deixasse falar a sós com o rapaz, e à medida que ela se ia afastando ele ia-se arrependendo.

- Neal? – Perguntou Chelsea, fazendo com que o rapaz virasse a cadeira e ficasse de frente para ela – És o Neal?

Neal abriu um sorriso deslumbrante.

- És a Defensora do Oculto – constatou ele, com um brilho especial nos olhos – Recebeste a minha carta?

- Neal, lamento tanto – começou Chelsea por dizer, baixando-se e pondo-se de cócoras apoiada com as mãos na cadeira travada do rapaz –, não posso fazer com que andes outra vez. Se os médicos dizem que há a possibilidade de andares novamente, então tens que acreditar neles…

- Mas é Natal… e tu és mágica – replicou o rapazinho. Chelsea fechou os olhos e respirou fundo. Como se diz a um miúdo pequeno que não se consegue fazer com que ele ande?

- Eu sei – murmurou ela –, e quem me dera poder. Mas os meus poderes apenas podem ajudar pessoas com problemas especiais, percebes?

- Pessoas que são atacadas por coisas estranhas, certo? – Chelsea sorriu.

- Exacto. O teu problema está nas mãos de uma equipa médica que tenho a certeza estar a fazer o melhor trabalho que consegue. Neal, olha para mim – o rapaz olhou directamente nos olhos verdinhos da Defensora e corou levemente –, tu vais andar novamente. E vais fazê-lo por ti, com o teu esforço, com o teu mérito. Apenas tens que acreditar em ti.

- Vieste aqui para me dizeres isso? – Perguntou ele.

- Não só… Neal, não te posso fazer andar… o que dirias se te fizesse voar? – Os olhos do rapaz nunca brilharam tanto como naquele momento.

- Estás a falar a sério? – Perguntou ele – Isso seria um milagre!

- Bem… é Natal, é uma época de milagres.

Chelsea empurrou a cadeira de Neal até atrás dos arbustos onde Jensen estava e divertiu-o por vários momentos a fazê-lo flutuar pelo ar e deslocar-se aonde lhe pedia. O jovem rapaz nunca riu tanto na vida.

- Isto é tão fixe! – Dizia ele.

Jensen olhou para a namorada com orgulho enquanto a via sorrir para o miúdo. Ela podia não lhe concretizar o desejo, mas este seria certamente um dia que lhe ficaria para sempre na memória.

 

 

- Avó! Avô! – Gritou Chelsea, abraçando-se aos avós no meio do seu hall de entrada.

Depois de terem deixado o saco com o resto dos brinquedos no hospital, Jensen e Chelsea mudaram de roupa e voltaram para a casa da ruiva, onde já todos os esperavam.

Após um grande cumprimento a Arnold e Dakota, Chelsea finalmente deixou os avós e foram todos jantar. Foi um jantar animado, sempre com Margaret e Phyllis a trocarem graças sobre os seus filhos, o que deixou Chelsea e Jensen ligeiramente embaraçados por alguns instantes. Dakota ficou surpreendida de saber da relação da bela ruiva com o filho dos Mills, mas não desgostou da ideia. Já Arnold não ficou muito satisfeito pela neta ter arranjado um namorado, mas quem era ele para a proibir de alguma coisa?

Depois do comer e de as mulheres terem ajudado Margaret e arrumar a cozinha, deslocaram-se todos até à sala onde estava montada uma enorme árvore de Natal. Estava decorada com fitas vermelhas e várias bolas douradas, entre outras cores, e tinha muitos presentes lá debaixo. A conversa continuou entre os membros da família e Arnold não parou de falar sobre a posição do filho como xerife, com o próprio.

- E agora diz-me lá Norman, como vai o caso dessa rapariga? A Defensora do Oculto? – Perguntou-lhe.

- Oh não – disse Chelsea, em voz alta – Vocês não vão começar a falar disso porque sempre que entram nesse assunto não falam de outra coisa. Ela existe, é um facto, e desde a vossa última visita que não há nada de novo, está bem?

- Então que propões que façamos? – Perguntou Dakota.

Chelsea olhou para o relógio e sorriu.

- Meia-noite. É Natal pessoal – declarou ela.

A abertura de prendas começou. Richard ganhou um novo cachecol e um jogo para a PlayStation, jogo esse para o qual Jensen se voluntariou logo para experimentar. Dakota e Arnold ofereceram um novo abajur à nora e ao filho, e deles ganharam uma mala e uma camisa, respectivamente. Phyllis também teve direito a uma prenda, vinda do filho, sendo ela um novo vestido escolhido por Chelsea. Já Jensen recebeu uma nova t-shirt, um casaco e o novo CD que tanto queria, prenda da namorada. A ruiva foi a última a abrir as prendas e dos pais recebeu um novo roupão, do irmão dois filmes e dos avós um casaquinho de malha. Do namorado recebeu um gorro branco que, tal como as outras prendas, experimentou logo e lhe ficou mais que bem.

Quando todas as prendas foram abertas e a excitação diminuiu e o cansaço atacou, decidiram que estava na hora de irem dormir. Jensen ficou num colchão no quarto de Richard enquanto os avós de Chelsea ocupavam o quarto de hóspedes. Chelsea deixou a mãe do namorado ficar na sua cama, e por isso ficou a dormir no sofá da sala. Já depois de todos subirem para o andar de cima, e depois de já ter vestido o pijama cinzento com caras de porquinhos, pôs a almofada ao canto do sofá e o cobertor lá por cima, mas foi-se sentar no parapeito da janela a olhar as estrelas. “Adoro o Natal”, pensou ela, relembrando os momentos de há pouco. As gargalhadas, as caras ao abrirem as prendas… eram momentos impagáveis.

Ela não sabe quanto tempo esteve sem fazer nada, mas quando deu por si o relógio tinha acabado de dar três badaladas. “Devia ir dormir”, pensou. Levantou-se do parapeito e ao voltar-se viu um semblante parado em frente à porta, na sombra, e o seu coração falhou uma batida. Mas quando a pessoa deu meia dúzia de passos em frente, Chelsea acalmou.

- Assustaste-me – admitiu ela, fazendo Jensen rir.

- Estavas tão calma e pensativa que pensei que se te dissesse alguma coisa te ia mesmo assustar – murmurou ele.

- Pensava que estavas a dormir – o rapaz aproximou-se dela e agarrou-lhe nas mãos, fazendo-lhe uma festa. Ainda tinha o cabelo negro todo no sítio, apesar de já ser naturalmente despenteado, mas já envergava umas calças com riscas verdes, do pijama, e apenas uma blusa de cavas justinha ao corpo, branca.

- Não, estávamos na conversa. Queria fazer tempo até todos se deitarem, para te poder vir dar a minha prenda Natal – Chelsea franziu o sobrolho.

- Já me deste a tua prenda – murmurou ela, desconfiada.

- Não. Eu dei-te uma prenda, e agora vou-te dar a prenda – Jensen pousou apenas um joelho no chão e ficou a agarrar apenas a mão esquerda da rapariga dos caracóis ruivos, cujo coração disparou a cem à hora.

- Jensen, o que…?

- Relaxa, não é o que estás a pensar – descansou-a ele – Chelsea Burke, tu és, de longe, a última rapariga com quem pensava estar. És linda, sim, mas não sei, até um certo momento nunca consegui pensar em ti além da rapariga com quem gostava de me meter. Sei que estamos juntos por causa de toda aquela confusão Defensora/Escuridão, sei perfeitamente que se isso não tivesse acontecido hoje não estaríamos assim aqui… mas estou contente por ter acontecido. É incrível como andava tão cego e foi preciso descobrir que o mundo pode estar à beira de acabar para abrir os olhos e ver o que é mesmo importante. Tu. Amo-te mais do que a qualquer outra coisa – do bolso das calças do pijama Jensen retirou um anel prateado com apenas uma pedrinha roxa em cima, não muito grande.

- Jensen…

- Isto não é um anel de noivado. É uma promessa de que um dia te vou pôr um desses nesse dedo – o rapaz dos olhos azuis enfiou o anel no dedo anelar da amada e assim que se levantou foi brindado com o beijo mais doce de todos, seguida por um abraço.

- E eu vou dizer “sim” – garantiu ela, sorrindo e com os olhos a brilhar.

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4 comentários

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De ♥ Annie ♥ a 03.08.2013 às 18:33

A Chels foi mesmo querida para aquele rapazinho :')
E OMG JENSEN, LINDO LINDO LINDO.
Por momentos tambem pensei que ele a tivesse a pedir em casamento
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De Raqueel a 05.08.2013 às 16:46

Omg o: eu tambem quero m jensen para mim o: foii liindoo @
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De francis marie a 05.08.2013 às 19:16

Va-la, masta-me por só comentar agora :c
AI JASUS QUE EU AMEI TANTO, TANTO, TANTOOO *OO*
porque é que eu não tenho um com o jensen para mim? :c
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De Yria Rivers a 10.02.2014 às 13:44

eu nem vou comentar, eu nem vou comentar!!! opaaaaa derreti-me toda

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