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Armadura do Coração

por Andrusca ღ, em 20.07.13

Peço desculpa pela demora às almas que ainda lêem isto.

 

Capítulo 27

 

William observava a carta que tinha nas mãos ainda sem acreditar. Não podia crer que ela se tinha ido embora assim, sozinha, sem dizer adeus, sem pedir ajuda, lançar-se para a toca do lobo sem lhe dizer nada. Compreendia que podia não estar a ser exactamente justo com ela nos últimos tempos, mas nunca pensara que isso a forçasse a tal acto. Agora era ele quem se sentia responsável por ela ter ido ter com o homem que tanta dor tinha causado a todos, e não conseguia parar de pensar que, se tivesse agido de outro modo, talvez ela não se sentisse na obrigação de se meter naquela trapalhada.

- Elaine, o que é que ela fez? – Perguntou, ao fim de alguns segundos, com um suspiro de preocupação.

- Não sei. Apenas me pediu para lhe entregar essa carta. Se posso perguntar… o que se passou entre vocês os dois? – Elaine falou de um modo muito meigo e preocupado, o que fez com que o príncipe respirasse fundo.

- Nos calabouços disse-lhe coisas que… o que lhe disse não devia ser dito a ninguém. Eu sei que o ataque ao palácio não foi culpa dela, e sei que deu o seu melhor para salvar o meu pai… mas naquela altura estava tão zangado com tudo, tão furioso com a vida, que… que…

- A Samantha sempre foi assim, sabe? – Interrompeu-o a mulher, vendo que era um assunto com o qual ele não estava confortável – Desde miúda. Teimosa, resistente, forte… Quando vocês apareceram à minha porta foi um choque. O meu filho Jonah traiu-vos, a realidade que tive que aceitar foi que o meu próprio sangue tinha posto a vossa vida em perigo. Mas quando ela olhou para mim, e simplesmente disse “não foi culpa dele”, mesmo sabendo que me mentia, não pude evitar de sorrir. Porque faça ela o que fizer, é sempre a pensar nos outros e com a melhor das intenções. Mata-a saber a dor por que passou, príncipe William, por tudo o que aconteceu. Podia ver isso nos seus olhos.

- Eu sei. E eu fi-la sofrer mais – disse ele, arrependido.

- O que diz na carta?

- Que vai começar uma guerra.

- Que guerra?

- Aquela em que derrubamos o Marx de vez – Elaine respirou pesadamente e William olhou para ela, engolindo em seco – E se a Samantha não regressa, Elaine? E se nunca mais tiver a oportunidade de lhe dizer que lamento por tudo o que lhe disse?

- Ela sabe – garantiu-lhe – Ela sabe que está arrependido. Mas eu não me preocuparia com isso… ela vai voltar. Volta sempre. Sabe porquê? Tudo o que fez na vida, aquela rapariga, foi para…

- Sobreviver – completou o príncipe, fazendo-a assentir com a cabeça – Eu sei. Mas a sorte tende a terminar a algum ponto.

- Mas o que a Samantha tem não é sorte, príncipe William. É perseverança. Ela tem aquela vida dentro de si… é capaz de olhar a morte nos olhos e de dizer “não, ainda não, não está na minha hora”. Ela vai sair vitoriosa, sei que sim.

William assentiu com a cabeça. Sim, sentia o mesmo em relação à rapariga. Conseguia imaginá-la claramente a enfrentar qualquer situação e a sair-se vencedora, como se não fosse feita de carne e osso mas sim de alguma matéria divina e indestrutível.

- O que é que eu faço agora? – Perguntou.

- O que ela lhe pediu… É o melhor para todos, o William recupera o seu reino, o povo tem alguém leal a quem recorrer… - aconselhou-o ela – E a nossa Samantha há-de regressar para nós. Deus sabe os nervos com que fico quando aquela rapariga vai para uma nova batalha, mas também sabe que a deve ajudar a vencer. E a melhor maneira de nós a ajudarmos é fazermos o que nos pede. Não acha?

- Sim… sim, acho.

O príncipe levantou-se e foi chamar todos, enchendo aquela pequena sala num instante. As princesas sentaram-se à mesa, mas os soldados permaneceram em pé, com ar de caso.

- Já sabe o que se passa? – Perguntou Eresm.

- A Samantha foi fazer um acordo com o lorde Marx. Convenceu-o a devolver-me as nossas terras e a reconhecer-me como rei, em troca de uns pequenos territórios para seu nome – disse William.

Quorq achou estranha a sua expressão pensativa e tristonha, por isso franziu as sobrancelhas.

- É apenas por isso que tem essa cara? – Perguntou-lhe.

- Não Quorq, não é… nesse mesmo acordo, o lorde Marx fica também com a Samantha.

- Para quê? – Questionou Eresm.

- Ela sabia que ele procurava algo, e ofereceu-se a si e à sua ajuda em troca de tudo o resto, confiante de que ele aceitaria. E ele aceitou – foi Elaine quem respondeu – Espera conseguir derrotá-lo, por dentro. E devolver-vos o que perderam. O reino do príncipe William… a vossa honra enquanto soldados…

- Mas nós não lhe pedimos nada – retorquiu Eresm – Ela devia era ter ficado quieta!

William sorriu de um modo discreto.

- É a Sam – constatou – Ela nunca fica quieta.

 

*

 

O quarto onde Samantha estava instalada era o mais vigiado de todo o palácio. Tinha dois guardas à porta, e mais dois em cada entrada do corredor. Era o mesmo em que tinha ficado instalada quando resolvera revelar-se a Irinoi, porém agora, a cada dia que passava, parecia-lhe mais uma masmorra do que acolhedor. Andava às voltas de um lado para o outro, a pensar no que faria quando regressasse a Walcaster com o lorde Marx, tal como em todos os dias anteriores, mas tudo o que lhe ocorria era que tinha de engolir em seco e descobrir o que ele procurava, desse por onde desse.

A porta do quarto abriu-se e de lá apareceu Raj, agora com uma armadura igual à dos soldados de Marx.

- O rei Marx pediu-me para te vir buscar – disse, de um modo livre de simpatias. Samantha assentiu com a cabeça e saiu do quarto, observando os outros guardas, para andar pelo corredor com o antigo comandante atrás de si.

Antes de chegarem à sala do trono, Raj puxou-a pela mão e enfiou-os aos dois numa sala pequena, fechando a porta.

- O que é que estás a fazer? – Perguntou Samantha, baixinho.

- O que é que achas? – Retorquiu ele, abraçando-a com força e sorrindo. Era o primeiro momento a sós que tinham – Não acredito que fizeste isto. De todos os planos que imaginei que tivesses… nunca pensei que te fosses entregar a ele. Desculpa ter lutado contigo, mas…

- Não faz mal Raj, fizeste o que te pedi para fazeres. E eu fiz o que tinha de fazer. E sei que quando chegar à altura, vais-me escolher a mim em vez do Marx. E vais lutar ao meu lado. É apenas isso que importa. Vamos para a minha Casa, vou descobrir o que é que o Marx tanto quer, e vou-me garantir de que nunca o obtenha. E depois matamo-lo. Estás comigo?

- Sim. E deixa-me dizer-te já, para não seres apanhada desprevenida, que o príncipe William chegou e está na sala do trono com o Marx, e o Eresm e o Quorq. O Marx pediu-me para te vir buscar para que o vejas a fazer o acordo com o príncipe, o que significa que assim que o tratado for assinado, partimos.

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4 comentários

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De Annie a 21.07.2013 às 01:42

Est+a cada vez mais interessante, não entendo o porquê da falta de comentários nesta história.
Como será que a sam vai reagir ao ver o william e os restantes?
Beijinhos
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De Bia a 21.07.2013 às 18:16

E pronto, já me atualizei :) Bem, os capitulos estão ótimos e só espero que o plano da Samantha corram bem e que ela descubra o obeto tão procurado!

Desculpa e Beijinhos
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De ♥ Annie ♥ a 21.07.2013 às 23:06

Eu gosto do Raj :)
''é capaz de olhar a morte nos olhos e de dizer “não, ainda não, não está na minha hora''' Amei
Quero que ela e o Will falem e resolvam tudo.
Espero que corra tudo bem :s
''- É a Sam – constatou – Ela nunca fica quieta.'' ahah

E pronto, já me actualizei com os capitulos e já anseio por mais :)
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De francis marie a 22.07.2013 às 12:08

OMG QUE PERFEITO *---------------*
Quero mesmo saber como é que isto tudo vai acaba estou cada vez mais ansiosaaaa *-*

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